Notícias

12/10/2026 - 14:59

Ética e defesa da sociedade: CFP lança Planejamento Estratégico para o ciclo 2026-2028

Conselho defende a geração de valor público, a atuação inovadora em governança, a orientada pela interseccionalidade, os direitos humanos e o compromisso social 

Ética e defesa da sociedade: CFP lança Planejamento Estratégico para o ciclo 2026-2028

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) apresenta seu Planejamento Estratégico para o ciclo 2026–2028. O documento é o principal instrumento de direcionamento institucional da autarquia no triênio e reúne a missão, a visão de futuro, os princípios e as prioridades que vão orientar decisões, programas e ações do Conselho. 

“Mais do que um documento de planejamento, este Plano representa um pacto institucional em torno da missão pública do Conselho Federal de Psicologia”, afirma a presidenta do CFP, Ivani Francisco de Oliveira, logo na apresentação do texto. Segundo ela, o planejamento reafirma o compromisso do Conselho com a democracia, os direitos humanos, a equidade, a interseccionalidade, o compromisso social e a participação democrática.

A proposta é resultado de um amplo processo participativo que envolveu o XX Plenário, dirigentes, gerências, coordenações, equipes técnicas e demais trabalhadoras e trabalhadores do CFP.  O processo partiu de uma avaliação do ciclo anterior (2023–2025) e contou ainda como referências a Lei nº 5.766/1971, que criou os Conselhos de Psicologia e o Código de Ética Profissional. 

Outro ponto importante destacado como base para a construção do documento foram as deliberações do 12º Congresso Nacional da Psicologia (CNP), amplamente debatidas no principal espaço de formulação do planejamento, uma oficina presencial de quatro dias, realizada em Brasília (DF), de 23 a 26 de abril de 2026.

Se, na prática, o Planejamento organizou objetivos, metas e ações, fortalecendo a governança e qualificando a resposta do Conselho às demandas, desafios e oportunidades que se colocam para a Psicologia, no centro da estratégia está justamente o exercício ético da profissão, definido como eixo estruturante e ponto de convergência de todas as iniciativas do Conselho. 

Regulamentar, orientar, fiscalizar e disciplinar a profissão seguem como finalidades essenciais do Sistema Conselhos, e até a incidência política é posicionada a serviço dessas funções, para garantir uma prática científica, técnica e socialmente responsável, com atenção especial à formação na graduação. 

A padronização da fiscalização nos Conselhos Regionais, a atualização do Código de Ética Profissional do Psicólogo e novos parâmetros para documentos de avaliação psicológica, inclusive para povos indígenas e pessoas com deficiência, também são propostas. O documento prevê ainda diretrizes para o uso ético da inteligência artificial, normas para a atuação no Sistema de Justiça e no trânsito, subsídios sobre o trabalho nas plataformas online de atendimento clínico e a regulamentação da psicoterapia, além da revisão da Política Nacional de Orientação ao Exercício Profissional. 

Visão CFP 2036

Pela primeira vez, o planejamento foi estruturado em dois horizontes: o Plano de Gestão 2026–2028 traduz a estratégia em ações e metas; já a visão de longo prazo, chamada CFP 2036, orienta decisões estruturantes para além dos mandatos eletivos.  Ou seja, até 2036, o CFP será referência na geração de valor público, por meio de uma atuação inovadora em governança, orientada pela interseccionalidade, direitos humanos e compromisso social. Com essa escolha, cada gestão passa a ser compreendida como uma ponte entre o presente e o futuro de um projeto institucional contínuo.

O Plano também consolida cinco princípios que funcionam como critérios para todas as decisões do Conselho. A interseccionalidade reconhece que desigualdades são produzidas pela interação entre diferentes marcadores sociais. O compromisso social reafirma a defesa do interesse público, da democracia e da cidadania. A ética é tratada como fundamento de toda a atuação institucional.

O valor público orienta a atuação para resultados que beneficiem a sociedade. Os direitos humanos são definidos como fundamento ético-político e compromisso inegociável com a dignidade, a diversidade e a equidade.

Saúde mental e políticas públicas no centro da agenda

Na análise de cenário, o Planejamento evidencia o crescente reconhecimento social da importância da saúde mental e da Psicologia nas políticas públicas, que aparece justamente como uma das principais oportunidades para o Conselho. 

O documento também mapeia desafios: polarização política, desinformação, precarização e plataformização do trabalho, avanço da inteligência artificial sem regulamentação ética e práticas não regulamentadas. Os efeitos das mudanças climáticas e das crises humanitárias sobre as demandas de saúde mental também foram apontados.

No campo da saúde mental, o Plano prevê diretrizes para a atuação da Psicologia em comunidades terapêuticas, em estrito alinhamento aos princípios da Reforma Psiquiátrica e dos direitos humanos. Há também a previsão de elaboração de um panorama Reforma Psiquiátrica Antimanicolonial no Brasil, para subsidiar a incidência política e a qualificação da rede de atenção psicossocial.

Outra frente é a elaboração de diretrizes técnicas para o atendimento a pessoas afetadas por problemas relacionados aos jogos de apostas, com base na redução de danos e na proteção da saúde mental.

Monitoramento permanente

A implementação será acompanhada por um processo permanente de monitoramento e avaliação, com realização de reuniões estratégicas bimestrais com Diretoria, Superintendências e Gerências, além de apresentações semestrais ao Plenário.  As informações vão subsidiar o Relatório de Gestão, elaborado conforme as diretrizes do Tribunal de Contas da União (TCU), e um Relatório Trienal com resultados e aprendizados do ciclo. O objetivo é verificar não só se o planejado está sendo feito, mas se os resultados aproximam o Sistema Conselhos da Visão 2036. 

“Sabemos que nenhum planejamento transforma uma instituição por si só. São as pessoas, as relações de confiança, a postura dialógica e a corresponsabilidade na execução que tornam possível transformar diretrizes em resultados”, conclui a presidenta do CFP.

Acesse aqui o Planejamento Estratégico 2026–2028 na íntegra