I Seminário Nacional de Psicologia das Emergências e dos Desastres começa nesta quinta-feira

Psicólogos de todo o país estarão reunidos a partir de amanhã, quinta-feira, no I Seminário Nacional de Psicologia das Emergências e dos Desastres, promovido pelo Conselho Federal de Psicologia em parceria com a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec).

O evento será realizado até o dia 10 de junho na FINATEC (Universidade de Brasília)

Veja a programação completa :

www.pol.org.br/psicologiadosdesastres

Site do CFP faz transmissão AO VIVO do I Seminário Nacional de Psicologia das Emergências e dos Desastres

Os psicólogos que não puderam se deslocar até Brasília para acompanhar o I Seminário Nacional de Psicologia das Emergências e dos Desastres não ficarão de fora do assunto. Como o debate do tema é de extrema importância para a classe, o CFP irá transmitir AO VIVO em seu site, direto da FINATEC, todas as palestras e discussões que forem feitas até o término do evento.

Acompanhe AO VIVO tudo o que está acontecendo no I Seminário Nacional de Psicologia das Emergências e dos Desastres

Morreu em Porto Alegre, o jornalista Daniel Herz

Faleceu na última terça-feira, dia 29, o jornalista brasileiro Daniel Koslowski Herz. Herz nasceu em 1954 e foi fundador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) e diretor da Federação Nacional dos Jornalistas. Daniel Herz participou ativamente das lutas pelas políticas democráticas e públicas de comunicação e do Movimento de Oposição Sindical dos jornalistas em Santa Catarina, na década de 1980. Destacou-se, sobretudo, como militante incansável e formulador de propostas de políticas públicas voltadas à democratização da comunicação.

Atuou fortemente na batalha da Constituinte de 1988 e, anos depois, na mobilização em torno do processo de elaboração da Lei do Cabo, aprovada em 1995, com alguns avanços importantes para a caminhada em direção a uma comunicação democrática. Foi também um colaborador e uma grande referência para os Conselhos de Psicologia, sempre disposto a participar dos eventos da psicologia, enriquecendo as discussões e instigando a Psicologia – a qual ele considerava essencial – a intervir, com o seu conhecimento, nas políticas de comunicação social no Brasil. Foi ainda professor no curso de jornalismo da UFSC, coordenador-geral de Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre, e diretor do Sindicato dos Jornalistas do RS. Escreveu “A História Secreta da Rede Globo”, publicado pela Editora Tchê. Daniel faleceu em Porto Alegre (RS), vítima de câncer. O corpo será cremado quarta-feira, dia 31.

Oficinas da Abep visam aprimorar a formação de psicólogos

A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) promove durante todo o primeiro semestre, oficinas em todas as regiões do país com o intuito de debater sobre a atuação de psicólogos no Sistema Único de Saúde (SUS). Estes eventos, que contam com o apoio do Conselho Federal de Psicologia e do Ministério da Saúde, irão culminar na Oficina Nacional da ABEP, programada para os dias 3 e 4 de agosto, em Brasília. O tema da oficina é “Uma presença qualificada no SUS como um desafio para a Psicologia”.

Inicialmente seriam realizadas 17 oficinas regionais da ABEP, entretanto, vários CRP’s ampliaram o número de oficinas, que deve ultrapassar o total de 30 eventos, diante da importância de discutir a formação dos futuros profissionais, principalmente no tocante a políticas públicas de modo geral e a saúde pública de modo particular. Estes debates também irão subsidiar as discussões do I Fórum Nacional de Psicologia e Saúde Pública, promovido pelos Conselhos Federal e Regionais de Psicologia, nos dias 20 a 22 de outubro de 2006, em Brasília.

