Magia, saúde e desenvolvimento no ofício das benzedeiras

Compreender as experiências – pessoais, religiosas, sociais e culturais – e as transformações “desenvolvimentais” das benzedeiras ao longo de suas trajetórias de vida e sua relação com a promoção da saúde de suas comunidades são as reflexões que Raquel Cornélio Marin e Fabio Scorsolini-Comin fazem no artigo “Desfazendo o “mau-olhado”: magia, saúde e desenvolvimento no ofício das benzedeiras”, publicado na edição 37.2 da revista Psicologia: Ciência e Profissão.

Raquel Marin é psicóloga formada pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Scorsolini-Comin, doutor em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Ele também é professor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

O CFP publica todas as semanas um artigo da revista (a versão eletrônica está na SciELO) no site e nas redes sociais. É uma forma de a autarquia disseminar o conhecimento científico para a categoria e a sociedade.

Benzedeiras

Dez benzedeiras residentes em cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais, com média de 62,5 anos de idade e de 26,2 anos de ofício foram entrevistadas pelas (os) pesquisadoras (es). A maioria relatou a transmissão do ofício a partir de um familiar, destacando a prática da benzeção como algo que pode ser ensinado, aprendido e transmitido por meio da tradição oral. Mesmo assim, o ofício também é compreendido como dom inato que atravessa o desenvolvimento, o que requer dedicação, paciência e abnegação.

As entrevistadas destacaram que a dificuldade de transmitir o ofício aos mais jovens pode estar relacionada à urbanização e maior acesso a equipamentos formais de saúde. Revelaram, ainda, a submissão da benzeção a uma lógica biomédica, dentro de um sistema de saúde que, por vezes, negligencia os sistemas populares de cuidado.

Raquel Marin, uma das autoras da pesquisa, contou mais detalhes do artigo.

 

O que os motivou a pesquisar o tema?

Historicamente, a fé e a espiritualidade são consideradas elementos fundamentais para o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas, que se aproximam desses elementos com curiosidade e certo misticismo.

Diversos motivos, além da curiosidade, fizeram com que eu me aproximasse das benzedeiras e das práticas de cura populares. O primeiro deles está relacionado à minha história de vida. Cresci em uma pequena cidade do interior de São Paulo, com forte influência rural, e onde as benzedeiras e as práticas de cura populares pela fé são muito comuns.

Esse é um cenário que me acompanha e que me fascina desde criança: era maravilhoso entrar em contato com essa realidade à época e foi igualmente maravilhoso descobrir que eu poderia me envolver com esse tema também no meio acadêmico, por meio da pesquisa.

Outro fator que me fez conduzir esse estudo foi ter notado a eficácia e a permanência dessas práticas de cura populares, mesmo com o avanço da tecnologia e dos recursos “formais” de cuidado com a saúde. Desde muito nova ouço relatos de curas alcançadas e a respeito da figura das benzedeiras, o que despertou em mim, cada vez mais, a curiosidade sobre essas práticas milenares que perduram no tempo e se difundem em diferentes décadas, culturas e países.

A participação do Fabio Scorsolini-Comin no processo também foi um dos motivos que tornou possível a realização desse estudo tão significativo, pois sempre tive consciência de que ele trataria esse assunto com a seriedade e o respeito necessários. Estar engajada em um grupo de pesquisa que tem como uma de suas linhas os estudos sobre religiosidade e a espiritualidade também favoreceu a execução da investigação.

 

Quais os resultados que destaca no levantamento?

Acreditamos que a grande contribuição que surge como consequência dessa pesquisa é a divulgação das práticas populares de cura no meio acadêmico e a possibilidade de perpetuação das histórias e das trajetórias de vida e de desenvolvimento dessas benzedeiras. Muitas entrevistadas já se encontram em idade avançada e com complicações de saúde, e a maioria delas demonstrou preocupação com a possibilidade da extinção de seus conhecimentos, já que não encontram interesse nas gerações mais novas em continuar a “missão” das práticas populares de cura. Assim, o registro e a perpetuação dessas histórias são resultados que devem ser destacados.

Ao invés de tentar “provar” a eficácia de suas práticas de cura, nos preocupamos em demonstrar o processo de desenvolvimento dessas personagens tão importantes em suas comunidades, e os sacrifícios e ganhos pessoais que essas mulheres vivenciam para poder atender aqueles que as procuram em busca de ajuda.

