CFP se reúne com comissão do Senado que analisa mudanças na CNH

Na quarta-feira (8), uma comitiva do Conselho Federal de Psicologia (CFP) foi recebida no Senado Federal, em Brasília/DF, para uma audiência com o senador Rogério Carvalho (PT/SE), membro da Comissão Mista da Medida Provisória 1.327/2025, que propõe alterações nas regras para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Representaram o CFP a presidenta  Ivani Oliveira e a conselheira federal Ana Flávia Mattos.

Essa foi a primeira agenda de incidência estratégica junto às(aos) parlamentares integrantes da Comissão Mista sobre renovação da CNH. A ação integra as articulações do Conselho Federal para subsidiar o colegiado sobre a necessidade de uma avaliação psicológica regular nos processos de renovação da CNH.

“Viemos tratar com o senador de um tema muito importante para a categoria de psicólogas e psicólogos. É essencial defender a avaliação psicológica no âmbito do trânsito na perspectiva de promover mais segurança e na proteção à vida de toda a sociedade brasileira”, apontou a presidenta do CFP.

A conselheira federal Ana Flávia Mattos reforçou que a avaliação psicológica deve ocorrer de forma regular, considerando que o comportamento humano é dinâmico e passível de mudanças ao longo do tempo. “Trata-se de um procedimento técnico e científico, que vai além de uma simples conversa, sendo fundamental para a análise de aptidão para conduzir veículos com segurança”, pontuou.

A Psicologia do Tráfego, enquanto especialidade, contribui não apenas para a qualificação da atuação profissional, mas também para a compreensão do comportamento no trânsito, promovendo reflexões sobre autocuidado, responsabilidade coletiva, convivência no espaço urbano e cidadania.

Do que trata a MP nº 1.327/2025?

Composta por parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a comissão tem a tarefa de emitir parecer sobre a Medida Provisória 1.327/2025, que altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) para mudar as regras de obtenção da CNH.

O texto da MP institui a renovação automática e gratuita da Carteira Nacional de Habilitação para “bons motoristas”. Além da renovação automática, o texto da medida provisória traz alterações como a CNH apenas em formato digital e estabelecimento de teto nacional de R$ 180 para exames médicos e psicológicos.

O colegiado tem até 16 de maio para analisar o texto da Medida Provisória e redigir um parecer para ser votado pelas(os) parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Plataforma de Mobilização

Mais informações podem ser consultadas na Plataforma de Mobilização Legislativa da Psicologia, espaço virtual criado pelo Conselho Federal de Psicologia e que reúne as principais informações dos projetos de lei de interesse da categoria e da sociedade.

A plataforma é uma ferramenta inovadora que busca aproximar psicólogas e psicólogos na mobilização das pautas no Congresso Nacional, com recursos tecnológicos acessíveis e intuitivos que conectam profissionais da Psicologia ao trabalho de incidência do CFP na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

 

CFP oferece acervo digital de publicações da Autarquia

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) produz cartilhas, manuais, relatórios, referências técnicas e uma série de conteúdos para orientar a atuação de psicólogas e psicólogos.

Todas as publicações do CFP são gratuitas e aprincipal forma de acesso é digital. As publicações ficam disponíveis on-line, garantindo que todas as pessoas possam acessar sem custo e sem restrição.

Materiais impressos

As versões impressas existem, mas são distribuídas principalmente em atividades com a categoria, eventos institucionais e ações formativas.

O CFP não envia esses impressos dado que esse amplo o alto custo de impressão e transporte, inclusive no que se refere aos impactos ambientais.

Essa decisão se guia no uso responsável dos recursos financeiros,no respeito à sustentabilidade ambiental e no maior alcance das publicações.

Todo acervo disponível

A categoria já tem acesso a todo o nosso acervo. As publicações estão disponíveis gratuitamente no nosso site, sem burocracia e sem custo.

Conheça nossas publicações e fique por dentro dos principais debates e orientações para o exercício ético e técnico da Psicologia.

Acesse todas as publicações: site.cfp.org.br/publicacoes/todas

Psicologia no Trânsito: confira as ações mais recentes para a valorização da Avaliação Psicológica

O Sistema Conselhos de Psicologia esteve em agenda estratégica nesta semana para defender que a Avaliação Psicológica permaneça como pilar essencial da segurança viária no Brasil.

Na segunda-feira (16), o CFP realizou a primeira reunião técnica do GT de Trânsito, que reúne representantes de Conselhos de Psicologia de diversas regiões do País. O grupo iniciou a construção de estratégias nacionais para fortalecer a atuação da Psicologia no trânsito e responder aos desafios recentes na área, além de estabelecer medidas contra os retrocessos.