Confira aqui os locais e datas das oficinas Versão .PDF

Saiu o edital! Conselho Federal de Psicologia abre concurso público para preenchimento de seu quadro funcional

O Conselho Federal de Psicologia anuncia a realização de concurso público para preenchimento de vagas e formação de cadastro reserva. As vagas estão disponíveis para candidatos com nível médio e superior e os salários vão de R$ 544,15 a R$ 2.873,93. Serão oferecidos 12 cargos: nível superior (assessor da coordenadoria técnica, coordenador de núcleo, programador web e supervisor do setor de apoio administrativo) e nível médio (assistente administrativo, assistente administrativo contábil, assistente de secretaria, auxiliar administrativo, auxiliar administrativo contábil, auxiliar de informática, auxiliar de serviços gerais e web designer).

As inscrições acontecem de 22 de maio a 2 de junho nos postos de atendimento presencial e até 4 de junho pela internet. As provas serão aplicadas em Brasília, no dia 2 de julho de 2006. A responsável pela organização do concurso é a Fundação Universa. Os candidatos interessados podem se inscrever pelo site da entidade (www.funiversa.com.br). As taxas são de R$ 55 para os cargos nível superior e para os postos de nível médio, as taxas variam entre R$ 25 (auxiliar de serviço gerais), R$ 35 (auxiliar de informática, auxiliar administrativo e auxiliar administrativo contábil) e R$ 40 (assistente administrativo, assistente administrativo contábil, assistente de secretaria e web designer). Os candidatos serão submetidos a provas objetivas de caráter eliminatório e classificatório que abordarão questões sobre língua portuguesa, informática, raciocínio lógico, conhecimentos gerais e legislação específica para cada cargo pretendido, entre outras.

Confira o Edital na a íntegra em formato PDF Versão .PDF
Regimento Interno da APAF em formato PDF Versão .PDF
Resolução 018/2000 em formato PDF Versão .PDF
Manual de Normas e Procedimentos Administrativos, Financeiros e Contábeis
Norma 01 – Plano de Trabalho e Orçamento Versão .PDF
Norma 02 – Cadastro e Cobrança Versão .PDF
Norma 03 – Processamento da Receita Versão .PDF
Norma 04 – Processamento da Despesa Versão .PDF
Norma 05 – Suprimento de Fundos Versão .PDF
Norma 06 – Trabalhador Autônomo Versão .PDF
Norma 07 – Diárias e Ajuda de Custo Versão .PDF
Norma 08 – Jeton Versão .PDF
Norma 09 – Licitações Versão .PDF
Norma 10 – Contratos Versão .PDF
Norma 11 – Recursos Humanos Versão .PDF
Norma 12 – Bens Patrimoniais Versão .PDF
Norma 13 – Contabilidade Versão .PDF
Norma 14 – Prestação de Contas Versão .PDF
Norma 14 – Prestação de Contas – Modelo Versão .PDF

Saúde Mental no DF: O que dizem as leis

Dr. Raphael Boechat
Saúde mental: as leis que regulamentam o setor no DF
A lei federal que trata da saúde mental é clara: “São direitos da pessoa portadora de transtorno mental ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, com humanidade e respeito, presença médica e ambiente adequado. Para isso, é responsabilidade do Estado o desenvolvimento da assistência e a promoção de ações de saúde”.

A Câmara Legislativa também elaborou regras para o atendimento psiquiátrico no Distrito Federal. Mesmo assim, pouco está sendo cumprido.

Durante esta semana o Bom Dia DF mostrou que conseguir uma consulta nos ambulatórios pode levar meses. Faltam centros especializados em atendimento psicossocial e o único hospital público para tratamento mental está em péssimas condições.

Diante de tantas dificuldades, o que fazer para solucionar todos os problemas? Qual seria o plano ideal para reestruturar o sistema de atendimento psiquiátrico no DF?

As respostas para essas perguntas já foram dadas várias vezes. De 97 até hoje, dois planos diretores sobre saúde mental foram elaborados pelo GDF. O Ministério Público e a Comissão de Direitos Humanos da CLDF também apresentaram propostas de melhoria no sistema. No entanto, nenhum desses documentos foi colocado em prática.