Sumariamente, observou-se predomínio das benzedeiras mulheres nos bairros periféricos dos municípios, justamente onde se concentra a maior parte de pessoas com menor poder aquisitivo, e também aquelas que se mudaram de sítios para a cidade após muito tempo de convivência no ambiente rural.

Percebemos, ainda, que existe uma pluralidade de crenças religiosas entre elas, pois encontramos oito benzedeiras que professavam a fé católica, uma umbandista e uma evangélica. Vale ressaltar que quase todas as concepções de “dom”, “cura” e das próprias práticas populares mudavam de acordo com as crenças das entrevistadas e, apesar de professarem diferentes religiões, todas citaram a disciplina, o sacrifício pessoal, a fé em Deus e o desenvolvimento da espiritualidade. Além desses elementos, foram apontados como requisitos para ser uma benzedeira o dom para benzer, a vontade de ajudar os outros, a saúde física, o amor e a caridade.

 

Como sistemas populares de cuidado podem ser conciliados com os recursos hoje disponíveis?

Acredito que a conciliação entre os sistemas populares com os recursos hoje disponíveis, inclusive nos sistemas formais de cuidado com a saúde, seja possível e necessária. Contudo, defendo que essa conciliação precisa ser executada com cautela, para que ambos os modelos de cuidado não percam seus valores e que não vise a homogeneização das práticas de cura.

As práticas populares das benzedeiras são práticas culturais, religiosas, sociais e de saúde. Ocorre que o conceito de “saúde” que deveríamos ter em mente, em qualquer sistema de cuidado, é o conceito amplo e holístico de bem-estar do indivíduo que procura por ajuda e por cura. Nesse sentido, mesmo as práticas formais de cura, que contam com os mais avançados recursos tecnológicos e científicos, deveriam levar em consideração as esferas culturais, religiosas e sociais da saúde.

Assim, garantir o respeito e o reconhecimento dessas práticas populares de cura e das diferentes crenças é o primeiro passo para que essa conciliação seja feita com cautela. Além da noção holística de “saúde” que as benzedeiras pregam e propagam em suas comunidades, é indispensável que seja destacada a rede de apoio e acolhimento nas quais elas se constituem, que nem sempre estão disponíveis nos sistemas formais de saúde, ou não atendem as reais demandas da população.

As práticas populares de saúde de determinada região, na verdade, representam a própria identidade das pessoas que nela vivem. Os sistemas formais de cuidado poderiam, neste sentido, se aproveitar dessas concepções para aproximar o uso dos recursos tecnológicos e científicos mais avançados com as concepções partilhadas por essas comunidades.

Longe de tentar formalizar essa conciliação, propomos como essa conciliação deveria ser pensada, para que possamos aproveitar ao máximo os avanços tecnológicos e também resgatar práticas populares de cura, que acabam nos reconectando com nossas raízes culturais e sociais.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

A Psicologia e as medidas socioeducativas

Revisão de documentos de referência do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas(Crepop), demandas do Sistema de Justiça e mortes de adolescentes em unidades de internação em cumprimento de medidas socioeducativas (MSEs). Esses foram alguns dos temas discutidos pelo grupo de trabalho (GT) da Assembleia das Políticas, da Administração e das Finanças (Apaf) que trata da atuação das/dos psicólogos no contexto das MSEs. O colegiado se reuniu, dia 28 de julho, na sede do Conselho Federal de Psicologia (CFP), em Brasília, após série de reuniões telefônicas preparatórias.

Plano de ação e cronograma de atividades para definição de objetivos e entregas de produtos, metodologia e discussão entre as regiões, convergência com deliberações do IX Congresso Nacional de Psicologia (CNP), realizado em junho de 2016, e respeito ao trabalho precedente desenvolvido pelo GT foram outros pontos de pauta. A parceria de integrantes do Crepop para contribuir com a revisão e atualização das referências técnicas para atuação profissional no âmbito das medidas socioeducativas em unidades de internação e das referências técnicas para atuação em meio aberto foi uma das decisões tomadas pelo grupo.

Os integrantes do colegiado também discutiram a conjuntura nacional e reflexos no processo de implantação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), a intensificação das demandas do Sistema de Justiça, do viés punitivo das MSEs e impactos para a atuação profissional em contexto de precarização das condições de trabalho. O GT definiu, ainda, promover debate, até o final de 2017, para discutir as mortes de adolescentes em cumprimento de MSEs. Novo encontro do GT está previsto para outubro.

