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20/10/2014 - 15:27

CFP realiza ações pela despatologização das Identidades Trans

Além de vídeos com especialistas, será realizado um debate online sobre os efeitos e consequências da patologização e da despatologização e acerca do panorama dos debates políticos em torno da luta no Brasil e no mundo

Psicóloga Ana Paula Uziel (UERJ)

Psicóloga Ana Paula Uziel (UERJ)

O  Conselho  Federal  de  Psicologia  (CFP)  lançará  em novembro  uma  campanha de comunicação  em  apoio  à  luta pela  despatologização  das  identidades  trans  e  travestis. Profissionais  da  psicologia,  pesquisadores  e  pesquisadoras, ativistas,  pessoas transexuais  e travestis  foram  convidados (as)  a debater  o  fazer  psicológico  no  processo  de  transexualização  à luz  dos  Direitos  Humanos  e  o  panorama  dos  debates  políticos em torno da luta no Brasil e no mundo. Serão  lançados materiais audiovisuais e realizado um debate online sobre o tema.

“A instalação  de  um  debate  sobre  despatologização  das experiências transexuais e travestis se  faz urgente desde que as ciências têm  produzido  um  conjunto  de mecanismos  e  práticas classificatórias  e  discriminatórias  sobre  esses  corpos  e  suas sociabilidades”, diz o psicólogo Marco Aurélio Máximo Prado, membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP. Ele explica que  a  intenção  de  produzir  os  materiais  é  dar  visibilidade  a diversas  vozes  sobre  as  experiências  culturais,  políticas  e subjetivas de gênero e sexualidade. A campanha marca também o Dia Internacional de Luta Internacional pela Despatologização das Identidades Trans, comemorado no dia 18 de outubro.

Psicóloga Tatiana Lionço (UnB)

Psicóloga Tatiana Lionço (UnB)

“Nosso  horizonte  é  o  de  polemizar  a  construção  de  visões, discursos  e  práticas patologizadoras  desde  uma inteligibilidade de  gênero  monopolista  e  binária  que  tem  produzido como consequências  a  violação  dos  direitos  de  todas  as  pessoas  que se  arriscam  na  aventura  de  polemizar  as  normas  hegemônicas, culturais e científicas sobre os gêneros”, explana Prado. Dentre os  especialistas  já  entrevistados  estão  os  psicólogos  Emerson Fernando  Rasera  (UFU),  Tatiana  Lionço  (UnB)  e  Ana  Paula Uziel (UERJ).

Psicólogo Emerson Fernando Rasera (UFU)

Psicólogo Emerson Fernando Rasera (UFU)

O  CFP  entende  que  deve-se  superar  a  lógica  da  patologia no  atendimento  às pessoas  trans:  “a  transexualidade  e  a travestilidade  não  constituem  condição  psicopatológica,  ainda que não  reproduzam a concepção normativa de que deve haver  uma  coerência  entre  sexo  biológico/gênero/desejo sexual”,  diz Nota Técnica da autarquia divulgada em setembro de 2013.

De  acordo  com  o  documento,  o  processo  psicoterapêutico  não  se  restringe  à  tomada  de  decisão  sobre  cirurgias  de transgenitalização  e  demais  maneiras  de  modificação  corporal. O  CFP  define,  ainda,  que  a  assistência  psicológica  não  deve se  orientar  por  um  modelo  patologizador  ou  corretivo  da transexualidade  e  de  outras  vivências  trans.

A campanha visa, ainda, discutir a Portaria no 2.803, de 19 de novembro de 2013, que define o processo transexualizador no país, para instalar uma reflexão sobre o lugar da Psicologia nesses processos.