Os graves impactos da chamada uberização do trabalho de profissionais da Psicologia foram tema de reportagem publicada pela TV Brasil e que traz o Conselho Federal de Psicologia (CFP).
A matéria, exibida em 23 de janeiro, mostra plataformas digitais que prometem conectar pacientes a psicólogas e psicólogos por valores que chegam a R$ 30,00 por sessão – cerca de oito vezes abaixo do proposto pela tabela de referência nacional de honorários da categoria.
Na reportagem da TV Brasil, a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou os impactos de serviços que promovem a redução de um trabalho tão complexo que é ser profissional da Psicologia.
“Para ser psicóloga, a pessoa precisa de uma graduação de cinco anos, muitas fazem também especializações e há, ainda, um processo contínuo de supervisão e de estudos. Quando uma plataforma remunera mal, e também controla de maneira equivocada o tempo de atendimento, fere a autonomia da profissão”, pontuou a presidenta do CFP.
A reportagem destaca que, além de precarizar o exercício profissional, a uberização também coloca em risco a qualidade do serviço prestado à população e as diretrizes éticas de atendimento psicológico.
Relatos indicam que algumas plataformas encerram automaticamente as sessões, o que pode interferir no manejo adequado de escuta do paciente. Além disso, há preocupação com o sigilo profissional, já que a gestão de dados e, em alguns casos, até a gravação das sessões, fica sob o controle das empresas.
O procurador do Trabalho, Rodrigo Castilho, também foi ouvido pela reportagem e reforçou o caráter precário e de exploração dessas plataformas. Ele explica que as plataformas vão além de facilitar a relação entre psicólogas e paciente.
“Essas plataformas não só colocam essas duas partes em contato: mas também estabelecem as regras de como esse serviço deve ser prestado, definem horários de atendimento, precificam o valor do serviço, ou seja, o valor da hora do serviço. Então, para essas plataformas, sim, o Ministério Público entende que há uma uberização da atividade”, apontou o procurador do Trabalho.
Acesse a íntegra da Reportagem
Valorização profissional e proteção à sociedade
Para o Conselho Federal de Psicologia, há um conjunto de dinâmicas que têm resultado em grave precarização do exercício desses profissionais, com comprometimento inclusive no campo da ética, do sigilo e da autonomia técnica.
Diante desses desafios, o Plenário 2.0 do CFP já está em articulação com um conjunto de entidades e instituições. O objetivo é debater soluções para a devida proteção dos princípios éticos que orientam a profissão e da qualidade do cuidado em saúde mental oferecido à população, além da justa remuneração ao trabalho como direito fundamental.
O diálogo tem como foco pautas como: reembolso realizado por planos de saúde; repasse feito por por plataformas de atendimento digital; definição unilateral de valores, metas e formatos de atendimento; concorrência predatória; e comprometimento da ética, do sigilo e da autonomia técnica.
Sugestão Legislativa
Está em debate no Congresso Nacional uma sugestão legislativa que propõe fixar um valor mínimo para pagamento de atendimentos psicológicos via aplicativos e convênios.
É a Sugestão Legislativa (SUG) nº 12/2025, que estabelece um piso nacional de R$ 100,00 por atendimento individual em planos de saúde, por meio de convênios; e em Plataformas Digitais.
O texto também propõe reajuste anual pelo INPC e sanções para quem descumprir o valor mínimo. A proposta está em consulta pública no site do Senado e a participação da categoria e de toda a sociedade é fundamental. Vote “SIM” à SUG nº 12/2025.
Plataforma de Mobilização
Mais informações podem ser consultadas na Plataforma de Mobilização Legislativa da Psicologia, espaço virtual criado pelo Conselho Federal de Psicologia e que reúne as principais informações dos projetos de lei de interesse da categoria e da sociedade.
A plataforma é uma ferramenta inovadora que busca aproximar psicólogas e psicólogos na mobilização das pautas no Congresso Nacional, com recursos tecnológicos acessíveis e intuitivos que conectam a categoria ao trabalho de incidência do CFP na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.