Juntos, o Conselho Federal (CFP) e Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) estiveram no Congresso Nacional, no dia 18 de março, em incidência política com diferentes parlamentares pela valorização do exame de Avaliação Psicológica para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Na ocasião, dialogaram diretamente com a vice-lider do governo na Câmara, deputada Ana Paula Lima (PT-SC), ressaltando a importância da sanção do PL 4.111/2023 para a proteção das vidas no trânsito.

Também na quarta-feira houve mobilização nacional com a presença de psicólogas e psicólogos de todo o Brasil em diálogo com parlamentares na Câmara dos Deputados. A presença ativa da categoria reforçou a importância da Avaliação Psicológica como política pública de segurança viária.

Na sexta-feira (20), foi dia de articulação interprofissional entre Psicologia e Medicina em defesa da avaliação psicológica.

Nessa data, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego (Abrapsit) e a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) se reuniram em um grupo de trabalho conjunto para construir estratégias frente às mudanças nas normativas de trânsito. Entre os encaminhamentos, o alinhamento de ações conjuntas e a definição de estratégias de incidência no Congresso Nacional.

CFP dá posse à nova Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica para o triênio 2026-2028

Tomou posse no dia 12 de março, em Brasília/DF, a nova Comissão Consultiva de Avaliação Psicológica (CCAP) do Conselho Federal de Psicologia (CFP), para o triênio 2026-2028. A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, assinou a posse de nove psicólogas e psicólogos especialistas e pesquisadoras(es) que irão discutir o tema e subsidiar a Autarquia nas ações no âmbito da avaliação psicológica.

“A CCAP é um espaço de diálogo entre a responsabilidade pública de unificar a qualidade dos instrumentos psicológicos e as necessidades da sociedade. Essa comissão reúne especialistas, pesquisadoras e doutoras da área da avaliação psicológica, que cuidarão da análise dos próximos testes psicológicos”, destacou a presidenta do CFP.

A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica possui mandato de três anos e a missão de discutir e propor diretrizes, normas e resoluções sobre avaliação psicológica. A coordenação da CCAP ficará a cargo da conselheira federal Andréa Chamon.

“O Plenário assume o compromisso com a nossa categoria de fazer uma gestão comprometida com a Interseccionalidade, os Direitos Humanos e a Justiça Social. Essa é uma proposta não só das conselheiras e conselheiros do XX Plenário do CFP, mas também da nossa Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica”, pontuou a coordenadora da CCAP.

A Comissão Consultiva é um órgão colegiado do Conselho Federal de Psicologia responsável pela proposição de diretrizes, normas e resoluções sobre avaliação psicológica no País.

A CCAP também gerencia o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), plataforma de classificação de testes submetidos por psicólogas e psicólogos para aprovação.

Conheça a nova composição da CCAP

Andréa Regina Marques Chamon – Coordenadora
Ana Deyvis Santos Araújo Jesuíno
Ana Paula Porto Noronha
Daiana Meregalli Schütz
Sabrina Martins Barroso
Everson Cristiano de Abreu Meireles
Gabriel Vitor Acioly Gomes
Hugo Ferrari Cardoso
Vithor Rosa Franco

CFP promove live sobre combate à violência de gênero e feminicídio

Na próxima sexta-feira (20), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) transmite um diálogo ao vivo sobre violência de gênero e feminicídio. “Mulheres Vivas: a Psicologia contra o feminicídio”, será exibido pelo canal oficial do CFP no YouTube, às 18h, com participação de psicólogas pesquisadoras da temática.

O diálogo tem como objetivo promover reflexão crítica e posicionamento institucional da Psicologia frente ao fenômeno do feminicídio, reafirmando o compromisso ético-político da profissão com a defesa dos direitos das mulheres, em sua diversidade.

A atividade integra a agenda da Comissão de Direitos Humanos do (CDH/CFP) e terá mediação das conselheiras Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, coordenadoras da CDH. Elas vão receber as psicólogas Luciene da Silva Lacerda, Ájò Nasidí e Dienner Josieli Jorge Bueno Baltar.

Sobre a CDH/CFP

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Conselho Federal de Psicologia (CFP) é um órgão permanente focado em integrar a defesa dos direitos à formação e prática profissional.  A CDH atua no enfrentamento de violações que geram sofrimento mental e participa de iniciativas para o fortalecimento dos direitos humanos no País. 

