CFP mantém mobilização pela reversão do veto do PL das 30 horas

O CFP enviou, no último dia 20, um ofício aos presidentes dos Conselhos Regionais de Psicologia solicitando empenho na mobilização de Deputados Federais e Senadores de seus respectivos estados, além dos parlamentares que compõem a Comissão Mista do Congresso Nacional, pela rejeição ao veto presidencial ao Projeto de Lei nº 3338/2008, que estabelece a carga horária de profissionais de Psicologia em 30 horas semanais sem redução salarial.

Após o veto da Presidência, divulgado em 18/11, o PL retornará para a apreciação conjunta do Congresso Nacional por meio de Comissão Mista de Deputados Federais e Senadores para elaboração de parecer em relação ao posicionamento da Presidência.

De acordo com o Regimento Comum do Congresso Nacional, a Comissão Mista, composta pelos Deputados Federais: Vicentinho (PT), Manoel Junior (PMDB), Eduardo Barbosa (PSDB), Onofre Santo Agostini (PSD), Eurico Júnior (PV) e dos senadores Sergio Petecão (PSD/AC), Marta Suplicy (PT/SP), Jayme Campos (DEM/MT), Gim (PTB/DF) e Ataídes Oliveira (PROS/TO), deverá apresentar o relatório sobre o veto no prazo de vinte dias. Após este prazo regimental, o veto será incluído na ordem do dia do Congresso Nacional, com relatório ou sem relatório da Comissão Mista do Congresso Nacional.

O veto deverá ser apreciado num prazo de 30 dias, contados a partir da data do seu recebimento na Casa Legislativa, e poderá ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados (257 votos) e dos Senadores (41 votos). Se o veto não for mantido, o projeto será enviado a Presidência da República para promulgação.

No ofício enviado aos Conselhos Regionais, o CFP informa que realizou um levantamento panorâmico do quantitativo de profissionais de Psicologia que atuam nas políticas públicas de assistência social e saúde, que demonstraram a existência de leis estaduais e municipais que adotam a jornada de 30 horas semanais para o cargo de psicóloga (o), bem como a oferta de concursos públicos estaduais, municipais e federais, que prevê a contratação do profissional nessa mesma jornada de trabalho em 2014. Constatou-se, ainda, que, 17% do total de psicólogas (os) inscritas (os) em Conselhos Profissionais atuam em serviços públicos de assistência social e de saúde, e que 19% do total de profissionais de nível superior do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) são psicólogas (os).

“Precisamos do envolvimento de toda a categoria, não apenas dos CRs e das representações sindicais, em torno deste esforço junto aos parlamentares. O (a) profissional, individualmente, também pode encaminhar e-mails para os deputados e senadores, reivindicando a defesa da qualidade de vida dos (as) psicólogos (as) em seu cotidiano laboral e pela melhoria no atendimento aos brasileiros e brasileiras”, afirma Mariza Borges, presidente do CFP.

Confira abaixo a proposta de mensagem que pode ser enviada por e-mail para os gabinetes dos parlamentares:

Excelentíssimo Deputado / Senador,

O Projeto de Lei nº 3338/2008 (nº 150/09 no Senado Federal), denominado de PL das 30 horas, porque estabelece a carga horária de profissionais de Psicologia em 30 horas semanais, sem redução salarial; aprovado pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados; foi vetado pela Presidência da República no dia 17/11/14.

Segundo a mensagem presidencial, foram ouvidos os Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Fazenda e da Saúde que se manifestaram pelo veto, alegando que “a proposta impactaria o orçamento de entes públicos, notadamente municipais, com possível prejuízo à política de atendimento do Sistema Único de Saúde – SUS”; não condizente com a realidade da gestão pública dos entes federados.

Em relação à politica de atendimento do SUS, os dados levantados junto ao CNES/DATASUS indicaram que: são 27.492 Psicólogos trabalhando na esfera pública de Saúde, e destes, 16.355 já atuam em jornada semanal menor ou igual a 30 horas. Portanto, segundo os dados oficiais, 59,49% dos psicólogos que atuam na esfera pública de Saúde, trabalham em jornada semanal menor ou igual a 30 horas.

