A cooperação internacional entre profissionais da Psicologia, o respeito à diversidade cultural e o compromisso com os direitos humanos foram alguns dos pontos defendidos pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) durante o 7.º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP).
O evento reuniu profissionais e representantes de organizações da Psicologia para discutir os desafios científicos e profissionais da área em âmbito internacional. Durante o evento, a delegação do CFP, representada pela presidenta Ivani Oliveira, pela conselheira-tesoureira Claudia Carvalho e pelo assessor de relações institucionais Lucas Maximo, participou de debates sobre a atuação profissional sem fronteiras, a produção de conhecimento científico conectado às realidades sociais e a responsabilidade ética diante das novas tecnologias. O congresso ocorreu de 7 a 9 de outubro, em Coimbra, Portugal.
Na sessão “Rede, suporte e pertencimento: a Psicologia sem fronteiras Brasil–Portugal”, promovida pela Associação de Psicólogas Brasileiras em Portugal (APBP), a presidenta Ivani destacou a parceria entre as instituições e o Protocolo de Intenções firmado pelo CFP e pela OPP em 2024. A iniciativa estabelece bases para a cooperação científica, o intercâmbio de informações e a orientação de profissionais interessadas em atuar nos dois países. “Gosto de olhar esse protocolo como um mapa de sementes: apoio a quem se candidata, informação acessível sobre os critérios, formação sobre legislação e ética, cooperação científica, um grupo de trabalho conjunto. E a APBP, que ajudou a plantá-lo, está no próprio texto”, pontou a presidenta, ao ressaltar a importância de fortalecer essa articulação e as redes de acolhimento às psicólogas brasileiras em Portugal.
Já no debate “Psicologia, ciência e profissão global”, com representantes da OPP, da Federação Europeia de Associações de Psicólogos (EFPA), da Associação Americana de Psicologia (APA) e da Federação Europeia de Associações de Estudantes de Psicologia (EFPSA), Ivani apresentou a experiência brasileira de construção coletiva das diretrizes da profissão por meio do Congresso Nacional de Psicologia. mesma destacou a defesa de uma Psicologia comprometida com a democracia, a justiça social e a ampliação do acesso ao cuidado, especialmente para populações historicamente excluídas.
“Nosso desafio e nossa oportunidade é levar conhecimento e cuidado de qualidade a toda a população, inclusive àquela que os serviços historicamente deixaram de fora. É a essa tarefa que a Psicologia brasileira dedica o seu trabalho, com compromisso com a democracia, a justiça social e a garantia de direitos”, ponderou.
A presidenta também ressaltou que a produção científica precisa considerar as realidades culturais e sociais dos territórios. Como exemplo, apresentou o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop), que completa 20 anos este ano e produz referências para a atuação profissional a partir da experiência de psicólogas que trabalham nas políticas públicas.
Outro tema abordado foi a inteligência artificial. Ivani defendeu que o uso dessas ferramentas na Psicologia seja acompanhado de formação, proteção de dados e critérios éticos, com atenção aos riscos de reprodução de desigualdades.
Entre as iniciativas do CFP na área estão a Nota de Posicionamento sobre Inteligência Artificial e Psicologia, publicada no ano passado, e um guia para uma prática ética e responsável. “O que a Psicologia brasileira leva a esta conversa é a convicção de que cabe a nós decidir, coletivamente, o que queremos que essas tecnologias façam, em quais condições e a serviço de quê”, destacou.
A participação no congresso reafirmou a disposição do CFP de manter e ampliar a parceria com a OPP e a APBP. Além do intercâmbio científico e profissional, a cooperação pode avançar em temas como inteligência artificial, Psicologia educacional e emergências, direitos humanos, diversidade e desastres climáticos.