O papel do CFP, por meio da Comissão de Direitos Humanos, é produzir consensos e pautar temas que qualifiquem o exercício profissional sob a égide da ética e do compromisso com a Carta dos Direitos Humanos, em consonância com o Estado laico e o respeito à liberdade religiosa.

Na Gestão 2026-2028, as(os) integrantes da Comissão  foram designadas(os) pelo XX Plenário em 31 de janeiro de 2026. São 17 profissionais de destaque na luta pela defesa de direitos com atuação em diferentes unidades da federação.

SERVIÇO

Mulheres Vivas: a Psicologia contra o feminicídio
Data: 20 de março, sexta-feira
Horário: 18h
Transmissão: Canal oficial do CFP no YouTube
(youtube.com/@conselhofederaldepsicologia)

CFP em Plenária – Destaques do Mês

Nos dias 27 e 28 de fevereiro foi realizada, em Brasília/DF, a Reunião Plenária mensal do Conselho Federal de Psicologia. O encontro reuniu as(os) 22 integrantes do Plenário 2.0 do CFP (gestão 2026-2028).

33 pontos deliberativos compuseram a pauta da reunião, além de informes sobre atividades institucionais do período. Confira alguns destaques das deliberações:

Julgamentos de processos

Definida a agenda de julgamento de 22 processos éticos e administrativos, que tramitam em grau de recurso no CFP. Vale saber: o julgamento recursal é uma das atribuições centrais do Conselho Federal, responsável por analisar recursos de processos iniciados em Conselhos Regionais.

Formação, carreira e renda

Foram apresentados dados iniciais da pesquisa “Demografia da Psicologia na Última Década (2013–2023)”
O estudo reúne dados de mais de 350 mil participantes, constituindo o mais amplo levantamento já realizado pelo CFP sobre formação e trajetória profissional.
Um comitê técnico acompanhará as próximas etapas da pesquisa, cujo relatório final será apresentado em 2027.

Cuidado em Liberdade

O compromisso ético, científico e político do Sistema Conselhos de Psicologia com o cuidado em saúde mental em base territorial e em liberdade também foi destaque na Plenária.
Entre as medidas anunciadas, uma Nota Técnica aos Conselhos de Psicologia de todo o País em defesa da Lei 10216/2001 (Reforma Psiquiátrica) e orientações quanto ao exercício profissional.

Atuação profissional

Composição de Grupos de Trabalho do CFP para elaboração de diretrizes e normativas em temas como:

– Avaliação psicológica de condutores
– Saúde mental de povos indígenas
– Crianças e adolescentes, gênero e sexo diversas

Também foram encaminhadas atualizações da Resolução CFP nº 23/2022 (Registro de Especialistas) e da Nota Técnica sobre ISTs e hepatites virais

Referências técnicas

Criadas comissões para elaboração de novas Referências Técnicas para Atuação de Profissionais da Psicologia em:

– Educação Básica
– Rede de Atenção Psicossocial
– Suicídio e Autolesão
– Pessoas com Deficiência
– Acolhimento no SUAS

Também foram encaminhadas atualizações de Referências sobre Relações Raciais e Atuação da Psicologia no Sistema de Justiça

Apoio e patrocínio institucional

Foi aprovado o valor global de R$ 250 mil reais para o apoio a atividades realizadas em parceria com organizações da sociedade civil em 2026. A iniciativa busca estimular a disseminação da produção científica e fortalecer a presença social da Psicologia (Resolução CFP 20/2023).

Incidências no Legislativo, Executivo e Judiciário

O CFP também deliberou sobre ações junto aos três poderes:

• Parecer técnico sobre o PL nº 1232/2022 (depoimento de crianças e adolescentes)
• Análise dos impactos para a Psicologia da Lei nº 15.345/2026 (acupuntura)
• Informe sobre atuação em defesa da Resolução CFP nº 05/2025 (Supervisão de Estágios). Reuniões com ministros do STF, com a AGU e com a PGR integram a estratégia.

A Reunião Plenária é o principal espaço de deliberação do Conselho Federal de Psicologia. Nela são analisadas e aprovadas medidas relacionadas à regulação, orientação e defesa do exercício profissional da Psicologia no Brasil.

Acompanhe mensalmente os principais encaminhamentos da Plenária do CFP.

Conselhos de Psicologia e de Medicina Veterinária dialogam sobre o uso de animais de suporte emocional e saúde mental

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, na terça-feira (4), de uma reunião institucional na sede do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em Brasília/DF. O objetivo foi alinhar o posicionamento das autarquias quanto à regulamentação do uso de animais em processos terapêuticos e à promoção da saúde mental das(os) profissionais das duas categorias.

