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18/05/2015 - 10:06

A Psicologia e o Dia Nacional de Luta Antimanicomial

Romper com a cultura manicomial e com todas as formas de opressão social, para construir possibilidades de convívio com as diferenças é essencial em uma sociedade democrática que preza pelos Direitos Humanos.

unnamedO Conselho Federal de Psicologia (CFP) atua em defesa de um tratamento humanizado dos portadores de sofrimento mental com base no respeito aos Direitos Humanos, da liberdade e da cidadania e, neste Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de maio, destaca que no Brasil ainda existem hospitais psiquiátricos e manicômios, e que estes continuam reproduzindo a violência institucional e simbólica em nossa sociedade.

A Psicologia brasileira reitera seu apoio aos usuários, trabalhadores e familiares do movimento antimanicomial em todo o país, que atuam pelo fim dos hospitais psiquiátricos e que, desde os anos 80, já conquistaram batalhas e importantes e transformações para a Reforma Psiquiátrica brasileira. As mudanças no modelo assistencial operadas pela política de saúde mental, os avanços políticos, normativos e assistenciais demostram a importância da atuação da sociedade e vislumbram os novos desafios a serem alcançados.

Neste sentido, o CFP realizou neste ano de 2015, juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma ação nacional de inspeção aos manicômios judiciários – ainda pouco afetados pela Reforma Psiquiátrica brasileira – muitos com características de isolamento, onde podem-se encontrar maus tratos e tortura. A autarquia busca, assim, dar visibilidade ao que acontece nestas instituições e discutir as práticas excludentes, punitivas e o cuidado das pessoas que hoje ainda estão nestas instituições sob as condições das mais adversas e contrárias ao modelo assistencial. O resultado das inspeções será divulgado, em breve, pela autarquia.

Além disso, o CFP enviou aos Conselhos Regionais e às secretarias estaduais de Saúde, no início do mês, cartazes institucionais sobre a data. Baixe aqui.

Ainda, neste dia de luta, que marca a data do lançamento do primeiro manifesto público a favor da extinção dos manicômios – a carta de Bauru, divulgada em 1987 por trabalhadores de saúde mental durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental na cidade do interior paulista, a Psicologia ressalta seu posicionamento por uma sociedade sem manicômios e sua luta contra todas as formas de opressão social na busca de sua superação e a transformação efetiva das relações da sociedade com a chamada loucura.

A autarquia se junta à mobilização e manifestação dos usuários, familiares, núcleos, organizações, associações e serviços públicos de saúde mental que hoje se identificam com o movimento e colocam em pauta as discussões sobre as políticas de saúde mental no país.

Romper com a cultura manicomial e com todas as formas de opressão social, para construir possibilidades de convívio com as diferenças é essencial em uma sociedade democrática que preza pelos Direitos Humanos.