Teses para o CNP seguem para os CRPs

Síntese da Pesquisa de Impacto do Título de Especialista

No ano 2000, o Conselho Federal de Psicologia regulamentou o Titulo de Especialista. Esse título caracteriza-se pelo reconhecimento da prática profissional do psicólogo e pode ser obtido por meio de três modalidades: experiência comprovada, curso de especialização credenciado e concurso de provas e títulos. Até o momento existem onze especialidades do campo do exercício profissional regulamentadas, a saber:

1.  Psicologia Clínica;
2.  Psicologia do Esporte;
3.  Psicologia do Trânsito;
4.  Psicomotricidade;
5.  Psicopedagogia;
6.  Psicologia Escolar/Educacional;
7.  Psicologia Organizacional;
8.  Psicologia Jurídica;
9.  Psicologia Hospitalar;
10. Psicologia Social;
11. Neuropsicologia.

Indicadores de desenvolvimento de área profissional foram utilizados para reconhecimento dessas especialidades, tais como: possuir institucionalização e organização social e estar claramente caracterizada a atuação profissão por intervenção profissional em processos específicos. Para a descrição das áreas de especialidade reconhecidas, o CFP convidou entidades nacionais da Psicologia para a construção do texto da Resolução, posteriormente analisado e aprovado na APAF. Desde a sua criação, a categoria tem demonstrado que valoriza esse mecanismo de reconhecimento da prática profissional. Até o momento já foram concedidos mais de 16.000 registros de especialista.

Ao instituir essa política de reconhecimento da prática profissional, o CFP espera fortalecer a institucionalização da Psicologia na sociedade brasileira, demarcando a profissão com suas áreas de atuação; exercer controle sobre os cursos de especialização profissional , no sentido de que efetivamente qualifiquem os profissionais; contribuir para que a especialização na área de Psicologia seja uma forma de aprimoramento profissional pelo desenvolvimento do saber.

Desde a implantação do Titulo de Especialista, já foram concedidos mais de 16.000 registros de especialistas, foram realizados três concursos de provas e títulos e mais de 50 cursos foram credenciados. Essas atividades foram construídas com os CRPs por meio da criação de Grupo de Trabalho, Comissões de Análise para Concessão do Título de Especialista (CATE), Fórum de Acompanhamento da Implantação do Título de Especialistas.

Uma das atividades planejadas nesse coletivo foi a realização de uma pesquisa sobre o impacto do título de especialista, iniciada no ano de 2003. Ao longo desse ano, os conselhos regionais de Psicologia e o Conselho Federal de Psicologia realizaram pesquisas sobre o impacto do título. Essas pesquisas não seguiram uma metodologia única, sendo utilizados diferentes instrumentos e procedimentos de coleta e análise de dados, dificultando uma comparação dos resultados. Pode-se entender que cada pesquisa, em particular, representou um retrato da realidade local e apontou possibilidades diversas de realização de uma pesquisa nacional, de questões e variáveis a serem contempladas, funcionando como pilotos por fornecer subsídios para o planejamento de uma pesquisa nacional com uma metodologia padronizada que possibilitasse a realização de uma avaliação qualificada do impacto nacional do título de especialista. Com base nessas considerações, apresenta-se a seguir uma síntese dos principais resultados dessas pesquisas e apontam-se algumas diretrizes de atuação do CFP em relação ao titulo de especialista.

 

Pesquisas Sobre o Título de Especialista Realizadas no Sistema Conselho

Os resultados das pesquisas mostram que a maioria dos psicólogos pesquisados conhecia as resoluções, porém, entre os motivos apresentados pelos que não solicitaram o título, foi mencionada, como principal argumento, a falta de informação. Outras justificativas dadas foram a falta de interesse, a perda de prazo, tempo de atuação insuficiente e falta de comprovação da prática profissional pela documentação exigida. Já entre os que solicitaram o título, o motivo que congregou a maior quantidade de respostas foi a visão de que o título é uma formalização de conhecimento e prática profissional na área de atuação. Outras respostas , como o aprimoramento de curriculum, preocupações com possíveis exigências futuras e com o mercado de trabalho, também fundamentaram o interesse pelo título.

