Notícias

20/10/2015 - 14:49

Dia internacional pela despatologização das Identidades Trans

Data será comemorada, neste ano, no próximo dia 24 de outubro

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou, em 2014, uma campanha de comunicação em apoio à luta pela despatologização das identidades trans e travestis. Profissionais da Psicologia, pesquisadores e pesquisadoras, ativistas, pessoas transexuais e travestis foram convidados (as) a debater o fazer psicológico no processo de transexualização à luz dos Direitos Humanos, além do panorama dos debates políticos em torno da luta no Brasil e no mundo.

Ao longo dos últimos meses, a autarquia promoveu um debate online sobre o tema, além do lançamento de um site e de uma série audiovisual.

Vídeos

O vídeo “A despatologização das transexualidades e travestilidades pelo olhar da Psicologia – Parte I” (https://www.youtube.com/watch?v=xLugxnORfd0) aborda os problemas vividos pelas pessoas trans e travestis e a patologização de suas identidades. O vídeo traz uma breve explicação sobre os conceitos utilizados nas diversas experiências de identidades de gênero e um histórico sobre o papel das ciências na patologização das identidades transexuais e travestis no mundo.

Apresenta, inclusive, o posicionamento do CFP, que em 2013 divulgou nota técnica com orientações ao atendimento de pessoas trans. O documento afirma que a transexualidade e a travestilidade não constituem condição psicopatológica, ainda que não reproduzam a concepção normativa de que deve haver uma coerência entre sexo biológico, gênero e desejo sexual.

Dividido em duas partes, o próximo episódio – com lançamento previsto para as próximas semanas – seguirá abordando a posição da Psicologia frente à produção da despatologização e a importância de se dar voz às próprias pessoas transexuais e travestis, apontando possíveis caminhos e debates.

“A despatologização das transexualidades e travestilidades pelo olhar da Psicologia – Partes I e II” terá prosseguimento com mais duas peças videográficas. São elas: “A luta pela despatologização no mundo”, onde serão abordados o avanço da ciência, o histórico e momento atual e a luta e organização de movimentos sociais pela despatologização; e “Visões diversas da despatologização no Brasil”, onde será abordada a realidade brasileira, a visão das pessoas trans, as dificuldades do sistema de saúde brasileiro, além de possíveis alternativas.

Site

O site especial Despatologização das Identidades Trans (http://despatologizacao.cfp.org.br/) conta com vídeos, notícias, links para legislação relacionada (nacional e internacional), área especial com indicações de blogs/sites de trans que contam suas experiências de vida e transformações, entidades, associações, empresas, fundações amigas da questão da despatologização das identidades trans, além de área destinada a exemplos de atuação alternativa de psicólogos e psicólogas nos ambulatórios e equipes do SUS.

“A instalação de um debate sobre despatologização das experiências transexuais e travestis se faz urgente desde que as ciências têm produzido um conjunto de mecanismos e práticas classificatórias e discriminatórias sobre esses corpos e suas sociabilidades”, diz o psicólogo Marco Aurélio Máximo Prado, membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP. Ele explica que a intenção de produzir os materiais é dar visibilidade a diversas vozes sobre as experiências culturais, políticas e subjetivas de gênero e sexualidade.

Dia Internacional

Desde 2009, a Campanha Internacional Stop Trans Pathologization (STP) convoca, sempre no mês de outubro, um Dia Internacional de Ação pela Despatologização Trans, com manifestações simultâneas e outras ações em diversas cidades do mundo.

Em outubro de 2014, foram realizadas mais de 90 ações em 45 cidades ao redor do mundo, coordenadas por 108 grupos e organizações.

O próximo Dia Internacional de Ação pela Despatologização Trans acontece no sábado, 24 de outubro de 2015. Além das mobilizações anuais em outubro, ao longo do ano a STP realiza atividades de informação, divulgação e reivindicação da despatologização trans.