Membros

O GT é formado pela conselheira do CFP Fabiana Itaci Araujo e cinco membros de Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs): Marina Bernabé (CRP 16, ES), Daniela Rodrigues (CRP 17, RN), Gustavo Galli (CRP-1, DF), Valber Luiz Sampaio (representando Adriana Elisa Macedo, do CRP 10, PA/AM) e Maria Cristina de Carvalho (CRP 8 – PR).

Nova edição da “Psicologia: Ciência e Profissão” está disponível

A edição 37.2 da revista “Psicologia: Ciência e Profissão (PCP)” já está disponível na plataforma SciELO e, em breve, chegará às bibliotecas das universidades e faculdades com cursos de Psicologia de todo o Brasil. O compromisso da PCP é promover diálogos entre prática profissional, formação e pesquisa que contribuam para a produção de conhecimento em Psicologia e para o enfrentamento dos desafios impostos pela conjuntura política e econômica do país.

A editora do periódico, professora Neuza Maria de Fátima Guareschi, explica no editorial Psicologia e políticas públicas: as práticas profissionais no campo da saúde e da assistência social que os artigos da edição estão todos, direta ou indiretamente, relacionados com a atuação dos profissionais da Psicologia na construção de saberes, na análise das práticas profissionais e na preocupação com a formação e com o exercício desses profissionais em intervenções psicossociais das áreas da saúde e da assistência social. Essas intervenções estão, na maioria das vezes, articuladas no objetivo de promover saúde e garantir os direitos sociais aos cidadãos. 

Excelência

Editada desde 1979, a PCP é uma publicação científica de excelência internacional, classificada com a nota A2 no sistema Qualis de avaliação de periódicos da Capes/MEC. Atualmente, a revista está indexada nas bases da SciELO; Lilacs (Bireme); Clase; Latinex; PsycINFO; Redalyc; e Psicodoc.

CFP publica lista de novos pareceristas do Satepsi

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) publica nesta segunda-feira (12/6) a lista de aprovados para compor o banco de pareceristas do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (Satepsi).

Para a candidatura, a (o) interessada (o) deveria ser psicóloga (o), possuir doutorado em Psicologia ou em áreas afins e ter publicado, no mínimo, cinco artigos científicos em revistas classificadas com Qualis A1, A2, B1 ou B2, na área de Psicologia, nos últimos cinco anos. Dentre as publicações, pelo menos uma deveria estar relacionada à área de avaliação psicológica ou fundamentos e medidas em Psicologia.

Os pareceristas do CFP terão que avaliar até três instrumentos submetidos ao Satepsi por ano, respeitando prazos legais e orientações normativas. Devem, ainda, guardar sigilo sobre o processo de avaliação. Ao término da participação, o CFP irá entregar declaração de parecerista ad hoc do Satepsi ao consultor.

Confira aqui a lista dos aprovados.

O edital seguiu as normas estabelecidas pela Lei nº 8.666/93.

“Caps” com lógica manicomial não funcionam

Fortalecer a Rede de Assistência Psicossocial (Raps) sob a lógica da autonomia do sujeito, não de mera tutela. Essa foi a ideia defendida por Paulo José Barroso de Aguiar Pessoa, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), na 294ª reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS), ocorrida em Brasília, nessa quinta-feira (8/6). Além de Aguiar, Quirino Cordeiro Júnior, coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, e Mairla da Silva Feitosa, representante do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR), discutiram a Política Nacional de Saúde Mental e a internação compulsória.

Após fazer defesa dos direitos humanos e da democracia com ética e compromisso social, Paulo Aguiar analisou o contexto social da inserção da droga no cotidiano. Ele explica que as drogas fazem parte da sociedade e que qualquer campanha de caráter proibitivo será inócua, pois cada indivíduo é único. “A experiência do uso da droga é particular. Tentar construir qualquer intervenção ou entendimento, por isso, é extremamente complexo.” O conselheiro disse que a própria dependência química do uso da droga, além de singular, também está condicionada a diversos fatores e aspectos sociais. “Por que uns desenvolvem a dependência química e outros não? Questão biológica? Psicológica? Social? Não há um fator apenas, é multifatorial. Algumas condições e lugares podem facilitar a dependência ou dificultar o tratamento. “O lugar marcado pela violência, pela exclusão e pela falta de acesso às políticas públicas torna parcela da população mais vulnerável: Negros, famílias monoparentais, pobres, com baixa instrução educacional têm mais dificuldade de acesso às políticas públicas e isso é um marcador.” 