A conselheira-secretária do CFP, Ana Carolina Freire, se reuniu com Ingrid Bueno, presidente da Comissão Nacional de Saúde Mental do CFMV, que participou de forma remota. O foco principal da audiência foi a análise de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional sobre animais de suporte emocional, animais de serviço e Intervenções Assistidas por Animais (IAA/Terapia).

Ana Carolina Freire ressaltou que a presença da Psicologia nesse debate é fundamental para garantir que as práticas terapêuticas respeitem as competências técnicas e o rigor científico da profissão. A conselheira explica que a cooperação busca assegurar que o uso de animais em contextos de saúde mental siga critérios técnicos que protejam tanto o paciente quanto o bem-estar do animal. 

“O objetivo é estabelecer um posicionamento conjunto que assegure critérios técnicos rigorosos no cuidado em saúde mental e o bem-estar animal, respeitando as competências de ambas as profissões no processo terapêutico”, pontuou a conselheira-secretária do CFP.

Cuidado profissional

Além da pauta animal, a reunião abordou a responsabilidade dos conselhos profissionais diante dos índices de suicídio e autolesão entre seus inscritos. A Comissão de Atenção à Saúde Mental do CFMV pretende fortalecer redes de apoio e prevenção, a partir da experiência acumulada do CFP no cuidado à saúde mental.

A iniciativa visa criar estratégias de cuidado integral para médicas(os)-veterinárias(os) e zootecnistas, categorias que enfrentam altos níveis de estresse ocupacional, utilizando os conhecimentos da Psicologia para estruturar políticas de saúde mental mais eficazes dentro das autarquias.

“A reunião marca o fortalecimento da cooperação institucional para que as decisões legislativas e a políticas de saúde mental sejam pautadas por evidências científicas e pela proteção de todas e todos os envolvidos”, destacou a conselheira-secretária do CFP.

Novo representante do CFP inicia participação no Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura

De 25 a 27 de fevereiro, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, em Brasília/DF, a primeira Reunião Ordinária de 2026 do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (CNPCT). No encontro, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) apresentou seu novo representante no colegiado, o psicólogo Daniel Melo, conselheiro do XX Plenário.

O conselheiro explica que o CNPCT se reúne para debater, deliberar e fiscalizar as políticas públicas voltadas ao combate e à erradicação da tortura. Daniel Melo destaca que a participação do CFP entre as entidades da sociedade civil integrantes do colegiado reforça o compromisso da Psicologia com o cuidado em liberdade, principalmente no que tange à saúde mental.

“A presença da Psicologia é fundamental neste espaço para contribuirmos com o diálogo sobre os efeitos psicológicos da tortura em pessoas privadas de liberdade e orientarmos sobre como a sociedade e os profissionais podem responder a essa demanda”, pontuou o conselheiro.

O Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura integra o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (SNPCT) e é composto por 23 membros, sendo 11 representantes de órgãos federais e 12 da sociedade civil, incluindo entidades de classe e movimentos sociais.

A pauta desta reunião incluiu o balanço das atividades de 2025 e o planejamento das ações para 2026. O coletivo atuará no acompanhamento e na proposição de ações e programas para o enfrentamento a violações de direitos em instituições de privação de liberdade, como unidades prisionais, delegacias, instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) e hospitais psiquiátricos.

Cuidado em liberdade

Em julho de 2025, o Conselho Federal de Psicologia lançou o relatório Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico no Brasil: um cenário de violações, que expõe a realidade alarmante dos manicômios judiciários no país.

O documento é fruto de inspeções nacionais que identificaram a persistência de estruturas manicomiais anacrônicas, em que pessoas com transtorno mental em conflito com a lei sofrem privações severas, falta de assistência à saúde adequada e a perpetuação do isolamento social, contrariando as diretrizes da Reforma Psiquiátrica e da Lei Antimanicomial.

O documento aponta que esses estabelecimentos funcionam como espaços de ‘exclusão sobreposta’, unindo a precariedade do sistema prisional à negligência do modelo asilar. Entre as violações destacadas estão o uso excessivo de medicação como contenção e a ausência de projetos terapêuticos voltados à reintegração social, o que reforça a urgência da interdição dessas unidades e a transferência do cuidado para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Enchentes em MG e atenção psicossocial nas emergências e desastres

Diante das enchentes que atingem o estado de Gerais, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta solidariedade às populações afetadas e reforça a importância do cuidado psicossocial em situações de emergências e desastres.

