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30/09/2019 - 11:26

Estudo aborda o suicídio policial no estado de São Paulo

Pesquisa é uma parceria entre a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, o Conselho Federal de Psicologia e o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-06/SP), realizou um estudo intitulado “Uma análise crítica sobre suicídio policial”. Na manhã desta quarta-feira (25), a pesquisa foi apresentada na sede da Ouvidoria , com a presença do ouvidor das polícias do estado, Benedito Domingos Mariano, o presidente do CFP, Rogério Giannini, a presidente eleita do CRP-06/SP, Beatriz Brambilla.

O estudo apontou que entre 2017 e 2018 foram 78 casos de suicídio nas polícias civis e técnico científicas (22) e militares (56). As taxas de suicídio da Polícia Civil nesses dois anos foi, em média, de 30.3. Já as da Polícia Militar foi de 21.7.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando se atinge a marca de 10 suicídios por 100 mil habitantes, isso pode ser considerado uma situação endêmica. Esses números nas polícias de São Paulo nesses dois anos foi de 23.9 por 100 mil.

Para o presidente do CFP, Rogério Giannini, a pesquisa mostrou a necessidade de estreitar o diálogo entre os comandos das policiais, a sociedade e os agentes públicos para a superação desse problema.

“Eu acho importante para a sociedade uma polícia melhor e está pesquisa colabora com uma ideia da necessidade de humanização da polícia. A gente espera que essa pesquisa tenha o efeito de criar nos comandos, na sociedade, nos gestores públicos essa ideia de que a gente pode criar uma polícia melhor e mais humanizada”, afirmou.

Para Benedito Domingos, Ouvidor das Polícias, esses resultados são complexos, mas mostram uma realidade em que as instituições não investem o que deveriam na preservação da saúde mental do efetivo. Além disso, as(os) policiais ainda olham a questão da saúde mental com muito preconceito.

“As instituições precisam entender o apoio à saúde mental dos policiais não como custo, mas como um investimento no trabalho policial. Não adianta dar viatura, armamento, uniforme para os policiais e não cuidar da saúde mental do efetivo. Quando os programas de saúde mental deixarem de ser exceção e fazerem parte da vida policial, não tenho dúvidas que vai diminuir o preconceito em relação essa questão e o suicídio porque vai ter mais suporte institucional”, disse.

A pesquisa foi a primeira desse tipo feita com esse enfoque e apontou que o suicídio é a principal causa de mortes entre policiais civis no estado e a segunda maior entre policiais militares, só estando atrás de homicídio no horário de folga.

Apesar de fatores como stress, baixos salários e pressão institucional poderem levar essas(es) profissionais a por fim em suas vidas, a presidente eleita do CRP-SP, Beatriz Brambilla, diz que é preciso levar em conta esses fatores em conjunto, para entender melhor como combater esse problema.

“A gente não pode entender que é uma única dimensão que produz essa decisão. A ideia do multicausal é entender o problema na totalidade. Então essa pessoa que está em sofrimento não está por causa de algo interno, que ela tem uma fragilidade ou uma inadaptação. A gente tem que compreender que as questões são do sujeito, mas são questões sociais. Nenhuma causa em separada se explica por aí só”, encerrou.