“Todas as propostas feitas foram aprovadas. O relatório final foi feito pelo conselho e a criação do Caps, o sistema de trabalho, também foi aprovada. Infelizmente, a implantação ainda é lenta”, revela a representante do Conselho de Saúde do DF, Olga Messias Alves de Oliveira.

Nem mesmo as propostas orçamentárias para a saúde mental chegaram a ser cumpridas. Para este ano, por exemplo, estavam previstos R$ 8,6 milhões para o setor. Mas o valor não foi aprovado. O documento, que chegou a ser assinado pelo coordenador de Saúde Mental, previa a construção de centros psicossociais na Ceilândia, no Plano Piloto e no Gama. Em Sobradinho, uma área já tinha sido doada pelo Corpo de Bombeiros. Na prática, o projeto não saiu do papel.

“Uma solução imediata e que não envolveria grandes custos, seria aproveitar melhor o Instituto de Saúde Mental. O instituto funciona num lugar belíssimo e com muita área verde. Tem quadra de esportes, tem piscina… Nós poderíamos fazer um esquema para internação e desafogar o São Vicente de Paulo. O hospital ficaria mais para ambulatório e quadros agudos de emergência. Passando esse período de emergência, o paciente que tivesse a necessidade de permanecer internado seria levado para o ISM”, sugere o doutor em psiquiatria da UnB, Raphael Boechat.

“Dai a importância de termos leitos emergenciais, de termos tratamento hospital dia, hospital noite e ainda os centros de apoio psiquiátricos. Exatamente para que essas pessoas sejam atendidas e não se tenha, de imediato, que pensar na internação como única medida para o tratamento desses transtornos”, diz o representante da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Joelson Dias.

“Existem vários municípios brasileiros que conseguiram implantar uma rede de atendimento eficiente. No Nordeste nós temos Aracajú. No Sudeste temos Campinas, Santos, Belo Horizonte e Betim. No Sul temos Pelotas e São Lourenço do Sul. São vários municípios que vão construindo uma rede de atendimento mais eficiente. Pequenos serviços localizados nos bairros, próximos aos domicílios das pessoas, de modo a substituir a assistência desenvolvida só no sistema hospitalar, como era anteriormente”, conta o coordenador nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado.

Em São Paulo, um dos mais famosos manicômios do país, e o maior do estado, mostrou que é possível mudar e dar um atendimento mais digno. Entre as décadas de 1970 e 1980 o Juqueri chegou a ter 20 mil pacientes internados com distúrbios mentais. Mas foi na década de 90 que o número de internos diminuiu. Era o começo de uma nova filosofia de tratamento, aproximando o paciente da família.

Foi em 2004 que veio a reformulação mais brusca. Todos os pacientes retornaram para o convívio familiar e passaram a viver com acompanhamento ambulatorial, longe de manicômios. Quem não tinha família foi transferido para unidades psiquiátricas menores, no interior, e que não atuavam dentro do sistema manicomial. Com as mudanças, hoje o Juqueri tem apenas 400 internos. A maioria é de casos agudos. São pacientes que realmente precisam de internação.

“Mesmo internada, a pessoa deve ter assegurado o lazer, a educação, o trabalho. Enfim, tem que existir uma proposta de atendimento que permita o tratamento em um ambiente terapêutico, buscando justamente a reinserção na sociedade”, acrescenta Joelson Dias.

A gente vê que a atenção à saúde mental no Distrito Federal não cumpre os ditames da lei que rege a oferta desse tipo de serviço de saúde. É preciso implantar a reforma psiquiátrica que já está legislativamente determinada no DF. É preciso vencer resistências contra essa reforma”, afirma o promotor de Defesa da Saúde, Jiro Bisol.

