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26/05/2016 - 11:55

“Nós, os protagonistas”

“Nós, os protagonistas” foi o momento, durante o 1o Colóquio Internacional em Recovery (Restabelecimento): Vivências e Práticas, de ouvir pessoas que por meio de processos de restabelecimento conseguiram recuperar e manter sua cidadania.

Protagonismo, empoderamento, resistência e reabilitação são algumas das palavras utilizadas no relato de cinco pessoas com experiências em sofrimento mental que superaram a discriminação, construíram um novo caminho em suas vidas e assumiram papel significativo em suas comunidades. “Nós, os protagonistas” foi o momento, durante o 1o Colóquio Internacional em Recovery (Restabelecimento): Vivências e Práticas, de ouvir pessoas que por meio de processos de restabelecimento conseguiram recuperar e manter sua cidadania. O  evento, promovido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), em São Paulo, termina nesta quinta-feira (26).

O debate foi coordenado pela psicóloga e integrante da Comissão de Saúde do CFP Aparecida Rosangela Silveira.

Jorge Assis, vice-presidente da Associação Brasileira de familiares, amigos e pessoas com esquizofrenia (ABRE), convive com a esquizofrenia desde 1984 e descobriu que era possível cuidar de sua saúde mental em 2001. “O meu processo de recovery começou em 2001. A partir daí eu estabeleci um relacionamento com profissionais de saúde mental que foi  fundamental para que eu me reconstruísse e construísse uma estrutura para a minha vida, para o lado de fora da psicose. Foi um processo de anos, e hoje eu cuido da esquizofrenia e atuo na associação que me acolhe. Eu considero como uma corrida de revezamento onde eu estou com o bastão na mão e preciso passar esse bastão depois”, conta. Hoje, ele também ministra palestras e escreve livros sobre o tema.

A norte-americana Kimberly Guypesquisadora associada e supervisora do suporte de departamento de Psiquiatria, Programa de Recovery e Saúde Comunitária (PRCH) da Universidade de Yale, destacou que sua reabilitação começou quando ela pôde falar por si mesma. O incômodo por ter sido sempre tratada como uma vítima foi substituído por tratamento e atitude proativa, além da convivência com pessoas pares e profissionais da área da saúde. Yolanda Herring, pesquisadora, assistente e especialista nas áreas de saúde mental e bem-estar e saúde financeira do mesmo departamento da Universidade de Yale, descreveu seu processo de recovery com a seguinte frase: “Depois de passar muitos anos na escuridão, queria um pouco de luz na vida”.

Richard Weingartenescritor e coordenador da Comunidade de Fala no Brasil, conta que depois de um processo depressivo crônico e de cinco internações sem sucesso, foi encaminhado ao sistema público de saúde, onde teve acesso a serviços de reabilitação em saúde mental. A qualidade dos serviços, diante do que ele já tinha visto no sistema particular, foi surpreendente. Ele começou o tratamento frequentando grupos e “quebrando um estigma que eu tinha de que essas pessoas eram perigosas”. Foi convidado a desenvolver tarefas em uma agência de saúde mental, sentindo-se “reconhecido e respeitado”.

Nilson Nascimento, militante da luta antimanicomial, é ouvinte de vozes e lembrou que a prevenção poderia ter lhe poupado muito sofrimento. Escrevendo músicas, ele encontrou uma forma de esquecer e lidar com esse sofrimento.

“Tenho uma voz que me acompanha e que pode me dar inspiração”.

A partir do depoimento das pesquisadoras dos EUA, foi sugerida a ampliação da presença de pessoas com sofrimento mental nos grupos de estudos sobre o tema nas universidades.

DSC_0168aEm defesa do SUS –  Diante das possibilidades de retrocesso nas políticas públicas de saúde e na área de saúde mental, com ações como corte de recursos e a nomeação de pessoas não identificadas com a luta antimanicomial, os presentes no colóquio realizaram um protesto em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Em cartazes com frases como “Não mexa no SUS” e “Save SUS”, os participantes deixaram seu recado ao governo brasileiro.

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