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29/05/2016 - 20:54

CFP discute atuação dos conselhos de saúde e protagonismo de usuários em saúde mental

Atividades encerraram participação do CFP no 5º Congresso Brasileiro de Saúde Mental

Rearticular a atuação dos Conselhos de saúde e preparar os profissionais da saúde para o enfrentamento da crise na área foi um dos desafios elencados na mesa intitulada “A atuação dos conselhos de saúde para enfrentamento da crise na saúde mental”, realizada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) nesta sexta-feira (27), durante o  5º Congresso Brasileiro de Saúde Mental, organizado pela Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme).

A volta da lógica manicomial e o corte de recursos para políticas conquistadas com  articulação dos movimentos sociais da área como o Sistema Único de Saúde (SUS) sinalizam para um desmonte na área por parte do governo interino e preocupam os profissionais da saúde. Mas o momento de tensão também será um estímulo para a reorganização desses movimentos, que precisarão unir esforços para superar o cenário atual e reconquistar direitos.

A psicóloga Semiramis Vedovatto, representante do CFP no Conselho Nacional de Saúde (CNS), participou da discussão e resgatou as conquistas da área desde a Lei da Reforma Psiquiátrica, como a participação social nas conferências de saúde. Para ela, o momento aponta para vários retrocessos, o que exige uma mobilização social que deve ter como foco a saúde como um todo e não áreas específicas.

“Os conselhos estão desarticulados e, embora isso seja negativo, essa falta nos mostra por onde temos que começar a trabalhar. Pela articulação de uma micropolítica tentando contagiar as pessoas em uma rede de informações, por conversas diretas, troca de informações, chamando uma a uma. Nesse momento a Psicologia tem de exercer seu papel de defensora de direitos humanos, de agregadora. Como ciência e como profissão. É o momento de unir forças e esquecer as diferenças. A luta é maior, é a saúde como um todo que está correndo riscos”, afirma Semíramis.

A coordenadora da mesa, Maria de Lourdes Feriotti, conselheira da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do CNS, também destacou que é preciso debater a situação e a sobrevivência dos conselhos. Ela aponta que, para o cenário de enfrentamento e mobilização que se aproxima, serão necessárias ações ligadas ao investimento na formação dos profissionais da saúde, priorizando a saúde pública e o empoderamento dos usuários.

Semíramis lembra, ainda, que este é um momento de resistência, já que o governo interino “demonstra não ter qualquer respeito por conquistas mínimas da saúde”. Para ela, “é preciso intensificar a mobilização nesse momento. Política pública só é política pública se tem financiamento,  e o corte de orçamento demonstra que algumas políticas vão cair”.

Confira o vídeo sobre a atividade >> https://www.youtube.com/watch?v=3qFonxO6YfE&feature=youtu.be

Protagonismo

Na mesma tarde, o psicólogo Eduardo Vasconcelos representou, como mediador, o CFP na mesa “Movimentos sociais e protagonismo dos usuários”.

Militância, atuação profissional e desenvolvimento pessoal foram abordados em primeira pessoa por Helisleide Bomfim, da Associação Metamorfose Ambulante (Amea); Anderson Miranda, do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR); José Setemberg, da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) de Manaquiri (AM); Milton Freire, ligado a grupos de ajuda mútua do Rio de Janeiro; José Ivo dos Santos, também do Rio; e Luciano Lira e Nilson Nascimento, da Associação Florescendo a Vida de Familiares, Amigos e Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Campinas (Aflore).

Nos testemunhos, o contato com as práticas manicomiais e a discriminação, seu enfrentamento e sua superação.

 

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