Por causa das dificuldades para conseguir atendimento, 38 pacientes do Distrito Federal estão sendo tratados em Águas Lindas de Goiás.

Fonte: Rede Globo

Assista a matéria completa:
http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-M459473,00.html

A primeira consulta

 

Descaso com a saúde mental no DF
No hospital falta estrutura e pacientes são atendidos com métodos considerados ultrapassados e desumanos. Pessoas são amarradas e depois deixadas sozinhas, dormindo no chão, e até com correntes. Esse tipo de situação coloca o Distrito Federal em um dos últimos lugares no ranking do Ministério da Saúde, na área mental.

“O que nós temos no São Vicente hoje é uma necessidade urgente de reformar toda a estrutura física. O hospital não comporta mais o que se faz necessário para um atendimento adequado ao doente mental”, afirma o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Antônio Geraldo da Silva.

Mais do que problemas no hospital, quem procura por atendimento enfrenta uma batalha já nos ambulatórios, com uma longa espera. Por telefone, o funcionário avisa: “Pra ser sincero, se você quer se consultar na segunda é melhor perder a sexta à noite, o sábado e o domingo. Tem muita gente querendo! Na segunda, com certeza você consegue. As próximas já ficam marcadas no cartão. A média de espera é de um a dois meses, mas a gente pode tentar a chamada ‘consulta extra’. Aí eles encaixam!”, revela.

São 101 psiquiatras espalhados pelos centros de saúde e hospitais regionais. Mas o próprio coordenador do Serviço de Saúde Mental da Secretaria de Saúde reconhece: é pouco! “Nós precisamos do psiquiatra e de mais serviços descentralizados com esse enfoque médico e psicossocial. Assim, será possível atender um número maior de pessoas”, diz Antônio Geraldo.

Quem consegue vencer essa etapa se depara com mais uma dificuldade: a falta de remédios. Até mesmo o diazepam, um tranqüilizante muito utilizado, estava em falta quando a equipe de reportagem do Bom Dia DF visitou a farmácia psiquiátrica. De acordo com a funcionária, reposição só na semana seguinte. “O objetivo do diazepam é tranqüilizar o paciente. Por ter um baixo custo, é usado em larga escala pela população”, explica o psiquiatra Eugênio Cabral.

Outro problema grave é a falta de centros especializados para atendimento psicossocial dos doentes mentais. São apenas três: no Paranoá, Guará e Riacho Fundo. Situação diferente de outros estados que têm menos habitantes. Em Sergipe, por exemplo, onde moram dois milhões de pessoas, há 13 centros. Diferenças também na área de internação. No DF são 74 leitos públicos. Em Sergipe, 380.

“O GDF pediu ao Ministério da Saúde que ajudasse na elaboração de um plano de emergência para resolver o problema. O plano envolve a implantação imediata de serviços do tipo centro de atenção psicossocial na Ceilândia, Taguatinga e em outras cidades. Ou seja, nós vamos descentralizar o atendimento”, explica o coordenador nacional de Saúde Mental, Pedro Gabriel Delgado.

O autônomo André Araújo tem uma irmã com transtorno mental. Ele mora em Taguatinga, mas o atendimento é feito no Riacho Fundo. Com um abaixo-assinado tenta mudar essa situação. Já são 1.200 assinaturas. “Essas pessoas ficam jogadas. Esperam até uma semana, na fila, no sofrimento, até conseguir uma receita ou uma consulta médica. Nós queremos que a lei seja cumprida. Infelizmente, a área de saúde mental deixa muito a desejar”, reclama.

“Já temos prova de que a pessoa não precisa ficar internada a vida inteira. Tem gente que chega a ficar 30 anos num hospital. Com até 15 dias a crise é atendida e o paciente pode voltar para a sua convivência social”, afirma a representante do Conselho Regional de Assistente, Marlene Moraes Rêgo.