A jornada de 30 horas semanais já é uma realidade em muitos municípios brasileiros. Somos 250 mil psicólogas e psicólogos que atuam com grande capilaridade social no país. Entretanto, a nossa rotina laboral requer o enfrentamento de uma grande gama de conteúdos emocionais nas mais diversas áreas de atuação que provoca o adoecimento que pode prejudicar os atendimentos prestados.

O motivo para reduzir a nossa jornada de trabalho serve para preservar a nossa saúde física e mental, mas, igualmente, para assegurar a qualidade de trabalho oferecido à população brasileira.

Por isso, contamos com o seu voto para derrubar o veto presidencial, em defesa da nossa saúde profissional e pela melhoria dos serviços prestados a(o)s cidadã(o)s.

E-mails dos deputados e senadores da Comissão Mista:

Deputados:

Senadores:

sergiopetecao@senador.leg.br

martasuplicy@senadora.leg.br

jayme.campos@senador.leg.br

gim.argello@senador.leg.br

ataides.oliveira@senador.leg.br

 

 

 

 

 

Conheça o Planejamento Estratégico Plurianual do CFP

Confira aqui o documento

O Planejamento Estratégico Plurianual (PEP) do CFP para o triênio 2014-2016 foi divulgado durante o IV Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão. É um instrumento norteador para a gestão, que organiza e explicita a proposta político institucional da autarquia, e entendido como o conjunto de compromissos, diretrizes, objetivos, programas e ações a serem alcançados até 2016.

O PEP aglutina as visões diferentes da categoria sobre o fazer profissional. Sua metodologia de construção teve início na plenária de fevereiro de 2014, quando se deliberou pela construção do planejamento estratégico de forma coletiva e participativa.

Assim, ao longo dos últimos meses, foram realizadas diversas reuniões e conversas com conselheiros (as), membros do coletivo ampliado e trabalhadores (as) da autarquia sobre os compromissos da entidade e o exercício da atividade profissional da(o) psicóloga(o), compondo uma ferramenta processual em que ajustes e revisões serão contemplados sistematicamente.

Muitas das ações, políticas e programas previstos no Planejamento já estão em curso. A inclusão de ações ligadas às relações de trabalho – como o aprimoramento da interlocução entre gestores públicos, Sistema Conselhos, sindicatos e entidades para melhorar as condições laborais da(o) psicóloga(o) e o Centro de Orientação do Trabalho em Psicologia (em fase de implementação) -, articulada com a agenda da Psicologia em grandes temas da sociedade, explicita a perspectiva inovadora que o XVI Plenário passa a implementar.

Confira aqui o documento.

 

 

25 de novembro: Dia da Não Violência contra a Mulher

Da Agência Brasil

Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Embora essas violações sejam comuns ao cotidiano de milhares de mulheres, muitas vezes elas se tornam invisíveis ou são tratadas como algo relativo à esfera familiar. Para romper esse silêncio, desde 1981 o movimento feminista comemora, com luta, em 25 de novembro, o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

Neste ano, a ONU Mulheres, organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero, iluminará o prédio da entidade em Brasília e também a sede principal, em Nova York, com a cor laranja. A iluminação é uma das atividades que serão promovidas de hoje (25) até o dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, no âmbito dos chamados 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero.

Representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman diz que a data contribui para a inserção da luta contra a violência na agenda política. “É uma data que tem sido importante para mobilizar tanto o governo quanto a sociedade civil e colocar na pauta dos meios de comunicação esse problema, que é muito grave entre as mulheres”, explica.

No Brasil, a programação é diversa. Hoje, no Rio de Janeiro, haverá exposição de grafite, oficina e roda de conversa sobre violência contra a mulher. Amanhã será a vez de um debate na internet sobre os compromissos assumidos pelos países para enfrentar a violência, além das políticas públicas para garantir os direitos das mulheres. Nos dias 26 e 27, serão realizadas oficinas e debates, em Brasília e João Pessoa, com juízes e outros operadores de Justiça sobre a adaptação do Protocolo Latino-Americano para Investigação das Mortes por Razões de Gênero à legislação brasileira. A programação seguirá em dezembro e pode ser conferida no site da ONU Mulheres.

