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08/08/2022 - 9:27

Solenidades legislativas celebram a Psicologia pelo Brasil

Na sexta (5), os 60 anos da Psicologia foram celebrados pelas assembleias legislativas do Amapá e de Alagoas

Fonte: GCom/CFP

Na sexta-feira (5), as assembleias legislativas de dois estados brasileiros realizaram atividades solenes para celebrar o aniversário de 60 anos da regulamentação da Psicologia no Brasil.

Em Maceió, a Assembleia Legislativa de Alagoas promoveu um ato solene a partir da iniciativa do deputado estadual Léo Loureiro (Progressistas) em conjunto com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e com o Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (CRP-15).

Em seu pronunciamento, a presidente do CFP, Ana Sandra Fernandes, afirmou que as(os) profissionais expressam o compromisso ético-político da Psicologia brasileira pela eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência e opressão, e pela defesa inequívoca dos diretos humanos. Ela frisou que a Psicologia brasileira está comprometida com o combate contra o racismo estrutural, toda forma de preconceito e discriminação e contra as ameaças à democracia.

“Estamos cientes do papel da Psicologia como ciência e profissão na defesa da democracia, da dignidade humana, e da promoção do bem viver. Por isso, onde estivermos e onde for necessário, vamos defender a democracia junto ao povo brasileiro”, pontuou.

O deputado estadual Léo Loureiro (Progressistas) contou que tem relação particular com a Psicologia e afirmou que a ciência começa a ser democratizada para a população em geral. Ele também destacou o papel político social da profissão. “A Psicologia é uma ciência e uma profissão compromissada com as lutas e as transformações político-sociais do país, guiada pelo compromisso do fazer científico, ético e político”, contou o deputado.

A presidente do Conselho Regional de Alagoas (CRP-15), Zaíra Mendonça, contou da responsabilidade em fazer parte de uma profissão em um estado onde assolam problemas sociais. “Onde a profissão vem contribuindo de maneira significativa para os direitos humanos”, destacou.

O ex-presidente do CRP de Alagoas, Lourenço Leirias, disse almejar que a categoria seja mais politizada. “Devemos investir em um profissional explicitamente politizado para ter consciência da sua ciência, do papel da Psicologia na sociedade, e de em qual sociedade estamos caminhando”, afirmou.

A representante da Articulação Nacional de Psicólogas/os Negras/os e Pesquisadoras/es (Anpsinep) Marina Natalia Rodrigues disse que os 60 anos da regulamentação da profissão representam um momento histórico para a Psicologia brasileira e alagoana e desejou que a ciência possa ampliar seu alcance. “Que no futuro da Psicologia, a gente possa olhar para o passado e tornar a profissão disponível para todas, todos e todes”, pontuou.

O representante da Federação Nacional de Psicólogos (Fenapsi), Benedito Cedrim, lembrou a trajetória da profissão no estado alagoano e ressaltou que a Fenapsi tem o papel de proteger os profissionais de Psicologia nos diferentes locais de trabalho.

Sessão solene no Amapá

No mesmo horário, em Macapá, a Assembleia Legislativa do estado também celebrou os 60 anos da Psicologia no Brasil com uma sessão solene. O evento foi realizado por iniciativa do deputado estadual Paulo Lemos (Psol) a partir de proposição do CFP e do Conselho Regional de Psicologia do Pará/Amapá (CRP-10).

A vice-presidente do CFP, Anna Carolina Lo Bianco, destacou que a Psicologia trabalha não só pela saúde mental, mas pela qualidade de vida. “A gente tem uma missão, um compromisso que vai à frente, que é a luta por uma sociedade mais justa e mais inclusiva”, destacou.

O deputado estadual Paulo Lemos declarou que a Psicologia está recebendo o reconhecimento da população de forma tardia. “Nós tivemos que enfrentar uma pandemia para ver e reconhecer a importância de forma mais efetiva e mais ampla da Psicologia no atendimento às pessoas”, afirmou. Ele denunciou o estado precário do atendimento psicossocial no estado e os reflexos na população.

O diretor do CRP-10, Válber Luiz Farias Sampaio, destacou que os 60 anos da Psicologia representam pouco diante dos saberes produzidos para a humanidade. Disse que foram longos e árduos anos para estabelecer a psicologia no Brasil. “A Psicologia brasileira está para além de uma escuta de sofrimento. Está na construção mais justa e menos desigual”, afirmou.

Idianne Medeiros, vice-coordenadora da Comissão Gestora da Seção do Amapá do CRP-10, disse que a Psicologia passou por significativas transformações desde a sua regulamentação. Defendeu que as(os) profissionais estejam não somente nos consultórios. “A gente precisa estar nos diferentes espaços. Na assistência social, na saúde, na educação. Em todos os espaços é necessária uma psicóloga, um psicólogo atuando”.

A psicóloga Adriele Sussuarana, representante do movimento antimanicomial no Amapá, denunciou a situação da rede de atenção psicossocial no estado e que a referência para o cuidado psicossocial tem sido as comunidades terapêuticas. “Nós temos em nossa cidade apenas um CAPs AD, sucateado, que funciona de forma precária, em uma casa alugada”, afirmou.

Daniela dos Santos Azevedo, da Anpsinep, falou sobre os desafios que as(os) profissionais da Psicologia enfrentam para atuarem no estado e pediu por uma Psicologia para as pessoas que vivem na Região da Amazônia. Ela denunciou que o Amapá tem a pior rede de atenção psicossocial do país. “Que a gente possa esperançar a Psicologia implicada com os direitos humanos e politicamente engajada, e que possamos construir novas possibilidades”.