No Distrito Federal não existem residências terapêuticas. Locais onde ficam internadas permanentemente pessoas que não têm família e precisam de atendimento. Aproximadamente, 20 pacientes se encontram nesse quadro e estão no Instituto de Saúde Mental.

“Há um quadro generalizado de desatenção à saúde mental. Existe um modelo equivocado, centrado num hospital que é o São Vicente de Paulo. Um hospital que está, do ponto de vista das suas instalações, em situação bem precária. A situação é dramática e requer uma reforma imediata em toda área psiquiátrica do DF”, acrescenta o promotor de Defesa da Saúde, Jairo Bisol.

A Secretaria de Saúde informou que o estoque de diazepam está normalizado.

Fonte: Rede Globo

Assista a matéria completa:
http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-M458901,00.html

Saúde Mental no DF: retrato do descaso

Descaso com a saúde mental no DF
O único hospital público especializado para tratamento psiquiátrico do Distrito Federal pede socorro. Por trás de uma fachada nova o São Vicente de Paulo, construído em 1959, esconde problemas. Buracos nas paredes e banheiros sujos e sem pias, com torneiras que servem de bebedouro para os pacientes. Nos quartos, camas sem lençóis e internos dormindo no chão.

“É um lugar que não serve para nenhum ser humano. Nem bicho agüenta!”, reclama o mecânico Felix Bandeira. A irmã de Félix sofre de transtorno bipolar, doença que altera o estado de humor. Em dias de crise passa a noite no hospital. “Toda vez que ela fica internada eu saio chorando. É desesperador você largar a irmã num lugar daquele”, confessa.

Numa outra sala, uma mulher é imobilizada e depois deixada sozinha. “É terrível, terrível! Amarra… Chega aqui, tira a roupa todinha e amarra a pessoa pelada. Se a gente reclamar, fica amarrada também”, denuncia uma interna.

“A contenção só pode ser aplicada naqueles casos em que todas as outras opções falharam. Por exemplo, o paciente que num momento de crise não possa usar um medicamento ou que o medicamento tenha falhado. A contenção é para proteção do paciente em momentos de crise. É preciso garantir que seja feita de forma humana e pelo menor tempo possível”, alerta o vice-presidente do CRM-DF, Cláudio Vieira.

“Tá vendo essa marquinha aqui no meu pescoço? Foi o enfermeiro que me enforcou!”, mostra a interna.

O doente mental precisa ser tratado com humanidade e respeito e ser protegido contra qualquer tipo de abuso e exploração. É o que está textualmente em duas leis, uma federal e outra distrital. É também o que recomenda a Organização Mundial de Saúde, mas tudo isso tem sido ignorado.

Um interno estava acorrentado. Parecia personagem de uma história de horror. Em vez de correntes, por lei, ele teria direito à socialização. Mas ganhou o isolamento, como se cumprisse uma pena. “É um modelo anacrônico e falido. Não vai levar a gente a lugar nenhum. Tem que sair da Idade Média e entrar na Idade Moderna, para os centros de atenção psicossocial”, afirma o representante do Conselho Regional de Psicologia, Edmar Carrusco.

“O uso de correntes no hospital é um histórico que nós nunca vimos. É completamente ilegal. Acorrentar pacientes é uma prática que está fora da realidade”, acrescenta o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Antônio Geraldo da Silva.

A psiquiatra Iltanice Bezerra, diretora do hospital, disse que será aberta uma sindicância para apurar por que uma das pacientes apresentadas na reportagem foi contida e deixada sozinha no quarto. Sobre a reclamação de agressão, a diretora disse que a interna será encaminhada ainda hoje ao IML, para exames.

Já o paciente que foi visto acorrentado, Iltanice disse que é totalmente contra essa medida. Mesmos assim, como o rapaz está sob tutela da Justiça, os médicos não podem interferir na forma como ele foi levado e é mantido no hospital.