Quanto à questão de benefícios e restrições no mercado de trabalho pelo fato de se ter ou não o título de especialista, a maioria dos respondentes que não têm o título afirma que não vivencia nenhuma restrição, e os que têm o título dizem que não sentem nenhum benefício decorrente da titulação. Quando questionada sobre o conhecimento de concursos que solicitavam o título de especialista como critério de seleção, a maioria dos entrevistados deu respostas negativas . Nesta mesma direção, o número de respostas afirmando que o título de especialista não repercute nenhum impacto na prática profissional também foi elevado, apesar de que, em algumas pesquisas, muitos psicólogos avaliaram o título como importante para a categoria, afirmando que este tem um impacto positivo. A maioria das respostas apontou que os psicólogos não incluíram a nova titulação na publicidade/propaganda pessoal e nem ajustaram os custos de seus serviços, no entanto, poucas pesquisas contemplaram esses questionamentos, sendo necessário que haja mais investigação para que possamos obter uma conclusão mais precisa sobre esses aspectos.

Apesar de os resultados indicarem um impacto pouco expressivo na prática profissional dos psicólogos, a grande maioria dos respondentes pretende solicitar o título de especialista, sendo a modalidade pretendida , para a obtenção do título, a realização dos cursos de especialização credenciados pelo CFP. Esse resultado implica em questões importantes a serem consideradas, pois explicita o interesse futuro pelo título. No caso, então, da modalidade escolhida ser os cursos de especialização, vale ressaltar que as pesquisas que abordaram instituições de formação de psicólogos indicam que a maioria das instituições conhece as resoluções sobre o título de especialista, mas há pouca mobilização para adequação dos cursos aos critérios exigidos para solicitar o credenciamento no CFP.

Para concluir a análise das pesquisas sobre o impacto do título de especialista (2003), destacamos três pontos principais: 1) apesar de as resoluções serem conhecidas pelos psicólogos, há ainda um grande nível de desinformação sobre elas; 2) o impacto do título de especialista na prática profissional é bastante reduzido; e 3) há interesse pelo título entre a maioria dos psicólogos.

A análise desses dados apontou a necessidade de algumas ações:

  1. Ampliação da divulgação sobre o título de especialista, esclarecendo seu diferencial em relação aos títulos acadêmicos, o histórico de sua criação e sua importância;
  2. Elaboração de um Plano de valorização do título de especialista concedido pelo CFP, contemplando empresas que realizam concursos, contemplando os convênios da área da saúde e o mercado de trabalho de uma forma geral;
  3. Divulgação, para a sociedade, do título de especialista concedido pelo Sistema Conselhos de Psicologia como uma referência de qualidade profissional; e
  4. Divulgação do credenciamento de cursos de especialização pelo CFP e avaliação do quê o credenciamento no CFP possibilitou aos cursos (medidas a serem realizadas em parceria com a ABEP) .

 

Movimento Nacional pela Democratização no Trânsito

Esta semana é de grande expectativa para aqueles que lutam por um trânsito seguro e civilizado.

Os dias 23 a 29 de abril marcam a Primeira Semana Mundial das Nações Unidas de Segurança no Trânsito. Nessa semana, estão sendo realizadas diversas atividades, com o envolvimento de vários setores da sociedade, relacionadas com a prevenção de mortes e lesões no trânsito e promoção da cultura da paz.

Além disso, amanhã, dia 26, estaremos, em parceria com as ONGs Criança Segura e Rua Viva, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB/MS), organizando o Movimento Nacional pela Democratização no Trânsito, das 8 às 16 horas, no Hotel Carlton, em Brasília.

Até o momento, 28 instituições, dentre elas, universidades, associações, fóruns e ONGs diversas, confirmaram presença nesse encontro onde se pretende criar um espaço coletivo de construção de políticas públicas de trânsito de forma crítica e transparente, bem como, a partir disso, estimular a cultura de controle social do trânsito no Brasil.

A tarefa é árdua, porém prazerosa. Em breve divulgaremos o resultado desse encontro!

Participe do Painel “Perspectivas Críticas em relação às prisões”

Nesta sexta-feira, dia 20 de abril, participe, no auditório da Faculdade de Direito da UFMG, em Belo Horizonte, do Painel – Perspectivas Críticas em relação às Prisões. O evento, com início às 8h30 da manhã, contará com a presença dos debatedores Salete Oliveira, Carlos Nicodemos Oliveira Silva e Maria Lúcia Karan, além de um representante da Justiça Comunitária. Com a fala aberta ao público, o painel deve se estender até as 11h30.

