Revista Psicologia: Ciência e Profissão intensifica ações do planejamento para 2026

A comissão editorial da Psicologia: Ciência e Profissão (PCP) realizou sua terceira reunião do ano, após a posse realizada em março. Entre outras definições, ficou estipulada a abertura de edital, em breve, para seleção de artigos para próxima edição especial a ser publicada em 2027 com o tema “Crise Climática e Racismo Ambiental”, bem como um dossiê temático com artigos sobre os 20 anos do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) e um número especial sobre o tema.

A edição especial sobre “Crise Climática e Racismo Ambiental” faz parte de um dos avanços implementados pela PCP para assegurar a equidade racial e étnica na produção científica no periódico. Em junho passado, as/os conselheiras do CFP e coeditoras/es do periódico, Míriam Cristiane Alves e Rafael Wolski de Oliveira  , apresentaram essas ações, em São Luís, no 17º Congresso Internacional da Rede Unida. Alves coordenou a mesa “O que podem as revistas científicas na democratização do conhecimento? Raça e etnia como marcador na política editorial da Psicologia”.

Reuniões e capacitação

A conselheira Miriam Alves destaca que as três primeiras reuniões com as/os integrantes da comissão editorial foram muito produtivas. Segundo Miriam, além do treinamento técnico, foi possível avançar em propostas importantes para a qualificação do periódico, dentre elas “ o fortalecimento do processo de internacionalização, especialmente por meio do diálogo com países da América Latina; a possibilidade de tradução dos artigos para as línguas espanhola e inglesa; a qualificação da política editorial no que se refere às questões raciais e de gênero; e a ampliação da diversidade entre editores e pareceristas”, reforçou.

Sobre o dossiê dos 20 anos do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP), Miriam Alves destacou que a proposta busca promover reflexões críticas sobre os desafios contemporâneos da profissão no campo das políticas públicas, visibilizar experiências de atuação profissional e reafirmar a importância da Psicologia na construção e no fortalecimento das políticas públicas no Brasil. “Além disso, o dossiê pretende evidenciar o papel do CREPOP na produção de referências técnicas, éticas e políticas que têm orientado práticas profissionais socialmente comprometidas com as diferentes realidades da população brasileira”, complementou.

Capacitação

Dando prosseguimento à primeira capacitação realizada  em março, a equipe técnica da Psicologia: Ciência e Profissão destacou o fluxo de trabalho dos pareceres, bem como a atualização da política editorial do periódico.

Esta 3ª rodada de capacitação, realizada em 27 de julho de 2026, contou com as(os) integrantes indicadas/os pelos Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) na última Assembleia das Políticas, da Administração e das Finanças (APAF), realizada em maio.

Os integrantes indicados são: Valber Sampaio – CRP-10 (Região Norte), Roberto Cruz CRP-12 (Região Sul), Jeane Tavares CRP-17 (Região Nordeste), Iolanda Brandão CRP-01 (Região Centro Oeste) e Laiss Bertola CRP-04 (Região Sudeste). 

Novos artigos já estão disponíveis

Os primeiros artigos do fluxo contínuo de 2026 já estão disponíveis para acesso gratuito na plataforma da Scielo.  Até o momento, são 31 artigos e sete textos do dossiê “Vigotski e as ciências da criança: cenários pretéritos e desafios presentes”. 

CFP contribui em discussão sobre métodos projetivos 

A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP) representou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) no XII Congresso da Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos (ASBRo), realizado de 29 a 31 de julho de 2026, em Fortaleza (CE). O encontro reuniu profissionais, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores para debater avanços científicos, técnicos, éticos e sociais no campo da avaliação psicológica.

Para a coordenadora da CCAP e conselheira federal Andréa Chamon, o congresso constituiu um importante espaço de interlocução entre o CFP e a comunidade científica e profissional da área.

