O Conselho Federal de Psicologia (CFP) oficializou, no dia 10 de abril, a posse das(os) integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) para a gestão 2026-2028. A solenidade, realizada na sede da Autarquia, marcou a celebração de um trabalho iniciado em fevereiro, logo após a designação da nova composição pelo XX Plenário.
Órgão permanente do CFP instituído pela Resolução nº 11/98, a Comissão de Direitos Humanos busca integrar os direitos fundamentais à formação, pesquisa e prática profissional. Sua atuação reafirma o papel da Psicologia brasileira na denúncia de violações e na construção de alternativas pautadas na dignidade humana.
A cerimônia reuniu conselheiras(os) federais, representantes de Conselhos Regionais (CRPs) e de instituições de direitos humanos. Contou ainda com a participação da deputada federal Erika Kokay e com mensagens enviadas pelo deputado Reimont e pela senadora Mara Gabrilli.
O evento reafirmou o compromisso ético-político da categoria com a dignidade humana, consolidando a CDH como um espaço estratégico de resistência da Psicologia brasileira contra as opressões que impactam a saúde integral e a vida das coletividades vulnerabilizadas.
A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou a posse como a continuidade de uma trajetória histórica iniciada em 1998 e ressaltou que a CDH materializa o posicionamento institucional de que não há prática psicológica possível fora do horizonte dos direitos.
“A Comissão de Direitos Humanos afirma, em sua essência técnica e política, que o sofrimento psíquico não pode ser compreendido de forma deslocada de condições sociais, econômicas e históricas que o produzem”, pontuou a presidenta do CFP.
Ivani Oliveira enfatizou ainda que a nova gestão assume o compromisso de interpelar o Estado e a sociedade sempre que houver produção de dor, silenciamento e invisibilidade. “É um princípio que estrutura a Psicologia brasileira. Dependemos dela para nos reafirmarmos enquanto éticos”.
No triênio da nova gestão, coordenada pelas conselheiras do CFP Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, a CDH planeja priorizar materiais orientativos para qualificar a atuação ética da categoria na promoção de direitos. O colegiado também prevê intervir em violações que geram sofrimento mental e demarcar a atuação do Sistema Conselhos como polo de incidência política frente ao impacto das desigualdades nas subjetividades brasileiras.
A coordenadora Jaqueline Gomes de Jesus sublinhou a importância de uma escuta atenta à pluralidade de territórios e ao letramento sobre as resistências brasileiras. A psicóloga destacou que a profissão deve ocupar espaços nas ciências, nas políticas e no mercado de trabalho formal, sem retroceder em suas conquistas. “Que esta Comissão de Direitos Humanos seja protagonizada por nós, as sementes dos outrora humilhados, ofendidos e excluídos. Somos sementes”, pontuou.
Jaqueline Gomes de Jesus enfatizou ainda o papel internacional da CDH como farol para o debate progressista. “Todas as vidas importam. Não há muros que isolem o sofrimento nem fronteiras que diminuam a dor”.
Também na coordenação da Comissão de Direitos Humanos, a conselheira federal Vanessa Terena falou sobre o desafio de contribuir para a formação de psicólogas e psicólogos quanto às especificidades dos povos originários e das populações trans e travestis.
“Nossas e nossos profissionais precisam estar preparados para trabalhar com essas realidades. A Psicologia não precisa nos dar voz, precisa nos dar ouvidos”, destacou a indígena psicóloga.
Vanessa Terena reforçou a importância do coletivo no enfrentamento às violências e na valorização da cultura originária. “Caminhemos nessa confluência e nesse rio que vai ser turbulento, mas que vai valer a pena”.
Conheça a nova composição
A nova formação da Comissão de Direitos Humanos (CDH/CFP) reúne profissionais com trajetórias de destaque na defesa dos direitos humanos e representa a diversidade regional da Psicologia no País:
- Jaqueline Gomes de Jesus (Coordenadora). Conselheira do XX Plenário do CFP. Psicóloga, doutora em Psicologia Social do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutora em Ciências Sociais e História pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Professora de Psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ).
- Vanessa Terena (Coordenadora). Conselheira do XX Plenário do CFP. Indígena psicóloga do povo Terena, com ênfase em Psicologia Social. Mestranda em Psicologia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Coordenadora da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos (Abipsi).
- Alexander Oliveira. Especialista em Saúde Coletiva e integrante da Articulação Nacional de Psicólogues Trans (ANPTrans).
- Caio Fadul. Psicólogo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBTs. Mestre em Psicologia Social e cofundador do Núcleo de Psicólogos Trans da Bahia.
- Claudio Brites. Psicólogo e psicanalista. Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP).
- Dalcira Ferrão. Psicóloga especialista em Administração Pública e Gestão Social. Fundadora da Articulação Nacional de Psicólogas(os) LGBTI+.
- Henrique Balieiro. Psicólogo, mestre em Psicologia (PUC Minas). Especialista em Direitos Humanos e fundador do Coletivo Psimigra.
- Ibson Batista. Psicólogo do Paraná + Diversidade. Coordenador de Psicologia do Grupo Dignidade e da Aliança Nacional LGBTI+.
- Josiane Wolfart. Psicóloga clínica e professora. Mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e especialista em Saúde Indígena.
- Julia Bueno. Psicóloga especialista em Psicologia Política (USP). Mestra e doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
- Luara Matos. Psicóloga Escolar e Educacional do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema).
- Millena Faustino. Mestranda em Psicologia pela Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). Coordenadora do Núcleo de Valorização da Vida (Nuvvi) e co-idealizadora do Coletivo de Negros e Negras de Oeiras/PI.
- Priscila Góre. Indígena psicóloga Kaingang. Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atua na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde.
- Rafael Ventimiglia. Psicólogo clínico e analista do comportamento. Presidente do Conselho Municipal LGBTQIA+ de Belém.
- Renata Lima. Psicóloga e pesquisadora na UFSC. Integra a Coordenação da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) de Santa Catarina.
- Tales Sumekwa. Indígena psicólogo Xerente graduado pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Referência Técnica de Atenção Psicossocial no Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins.
- Vitória Andrade. Psicóloga clínica e da saúde. Especialista em Saúde da Família e Avaliação Psicológica.
Confira fotos da cerimônia de posse.
Agenda estratégica
No sábado (11), a CDH realizou sua 3ª Reunião Ordinária, o primeiro encontro presencial do coletivo após agendas virtuais em fevereiro e março.
O plano de trabalho, em construção, prevê a revisão do regimento interno da CDH, a produção de materiais orientativos e a formulação de um calendário de incidência sobre temas urgentes, como questões relacionadas aos povos indígenas, ao meio ambiente, à luta antimanicomial, ao enfrentamento ao abuso sexual, a pessoas refugiadas e à educação não sexista.
Como encaminhamento, as coordenadoras apresentarão a síntese das reuniões ordinárias para integrar a pauta de direitos humanos a todas as ações e projetos do CFP. A próxima reunião será virtual e está prevista para 23 de abril.