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04/01/2017 - 15:16

Nem uma a menos

Nota do CFP sobre o caso de feminicídio em Campinas

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta publicamente sua profunda consternação diante do episódio de feminicídio ocorrido na madrugada do dia 1º de janeiro, em Campinas (SP).

A chacina, cometida por um homem contra 12 pessoas – entre elas, nove mulheres –, foi motivada por misoginia e intolerância e reflete a escalada conservadora à qual assiste a sociedade brasileira, que amplia a violência em geral e, com mais ênfase, a violência contra as mulheres e as chamadas minorias.

Em carta (ampla e levianamente divulgada por parte da nossa imprensa), o autor dos disparos atribui à ex-esposa, às mulheres, ao feminismo e às leis criadas ao longo dos últimos anos contra o feminicídio a brutalidade que cometeu.

A violência do patriarcado e a banalização da misoginia são práticas sociais e institucionais introjetadas em nossa cultura. Os casos de violência contra a mulher violam os direitos humanos e são um problema de saúde pública, que deve ser enfrentado por toda a rede de saúde e serviços de garantia de direitos.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde e do Mapa da Violência no Brasil, o país configura-se em quinta posição entre aqueles com maior incidência de assassinatos de mulheres.

Nesse sentido, o CFP elaborou, após consulta e contribuição dos conselhos regionais, uma nota técnica de orientação profissional para quebra de sigilo em casos de risco de feminicídio, que orienta a realização da comunicação externa (denúncia) se a vida da mulher – ou a de seus filhos, ou de pessoas próximas – estiver seriamente ameaçada.

Ao mesmo tempo que nos solidarizamos com familiares e amigas(os), reforçamos a urgência em obstar o desmonte de políticas de combate à violência contra a mulher por parte do atual governo e seguir lutando por projetos integrados, que envolvam práticas de saúde, de assistência, de justiça e de educação não sexistas.

Comentários

21 comentários
FELIPE RAFAEL KOSLOSKI - 04/01/2017 18:24

Parabéns CFP

Denise Levy Tredler, des. TJRJ - 05/01/2017 8:59

Importante Nota do CFP, que a par da solidariedade manifestada, aponta caminhos, assim como as políticas de combate à violência contra a mulher devem estar entre as prioridades da União, dos Estados e dos Municípios brasileiros. Estarrecedora a posição do Brasil no mencionado mapa da OMS. Nos tribunais também é possível perceber os graves danos que nossa conservadora e excludente sociedade, cada vez mais violenta, tem causado a mulheres e crianças.

Maria Augusta M . da costa. - 05/01/2017 9:18

Parabenizo o conselho pela manifestaçåo de solidariedade .3

Maria Augusta M . da costa. - 05/01/2017 9:18

Parabenizo o conselho pela manifestaçåo de solidariedade .3

Monica Lavoyer Escudeiro - 05/01/2017 9:55

Recomendo que a nota técnica de orientação profissional seja assinada e que contenha logo do CFP, com papel timbrado e outras formas de tornar esta documento oficial. Pensei em enviá-lo para colegas de profissão mas ele está sem ‘solto’, desvinculado da matéria ele fica muito frágil.Atenciosamente, Monica Lavoyer Escudeiro (13839/5).

Raquel Gandelsman - 05/01/2017 14:44

Parabéns e obrigada às/aos conselheiras/os, continuem atentas/os e se posicionando em nosso nome contra todas as iniquidades que aconteçam!

Vinícius - 05/01/2017 16:24

Leis mais rígidas tem que ser tomadas, caso contrário violência contra mulheres certamente crescerá

Joice Teresinha da Silva - 05/01/2017 17:13

Obrigada e Parabéns pela iniciativa mais uma vez.

Silvia Regina Lopes de Moura - 05/01/2017 17:26

O Brasil está retrocedendo no processo de direitos humanos e as mulheres, crianças, jovens e idosos sofrem cada dia mais com o total descaso das autoridades. Precisamos urgentemente de políticos comprometidos com uma sociedade mais justa.

Maria dos Anjos Silva Medes - 05/01/2017 19:12

Gostaria de contribuir para o combate desse tipo de violência, como tbm de outros. Aliviada ao saber que poderá haver quebra de sigilo, no caso de risco para cônjuges ou “outros”. 5

Rosemere Simoes Meirelles - 05/01/2017 21:10

Apóio!
Informação importantíssima Vamos a luta!

Ótima iniciativa do CFP, juntas vamos à luta.

Legal, pois proteção também é saúde

Maria Salete Soares do Nascimento - 06/01/2017 16:07

Esperava essa solidariedade do CFP!

FERNANDO JOSÉ BARCELOS - 06/01/2017 21:27

Ótima iniciativa porém, não podemos esquecer da proteção dessas mulheres e seus filhos e se necessário familiares,durante o tempo de julgamento dos agressores , devido as ameaças que as vítimasvenham a sofrer. Quando o agressor fica detido,as vitimas ficam em paz mas o que pode acontecer quando estes não ficam detidos? Como irão se defender quando o agressor estiver cumprido a sua pena? São queztoes que devem ser analisadas e com urgência. Obrigado.

Ma.Salvelina Tavares de Azevedo - 07/01/2017 6:34

Excelente a atual postura do Conselho, ao se posicionar contra essa barbáries e orientar nosso corpo profissional quanto a quebra de sigilo.

Marilu Goulart - 07/01/2017 9:21

Mais do que apoio é preciso ação e intervenções em todas as instâncias. Por parte das mulheres, dos homens, de todos que querem viver num mundo que, mais do que respeito, tenha amor pelas diferenças!!!

Obélio Freitas - 07/01/2017 11:38

Parabéns pela nota!!!
Lutemos por profissionais em psicologia nas escolas públicas!!!

Bernardete Casadei de Oliveira Loures - 08/01/2017 13:08

Infelizmente as mídias sociais em conjunto com a imprensa de forma inversa ao invés de colaborar fazendo campanhas que incentivem a boa convivência entre TODOS, ajudam a espalhar os atos de violência de uns com os outros! Lamentável!

Acredito que o que leva uma pessoa a cometer uma chacina dessa está além de misoginia e intolerância. Como psicólogos, porque acreditam que quem elaborou tal nota o seja (não faria sentido o contrário no CFP), antes de apontar os motivos dessa atrocidade à intolerância, etc, deve levar em consideração o estado psicológico da pessoa. Não buscando retirar a culpa, ou justifica-la, mas tratando o indivíduo como um humano doente, e ao meu ver com sérias perturbações mentais para chegar nesse ato. Ressalto que não procuro justificar, ou atenuar a culpa sobre o indivíduo, mas chamar atenção quanto a postura publicamente tomada. A intolerância não é o motivo e sim o resultado de um emaranhado muito complexo

[…] Retiramos do Código Penal Brasileiro o “crime contra a honra”, que permitia, ou autorizava, que homens tirassem a vida das mulheres sob a alegação de que mancharam sua imagem e honradez. Mesmo assim, o feminicídio ainda é comum. […]

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