“O congresso foi um importante espaço de trabalho, incidência institucional e diálogo com profissionais, pesquisadoras e pesquisadores. A participação da CCAP reafirmou o compromisso do CFP e do Plenário 2.0 com uma avaliação psicológica cientificamente fundamentada, ética, socialmente responsável e comprometida com os direitos humanos”, destaca Andréa Chamon.

Participação da CCAP no Congresso

Durante o evento, integrantes da CCAP participaram de diferentes atividades da programação, contribuindo para os debates sobre os fundamentos científicos, técnicos, éticos e políticos da avaliação psicológica.

Entre as atividades, destacou-se o workshop “Elaboração de Documentos Psicológicos”, ministrado por Andréa Chamon e pela integrante da CCAP Daiana Meregalli Schütz. A atividade discutiu os requisitos técnicos e éticos relacionados ao registro e à elaboração de documentos produzidos por psicólogas e psicólogos, considerando sua finalidade, a responsabilidade na comunicação das informações, o sigilo profissional e as normativas vigentes.

A programação também contou com uma mesa-redonda dedicada à trajetória e à importância do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), com a participação de Ana Paula Porto Noronha, Andréa Chamon e Hugo Ferrari Cardoso. Foram discutidos o processo histórico de constituição do Sistema, seu papel na avaliação da qualidade técnico-científica dos testes psicológicos e os desafios contemporâneos para o seu aprimoramento.

Na atividade, Andréa Chamon apresentou o trabalho “A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, o SATEPSI e os desafios para uma Avaliação Psicológica interseccional”. A exposição destacou que a qualidade dos testes psicológicos não pode ser reduzida aos requisitos psicométricos tradicionais, devendo contemplar também validade cultural, acessibilidade, justiça, representatividade e direitos humanos. A discussão considerou como raça, gênero, classe, deficiência e outros marcadores sociais atravessam a produção das evidências científicas, as condições de participação nos processos avaliativos e a interpretação dos resultados.

Outro eixo da participação foi o debate sobre métodos projetivos e interseccionalidade. Andréa Chamon apresentou o trabalho “Técnicas Projetivas Gráficas, Personalidade e Interseccionalidade: correlações interpretativas entre o DFH e o HTP”, no qual discutiu possibilidades de articulação entre o Desenho da Figura Humana (DFH) e o House-Tree-Person (HTP).

A apresentação problematizou interpretações universalizantes das produções gráficas e defendeu a formulação de hipóteses interpretativas situadas, integradas a outras fontes de informação e atentas aos contextos sociais, históricos e culturais das pessoas avaliadas. Também foi destacada a necessidade de ampliar os estudos normativos e as evidências de validade dos métodos projetivos, com amostras mais diversas e culturalmente representativas.

Também integrou a programação a mesa-redonda “Evidências científicas e validade dos testes projetivos”, com a participação dos integrantes da CCAP Gabriel Vitor Acioly Gomes, Vithor Rosa Franco e Ana Deyvis Santos Araújo Jesuíno. A atividade promoveu discussões sobre os fundamentos científicos, as evidências de validade e os critérios técnicos e éticos relacionados à utilização responsável dos métodos projetivos no exercício profissional.

Parecer Cofen nº 28/2026

Durante o congresso, a CCAP também realizou uma reunião de trabalho para aprofundar a análise técnica do Parecer Cofen nº 28/2026 e produzir subsídios para o acompanhamento das medidas institucionais e judiciais adotadas pelo CFP.

Em 29 de julho de 2026, o CFP ajuizou ação civil pública com pedido de tutela de urgência para tornar sem efeito o parecer do Conselho Federal de Enfermagem, que autoriza profissionais da Enfermagem a aplicarem, no âmbito da saúde mental, os Inventários de Beck de Ansiedade (BAI) e de Depressão (BDI).

“A CCAP e a equipe técnica do CFP aprofundaram a análise do Parecer Cofen nº 28/2026 e produziram subsídios técnicos para o acompanhamento e os desdobramentos das medidas adotadas pelo Conselho. Esse trabalho reafirma a defesa da avaliação psicológica como processo técnico-científico e das atribuições privativas da Psicologia”, afirma Andréa Chamon.