Tratamento

Para o psicólogo, há uma disputa teórica e prática sobre o tratamento da abstinência. Ela deve ser completa ou estabelecer outro sentido? Para Aguiar, a Política Nacional de Saúde Mental aponta para uma perspectiva de redução de danos. Ele ainda coloca em discussão que o debate sobre a internação compulsória como opção prioritária está mais ligado ao acesso à verba pública, e, dessa forma, a questão da droga fica subjacente e de importância secundária, prejudicando o tratamento das (os) usuárias (os).  “Devemos ficar alerta com essa perspectiva de tratamento, pois produzimos Barbacena e vários hospitais com a lógica de pegar as pessoas e trancafiá-las. Essa deve ser a exceção da exceção. Infelizmente, em algumas gestões e espaços, essa perspectiva tem sido a primeira opção.”

Para o psicólogo, não basta os órgãos governamentais construírem Centros de Atendimento Psicossociais (Caps) com ótimas estruturas se a lógica manicomial continuar em vigor. O CFP defende, em suas palavras, o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) de forma a garantir tratamento digno que permita a autonomia do sujeito. “Precisamos investir na perspectiva da autonomia do sujeito e não da tutela. Não adianta dados da Raps [apresentados pelo coordenador de Saúde Mental], quando na prática presenciamos espaços com lógica manicomial e risco de novos hospitais-Colônia.”

Confira aqui a discussão sobre a Política Nacional de Saúde Mental e a Internação Compulsória no Conselho Nacional de Saúde (CNS).

CFP participa de debate sobre “Janeiro Branco”

O cuidado com a saúde mental e o incentivo à busca da psicoterapia foram algumas das questões debatidas em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados nessa terça-feira (6/6), em Brasília. O evento teve a participação do Conselho Federal de Psicologia (CFP), do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (CRP-15) e do Movimento Janeiro Branco.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 11,5 milhões de pessoas sofrem de depressão, por ano, no Brasil. O país é o segundo das Américas e o quinto do mundo em número de casos. Só em 2016, 75,3 mil trabalhadores foram afastados de suas atividades por depressão.

Mesmo assim, o tema é tabu na sociedade brasileira e motivou, em 2014, psicólogas (os) a promoverem a campanha Janeiro Branco, de forma a conscientizar as pessoas sobre a importância dos cuidados com a saúde mental e emocional.

Autora do requerimento para a audiência pública, a deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) destacou a necessidade de se encontrar tratamentos alternativos à medicação, que pode levar à dependência química. Ela avalia apresentar projeto de lei para incluir a campanha “Janeiro Branco” no calendário oficial do país. “As doenças emocionais são silenciosas, difíceis de serem detectadas, então, precisamos promover campanhas para despertar as pessoas.” 

Posição do CFP

A conselheira Rosane Lorena Granzotto, que representou o CFP na audiência, explicou a posição da autarquia sobre a matéria. Ela disse que o mote da campanha – o incentivo à busca da psicoterapia para o cuidado com a saúde mental – é relevante, pois promove a visibilidade de um dos campos da prática profissional da Psicologia. Além disso, incentiva a sociedade a se aproximar mais das questões relativas ao sofrimento psíquico, “salientando-se aqui o direito individual e inalienável de escolha do tratamento desejado”.

No entanto, a conselheira fez ponderações, como que o cuidado com a saúde mental vai além da prevenção e do encaminhamento do indivíduo em sofrimento à psicoterapia. “Nossa luta para a promoção da saúde mental deve apontar para a efetivação das políticas públicas e inclusivas baseadas nas prerrogativas da universalidade, da integralidade e da equidade, buscando a interlocução com outros saberes e práticas profissionais.”

Granzotto reforça que a campanha deve promover prioritariamente uma prática psicológica como instrumento de garantia dos direitos fundamentais, do enfrentamento à violência, dos preconceitos e das condições objetivas e subjetivas que produzem sofrimento psíquico.

