Notícias

05/12/2017 - 16:04

CFP reitera posicionamento contra a medicalização

Em entrevista para o programa “Cidadania”, da TV Senado, Rosane Granzotto explica como pressão social leva ao aumento de casos de depressão

A psicóloga Rosane Granzotto participou do programa “Cidadania”, da TV Senado, dia 23 de novembro, para falar sobre o aumento acentuado no uso de psicotrópicos para tratamento de patologias como a depressão. Integrante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Granzotto apresentou alternativas ao uso desses medicamentos.

Na entrevista, veiculada no dia 27, a conselheira falou sobre o contexto do aumento dos casos de depressão no Brasil. Ela analisou as condições culturais, sociais e econômicas e explicou que, nos últimos 40 anos, houve um aumento de 60% no número de suicídios no planeta, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em geral, esses casos são acompanhados pelo diagnóstico de depressão. Para 2020, a doença será a segunda maior em casos de incapacidade laboral.

Granzotto disse que a pressão para que o trabalhador se capacite mais, produza mais e consuma mais, aliada ao aumento do fluxo de informação e comunicação, resulta em perda da corporeidade nas relações sociais, substituição das relações presenciais pelas relações virtuais e em aumento do individualismo. “A questão é que há um excesso de frustração, um excesso de competividade, um excesso de individualismo e, até mesmo, a ausência de contatos mais corpóreos. A comunicação mais pessoal está cada vez mais precária, cada vez mais escassa.” 

Medicalização

Apesar de apontar muitas evoluções nas políticas públicas para a saúde mental, em especial nos últimos 30 anos, Granzotto aponta que há uma fragilidade na consecução dessas políticas. Contrária à medicalização, ela salientou os interesses dos grandes laboratórios farmacêuticos, que, desde os anos 1980, encomendam pesquisas que patologizam situações cotidianas da vida. “Minha crítica se refere à medicalização da vida. Pesquisas iniciadas nos anos 1980 já mostravam isso. Começou nos Estados Unidos da América, com a indústria farmacêutica, que passou a encomendar estudos aos médicos e às universidades, para que patologizassem as reações cotidianas, como o luto, os conflitos e até as frustrações.”

Confira a entrevista na íntegra na TV Senado.