Sobre a CCAP

Criada em 2003, a Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica é um órgão colegiado de caráter consultivo do CFP. Compete à Comissão discutir e propor diretrizes, normas e resoluções no campo da avaliação psicológica, bem como conduzir o processo de avaliação dos testes psicológicos submetidos ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI).

As contribuições da CCAP subsidiam as deliberações do Conselho Federal de Psicologia e o desenvolvimento de ações voltadas à qualificação científica, técnica, ética e social da avaliação psicológica no Brasil.

CFP Divulga: Brasília recebe simpósio de psicanálise e clínica ampliada

De 15 a 17 de abril, a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) realiza o VI Simpósio Psicanálise e Clínica Ampliada   Vulnerabilidade, Inclusão e Diversidades. O evento será realizado na Universidade de Brasília (UnB), com presença confirmada do Conselho Federal de Psicologia (CFP) na solenidade de abertura.

A atividade integra a série de encontros científicos promovidos pelo Grupo de Trabalho “Psicanálise e Clínica Ampliada” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP), e tem como público professoras(es), pesquisadoras(es), estudantes de graduação e pós-graduação, além de profissionais e demais pessoas interessadas na temática.

O simpósio receberá debates, reflexões e trocas de experiências sobre temas como vulnerabilidade, inclusão, diversidades, violência, sofrimento psíquico e psicopatologia na contemporaneidade. A proposta do evento é contribuir para a formação e fortalecimento de redes de pesquisa e de cooperação profissional voltadas à ampliação e qualificação das intervenções em contextos de vulnerabilidade sociopolítica.

Confira os eixos temáticos do Simpósio:

  1. Clínica ampliada e territórios de vulnerabilidade
  2. Corpos, gênero e sexualidades: escutas psicanalíticas
  3. Crianças, jovens e redes de proteção: clínica e intervenção
  4. Diversidades, diferenças e sofrimento psíquico na contemporaneidade
  5. Psicanálise, inclusão e políticas do cuidado
  6. Racismo, desigualdade e processos de subjetivação

Mais informações e acesso ao formulário de inscrição na página do simpósio

Saiba mais

A Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia integra o Fórum das Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB), caracterizando-se por ser um espaço de organização e construção coletiva da Psicologia no País.

Composto por entidades de âmbito nacional, científicas, profissionais, sindicais e estudantis, o FENPB trabalha para definir políticas e projetos voltados a aprimorar a qualificação profissional, fortalecer a pesquisa no Brasil e consolidar a relação entre pesquisa e prática. Desde 2016, o CFP ocupa a Secretaria-Executiva do Fórum.

CFP realiza posse de nova comissão editorial da Revista PCP

No dia 20 de março, foi realizada, na sede do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a solenidade de posse das(os) novas(os) integrantes da comissão editorial da Revista Psicologia: Ciência e Profissão (PCP) para o período 2026–2028.

Durante a cerimônia, a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou o papel da Revista PCP como um importante espaço de divulgação da produção científica em Psicologia no Brasil, ao disponibilizar à categoria acesso qualificado, amplo e gratuito ao conhecimento produzido no campo. “Compreendemos o periódico como um espaço estratégico de promoção e defesa da ciência aberta”, afirmou.

Na avaliação da presidenta, a produção e a divulgação científica devem estar comprometidas e situadas com as demandas sociais do país, a defesa dos direitos humanos e a redução das desigualdades. Nesse sentido, ressaltou que a ciência deve escutar e aprender com saberes ancestrais, reconhecendo múltiplas epistemologias e contribuindo para a transformação social.

Por fim, reiterou o compromisso da gestão com o princípio coletivo da filosofia africana Ubuntu – “eu sou porque nós somos” – e acrescentou: “Agradeço imensamente a composição desta Comissão Editorial, que se mostra plural como a nossa Psicologia”.