Uma realização do Conselho Federal de Psicologia, o Painel na UFMG é uma das discussões preliminares que devem acontecer ao longo do ano sobre a temática, com vistas a fomentar discussões, difundir saberes e provocar o acúmulo de conhecimentos sobre o tema.

Psicólogo, participe!

Informações: napg@pol.org.br

Manifesto em Defesa da Educação Inclusiva

14 de abril  – Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva

Ao longo de 2006 e início de 2007, o tema da educação inclusiva foi discutido em diversos espaços e meios de comunicação, tendo sido, inclusive, tema de novela e de samba enredo de carnaval do Rio de Janeiro. É inegável a disseminação de idéias sobre a educação inclusiva em nosso país, e a aprovação da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em dezembro de 2006, pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e sua ratificação por diversos países, inclusive o Brasil, no dia 30 de março de 2007, reforçam a luta dos que defendem a inclusão. A Convenção reconhece e garante os direitos das pessoas com deficiência, proíbe a discriminação em todos os aspectos da vida, como na educação, saúde, acesso à justiça e no transporte. Entre os direitos assegurados, destacam-se a garantia de autonomia e o protagonismo das pessoas com deficiência na discussão das políticas públicas a elas relacionadas e a garantia de condições de acessibilidade, como, por exemplo, por meio de equipamentos que facilitem o dia-a-dia das pessoas com deficiência.

A convenção é um tratado sobre Direitos Humanos que adota o modelo inclusivo no tratamento às deficiências. Após a ratificação, ela está sendo encaminhada  ao  Ministério das Relações Exteriores, à Câmara Federal, ao Senado e, depois, para o Presidente da República, para promulgação. A Convenção pode ser adotada no Brasil como lei ou dispositivo constitucional, dependendo do quórum de aprovação no Legislativo. Para continuarmos avançando e não cairmos no discurso abstrato e na letra morta das nossas legislações, é preciso avaliar a situação desconfortável da educação em nosso país. Constatamos o crescimento do acesso à escolarização, no entanto, além do acesso, é importante garantir a permanência e a qualidade do ensino. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2005 apontam que uma em cada seis escolas públicas de Ensino Fundamental não tem energia elétrica e que cinco em cada seis não tem bibliotecas ou quadras de esportes. Na região Norte, a dificuldade é maior: de cada dez escolas, oito não contam com biblioteca, quatro não têm energia elétrica e em quase metade das escolas há apenas uma sala de aula. A escassez da estrutura das escolas públicas brasileiras é somente um dos muitos problemas que comprometem a qualidade da educação. Ambientes favoráveis à aprendizagem exigem materiais mínimos para a aprendizagem, mas é preciso muito mais. A formação e a valorização das pessoas que atuam nas escolas, a garantia de investimentos significativos e o comprometimento dos gestores da educação pública são outras questões fundamentais.

Em um momento em que se discute a violência em nosso país, chamamos a atenção, também, para o fato de apenas 80% dos adolescentes (12 a 17 anos) brasileiros freqüentarem a escola; 5,4% serem analfabetos; somente 40% estarem no nível de ensino adequado para a sua faixa etária; e somente 11% dos adolescentes entre 14 e 15 anos terem concluído o Ensino Fundamental (Sinase, 2006). Além disso, a maioria dos adolescentes em conflito com a lei foi excluída do sistema educacional antes de cometer o ato infracional. Em relação às pessoas com deficiência, observam-se diversos entraves, desde questões conceituais e ideológicas e a insistência na hierarquização das capacidades até a falta de investimento na estrutura das escolas e na formação dos docentes, preparando-os para o trato com a diversidade e singularidade da educação de alunos. Nós, psicólogos brasileiros, lutamos por uma educação inclusiva e convocamos a sociedade brasileira para essa luta. A Rede Nacional de Luta pela Educação Inclusiva reafirma a defesa de uma educação verdadeiramente inclusiva, que tenha como referência aqueles que têm sido reiteradamente excluídos dos sistemas de ensino – negros, meninas, homossexuais, índios, populações em situação de rua, adolescentes autores de ato infracional, crianças e jovens com dificuldades no processo de escolarização vinculadas ou não a causas orgânicas, superdotados… Defendemos a equiparação de oportunidades, uma compensação da sociedade por não haver pensado na diversidade, para convertermos a educação em prioridade! A luta pela educação inclusiva é uma luta por uma escola-mundo onde caibam todos os mundos!