A deputada Erika Kokay (PT-DF), psicóloga por formação, acredita que mais do que uma campanha anual, as (os) psicólogas (os) deveriam lutar por uma ampla política de saúde mental, com valorização das (os) profissionais e ampliação da oferta de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Neste sentido, ela citou a inclusão da (o) profissional de Psicologia nas equipes de saúde da família. 

Com informações da Agência Câmara

Conselho Nacional de Direitos Humanos vistoria Cracolândia

Relatório do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e organizações sociais sobre a operação policial realizada, no dia 21 de maio, na Cracolândia, no Centro de São Paulo, aponta que o programa “Redenção, da Prefeitura de São Paulo, foi colocado em prática sem regulamentação.

Um grupo de conselheiros e integrantes de organizações da sociedade civil visitou a Cracolândia nessa segunda-feira (29/5) para conversar com pessoas que tiveram suas casas invadidas durante a operação, com moradores de rua, residentes da região, comerciantes e outros cidadãos atingidos pela medida.

Roberta Brasilino, representante da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP), explicou que a visita permitiu observar que o programa de atenção anterior, o “Braços Abertos”, foi desmantelado sem que o município estivesse preparado para atender a demanda da população local. Além disso, segundo Brasilino, “o novo programa municipal fere a autonomia profissional e as normativas vigentes de atenção aos usuários da saúde mental”. 

Nem papel, nem prática

 O relatório aponta que não o “Redenção” sequer possui portaria de regulamentação. Às organizações e conselhos que participaram da vistoria da região da Cracolândia, a Prefeitura de São Paulo informou que a portaria ainda está em fase de redação. Também foi constatado que os agentes de saúde e comunitários que trabalham na região da Luz conhecem pouco o “Redenção”, “tendo em vista que o mesmo não existe legalmente no papel, nem na prática”.

Segundo os integrantes das organizações, não houve diálogo entre o poder público, a Defensoria e o Ministério Público para as ações. Outro ponto do relatório destaca que a Cracolândia apenas mudou de local, transferindo-se da rua Helvétia para a Praça Princesa Isabel. Pessoas foram retiradas de hotéis, de pensões, apartamentos e lojas. Ficaram sem nenhuma informação ou assistência. Muitos estão dormindo na rua. “Tivemos relatos de pessoas que perderam seus documentos, perderam seus poucos bens e solicitamos que a prefeitura instalasse um balcão. Muitos também relataram agressões na ação policial e queremos que isso seja apurado”, disse Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana.

Acompanhamento

O relatório, assinado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), será entregue à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Além de ter visitado a região, o grupo vai pedir que o prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin conversem com todas as partes envolvidas e apresentem com urgência um plano de trabalho para atender os dependentes de drogas, moradores e comerciantes da região. Querem, ainda, a constituição de um grupo de trabalho para acompanhar os desdobramentos da ação. 

A visita do dia 29 foi realizada por representantes da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Defensoria Estadual de São Paulo, Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público do Estado de São Paulo (MP/SP), Conselho Municipal de Drogas de São Paulo e Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CNDH/CFP). 

Nota da Apaf

Diante do grave incidente na Cracolândia, a Assembleia das Políticas da Administração e das Finanças (APAF), com a presença de delegados dos Conselhos Federal e dos 23 Regionais de Psicologia, publicou no dia 21 de maio uma nota de repúdio à ação da Prefeitura de São Paulo pela violência empregada pela gestão na remoção da população atendida pelo “De Braços Abertos” e o desmantelamento do programa. 

Com informações do G1 São Paulo

Vídeos da Apaf de maio 2017

A Assembleia de Políticas, de Administração e das Finanças do Sistema Conselhos de Psicologia (Apaf) acontece este final de semana, dias 20 e 21 de maio, em Brasília/DF, na sede do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Os dois dias do encontro são transmitidos em tempo real, a partir das 10h, pelo site www.cfp.org.br.

Realizada pelo menos duas vezes ao ano, a Assembleia do Sistema Conselhos é composta por conselheiros federais e regionais de Psicologia. O CFP tem até três delegados e o número de representantes regionais varia de um a três, dependendo do número de profissionais inscritos no CRP.

Essa é a primeira reunião da Apaf com a presença do XVII Plenário do CFP, que tomou posse na última Assembleia, em dezembro do ano passado, para gerir o CFP no período 2016-2019.