Comissão Editorial

Míriam Cristiane Alves, conselheira federal e coeditora-chefe da Revista Psicologia: Ciência e Profissão (PCP), destacou os desafios relacionados à qualificação da produção e à internacionalização do periódico, enfatizando o caráter essencialmente coletivo desse trabalho. Nesse contexto, apontou a adoção de um modelo com coeditoras(es)-chefes como estratégia para conferir maior celeridade ao processo editorial, ao mesmo tempo em que fortalece a gestão compartilhada.

A conselheira também ressaltou o compromisso com a equidade étnico-racial na composição e renovação do corpo editorial e de pareceristas, bem como com a promoção de práticas alinhadas à diversidade teórica, metodológica e epistemológica na comunicação científica.

Segundo Míriam, a Revista PCP seguirá publicando artigos originais, dossiês temáticos e edições especiais, mantendo o fluxo contínuo adotado desde 2019. Destacou ainda que o “Plenário 2.0 atuará para ampliar a visibilidade das relações étnico-raciais na pesquisa científica, recomendando que os estudos explicitem como as categorias de raça e etnia são definidas e utilizadas, ou justifiquem sua não utilização”.

O conselheiro do CFP Rafael Wolski, que compartilha com a conselheira Míriam Cristiane Alves a editoria da Revista PCP, ressaltou o caráter coletivo do trabalho e expressou a expectativa de que o corpo editorial contribua tanto para a categoria quanto para o conjunto da sociedade brasileira.

Após a posse, as(os) novas(os) integrantes da comissão editorial participaram de treinamento no sistema SciELO, com a participação da equipe técnica do CFP e das(os) coeditoras(es)-chefes da Revista PCP.

Conheça os membros da Comissão Editorial da PCP

Míriam Cristiane Alves – coeditora-chefe

Rafael Wolski – coeditor-chefe

Abrahão de Oliveira Santos

Ana Carolina Rios Simoni

Antônio de Pádua Serafim

Eliane Silvia Costa

João Irineu de França Neto

José Geraldo Soares Damico

Károl Veiga Cabral

Katya Luciane de Oliveira

Letícia Carolina Nascimento

Márcio Mariath Belloc

Pricila de Souza Zarife

Artigos 2026

Os primeiros artigos do fluxo contínuo de 2026 já estão disponíveis para acesso gratuito.  Até agora, são 11 artigos e sete textos do dossiê “Vigotski e as ciências da criança: cenários pretéritos e desafios presentes”. O último texto do dossiê está em análise e será publicado em breve. 

Sobre a Revista PCP

Criada por meio da Resolução CFP 26/1979, a Revista Psicologia: Ciência e Profissão é uma publicação científica de excelência internacional, classificada com a nota A2 no sistema Qualis de avaliação de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação.

Sua missão é contribuir para a formação científica e profissional da(o) psicóloga(o) brasileira(o) e disseminar o conhecimento pesquisadoras (es) e profissionais da área.

Saiba mais:

Leia os primeiros artigos de 2026 publicados pela Revista PCP

Leia os artigos da Revista PCP publicados em 2025

Saiba como publicar na Revista PCP

CFP destaca incidência da Psicologia  no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, nos dias 25 e 26 de fevereiro, da primeira reunião ordinária de 2026 do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI). O encontro marcou a primeira participação da conselheira federal Socorro Pimentel, representante do Plenário 2.0 do CFP no colegiado.

Durante o encontro, esteve em destaque o Planejamento Estratégico do Conselho  e um balanço da 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CONADIPI), realizada em dezembro passado em Brasília/DF.

Na avaliação de Socorro Pimentel, a participação do CFP no CNDPI garante  um olhar atento da Psicologia brasileira às subjetividades e às múltiplas velhices. “Defendemos que a Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa não seja apenas um fluxo de denúncias, mas uma rede de cuidado real, capaz de enfrentar o impacto psicossocial do idadismo e das violências estruturais”, pontuou. 

