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08/06/2017 - 9:46

CFP participa de debate sobre “Janeiro Branco”

Rosane Granzotto propõe ampliação crítica do debate sobre campanha

O cuidado com a saúde mental e o incentivo à busca da psicoterapia foram algumas das questões debatidas em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados nessa terça-feira (6/6), em Brasília. O evento teve a participação do Conselho Federal de Psicologia (CFP), do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (CRP-15) e do Movimento Janeiro Branco.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 11,5 milhões de pessoas sofrem de depressão, por ano, no Brasil. O país é o segundo das Américas e o quinto do mundo em número de casos. Só em 2016, 75,3 mil trabalhadores foram afastados de suas atividades por depressão.

Mesmo assim, o tema é tabu na sociedade brasileira e motivou, em 2014, psicólogas (os) a promoverem a campanha Janeiro Branco, de forma a conscientizar as pessoas sobre a importância dos cuidados com a saúde mental e emocional.

Autora do requerimento para a audiência pública, a deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) destacou a necessidade de se encontrar tratamentos alternativos à medicação, que pode levar à dependência química. Ela avalia apresentar projeto de lei para incluir a campanha “Janeiro Branco” no calendário oficial do país. “As doenças emocionais são silenciosas, difíceis de serem detectadas, então, precisamos promover campanhas para despertar as pessoas.” 

Posição do CFP

A conselheira Rosane Lorena Granzotto, que representou o CFP na audiência, explicou a posição da autarquia sobre a matéria. Ela disse que o mote da campanha – o incentivo à busca da psicoterapia para o cuidado com a saúde mental – é relevante, pois promove a visibilidade de um dos campos da prática profissional da Psicologia. Além disso, incentiva a sociedade a se aproximar mais das questões relativas ao sofrimento psíquico, “salientando-se aqui o direito individual e inalienável de escolha do tratamento desejado”.

No entanto, a conselheira fez ponderações, como que o cuidado com a saúde mental vai além da prevenção e do encaminhamento do indivíduo em sofrimento à psicoterapia. “Nossa luta para a promoção da saúde mental deve apontar para a efetivação das políticas públicas e inclusivas baseadas nas prerrogativas da universalidade, da integralidade e da equidade, buscando a interlocução com outros saberes e práticas profissionais.”

Granzotto reforça que a campanha deve promover prioritariamente uma prática psicológica como instrumento de garantia dos direitos fundamentais, do enfrentamento à violência, dos preconceitos e das condições objetivas e subjetivas que produzem sofrimento psíquico.

A deputada Erika Kokay (PT-DF), psicóloga por formação, acredita que mais do que uma campanha anual, as (os) psicólogas (os) deveriam lutar por uma ampla política de saúde mental, com valorização das (os) profissionais e ampliação da oferta de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Neste sentido, ela citou a inclusão da (o) profissional de Psicologia nas equipes de saúde da família. 

Com informações da Agência Câmara