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12/07/2019 - 14:37

CFP manifesta indignação e tristeza com incêndio em casa de reza dos Guarani e Kaiowá

Comissão de Direitos Humanos do CFP também repudia o incêndio que ataca os direitos humanos das populações indígenas e afeta sua saúde mental

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e sua Comissão de Direitos Humanos manifestam profunda indignação e tristeza com o incêndio que destruiu a principal e mais antiga casa de reza dos Guarani e Kaiowá, localizada na Aldeia Jaguapiru na Reserva Indígena de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande (MS), na madrugada desta segunda-feira (8).

Sob os cuidados do cacique Seu Getúlio Juca e sua esposa Dona Alda Silva, a casa de reza era espaço sagrado para os Guarani e Kaiowá, local principal dos processos de transmissão de conhecimentos deste povo e utilizada para diversas atividades tradicionais das(os) Indígenas, como batizados, rituais religiosos, rezas, atividades culturais, entre outras. Além disso, o espaço guardava objetos de culto como o Yvyrai, Xiru e Mbaraka, relíquias ancestrais centenárias da cultura Kaiowá.

O local era referência cultural da comunidade e já recebeu muitos eventos como o Encontro Nacional de Estudantes Indígenas, o Kunhangue Jeroky Guasu, além de receber diariamente crianças para serem batizadas, benzidas, fazerem tratamentos médicos tradicionais, além de orientação espiritual.

A casa de reza é uma expressão de uma composição política que é o parentesco Kaiowá. E grande parte das vulnerabilidades que os Kaiowá vivenciam hoje estão relacionadas à fragilização dessas redes de parentesco. Desta forma, a casa de reza torna-se a habitação comunal daquele povo. Um incêndio neste local é não apenas a destruição de um espaço físico, mas o aniquilamento simbólico desta expressão cultural, religiosa e de parentesco.

Por essas características da casa de reza como espaço sagrado e de expressão da cultura, da religiosidade, do parentesco e de transmissão das tradições, há indícios de que o incêndio seja uma ação de intolerância religiosa e, portanto, um ataque direto aos direitos humanos das populações indígenas, já tão vulnerabilizadas, afetando a saúde mental e o bem viver individuais e coletivos destas populações.

Incêndio em reserva Pataxó

Um dia antes do ocorrido em Dourados, na madrugada do dia 7 de julho, outro incêndio atingiu a aldeia Naô Xohã, do povo Pataxó de Brumadinho (MG). A aldeia fica em uma área de 370 hectares coberta com Mata Atlântica.

Em janeiro deste ano a aldeia, que fica às margens do Rio Paraopeba, foi prejudicada pelo crime ambiental da mineradora Vale, com o rompimento da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho. A lama de rejeitos poluiu o rio, principal fonte de sustento dos Pataxó.