A conselheira também defendeu que a eficácia da proteção à pessoa idosa  depende de uma escuta qualificada e intercultural, que respeite a dignidade de pessoas idosas indígenas, negras, quilombolas, LGBTQIA+ e periféricas. “O CFP reafirma: proteção integral só existe com bem-viver emocional e vínculos comunitários fortes”, ressaltou Socorro Pimentel.

Controle social das políticas públicas

O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI) é um órgão colegiado, paritário e deliberativo vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Sua função principal é formular, supervisionar, acompanhar e avaliar a Política Nacional da Pessoa Idosa, de modo a  garantir os direitos dessa população  e propor aperfeiçoamentos legislativos, bem como apontar diretrizes e fiscalizar ações que assegurem os direitos das pessoas idosas em todo o Brasil, em conformidade com o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003). 

O CNDPI atua ainda no enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, na promoção do envelhecimento ativo e na organização de conferências nacionais. Sua composição se dá de maneira paritária entre representantes governamentais e da sociedade civil, na qual se insere o Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Orientações para a categoria

Em novembro de 2025, durante a programação oficial do 7º Congresso Brasileiro  Psicologia: Ciência e Profissão (CBP), o CFP realizou o lançamento das Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) junto a Pessoas Idosas nas Políticas Públicas.

O documento, produzido no âmbito do Centro de Referência em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) (), serve como guia orientador para que profissionais de todo o País possam oferecer um atendimento qualificado, humanizado e pautado em práticas exitosas.

A publicação é considerada um marco no reconhecimento do trabalho desenvolvido com pessoas idosas, ao destacar a importância do aprimoramento contínuo do conhecimento, da qualificação das práticas, da conscientização social e da efetivação de direitos.

Nota de pesar – Manoel Rocha Reis Neto

É com profundo pesar que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebe a notícia do falecimento do psicólogo Manoel Rocha Reis Neto, em 17 de fevereiro,  última terça-feira.

Reconhecido por sua trajetória na construção de uma prática profissional comprometida com a escuta ética, o cuidado e a promoção da saúde mental, Manoel também teve a carreira marcada pelo engajamento na luta antirracista, contribuindo para o fortalecimento de debates e práticas alinhadas à justiça social e à equidade racial.

Graduado em Psicologia pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Manoel Rocha Reis Neto também tinha pós-graduação em Saúde da Família pelo programa de residência multiprofissional da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Também foi aluno do Programa de Mobilidade Internacional da UFRB no curso de Educação Social do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal. 

O falecimento de Manoel Neto representa uma perda  na luta antirracista, para a Psicologia brasileira e para a defesa dos direitos humanos. Neste momento de consternação, o Conselho Federal de Psicologia se solidariza com a família, círculos de amizade, colegas de trabalho e todas as pessoas que conviveram com o psicólogo baiano.

CFP lança Manual de Orientação de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) disponibiliza  a toda a categoria o Manual de Orientação de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, lançado durante o 7º Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão (CBP).

A produção de registros e documentos constitui uma das atividades centrais da atuação de psicólogas e psicólogos em diferentes contextos. Trata-se de  instrumentos que materializam o trabalho desenvolvido, comunicam processos de cuidado e subsidiam decisões institucionais, jurídicas e sociais. “Essa tarefa exige rigor técnico, objetividade na linguagem, responsabilidade ética e atenção permanente aos direitos humanos e à legislação vigente”, ponderam as(os) autoras(es) na publicação.

O Manual, além de orientar quanto à obrigatoriedade e às finalidades dos registros documentais e prontuários, aprofunda-se nas diferentes modalidades de documentos psicológicos – declaração, atestado, relatório, relatório multiprofissional, laudo e parecer –, descrevendo suas características, finalidades e estruturas. 