Fonte: Rede Globo

Assista a matéria completa:
http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-M458374,00.html

Psicologia perde Silvia Lane

Faleceu no dia 30 de abril a professora Silvia Tatiana Maurer Lane. Silvia não era psicóloga, mas, sem dúvida, foi uma das pessoas que mais contribuiu para o desenvolvimento da Psicologia Social no Brasil. Silvia fez Psicologia toda a sua vida. Enfrentou os anos da ditadura pesquisando e ousando avançar no pensamento crítico em Psicologia.

Acreditou e lutou pela união latino-americana no campo da Psicologia. Fundou a ABRAPSO -Associação Brasileira de Psicologia Social; foi precursora da Psicologia Comunitária; ousou na construção do currículo na Faculdade de Psicologia da PUCSP, quando esteve na sua direção; esteve no pós graduação em Psicologia Social da PUCSP onde formou um conjunto muito grande de alunos/professores/pesquisadores que hoje, em várias Universidades do Brasil, divulgam e ensinam um pensamento crítico em Psicologia. Sua vida era, assim, dedicada à Psicologia. A ausência de Silvia Lane empobrece o cenário de nossa Psicologia no Brasil e na América Latina.

O Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais prestam sua homenagem e reconhecem publicamente a valiosa contribuição da PROFESSORA SILVIA LANE ao desenvolvimento da profissão e à luta por uma psicologia comprometida com as urgências da sociedade brasileira.
Conselho Federal de Psicologia

Biografia
Pós Doutorada pela EHESS, na França, a professora Sílvia Tatiana Maurer Lane era considerada como parte da história da psicologia social e da própria PUC. Formou-se em filosofia, mas na psicologia encontrou sua verdadeira paixão. Fez doutorado em psicologia e especialização na mesma área. Atuou como precursora da Psicologia Comunitária, sócio-histórica e fundou a Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO. Publicou inúmeros artigos em periódicos com temas voltados para a analise da subjetividade. Dedicou-se a escrever diversos livros sobre o assunto. Entre eles estão: O que é psicologia?, muito utilizado entre os alunos de graduação; O que é Psicologia Social?, e em parceria com outros autores: Novas Veredas da Psicologia Social, entre outros.

Foi premiada com um livro em seu nome da coleção Pioneiros da Psicologia, ressaltando seu importante trabalho na área; pela Sociedade Interamericana de psicologia, com o prêmio Psicólogo Interamericano, entre outros. A professora Silvia Tatiana Maurer Lane lutou pela união latino-americana no campo da Psicologia. Dirigiu a Faculdade de Psicologia da PUCSP atuando veementemente na construção de um currículo inovador, esteve na pós graduação em Psicologia Social da PUCSP, onde formou um conjunto significativo de alunos, professores e pesquisadores que hoje, em várias Universidades do Brasil, divulgam e ensinam um pensamento crítico em Psicologia, dedicando sua vida à Psicologia no Brasil e na América Latina.
Silvia Tatiana Maurer Lane – 1933-2006.

Conselho repudia desrespeito a psicólogos

Nota de repúdio à matéria veiculada na Revista SIMERS em março, editada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul. A matéria sob o título “As prerrogativas do psiquiatra e as do psicólogo” traz uma entrevista da psiquiatra Laís Legg Rodrigues:

Nossa primeira manifestação de estranheza é em relação a disposição do SIMERS de publicar uma entrevista que caminha no sentido contrário do processo de integração das 14 profissões de saúde, permite o desrespeito a uma profissão reconhecida pela sociedade brasileira e reforça posições corporativistas das mais mesquinhas, na medida em que não colocam em primeiro plano a vontade e a luta por um serviço de saúde digno e de qualidade para nosso Brasil. Na medida em que se oferece este espaço para a divulgação destas posições, sem contraposições, se toma a decisão de reforçá-las, assim nossas críticas aos conteúdos da entrevista da Dra Legg podem ser estendidas à SIMER RS.

