Notícias

20/06/2016 - 17:47

Psicólogas (os) negras (os) presentes no 9º CNP articulam grupo de ação

O grupo estará em contato permanente para pautar novos encontros e discussões sobre o tema

Como articular as (os) psicólogas (os) negras (os) e como dar visibilidade a essas e esses profissionais e suas lutas dentro do Sistema Conselhos de Psicologia? Foram dois dos questionamentos levantados por representantes desse segmento da categoria durante debate do 9º Congresso Nacional da Psicologia (9º CNP).

A reunião ocorreu na sexta-feira (17), em Brasília, e definiu a criação de um grupo que estará em contato permanente para pautar novos encontros e discussões sobre o tema.

O encontro foi organizado a partir da percepção de que o número de psicólogas (os) negras (os) aumenta a cada edição do CNP e de que é preciso articular o segmento para além de seus estados, dando voz e força para suas reivindicações no Sistema Conselhos. O grupo pretende trazer para o debate as pautas referentes à população negra e os desafios para avançar nessas discussões. Para isso, estará em contato permanente pelas redes sociais e realizará novos encontros e debates.

“Quando estamos aqui e buscamos identificar os outros psicólogos e psicólogas negros e nos identificar entre nós, é uma maneira que encontramos de nos fortalecer em uma luta que, no dia a dia, é muito difícil e delicada. Existem aspectos culturais que procuramos desfazer com a nossa fala, com a nossa presença, com nossas ideias, com as realidades estaduais”, enfatiza a psicóloga gaúcha Fernanda Francisca da Silva, do 7º Conselho Regional de Psicologia (CRPRS), do Rio Grande do Sul. Segundo ela, a união leva ao reconhecimento mútuo dos aspectos de sofrimento da questão racial.

“A gente consegue se reconhecer no que tem de igual no sofrimento em relação aos aspectos raciais, mas ao mesmo tempo, enriquece a discussão pensar nos aspectos de cada estado, de cada realidade, de cada CRP”, destaca.

Racismo institucional

A psicóloga pernambucana Lúcia Helena Salgueiro, que também é policial militar, coordena um Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Racismo Institucional da Polícia Militar (GT Racismo PMPE), em Recife (PE). Ela avaliou positivamente a reunião realizada no CNP, considerando “a exclusão de nós psicólogas negras dos contextos, das proposições e das representações”. “Por isso a importância de reunir psicólogos negros e fazer esse recorte, porque percebemos que por mais que haja avanços continuamos excluídos”, pontua.

Falando sobre o seu campo de atuação, ela aponta os desafios do debate naquela que considera uma instituição racista. “Tentamos com esse grupo quebrar as arestas da desigualdade racial. Para isso fazemos palestras com os policiais, reuniões e não somente o trabalho com o público interno, mas externo também. Recebemos denúncias do público interno sobre racismo, assédio moral. Orientamos os policiais com relação à intolerância religiosa e estamos diariamente orientando-os sobre como proceder em todos esses casos”, explica a psicóloga.

Formado por aproximadamente 20 psicólogas (os), o grupo conta com profissionais de cinco estados: Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.