São apresentados ao longo dos capítulos quadros comparativos, exemplos e recomendações sobre linguagem, validade, guarda, descarte e contextos específicos de produção, como nos serviços-escola, estágios, sistema de justiça, políticas públicas, entre outros. 

Importância para a categoria

Para a vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Izabel Hazin, o manual surge da constatação da pesquisa feita pela Secretaria de Orientação e Ética (SOE) e a Ouvidoria do CFP, das queixas e dos processos éticos relacionados à elaboração de documentos. “Vimos a necessidade de compilar as duas resoluções que tratam da elaboração de documentos escritos, os relatórios, prontuários e os documentos escritos, declaração, atestado, parecer e laudo,trazendo um documento de orientação, com exemplos  e, também, reflexões e orientações sobre documentos que são escritos em contextos específicos, como a questão da justiça, como a questão escolar, como a questão de estágios”, explica.

A conselheira federal ressalta ainda que o manual é importante para enfrentar as fragilidades identificadas nos processos disciplinares éticos, uma vez que os documentos escritos constituem uma materialidade do exercício profissional de psicólogas e psicólogos, e de orientação para que a categoria produza materiais e seus documentos escritos com  excelência e rigor técnico e ético.

Além de Izabel Hazin, participaram da construção do documento as pesquisadoras Ediana Gomes e Patrícia Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Acesse aqui o Manual de Orientação de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos.

CFP lança referência técnica para atuação de psicólogas junto a pessoas idosas

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou em novembro, durante a programação oficial do 7º Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão (CBP),  as Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) junto às pessoas idosas nas políticas públicas.

Produzido pelo Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) do CFP, o documento surge em um contexto de profundas transformações demográficas e sociais, tanto no Brasil quanto no mundo, exigindo da Psicologia um olhar ampliado para as questões que envolvem a saúde mental, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas idosas.

De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que até 2050 mais de 30% da população brasileira será composta por pessoas com 60 anos ou mais, impondo desafios significativos para as políticas públicas e para os profissionais que atuam diretamente com esse público.

Neste cenário, a publicação destaca como imprescindível  o papel da(o) psicóloga(o)  garantir intervenções qualificadas, humanizadas e pautadas em práticas exitosas. “A complexidade do envelhecimento demanda uma atuação que considere as múltiplas dimensões da velhice, integrando aspectos biopsicossociais, culturais e econômicos, com atenção especial para as intersecções de território, raça, etnia, classe, geração, deficiências, identidades e expressões de gênero, que são marcadores sociais de diferenças e impactam de forma distinta o processo de envelhecer”, ponderam as(os) autoras(es).

Marco na Referência

O documento é considerado um marco no reconhecimento do trabalho desenvolvido com pessoas idosas, ao destacar a importância do aprimoramento contínuo do conhecimento, da qualificação das práticas, da conscientização social e da efetivação de direitos. Esses elementos, segundo a publicação, são fundamentais para a implementação eficaz de  políticas públicas e para o enfrentamento dos desafios que ainda persistem nesse campo.

O material, seguindo a metodologia dos relatórios técnicos desenvolvidos pelo Crepop, organiza-se em quatro eixos temáticos, que buscam orientar a atuação das(os) psicólogas(os) no campo das políticas públicas. Nesse sentido, essa estrutura tem como objetivo sistematizar os principais desafios e diretrizes para a prática profissional, considerando a interface entre os marcos legais, os princípios ético-políticos da Psicologia e as especificidades do envelhecimento humano. 

O documento ainda destaca, no entanto, que a Psicogerontologia é um campo  interdisciplinar e multifacetado, cujas bases teóricas e práticas ultrapassam os eixos citados.

A conselheira do CFP Rosana Figueiredo aponta que a publicação fornece diretrizes à categoria que vem desenvolvendo ações junto às pessoas idosas em diferentes contextos e segmentos. “O material fornece subsídios para a formação de novos profissionais e indica caminhos para a construção de novas políticas públicas para as pessoas idosas.Fundamentalmente, contempla todas as orientações pautadas na Declaração dos Direitos Humanos, complementa. 

