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13/08/2026 - 15:34

CFP contribui em discussão sobre métodos projetivos 

A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP) representou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) no XII Congresso da Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos (ASBRo)

CFP contribui em discussão sobre métodos projetivos 

A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP) representou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) no XII Congresso da Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos (ASBRo), realizado de 29 a 31 de julho de 2026, em Fortaleza (CE). O encontro reuniu profissionais, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores para debater avanços científicos, técnicos, éticos e sociais no campo da avaliação psicológica.

Para a coordenadora da CCAP e conselheira federal Andréa Chamon, o congresso constituiu um importante espaço de interlocução entre o CFP e a comunidade científica e profissional da área.

“O congresso foi um importante espaço de trabalho, incidência institucional e diálogo com profissionais, pesquisadoras e pesquisadores. A participação da CCAP reafirmou o compromisso do CFP e do Plenário 2.0 com uma avaliação psicológica cientificamente fundamentada, ética, socialmente responsável e comprometida com os direitos humanos”, destaca Andréa Chamon.

Participação da CCAP no Congresso

Durante o evento, integrantes da CCAP participaram de diferentes atividades da programação, contribuindo para os debates sobre os fundamentos científicos, técnicos, éticos e políticos da avaliação psicológica.

Entre as atividades, destacou-se o workshop “Elaboração de Documentos Psicológicos”, ministrado por Andréa Chamon e pela integrante da CCAP Daiana Meregalli Schütz. A atividade discutiu os requisitos técnicos e éticos relacionados ao registro e à elaboração de documentos produzidos por psicólogas e psicólogos, considerando sua finalidade, a responsabilidade na comunicação das informações, o sigilo profissional e as normativas vigentes.

A programação também contou com uma mesa-redonda dedicada à trajetória e à importância do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), com a participação de Ana Paula Porto Noronha, Andréa Chamon e Hugo Ferrari Cardoso. Foram discutidos o processo histórico de constituição do Sistema, seu papel na avaliação da qualidade técnico-científica dos testes psicológicos e os desafios contemporâneos para o seu aprimoramento.

Na atividade, Andréa Chamon apresentou o trabalho “A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, o SATEPSI e os desafios para uma Avaliação Psicológica interseccional”. A exposição destacou que a qualidade dos testes psicológicos não pode ser reduzida aos requisitos psicométricos tradicionais, devendo contemplar também validade cultural, acessibilidade, justiça, representatividade e direitos humanos. A discussão considerou como raça, gênero, classe, deficiência e outros marcadores sociais atravessam a produção das evidências científicas, as condições de participação nos processos avaliativos e a interpretação dos resultados.

Outro eixo da participação foi o debate sobre métodos projetivos e interseccionalidade. Andréa Chamon apresentou o trabalho “Técnicas Projetivas Gráficas, Personalidade e Interseccionalidade: correlações interpretativas entre o DFH e o HTP”, no qual discutiu possibilidades de articulação entre o Desenho da Figura Humana (DFH) e o House-Tree-Person (HTP).

A apresentação problematizou interpretações universalizantes das produções gráficas e defendeu a formulação de hipóteses interpretativas situadas, integradas a outras fontes de informação e atentas aos contextos sociais, históricos e culturais das pessoas avaliadas. Também foi destacada a necessidade de ampliar os estudos normativos e as evidências de validade dos métodos projetivos, com amostras mais diversas e culturalmente representativas.

Também integrou a programação a mesa-redonda “Evidências científicas e validade dos testes projetivos”, com a participação dos integrantes da CCAP Gabriel Vitor Acioly Gomes, Vithor Rosa Franco e Ana Deyvis Santos Araújo Jesuíno. A atividade promoveu discussões sobre os fundamentos científicos, as evidências de validade e os critérios técnicos e éticos relacionados à utilização responsável dos métodos projetivos no exercício profissional.

Parecer Cofen nº 28/2026

Durante o congresso, a CCAP também realizou uma reunião de trabalho para aprofundar a análise técnica do Parecer Cofen nº 28/2026 e produzir subsídios para o acompanhamento das medidas institucionais e judiciais adotadas pelo CFP.

Em 29 de julho de 2026, o CFP ajuizou ação civil pública com pedido de tutela de urgência para tornar sem efeito o parecer do Conselho Federal de Enfermagem, que autoriza profissionais da Enfermagem a aplicarem, no âmbito da saúde mental, os Inventários de Beck de Ansiedade (BAI) e de Depressão (BDI).

“A CCAP e a equipe técnica do CFP aprofundaram a análise do Parecer Cofen nº 28/2026 e produziram subsídios técnicos para o acompanhamento e os desdobramentos das medidas adotadas pelo Conselho. Esse trabalho reafirma a defesa da avaliação psicológica como processo técnico-científico e das atribuições privativas da Psicologia”, afirma Andréa Chamon.

Sobre a CCAP

Criada em 2003, a Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica é um órgão colegiado de caráter consultivo do CFP. Compete à Comissão discutir e propor diretrizes, normas e resoluções no campo da avaliação psicológica, bem como conduzir o processo de avaliação dos testes psicológicos submetidos ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI).

As contribuições da CCAP subsidiam as deliberações do Conselho Federal de Psicologia e o desenvolvimento de ações voltadas à qualificação científica, técnica, ética e social da avaliação psicológica no Brasil.