Nesta quinta-feira, 29, a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CDH/CFP) manifestou repúdio às crescentes ameaças de violência, intimidações e manifestações racistas direcionadas a comunidades indígenas no país. O posicionamento da Comissão tem como foco a solidariedade ao povo Guarani, no Mato Grosso do Sul, após a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) protocolar representações no Ministério Público Federal (MPF), na Procuradoria Regional Eleitoral e na Polícia Federal.
NOTA DE REPÚDIO ÀS AMEAÇAS CONTRA OS POVOS INDÍGENAS E DE SOLIDARIEDADE AO POVO GUARANI
A denúncia da APIB aponta a circulação de áudios com discursos discriminatórios e ameaças, como restrição a serviços essenciais, coerção política e envenenamento de fontes hídricas, gravados após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 nos municípios de Tacuru e Nioaque (MS). O CFP destaca que o caso se insere em um contexto nacional mais amplo de violência política eleitoral contra comunidades originárias, citando episódios recentes de perseguição e mortes em territórios como Votouro (RS), Yanomami, Kayapó, Munduruku e Parakana.
Diante do cenário, o CFP cobra do Governo Federal e das autoridades de investigação uma resposta articulada, com apuração célere dos fatos, identificação dos responsáveis e adoção de medidas preventivas. Entre as ações prioritárias solicitadas pelo conselho estão a proteção física das comunidades afetadas e a avaliação urgente da segurança do abastecimento de água nas áreas citadas, sempre em diálogo com as lideranças locais.
A autarquia ressalta ainda a dimensão psicossocial do problema, alertando que a violência étnico-racial e a intimidação geram impactos profundos na saúde mental, na autonomia coletiva e na preservação dos vínculos comunitários dos povos indígenas.