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20/01/2016 - 16:47

RJ sedia oficina de Psicologia na gestão de riscos e desastres

Evento se destacou pelo elevado nível das discussões, com a participação de atores experientes no gerenciamento integral de riscos de desastres

A cidade do Rio de Janeiro recebeu, em 12 de janeiro, a 5ª Oficina de Psicologia na Gestão Integral de Riscos e Desastres: da prevenção à recuperação. A data foi escolhida em razão dos cinco anos da ocorrência da catástrofe da região serrana do estado.

O evento teve a coordenação de Samira Younes Ibrahim e Fátima Cristina Santos, representantes da Comissão Nacional de Psicologia em Emergências e Desastres, e Maria Helena Franco, coordenadora da Comissão para a Região Sudeste.

Fruto de uma parceria entre o Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, o Conselho Federal de Psicologia e a Cruz Vermelha Brasileira (apoiada pela filial RJ), a oficina contou com cerca de 150 pessoas, entre profissionais da Direção da Defesa Civil do Estado do RJ, do Diretor do CEMADEN RJ, do Coordenador Geral de Defesa Civil da Região Serrana e municípios como Rio de Janeiro, Maricá e Barra do Piraí – além de gestores de saúde mental, psicólogos, estudantes de Psicologia e assistentes sociais de todo o estado.

As atividades foram abertas pelo conselheiro do CRP-RJ Rodrigo Acioli Moura, Eliana Torga, coordenadora da Comissão de Psicologia nas Emergências e Desastres do CFP, e Fátima Cristina Santos, representando a Cruz Vermelha.

Entre as palestras da manhã, a de Eliana Torga, Coordenadora da Comissão Nacional de Psicologia nas Emergências e Desastres, apontou as perspectivas de cuidado nas Emergências e Desastres, e foi seguida pela apresentação do Mapa de Ameaças Naturais do Estado por Paulo Vaz, diretor do Departamento Geral da Defesa Civil do Estado do RJ. Samira Younes Ibrahim, da Rede de Cuidados e do CFP, elencou as reflexões, lições aprendidas e a atual situação dos afetados pela tragédia da região serrana em 2011.

Na parte da tarde, houve a apresentação da Mesa “A formação do profissional para trabalhar no Gerenciamento de Riscos e Desastres”, que contou com as exposições de Maria Helena Franco, da PUC/SP, Diva Conde, da Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) e Cleia Duarte, da Universidade Católica de Petrópolis.

Na última parte da oficina foi realizada uma simulação de desastre, quando os presentes se organizaram em subgrupos para trabalhar o gerenciamento da crise e as ações dos diversos órgãos envolvidos nas situações de desastre.

Para Eliana Torga, o evento se destacou pelo elevado nível das discussões, com a participação de atores experientes no gerenciamento integral de riscos de desastres, na condução de ações das políticas públicas e na interação com outras instituições. “A Psicologia de emergências e desastres deve ser vista pela perspectiva do gerenciamento integral do risco de desastres. Essa é a mudança paradigmática, que nós, enquanto Comissão, estamos propondo aos psicólogos e psicólogas que atuam na área. Estamos falando de diversas áreas das várias fases do desastre, que vão da prevenção à recuperação. O desastre está sendo visto cada vez mais por uma perspectiva socioambiental e econômica e cada vez menos como um evento da natureza por si só. Nessa perspectiva, o psicólogo tem várias possibilidades de atuação, e sua atuação é valorizada nesse campo”, aponta.

Segundo Maria Helena Franco, Coordenadora da Comissão para a Região Sudeste, esta primeira oficina da região foi um marco importante na ampliação da construção do saber e das práticas psicológicas. “Fica claro o que esta comissão do CFP entende por gestão integral dos riscos e desastres o que não se constrói unicamente no campo da Psicologia. Outro aspecto a ser destacado foi a presença de estudantes de Psicologia, o que demonstrou um claro interesse pelo tema”, avalia.

Na avaliação de Samira Younes Ibrahim, a oficina foi um potente instrumento de diálogo, conhecimento, reflexão e gestão de situações de desastres, com a participação de diversos atores. “Tendo como marco a tragédia da região serrana, evidenciou-se a necessidade de dar voz aos afetados que, após cinco anos, continuam sem suas casas e sem encaminhamento para a questão dos desaparecidos”, defende.

Fátima Santos destaca que a atividade atingiu os objetivos “porque pode mostrar aos psicólogos do RJ como estamos planejando e organizando a área da Psicologia em Emergências e Desastres e na Gestão integral dos riscos para que tenhamos uma atuação mais direcionada e articulada em todas as ações que envolvem os desastres – prevenção, mitigação, preparação, a resposta ao desastre em si e na recuperação das comunidades. Também foi possível esclarecer que o profissional voluntário precisa estar identificado, envolvido e capacitado para atuar em situações de desastres e isso se faz através de um processo de capacitação e em períodos de normalidade”.

Como resultado da oficina, seu conteúdo será organizado em um relatório de onde serão retiradas propostas de trabalho para a Comissão nacional em todo o Brasil.