A doutora demonstra com suas respostas uma visão antiga e ultrapassada de doença e de saúde. Hoje, as tendências buscam integrar conhecimentos de aspectos do humano que se achavam isolados, como o orgânico, o psicológico, as condições de vida, os hábitos.
A Psicologia atua onde houver humano e onde houver a presença da dimensão psicológica, seja na saúde ou na doença. As concepções contemporâneas de doença já falam na importância de se olhar para as condições psicológicas de quem adoece. A doutora parece desconhecer estes conhecimentos e mesmo as formas interdisciplinares que se instituíram com sucesso no campo da saúde. Não podemos querer um atendimento à doença que seja da época de Hipócrates.

Há equívocos de psicólogos nos tratamentos? Sim. Mas sabemos muito bem que são muitos também os equívocos médicos. Não podemos misturar nestas discussões as incompetências e as condições adequadas para um bom tratamento na área da saúde, no Brasil.
A doutora é claramente corporativista e pensa o tratamento da doença como se fosse sinônimo de tratamento médico. A saúde é hoje campo e interesse de muitos (14 áreas) profissionais que têm construído seus exercícios profissionais e suas pesquisas com vistas a uma prestação de serviço multidisciplinar, rica, complexa e completa, abarcando a totalidade dos pacientes. Nossos conhecimentos não são totalizadores; e por isso precisamos, para fazer um bom serviço, de muitos saberes.

Por que só médicos podem dar atestados de afastamento do trabalho? Porque querem manter este filão do mercado de trabalho exclusivamente nas mãos deles, pois, a rigor, alguém pode se afastar do trabalho porque está em estado de stress porque foi vítima de alguma situação traumática. Estas pessoas estão em sofrimento, apesar de não estarem doentes e quem saberá disto e poderá tratá-la é um psicólogo. E isto serve para muitas das profissões da área da saúde.
A doutora também desconhece as ações dos Conselhos Profissionais de Psicologia para regular o campo dos testes. Os psicólogos tomaram nas suas mãos os testes que até então, estavam nas mãos das editoras. Há 4 anos funciona, no Conselho Federal de Psicologia, uma comissão que avalia as condições de uso de todos os testes psicológicos. Os psicólogos e suas entidades sabem da importância de exercerem este controle em nome dos interesses da sociedade e da qualidade do serviço que lhes é prestado.

Os psicólogos acreditam que seja de extrema importância a união de todo o setor de saúde para a construção de um serviço de qualidade à população brasileira. Temos atuado sempre guiados por este princípio e lamentamos que uma profissional da psiquiatria apresente suas opiniões sem atualizá-las e sem respeitar os psicólogos que têm buscado, a cada dia e ininterruptamente, melhorar a qualidade técnica e ética de suas intervenções, inclusive reunindo forças com os médicos psiquiatras para muitas lutas necessárias em nosso país, como a reforma psiquiátrica, a qualificação das psicoterapias (temos hoje uma entidade conjunta Associação Brasileira de Psicoterapia –ABRAP), os serviços de saúde mental.

O CFP isenta-se aqui de relatar os vários casos de erros médicos que têm se tornado público e mesmo justificado a formação de organizações sociais das pessoas vítimas de erro médico.
Cabe ainda salientar que, hoje, no Brasil, existem apenas 5000 psiquiatras. Os psicólogos são 130 mil profissionais, estando a maioria deles na área da saúde.
A Psicologia é por definição do Ministério da Saúde uma profissão da área da saúde. Aliada a outras 13 profissões, incluídos os médicos.

O CFP repudia a manifestação da Dra. Legg não pela pobreza de suas opiniões, mas por não se constituir como um apoio a uma luta comum aos profissionais da área da saúde: a por um serviço de saúde à população que tenha qualidade técnica, ética e seja comprometida com as necessidades sociais do povo brasileiro. Esta é a nossa luta!
Conselho Federal de Psicologia