CFP divulga manifesto contra veto às 30 horas no IV CBP

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgou, nesta sexta-feira (21), durante o IV Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão, um manifesto sobre o veto da Presidência da República ao Projeto de Lei nº 3338/2008, que estabelece a carga horária de profissionais de Psicologia em 30 horas semanais sem redução salarial.

No texto, distribuído aos participantes do evento, a autarquia contrapõe os principais argumentos utilizados na mensagem presidencial que acompanhou o veto, como contrariedade ao interesse público e impacto ao orçamento de entes públicos municipais.DSC_0118

A rotina laboral de profissionais de Psicologia requer o enfrentamento de uma grande gama de conteúdos emocionais nas mais diversas áreas de atuação. Reduzir a jornada de trabalho de psicólogos(as) serve, portanto, ao interesse de preservar a saúde mental e psíquica desses profissionais e, igualmente, ao empenho de assegurar a qualidade de seu trabalho oferecido à população brasileira”, afirma o texto.

O CFP aponta, ainda, que a jornada de 30 horas já é uma realidade em diversos municípios brasileiros. O Conselho realizou um levantamento de informações que identificou várias gestões municipais que adotaram legislação que prevê a contratação de psicólogos com a referida carga horária.

Durante a atividade “O SUS que temos e o SUS que queremos”, realizada durante a tarde, representantes do CFP entregaram o manifesto à representante do Ministério da Saúde na atividade, Lumena Furtado (foto), que se posicionou contrariamente ao Projeto de Lei. “Nossa posição é contrária à carga de 30 horas para a Psicologia e qualquer profissão da Saúde. Ele não amplia acesso, não ajuda a chegar a todos os espaços do Brasil uma atenção de qualidade. A gente que está na gestão está acostumado a tomar medidas que vão contra o interesse corporativo”, afirmou.

Leia abaixo o manifesto na íntegra.

 

DO LUTO À LUTA!

Manifesto dos psicólogos e psicólogas brasileiros sobre o veto ao PL das 30 horas

O Projeto de Lei nº 3338/2008, que estabelece a carga horária de profissionais de Psicologia em 30 horas semanais sem redução salarial, foi aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, onde obteve a aprovação unânime das Comissões de Seguridade Social e Família; do Trabalho; de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação e da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. No último dia 17/11, o projeto foi vetado pela Presidência da República.

Segundo a mensagem presidencial, foram ouvidos os Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Fazenda e da Saúde, que se manifestaram pelo veto ao PL a partir de argumentos como contrariedade ao interesse público, impacto ao orçamento de entes públicos municipais, elevação do custo do serviço privado, ausência de estimativas de impacto orçamentário e possibilidade de negociação coletiva entre gestores e representantes da categoria profissional.

Ante a estas alegações, psicólogos e psicólogas brasileiros reunidos no IV Congresso Brasileiro de Psicologia (CBP), em São Paulo, vêm a público manifestar sua contrariedade à decisão, apresentando suas réplicas:

• A rotina laboral de profissionais de Psicologia requer o enfrentamento de uma grande gama de conteúdos emocionais
nas mais diversas áreas de atuação. Reduzir a jornada serve, portanto, ao interesse de preservar a saúde mental e psíquica
desses profissionais e, igualmente, ao empenho de assegurar a qualidade do trabalho oferecido à população brasileira.

• A jornada de 30 horas já é uma realidade em diversos municípios brasileiros. O CFP fez um levantamento que identificou vários municípios que adotaram legislação que prevê a contratação de psicólogos com carga horária de 30 horas.

• Em relação à politica de atendimento do SUS, os dados levantados junto ao CNES/DATASUS indicaram que 27.492 psicólogos atuam na esfera pública de Saúde e, destes, 16.355 (ou 59,49%) cumprem
jornada semanal menor ou igual a 30 horas.

• De acordo com os dados do CNES/DATASUS, do total de 28.345 psicólogos que atuam na esfera privada de saúde, 21.042 (ou 74,23%) trabalham numa jornada semanal menor ou igual a 30 horas.

• Segundo o parecer da Comissão de Finanças e Tributação, a matéria do PL nº 3338/2008 não tem, a priori, nenhum impacto sobre o orçamento público da União

• Na gestão pública da Saúde não há mecanismo de negociação para acordos coletivos, tornando fundamental a necessidade de regulação sobre a jornada de trabalho de Psicologia no setor público.