14 de abril – Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA

Jornal Brasil de Fato publica artigo sobre 10 anos do assassinato do índio Galdino

Índio Galdino, dez anos depois

por jpereira — Jornal Brasil de Fato

Antes de ficar inconsciente, perguntava para os médicos que o atendiam: “Por que fizeram isso comigo?” Até hoje é difícil respondê-lo

Na madrugada do dia 20 de abril de 1997, o índio Galdino Jesus dos Santos, 44 anos, do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, do estado da Bahia, dormia no ponto de ônibus de uma praça pública de Brasília. Tinha ido para a Capital com uma delegação de oito lideranças de seu povo, com o objetivo de buscar apoio para as suas reivindicações no sentido de recuperação do território, invadido por muitos fazendeiros.A terra tradicional dos Pataxó Hã-Hã-Hãe é denominada de Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, possui 53.400 hectares e foi demarcada em 1934.

Naqueles dias, uma marcha nacional do MST havia chegado à cidade. Galdino participou da recepção aos sem-terra e de reuniões destes com autoridades, inclusive com o presidente da República da época, Fernando Henrique Cardoso, para colocar também as reivindicações indígenas. Galdino dormia no ponto de ônibus porque chegou tarde das reuniões na pensão onde estava hospedado. A dona da pensão se recusou a abrir a porta para ele.

Eram cinco horas da manhã quando Galdino acorda completamente em chamas. Socorrido por jovens que voltavam de uma festa, foi levado para o hospital. Tinha queimaduras em noventa e cinco por cento do corpo. Entrou logo em coma e faleceu às duas horas da manhã do dia 21 de abril de 1997. Antes de ficar inconsciente, perguntava para os médicos que o atendiam: “Por que fizeram isso comigo?”

Essa pergunta, até hoje é difícil de ser respondida. Essa pergunta sacudiu a sociedade brasileira na época, chocada com o horror da crueldade que ciclicamente nos atinge, às vítimas em primeiro lugar e, em seguida, a todos nós, em nossa auto-imagem de humanidade e civilização.

Os autores da barbárie foram cinco jovens de classe média brasiliense, um deles menor de idade. Numa noite vazia, resolveram atear fogo numa pessoa que dormia indefesa para, segundo declarou o menor, se divertirem. Cometido o crime, fugiram, mas um outro jovem que passava por ali, um chaveiro, anotou o número da chapa do carro dos assassinos e o entregou à polícia.

Depois da brutalidade, os criminosos foram para casa dormir, como se nada tivessem feito. Foram identificados e presos. Diante da comoção nacional ainda quiseram se defender, com o seguinte argumento: “Não sabíamos que era um índio, pensávamos que era só um mendigo.” Ou seja, em mendigos é permitido atear fogo.

Dez anos depois

Podemos olhar para este crime hediondo dez anos depois, e nos interrogar novamente: “Por que fizeram isso com ele?”

Continua difícil responder a essa pergunta – e os crimes bárbaros não cessaram.

Foram inúmeros os mendigos assassinados, muitos através do fogo, em praças e ruas das nossas cidades, durante as noites dos últimos dez anos. Suspeitos foram vários: policiais; seguranças; comerciantes; quadrilhas; apenas assassinos. Identificados e punidos? Nem um sequer nos vem à memória.

Na verdade, temos notícias desde 1984, de moradores de rua agredidos e assassinados, por grupos que atuam durante a noite, nas capitais e cidades do interior do Brasil. Nos dias 19 e 22 de agosto de 2004, sete moradores de rua de São Paulo foram brutalmente assassinados enquanto dormiam. Os principais suspeitos foram policiais que trabalhavam fornecendo segurança para comerciantes do centro da cidade. Em 2006, moradores de rua de Belo Horizonte foram agredidos com fogo. No dia 21 de março de 2007, em Garanhuns, no agreste pernambucano, um adolescente lançou gasolina e em seguida ateou fogo em dois moradores de rua, enquanto dormiam na varanda de uma casa abandonada: um menino de rua de 16 anos e um adulto, de 38 anos, foram internados com ferimentos graves.