A seguir, os links de transmissão em cada um dos dias da Apaf:

 

Dia 20/05 (manhã)

Dia 20/05 (tarde)

 Dia 21/05 (manhã)

Dia 21/05 (tarde):

 

Ajude a transmitir: 

Os CRPs também podem retransmitir a Apaf direto de seus sites. Para tanto, basta incorporar na página os códigos de cada um dos turnos de transmissão:

Dia 20 (manhã)

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Dia 20 (tarde)

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Dia 21 (tarde)

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Combater abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

18 de maio é celebrado como “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Nesse dia, um crime bárbaro ocorrido em Vitória (ES), em 1973, chocou o país, o “Caso Araceli”. Esse era o nome da menina de 8 anos que teve todos os seus direitos humanos violados: foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta da cidade.

A proposta do “18 de Maio” é mobilizar, sensibilizar, informar e convocar a sociedade para participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende ser necessário buscar soluções para combater o problema e estará presente na agenda nacional “Faça Bonito. Proteja Nossas Crianças e Adolescentes”, que completa 17 anos com a aprovação da Lei 9.970/2000, que instituiu o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual”.

Avanços

A conselheira Iolete Ribeiro da Silva, do CFP, diz que o 18 de maio é uma conquista da luta pelos direitos humanos. Segundo ela, a data “dá visibilidade a uma violência que afeta muitas crianças e adolescentes nas diferentes regiões do país, se convertendo em possibilidade de cobrar políticas púbicas que contribuam para a prevenção da violência sexual e para a construção e a consolidação da rede de proteção à infância e adolescência”.

Iolete fala que, apesar de as estatísticas ainda serem assustadoras, a violência e a exploração sexual têm sido combatidas. No entanto, pondera que a rede de proteção é frágil, pois não há profissionais em número suficiente para atendimento das demandas. “Falta rede de retaguarda e articulação entre os serviços que atendem crianças, adolescentes e familiares envolvidos em situações de violência. Os governos não têm priorizado a construção de uma rede de proteção. Avançamos nos mecanismos de denúncia, mas não avançamos na prevenção e no atendimento.”

A conselheira esclarece que o combate ao abuso e à violência sexual tem que ser preventivo e não somente após a violência. Para ela, atuar na prevenção significa que ter “que falar sobre sexualidade e gênero nas escolas para que crianças e adolescentes construam conhecimentos necessários à sua proteção e ao seu desenvolvimento. Temos que desenvolver atividades educativas que promovam o direito sexual de crianças e adolescentes”.

Iolete Ribeiro destaca que o Sistema Conselhos deve pressionar as instâncias governamentais e os órgãos de controle social para defender os direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência e exploração sexual. Deve, ainda, incentivar a participação e formação permanente de psicólogas (os) nos espaços de controle social.

Nota de Pesar: Rosimeire Aparecida Silva

ATUALIZADO: O velório da psicóloga e ex-conselheira do CFP, Rosimeire Aparecida Silva, está ocorrendo desde às 09 horas no Cemitério Bonfim, em Belo Horizonte, e o sepultamento está marcado para as 13 horas.

 

É com muita tristeza que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebe a notícia do falecimento da psicóloga mineira Rosimeire Aparecida Silva, integrante da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH/CFP).

As causas ainda não foram confirmadas, mas as informações iniciais são de que ela faleceu em seu apartamento, em Belo Horizonte/MG, na manhã desta segunda-feira (15/5), vítima de um infarto.

Rosi, como era carinhosamente chamada pelos colegas, estava com 52 anos. Nascida em Pirapora/MG, em julho de 1964, ela foi uma militante histórica da luta antimanicomial e pioneira na criação e implementação dos serviços substitutivos aos manicômios na rede de saúde mental.

Em sua jornada na Psicologia, Rosimeire coordenou a Política de Saúde Mental da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, trabalhou no Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Coordenou o CRR Ateliê Intervalo de Redução de Danos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e foi articuladora do Projeto Redes (FIOCRUZ/SENAD) no município de Ribeirão das Neves (MG). Atuou ainda como professora convidada em cursos de pós-graduação (lato e stricto sensu) da Faculdade de Medicina da UFMG. De 2013 a 2016, coordenou a Comissão de Direitos Humanos do CRP-MG.

 

Ainda aguardamos informações sobre velório e sepultamento.

Com informações do site CRP-MG.