Ao longo do prazo para sanção presidencial, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Federação Nacional de Psicólogos (Fenapsi) participaram de várias audiências com as instâncias que também deveriam ser ouvidas pela Presidência da República, como a Secretaria de Relações Institucionais e a Casa Civil, além da Advocacia-Geral da União, dos Ministérios do Trabalho e Emprego, da Justiça e da Defesa – que foram favoráveis à sanção do Projeto.

Assim, em nome da defesa da qualidade de vida dos(as) psicólogos(as) em seu cotidiano laboral e pela melhoria no atendimento aos brasileiros e brasileiras, o CFP informa que não recuará em suas ações políticas, tanto no que diz respeito a este Projeto de Lei quanto à pauta geral das condições de trabalho dos(as) psicólogos(as) – fundamental para o exercício profissional.

Vamos, agora, às redes sociais, aos gabinetes dos parlamentares e às ruas, promovendo intensa pressão para a derrubada do veto, e conclamamos todas as instituições que representam a categoria profissional da Psicologia que se unam nesta luta fulcral.

Este é o nosso compromisso.

Conselho Federal de Psicologia

Comissão Nacional de Psicologia na Assistência Social

Na manhã deste sábado (22), durante o IV CBP, em São Paulo, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveu a atividade “Conhecendo a Comissão Nacional de Psicologia na Assistência Social do CFP: apresentação da proposta de trabalho, objetivos, estratégia e calendário para 2015”.

A proposta foi apresentar os desafios, objetivos, estratégias e organização da Comissão, criada neste ano com vistas a fortalecer a atuação profissional da Psicologia no SUAS – segundo maior segmento dos profissionais de nível superior dessa política pública.

Atuação profissional, relações e condições do trabalho, organização ético-política do profissional, defesa e fortalecimento dos direitos socioassistenciais são temas orientadores do trabalho da Comissão, que neste ano já promoveu quatro reuniões, entre agosto e novembro.

Segundo Carla Ribeiro, integrante da Comissão, os objetivos específicos do trabalho são identificar quem atua no SUAS, sistematizando e compartilhando práticas profissionais; mapear condições e relações de trabalho; construir o histórico da Psicologia no campo de atuação na Assistência Social; aprofundar o entendimento sobre práticas interdisciplinares da atuação no SUAS (produzindo orientações), e ampliar e consolidar a representação dos psicólogos nas diversas instâncias e organizações que compartilham a gestão do SUAS. “Além disso, queremos promover o debate sobre a Política Nacional de Assistência Social, por meio do reforço de uma compreensão do que significa estar inserido em uma política protetiva, compartilhar valores e fortalecer o posicionamento político dos profissionais frente a estas políticas”, afirma.

De acordo com Ribeiro, para cada objetivo, foram organizadas 11 ações, com escopo, prazo e responsáveis. “Neste momento em processo de estimativa de custos. Já foram feitos alguns indicativos de aprovação”.

Estratégias

Algumas ações estratégicas já foram desenhadas pela Comissão para a implementação dos objetivos. Entre elas, instituir, no âmbito do Sistema Conselhos, comissões permanentes de Psicologia na Assistência Social, ampliar a representação dos profissionais da comissão por meio de representações locais, estaduais e regionais, aproximar a Psicologia dos usuários dos serviços nos espaços de formulação e estabelecer parceria com instituições acadêmicas e MEC para apoio à reflexão sobre práticas profissionais.

Funcionamento

A proposta de funcionamento da Comissão envolve a consolidação de um núcleo gestor e executivo, além da Reunião Ampliada e da Reunião Plena. A Reunião Ampliada é aberta a convidados e representantes dos CRs por região, e a Reunião Plena prevê a socialização das experiências de todos os CRs em relação à Psicologia no SUAS, além da definição sobre a instituição das Comissões Permanentes da Psicologia na Assistência Social e no âmbito do Sistema Conselhos, bem como a apresentação das ações do calendário para 2015.