Acesse aqui a íntegra da publicação.

Sobre o Crepop

O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Política Pública (Crepop) integra a experiência prática de psicólogas(os) à revisão da literatura científica, abordando questões fundamentais para a prática profissional.

Nos últimos anos, o CREPOP passou por um processo de revisão e publicação de Referências Técnicas, com o número de títulos disponíveis saltando de 13, em 2013, para 26, em 2025, inclusive com edições traduzidas para o espanhol, como forma de disseminar o conhecimento produzido pela Psicologia Brasileira.

CFP lança edição especial da Revista PCP sobre Formação e Internacionalização da Psicologia

Quais são os desafios enfrentados por instituições e pesquisadoras(es) do Sul Global no processo de internacionalização? Como a Psicologia pode internacionalizar-se mantendo sensibilidade e respeito às realidades locais? Essas e outras questões são discutidas na edição especial da Revista Psicologia: Ciência e Profissão (PCP) do CFP, lançada durante o XI Congresso da Associação Latinoamericana para a Formação e o Ensino da Psicologia (ALFEPSI). O material coloca em evidência os diferentes contextos na América Latina, Caribe e países de língua portuguesa.

A edição eletrônica do periódico já está disponível (confira aqui) na plataforma da SciELO para acesso.

A conselheira-tesoureira do CFP e editora da Revista PCP, Neuza Guareschi, explica que o fascículo foi pensado a partir das  ações estratégicas do XIX plenário do Conselho Federal de Psicologia. Dentre elas, a conselheira federal destaca o movimento de internacionalização da Psicologia brasileira e as incidências no campo da formação profissional.

De acordo com Neuza Guareschi, em encontros do CFP com colégios de psicólogos e psicólogas de vários países da América Latina, ficou evidenciada uma série de desafios relacionados à formação e ao exercício profissional. “Assim como no Brasil, outras nações também têm enfrentado diferentes circunstâncias que preocupam a formação. Então, o que a gente pensou, foi esse número especial da Revista Psicologia: Ciência e Profissão sobre formação e internacionalização. Esse número tem início com uma entrevista concedida pelo presidente da IUPSIM, o psicólogo German Gutierrez, e depois a gente passa a debater e refletir  sobre a formação na América Latina”, relata.

Também compõem o material questões relacionadas a práticas profissionais, ao estágio, à avaliação psicológica e à Neuropsicologia. “Outras questões importantes da formação estão presentes nesse número, principalmente a defesa da formação  presencial e os desafios associados à inteligência artificial”, destaca a editora da Revista PCP.

Sobre a PCP

Criada por meio da Resolução CFP 26/1979, a Revista Psicologia: Ciência e Profissão é uma publicação científica de excelência internacional, classificada com a nota A2 no sistema Qualis de avaliação de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação.

Sua principal missão é contribuir para a formação profissional da(o) psicóloga(o) brasileira(o), assim como disseminar  o conhecimento produzido por aquelas(es) que pesquisam e/ou atuam na área da Psicologia.

Saiba mais:

Leia a edição especial da Revista PCP sobre Formação e Internacionalização da Psicologia

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Psicologia reafirma compromisso com os direitos das mulheres e a democracia na 5ª CNPM

A delegação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) marcou presença ativa e plural na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), realizada entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2025, em Brasília/DF. Convidadas e delegadas eleitas na conferência livre promovida em agosto pela Autarquia representaram a Psicologia contribuindo com propostas, moções e ações que reafirmam o compromisso da categoria com os direitos das mulheres, da infância e com a democracia.

A presidenta do CFP, Alessandra Almeida, destacou a importância da participação da Psicologia em um espaço considerado histórico e plural, que reuniu a potência das mulheres brasileiras em suas diversidades — negras, indígenas, quilombolas, com deficiência, LGBTQIA+, ciganas, infantojuvenis, idosas, do campo, das cidades e das águas.

