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31/05/2017 - 11:04

Luto pelo assassinato de Melissa de Almeida Araújo

A morte violenta da profissional chama à reflexão sobre o papel da Psicologia no sistema prisional

No último dia 25 de maio, a Psicologia brasileira sofreu uma triste perda no quadro de profissionais que atuam no sistema prisional. A vítima foi a psicóloga Melissa de Almeida Araújo, brutalmente assassinada em Cascavel/PR, após ser baleada em tiroteio na entrada do condomínio em que residia com seu esposo e filho ainda bebê. Melissa tinha 37 anos e trabalhava na Penitenciária Federal de Catanduvas.

A morte prematura de Melissa Araújo nos remete à discussão sobre a missão dos profissionais da Psicologia na operacionalização da máquina carcerária voltada ao controle de pessoas presas condenadas pela justiça penal. Há mais de uma década, o Sistema Conselhos de Psicologia tem defendido que a atuação de psicólogas (os) no sistema prisional seja voltada para o cuidado das pessoas e não para a assinatura em pareceres. A maior contribuição da Psicologia no Sistema Penitenciário está na problematização dos efeitos psicossociais produzidos pelo processo de encarceramento.

Assim como Melissa, muitas (os) as psicólogas (os) lidam diariamente com a dura realidade do encarceramento e se mantêm numa posição de resistência aos principais efeitos mortificadores da prisão. Acreditamos que não basta discutir a manutenção ou a progressão da pena, é essencial um debate mais amplo sobre o modelo majoritário de penalidade adotado neste país e qual a principal função da prisão em nossa sociedade para se manter tanto tempo em crise e reprodutora de crimes e altos níveis de reincidência.

Que a dor da perda desta colega se transforme em coragem e força para que possamos seguir na luta por um exercício profissional da Psicologia respaldado na ética e na defesa dos direitos humanos. Que inspirados por sua biografia prematuramente encerrada de forma brutal, possamos fazer a diferença no sistema penitenciário brasileiro.

Conselho Federal de Psicologia