Na atividade, foram apresentadas ainda as reuniões realizadas em 2014 e propostas para o próximo biênio, além do hotsite recém-criado pela Comissão (www.conpas.cfp.org.b) e o e-mail do grupo (conpas@cfp.org.br).

Desafios da Assistência Social

A atuação dos trabalhadores da Psicologia no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) foi tema da discussão realizada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) na manhã desta sexta (21), durante o IV Congresso Brasileiro de Psicologia: ciência e profissão (CBP).

A roda de conversa, intitulada “Conquistas e desafios da Psicologia no SUAS”, contou com apresentações do trabalho “Conversando sobre o SUAS”, projeto regional de formação desenvolvido pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) do Rio Grande do Sul, e das discussões realizadas no âmbito do CFP acerca dos processos de planejamento e gestão pública relativos ao tema.

Segundo André Sales, assessor técnico de Políticas Públicas do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, o projeto surgiu em 2010 com o propósito de disseminar respostas coletivas para demandas cotidianas dos profissionais, produzindo alternativas para impasses territoriais e consolidando o modo de ocupação do espaço e de identidade do (a) psicólogo (a) dentro da Política Nacional de Assistência Social.

Por meio de encontros de formação em diferentes municípios gaúchos, o projeto já trabalhou temas como avaliação psicológica e judicialização da vida, assistência social e redes intersetoriais e serviços, além de práticas inventivas para a construção do SUAS, dispositivos clínicos na Assistência Social e implicações psicossociais da pobreza. “Quanto a este tema, discutimos por exemplo as consequências de uma situação de pobreza crônica em uma determinada situação, a partir de Martin Baró. Percebeu-se, nos relatos dos profissionais, o sentimento de vergonha e humilhação como decorrentes de uma situação de pobreza”, exemplifica.

Nos últimos meses, o Conversando sobre o SUAS promoveu uma reorientação metodológica do trabalho, constituída de ciclos temáticos que permitem a regionalização dos debates em todas as subsedes do CRP. Além disso, foram implementadas mudanças na forma de sistematização dos debates, menos formais, e um esforço de que pedidos de orientação ao Conselho funcionem como “disparadores de conversas”.

Desafios

Meire Viana, representando o CFP na discussão, utilizou trechos da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social (NOB-RH/SUAS) para elencar os desafios para o trabalho da Psicologia no Sistema Único de Assistência.

A partir do resgate da história da atuação do(a) profissional de Psicologia na Política Nacional de Assistência Social no Brasil (2004), e com o consequente aumento da sua robustez institucional, Viana apontou demandas colocadas atualmente aos trabalhadores da área.

“A gestão do trabalho no âmbito do SUAS deve garantir a ‘desprecarização’ dos vínculos dos seus trabalhadores e o fim da terceirização, além de criar mecanismos de educação permanente aos profissionais, com planejamento estratégico, garantindo a gestão participativa com controle social, além de integrar e alimentar os sistemas de informação. Há questões em que temos avançado, mas outras que ainda precisam ser colocadas em prática”, apontou.

O compromisso ético e político de profissionais, com vistas à emancipação dos usuários, também foi pontuado pela representante da autarquia. “A Psicologia tem na sua origem uma relação com uma classe social diferente do usuário do SUAS, a profissão foi pensada para atender uma população de classes privilegiadas”, afirmou, ao pontuar ainda a necessidade de defesa do direito dos usuários de forma articulada com os direitos dos trabalhadores, a construção de uma identidade específica dos profissionais psicólogos dentro do SUAS, o combate ao assédio moral, a garantia da qualidade dos serviços e a atuação crítica na defesa dos direitos humanos.

IV CBP discute globalização e Psicologia

cbp-impactos-globalizacaoQuais as implicações psicológicas da globalização na vida das pessoas? Este questionamento balizou a discussão ocorrida na tarde desta quinta-feira (20), na mesa intitulada “Psicologia, Ciência e Globalização”, durante o IV Congresso Brasileiro de Psicologia (CBP), em São Paulo.