“Nossa participação na 5ª Conferência representa o compromisso ético com a vida das mulheres, com a proteção das infâncias e com a construção de políticas públicas que enfrentem, de forma estruturante, as violências e desigualdades que atravessam o cotidiano feminino”, ressaltou Alessandra Almeida.

Durante a plenária, a presidenta do CFP propôs uma moção de apoio ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e à Resolução nº 258/2024 — conhecida como “Criança Não é Mãe”. A moção foi aprovada e será publicada integralmente no relatório final da 5ª CNPM. O texto reafirma que a maternidade compulsória de meninas vítimas de violência sexual constitui tortura e que nenhuma criança pode ser invisibilizada ou obrigada a gestar.

“Rechaçamos toda iniciativa de ataque ou retrocesso que vise barrar a vigência dessa normativa. Criança não é mãe, e essa é uma responsabilidade ética e coletiva do Estado e da sociedade”, afirma o documento.

Na plenária final, a conselheira do CFP Marina Poniwas, vice-presidenta do CONANDA, assinou ao lado da ministra das Mulheres e da presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) uma Resolução conjunta sobre violência vicária — a que ocorre por substituição, ou seja, contra outras pessoas, mas com a intenção de atingir a mulher.

“Estamos aqui para afirmar que essa Resolução é um marco de proteção à vida e à dignidade de crianças, adolescentes e de suas mães. Nenhuma criança deve ser usada como instrumento de vingança ou controle. Nenhuma mãe deve ser punida por proteger seus filhos e filhas”, pontuou Marina Poniwas.

Orientação profissional

Além de contribuir com propostas e moções, o Conselho Federal de Psicologia também distribuiu uma série de publicações às delegadas da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM). Entre elas, destacam-se as Referências Técnicas voltadas à atuação de psicólogas(os) junto a diversos grupos sociais, como povos quilombolas, população LGBTQIA+, povos indígenas, mulheres em situação de violência, pessoas idosas e povos tradicionais. Também foram entregues referências técnicas sobre a atuação profissional em Políticas Públicas de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, bem como nos Programas e Serviços de IST/HIV/aids.

Obras como os livros Psicologia Brasileira na Luta Antirracista (volume 1), I Germinário Mulheres, Psicologia e Enfrentamento às Violências, e a Nota Técnica nº 25 sobre a atuação profissional da Psicóloga com mulheres em situação de violências também compuseram a ação de mobilização.

Democracia e participação social

A atuação da Psicologia na 5ª CNPM teve como base a Conferência livre: saúde integral de todas as mulheres, pelo direito ao bem-viver, realizada em setembro pelo CFP em parceria com o Conselho Nacional de Saúde (CNS). O encontro credenciou mais de 230 participantes e debateu temas como saúde mental, saúde sexual e reprodutiva e assédio no trabalho. Ao final, foram eleitas três delegadas titulares e três delegadas  suplentes, bem como elaboradas propostas que foram incorporadas à etapa nacional.

Organizada pelo Ministério das Mulheres e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, com apoio da Fiocruz, a 5ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres reuniu mais de 3.800 mulheres credenciadas. Segundo a organização, desde abril, mais de 156 mil mulheres participaram das etapas preparatórias — municipais, regionais, estaduais, distrital e livres.

O encontro reafirmou o compromisso do Estado com a cidadania, a democracia participativa e a construção coletiva de políticas públicas para as mulheres. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou: “Somos mais de 110 milhões de mulheres no Brasil, e queremos protagonismo, liberdade, respeito e dignidade. Queremos estar livres de qualquer forma de violência. A 5ª CNPM é o espaço para reafirmar essa luta”.

As propostas aprovadas vão compor as diretrizes do novo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, fortalecendo o protagonismo feminino e o enfrentamento às violências e desigualdades.

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