O caso Galdino e o drama indígena

Quanto aos assassinos de Galdino, encontram-se em liberdade condicional desde o final de 2004. O menor não chegou a ser preso. Os maiores Tomás Oliveira de Almeida, Eron Chaves Oliveira, Max Rogério Alves e Antonio Novely Cardoso trabalharam na prisão, raro privilégio concedido a poucos na situação deles, e conseguiram abreviar a pena. Trabalharam e estudaram fora do presídio, estando em regime fechado, privilégio concedido pela Justiça, embora totalmente ilegal. Muitas vezes foram vistos nas noites de Brasília, bebendo com amigos, quando deveriam estar encarcerados.

Muitos indígenas foram assassinados, desde aquele abril de 1997 até abril de 2007: exatamente 257 indígenas em todo o país, segundo dados do Setor de Documentação do Conselho Indigenista Missionário, o CIMI.

Entre esses 257 indígenas, temos crianças, jovens, adultos e idosos: temos lideranças assassinadas em lutas pelo território; temos indígenas assassinados por outros indígenas; temos idosos assassinados por seguranças de fazendas; temos jovens assassinados por jagunços a mando de fazendeiros; temos adultos assassinados em brigas na cidade; temos crianças assassinadas por crueldade; temos mulheres violentadas e assassinadas por brancos.

Este número 257 encerra um grande e secular drama, o drama dos povos indígenas em nosso país, composto por muito sofrimento, vivido por muitos povos e por muitas comunidades indígenas.

Muitas dessas mortes foram parecidas com a de Galdino Jesus dos Santos: numa cidade do Rio Grande do Sul, assassinos, encobertos pela noite, causaram a morte violenta de um idoso indígena; na área rural do Mato Grosso do Sul, na beira de uma estrada, na porteira de um acampamento, um tiro covarde dado à distância, por seguranças de fazenda, atingem um lider indígena, sem nenhuma condição de defesa. Todos esses crimes seguem rigorosamente impunes.

Depois de dez anos, a situação da Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, pela qual lutava Galdino, encontra-se parada no Supremo Tribunal Federal. Ela é objeto de uma ação de nulidade de título dos fazendeiros que invadiram aquela terra indígena com a conivência do Governo do Estado da Bahia.

Povos Indígenas e Povo da Rua

A morte do índio Galdino enlaça dois dramas: o dos povos indígenas e o do povo da rua. O que possuem em comum esses povos é a sua radical humanidade, sua característica frágil, excluída de toda utilidade para um sistema onde apenas a mercadoria e o “ser mercadoria” contam. Como não cabem no sistema do Capital, este tenta eliminá-los, quer seja pelos “seguranças” urbanos, quer seja pelos “seguranças” e jagunços rurais. Quer seja, também, pelo preconceito, ódio e desprezo, enraizados pelo mesmo sistema em parte da população brasileira e que se manifestam em nosso cotidiano, em múltiplas formas de violência.

O que se coloca como um desafio para todos nós é compreender o que acontece de tão grave em nossa sociedade, para que seres humanos sejam submetidos sistematicamente à violência e à morte com características de barbárie.

Torna-se urgente compreender e mudar o destino de nossa sociedade, rompendo com um sistema econômico e com uma ideologia que sacrificam aqueles que não cabem na lógica do Capital.

Torna-se necessário construir uma outra sociedade, onde povos indígenas e povo da rua, onde todos possamos viver integralmente, livremente, nossa humanidade comum.

Paulo Maldos é psicólogo e assessor político do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)

Violência e Juventude é tema de debate no Dia de Mobilização contra a redução da Maioridade Penal

Hoje é o Dia Nacional de Mobilização contra a Redução da Maioridade Penal. O objetivo é chamar a atenção da sociedade brasileira e da mídia para a necessidade de implementação efetiva do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).