Na atividade, a pesquisadora Maria Cristina Ferreira abordou aspectos da discussão sobre a globalização no contexto da Psicologia, partindo da diferenciação entre características positivas e negativas do fenômeno. Para ela, a mobilidade proporcionada pela ausência de barreiras e a possibilidade de ampliação das identidades culturais, de um lado, se conflitam com aumento da distância socioeconômica entre pobres e ricos, de guerras, de sofrimento humano e da xenofobia, de outro. “É um fenômeno que tem mudado o foco da identidade. Fala-se em bi-identidade, abarcando o local e o global. Já em relação à saúde mental, por exemplo, há efeitos mais prejudiciais do que benéficos, principalmente no contexto do trabalho. O aumento de tarefas no mundo do trabalho implicam o aumento do stress”, afirmou.

DSC_0191Ferreira apontou, ainda, a emergência da Psicologia da Globalização um campo novo e promissor de estudos para a Psicologia. “Como a Psicologia pode ajudar a enfrentar os problemas ocorridos em função da globalização, com foco no indivíduo, na cultura e no contexto global? A meu ver, este é um novo desafio, uma área que está para ser desenvolvida e que pode ser incluída em agendas e programas futuros de pesquisa”, completou.

A psicóloga Ana Bock direcionou a reflexão para a discussão da Psicologia enquanto ciência globalizada. “Haveria Psicologia que se referisse a todos os humanos como iguais, sem levar em consideração a influência do meio sobre os sujeitos? A Psicologia deve ser capaz de estimular a produção específica”, apontou. Para ela, questionar a utilização de padrões universais para lidar com todos os sujeitos do planeta é fundamental, bem como conectar o tema a questões políticas e epistemológicas. “Assistimos à colonização do pensamento científico: temos poucas referências locais, rejeitamos ou incorporamos automaticamente conhecimento externo, chegando ao absurdo de achar que é a realidade que não se adapta ao que eu sei. Não deixamos a realidade fazer perguntas ao conhecimento”, concluiu.

De qual globalização estamos falando?

DSC_0203Na avaliação de Rogério Oliveira, vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o tema da globalização, por estar em curso, torna difícil sua compreensão. “Ainda não chegamos a um momento em que há um ponto de virada. Mas conseguimos, contudo, enxergar as consequências desse processo”. Oliveira abordou a relação entre a ocupação de territórios por potências hegemônicas com a finalidade de exploração da riqueza que eles abrigam, característica do processo de globalização atual.

Ele citou, ainda, o deslocamento das populações negras para o continente americano – fator preponderante da acumulação de riqueza que possibilitou a globalização. “Vamos chegar a um momento em que, não havendo condições de exploração da natureza, a última fronteira é exploração da própria humanidade para a geração de riqueza”.

Para Oliveira, a definição sobre o tipo de globalização à qual nos referimos deve conduzir à reflexão sobre qual sociedade queremos construir. “Penso que não estamos mais dispostos a corroborar com uma sociedade em que uma minoria tem uma condição de vida excelente e uma maioria tem uma condição precária. A Psicologia não está apartada desse processo de globalização e de novas proposições para a sociedade. Queremos manter como positiva a falsa variável da ‘boa globalização’? A sociedade globalizada enxerga negativamente a Psicologia contra-hegemônica, que vai na contramão desta perspectiva. Como nos organizamos para apresentar proposta de formação brasileira? Nossa construção histórica é valiosa, não podemos ignorá-la”, concluiu.

O IV CBP teve início nesta quarta (19), na Uninove, em São Paulo, e termina no próximo domingo (23). Conheça a programação do CFP na atividade aqui.

 

 

CFP debate a importância do resgate da Memória da Psicologia Brasileira

As palestrantes, Lurdes Perez Oberg e Nádia Maria Dourado Rocha, representantes do CFP, apresentaram o projeto “Memórias da Psicologia Brasileira”, que objetiva contribuir para resgatar e ampliar o conhecimento sobre o campo histórico da área de Psicologia no Brasil, em seus aspectos de produção intelectual, científica, institucional e profissional. Atualmente o projeto conta com a Coleção de Clássicos da Psicologia Brasileira, Vídeos Biográficos, Coleção Pioneiros, Coleção Histórias da Psicologia do Brasil e o projeto Dicionários.

