Diante das enchentes que atingem o estado de Gerais, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta solidariedade às populações afetadas e reforça a importância do cuidado psicossocial em situações de emergências e desastres.
A atuação da Psicologia nesses contextos vai além do atendimento individual: envolve articulação com políticas públicas e a atenção aos impactos coletivos e estruturais que agravam vulnerabilidades.
O CFP dispõe de um conjunto de documentos com orientações para as fases de preparação, resposta e reconstrução.
Minas Gerais já contabiliza mais de 70 mortes, além de pessoas desaparecidas, após as fortes chuvas que atingiram municípios como Ubá, Juiz de Fora e outras localidades.
A tragédia evidencia os impactos humanos e psicossociais das emergências e desastres socioambientais, fenômenos que têm se intensificado diante das mudanças climáticas.
Os impactos psíquicos decorrentes de fenômenos climáticos extremos – como secas, queimadas, enchentes e ondas de calor – convocam a Psicologia a uma atuação que ultrapassa o âmbito individual.
É um cuidado atento ao coletivo e às interseccionalidades que marcam a população brasileira.
Para apoiar a atuação profissional nesse campo, o CFP dispõe de ações e diretrizes específicas.
Entre elas, as Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas (os) na Gestão Integral de Riscos, Emergências e Desastres, lançadas em 2021 pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop).
E também a Nota Técnica com práticas atualizadas para a atuação de psicólogas e psicólogos em situações de emergências e desastres, publicada em 2024.
Os documentos organizam a atuação em cinco fases:
- Prevenção
- Mitigação
- Preparação
- Resposta
- Reconstrução
PREVENÇÃO E MITIGAÇÃO
É necessário apoiar e fortalecer ações e políticas que sejam capazes de evitar ou minimizar desastres.
Nesse sentido, a Psicologia pode contribuir com práticas socioambientais nos mais diversos espaços da vida cotidiana, inclusive com atenção às políticas públicas que devem ser protegidas e implementadas para promoção do cuidado com a vida no planeta.
PREPARAÇÃO
A Psicologia deve estar articulada às políticas públicas e aos sistemas de Proteção e Defesa Civil, Saúde e Assistência Social.
Também é fundamental participar da elaboração dos Planos de Contingência municipais, garantindo que a atenção psicossocial esteja prevista nas ações de resposta.
RESPOSTA
Na fase de resposta, são desenvolvidas ações para:
• promover a segurança e saúde mental da população afetada
• reduzir impactos psicossociais
• realizar atendimento psicoterapêutico quando necessário
O cuidado deve ser técnico, ético e articulado à rede pública.
RECONSTRUÇÃO
A reconstrução exige continuidade. É necessário garantir apoio psicossocial a médio e longo prazo, articulado aos serviços de saúde mental do território, considerando os efeitos emocionais que podem persistir após o desastre.
Diante de situações de emergências e desastres, a possibilidade de colaborar no cuidado psíquico às vítimas pode ser promotora de saúde – fortalecendo tanto quem recebe como as(os) profissionais que disponibilizam a ajuda.
No entanto, é fundamental buscar orientações e atuar em sintonia com trabalhadores(as) que estão na linha de frente da gestão da emergência – Defesa Civil, Saúde, Assistência Social, entre outros – para que a prática seja segura e promova atendimentos de forma adequada.