Para lembrar a data, a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente realiza debate, às 14h, sobre Violência e Juventude. A audiência pública é promovida em parceria com o Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA) e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

Foram convidados, como expositores, a diretora executiva do Instituto Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud), Karyna Sposato; o oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Mário Volpi; a secretária da Criança e do Adolescente do governo federal, Carmem Oliveira; a secretária nacional do Fórum DCA, Tiana Santo-Sé, e Fernando Silva, também do Fórum DCA.

Agência Brasil

Entidades de Direitos Humanos se reúnem com Ministro Paulo Vanucchi

O gabinete do Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, foi ponto de encontro, na tarde do último dia 28, de representantes de diversas entidades nacionais de Direitos Humanos.

As entidades que participaram da audiência foram: Justiça Global; Comissão Brasileira Justiça e Paz/Cnbb; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; Conselho Indigenista Missionário; Povo do Cerrado; Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas; Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis, Transgêneros e Transexuais; Associação Brasileira de ONGs; Ordem dos Advogados do Brasil/DF; Fórum de Direitos Humanos do DF e Região; e o Conselho Federal de Psicologia.

Na ocasião, foram priorizados três pontos para debate: I) Projeto de Lei do Conselho Nacional de Direitos Humanos; II) Revisão do Programa Nacional de Direitos Humanos e a construção de indicadores para o monitoramento das políticas públicas de direitos humanos; e III) Participação governamental no Encontro Nacional de Direitos Humanos.

Visto que o Fórum Nacional de Entidades de Direitos Humanos (FENDH) necessita de contato freqüente com o Ministro devido à agenda extensa, ficou acordado que o próximo encontro será no dia 10 de abril, quando novos pontos serão discutidos, dentre eles: a luta antimanicomial; a revisão do Plano Nacional de Direitos Humanos; os avanços e retrocessos na implementação dos Direitos Humanos no Brasil; e a abertura dos arquivos da repressão política na ditadura militar.

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres promove Videoconferência

II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

A   Secretaria   Especial de   Políticas para as   Mulheres fará uma videoconferência  nesta quinta-feira ,  22 de março, das 14h às 18 h oras ,   com transmissão para as  Interlegis   das  Assembléia s  Legislativa s  dos estado s .

A   v ideoconferência será preparatória para a II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres – II CNPM, com o objetivo divulgar as informações referentes ao seu processo preparatório, além de divulgar orientações para a constituição das comissões municipais e estaduais,   dentre  outros encaminhamentos.

A Comissão Organizadora Nacional da II CNPM já preparou os textos a serem apresentados como referência para a discussão nas conferências municipais  ,  regionais e estaduais. Esses textos, que tratam da “Avaliação da Implementação do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres” e da “Participação das Mulheres nos Espaços de Poder”,  estão disponíveis na página http://www.presidencia.gov.br/spmulheres

Mais informações podem ser obtidas por meio do correio eletrônico: videoconferência@spmulheres.gov.br

Participe!

Sociedade Brasileira de Diabetes busca conhecer profissionais que atuam na área

A  Sociedade Brasileira de Diabetes, SBD , conta, atualmente, em seu quadro, com um Departamento de Psicologia. Assim como acontece em vários países do mundo, muitos psicólogos brasileiros atuam junto a portadores de diabetes, não apenas na área de saúde mental, mas, principalmente, participando de equipes multiprofissionais preocupadas em educar pacientes e familiares com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.Uma vez que o psicólogo ainda não é considerado integrante essencial à equipe mínima de um Serviço de Atenção Básica ao portador de diabetes, um dos objetivos do Departamento de Psicologia da SBD tem sido demonstrar a importância do trabalho desse profissional. Coordenado pela psicóloga Fani Eta Korn Malerbi, professora da PUC de São Paulo, o Departamento de Psicologia da SBD está procurando identificar os psicólogos brasileiros que trabalhem com portadores de diabetes, para poder entrar em contato com eles, traçar um perfil desses profissionais e verificar sua atuação e necessidade de aprimoramento.

Entre os dias 18 e 21 de outubro do presente ano, ocorrerá em Campinas, SP., um Congresso da SBD, no qual os psicólogos terão um espaço para apresentarem seus trabalhos. O site da SBD é www.diabetes.org.br e o email da coordenadora do Departamento de Psicologia é fanimalerbi@terra.com.br . O site do Congresso é www.diabetes2007.com.br

Se você atua ou quiser atuar em Diabetes, participe!