A Conselheira do CFP, Nádia Rocha informou que o Grupo de Trabalho Memórias da Psicologia da autarquia pretende realizar o mapeamento digital de livros clássicos da Psicologia brasileira. Eles serão disponibilizados em plataforma virtual pelo site da BVS-psi (http://www.bvs-psi.org.br/). Além disso, ela contou que será realizada  uma nova edição do “Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil – Pioneiros”, com critérios para atender a diversidade e a regionalidade  das condições de surgimento da Psicologia.

Rocha destacou a importância do fomento ao trabalho de pesquisa histórica em cada estado brasileiro. Para ela, a produção de pesquisas se concentram majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste.  “Não é um privilégio da Psicologia, mas também tem a ver com a distribuição dos cursos de graduação e principalmente de pós-graduação no país. A pós-graduação efetivamente carrega a responsabilidade de produção de conhecimento”. Segundo a conselheira, os cursos de pós-graduação nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, são mais recentes. “Precisamos pensar a história do país como um todo”, disse, destacando a importância da regionalização da produção de conteúdo da história da psicologia brasileira.

Já Oberg destacou que o projeto, iniciado em 1999, tem sido realizado há muitos anos coletivamente pelos psicólogos. “Estamos buscando novos sentidos a partir de novas conversas, novos sentidos sobre a psicologia brasileira. Os diálogos são muito importantes  para  que possam existir outros encontros, inclusive com os Conselhos Regionais em relação ao tema”.  Rocha destacou que o Projeto Memórias da Psicologia Brasileira é um “projeto de Estado e não de gestão ou governos”. “Sucessivas gestões do CFP têm se empenhado em investir na temática da história da Psicologia brasileira”, destacou.

Conhecer a história da Psicologia brasileira para entender o presente e aprimorar o atendimento à  sociedade brasileira, à categoria e ao campo científico.  Este foi o mote da primeira participação do  Conselho Federal de Psicologia (CFP) no IV Congresso Brasileiro de Psicologia, com a palestra “Memória da Psicologia Brasileira”.

Andrea Nascimento, vice-presidente do CRP 16, do Espírito Santo, destacou a importância das pesquisas históricas e científicas e da contribuição dos Estados ao trabalho do projeto Memórias da Psicologia Brasileira. “O projeto memórias é muito importante. Não dá pra gente viver da produção apenas de  artigos e periódicos científicos. Um artigo não dá pra passar toda uma teoria, uma história. Penso que os CRPs podem contribuir com a indicação de pesquisadores, é interessante que seja feito esse contato, essa ligação. Além disso, muito da memória da Psicologia está dentro das universidades federais”.

Nascimento apresentou  a pesquisa Re-conhecer quem somos – Um retrato da Psicologia capixaba em 2011-2012, sobre a realidade do perfil da Psicologia e dos profissionais da área no estado do Espírito Santo. Além da metodologia usada, explanou sobre a produção da pesquisa.

Acompanhe todas as notícias, vídeos e fotos do CFP no CFP pelo site http://cbp.cfp.org.br/

IV Congresso Brasileiro de Psicologia tem início em São Paulo

Confira mais fotos da abertura aqui

Cerca de mil pessoas participaram, nesta quarta (19), da abertura do IV Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão, em São Paulo. O simpósio, realizado até o dia 23, tem como objetivo debater os impactos da psicologia na sociedade brasileira, discutindo os fazeres e a política da ciência e da profissão. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participa do simpósio com programação especial e teve representação na abertura pela conselheira Meire Viana.

Realizado pelo Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENBP), composto por 22 entidades da Psicologia, o evento foi proposto sob três eixos principais: Psicologia e Sustentabilidade – cidadania, diversidade e modelos sociais; Psicologia, formação e práticas profissionais na construção de projetos ético-políticos; e Psicologia e Políticas Públicas no enfrentamento das desigualdades sociais. Durante os cinco dias de Congresso, serão apresentados aproximadamente 4 mil trabalhos científicos. Os organizadores preveem a participação de pelo menos 12 mil pessoas nas atividades.

Na cerimônia, Fabián Javier Marín Rueda (ABECIPSI), coordenador da Secretaria-Executiva do IV CBP, relembrou a história do simpósio, que teve sua primeira edição em 2002. Conhecido como “Congressão”, desde a sua concepção teve como objetivo expressar a diversidade da Psicologia científica e profissional e o compromisso com a sociedade. “Temos um compromisso com a Psicologia como âmbito do conhecimento e profissão. O Congresso é um espaço democrático de discussão para uma sociedade melhor”, explicou.

O coordenador destacou formato do Congresso, que visa pensar a política para a Psicologia com ampla participação das entidades. “Temos o compromisso como fórum e com trabalhos coletivos. Atuar conjuntamente é uma possibilidade que produz bons resultados, e por isso o Congresso se consolidou como o grande encontro da Psicologia: graças ao trabalho conjunto das entidades”, destacou. Rueda ressaltou também a necessidade de que a Psicologia esteja organizada para enfrentar as demandas da sociedade e o diálogo entre a ciência e a profissão para a ampliação do conhecimento.

meireRepresentando o CFP na solenidade, a psicóloga Meire Viana reafirmou a importância do Congresso, segundo ela, “um marco significativo e importante para a Psicologia brasileira”. “Somos muitos na Psicologia, muitas modalidades, muitos fazeres, muitas condições de exercício, muita diversidade, e entendemos que o nosso papel é nesse espaço é de acolhida, diálogo e construção em conjunto”, disse. Ela também destacou a realização de atividades do CFP no simpósio: “A nossa forma de participação busca uma maneira de facilitar e fortalecer o diálogo com a categoria dos profissionais e dos acadêmicos de Psicologia” (veja a programação do CFP no Congresso no hotsite especial do Conselho para o evento ).

mesaO Secretário-Geral da União Latino-Americana de Entidades de Psicologia (Ulapsi), Edgar Barrero, sublinhou o papel da Psicologia na América Latina. “Nós estamos construindo um compromisso ético e político pela soberania de nossos povos e o direito inalienável à autodeterminação dos mesmos. Temos um compromisso com a democracia, o respeito aos direitos humanos, a paz com dignidade e rechaçamos violências políticas e qualquer forma de tortura”. Como exemplo, Barrero lembrou do recente episódio dos 43 estudantes mexicanos assassinados na cidade de Iguala. “A Ulapsi se manifestou contrariamente à semelhante atrocidade. Estamos exigindo que haja verdade, justiça e reparação para as vítimas diretas e para o conjunto da sociedade. Por eles, também exigimos uma Psicologia que busque transformações sociais, políticas e econômicas”, completou.

A cerimônia de abertura contou com representantes das entidades que formam o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira, da União Latino-Americana de Entidades de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, da Prefeitura de São Paulo e do Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome, além profissionais, pesquisadores e estudantes de dezenas de estados brasileiros e ainda de países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Angola, Moçambique, Portugal , Cabo Verde, Cuba, Uruguai, Venezuela, Guatemala e Porto Rico.

ciampaTambém foi prestada uma homenagem aos psicólogos (as) Alvino Augusto de Sá, Antonio da Costa Ciampa (foyto), Antônio Virgílio Bastos, Bellkaiss Wilma Romano, Claudio Hutz, Delvo Silva, Eda Custódio, Jayme Alves, Latife Yazigi, Lucy Melo Silva, Mathilde Neder, Odette Pinheiro e Terezinha Féres-Carneiro, além de homenagens post-mortem a 17 psicólogos e psicólogas.

A abertura do CBP aconteceu no auditório Celso Furtado, no Anhembi, São Paulo, e as atividades do Congresso serão realizadas na Uninove, também na capital paulista.

Nota da Diretoria do Conselho Federal de Psicologia sobre o PL das 30 horas

Com relação ao veto presidencial ao Projeto de Lei nº 3338, de 2008, que prevê a redução da jornada de trabalho da categoria profissional da Psicologia sem redução salarial, ocorrido nesta terça (18/11), o Conselho Federal de Psicologia reitera sua posição peremptória em defesa da melhoria das condições de trabalho da nossa categoria.

A despeito da decisão, o Conselho informa que não recuará em suas ações políticas, tanto no que diz respeito a este Projeto de Lei quanto à pauta geral das condições de trabalho dos(as) psicólogos(as), fundamental para o exercício profissional.

Vamos, agora, às redes sociais, aos gabinetes dos parlamentares e às ruas, promovendo intensa pressão para a derrubada do veto.

Esse é o nosso compromisso!