A atuação da Psicologia nesses contextos vai além do atendimento individual: envolve articulação com políticas públicas e a atenção aos impactos coletivos e estruturais que agravam vulnerabilidades.

O CFP dispõe de um conjunto de documentos com orientações para as fases de preparação, resposta e reconstrução.

Minas Gerais já contabiliza mais de 70 mortes, além de pessoas desaparecidas, após as fortes chuvas que atingiram municípios como Ubá, Juiz de Fora e outras localidades.

A tragédia evidencia os impactos humanos e psicossociais das emergências e desastres socioambientais, fenômenos que têm se intensificado diante das mudanças climáticas.

Os impactos psíquicos decorrentes de fenômenos climáticos extremos – como secas, queimadas, enchentes e ondas de calor – convocam a Psicologia a uma atuação que ultrapassa o âmbito individual.

É um cuidado atento ao coletivo e às interseccionalidades que marcam a população brasileira.

Para apoiar a atuação profissional nesse campo, o CFP dispõe de ações e diretrizes específicas.

Entre elas, as Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas (os) na Gestão Integral de Riscos, Emergências e Desastres, lançadas em 2021 pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop).

E também a Nota Técnica com práticas atualizadas para a atuação de psicólogas e psicólogos em situações de emergências e desastres, publicada em 2024.

Os documentos organizam a atuação em cinco fases:

  1. Prevenção
  2. Mitigação
  3. Preparação
  4. Resposta
  5. Reconstrução

PREVENÇÃO E MITIGAÇÃO

É necessário apoiar e fortalecer ações e políticas que sejam capazes de evitar ou minimizar desastres.

Nesse sentido, a Psicologia pode contribuir com práticas socioambientais nos mais diversos espaços da vida cotidiana, inclusive com atenção às políticas públicas que devem ser protegidas e implementadas para promoção do cuidado com a vida no planeta.

PREPARAÇÃO

A Psicologia deve estar articulada às políticas públicas e aos sistemas de Proteção e Defesa Civil, Saúde e  Assistência Social.

Também é fundamental participar da elaboração dos Planos de Contingência municipais, garantindo que a atenção psicossocial esteja prevista nas ações de resposta.

RESPOSTA

Na fase de resposta, são desenvolvidas ações para:

• promover a segurança e saúde mental da população afetada
• reduzir impactos psicossociais
• realizar atendimento psicoterapêutico quando necessário

O cuidado deve ser técnico, ético e articulado à rede pública.

RECONSTRUÇÃO

A reconstrução exige continuidade. É necessário garantir apoio psicossocial a médio e longo prazo, articulado aos serviços de saúde mental do território, considerando os efeitos emocionais que podem persistir após o desastre.

Diante de situações de emergências e desastres, a possibilidade de colaborar no cuidado psíquico às  vítimas pode ser promotora de saúde – fortalecendo tanto quem recebe como as(os) profissionais que disponibilizam a ajuda.

No entanto, é fundamental buscar orientações e atuar em sintonia com trabalhadores(as) que estão na linha de frente da gestão da emergência – Defesa Civil, Saúde, Assistência Social, entre outros – para que a prática seja segura e promova atendimentos  de forma adequada.

Segurança viária: Sistema Conselhos se mobiliza contra novas normativas de tráfego que precarizam avaliação psicológica

O Conselho Federal (CFP) e os 24 Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) realizaram, na quinta-feira (19), uma reunião virtual de articulação estratégica em virtude do novo cenário normativo do tráfego no país. O objetivo foi alinhar a atuação da Psicologia diante das recentes normativas do Governo Federal que alteram as regras de trânsito no país.

O foco do debate foi a publicação da Portaria SENATRAN 927/2025, que estabelece um teto global de R$180 para a soma dos exames médico e psicológico; e da Medida Provisória (MP) 1.327/2025, que institui a renovação automática e gratuita da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para “bons motoristas”.

A reunião foi conduzida pela presidenta do Conselho Federal de Psicologia, Ivani Oliveira, e pela conselheira do CFP Ana Flávia Vieira de Matos, que apresentaram um panorama das ações institucionais em curso e convocaram os CRPs para uma incidência local unificada.

“A gravidade do momento é extrema. Não se trata apenas do exercício profissional, mas da preservação da vida. Os sinistros de trânsito custam ao Brasil cerca de R$50 bilhões anuais, e mais de 90% deles são causados por falhas humanas. A avaliação psicológica é o principal mecanismo de prevenção desse cenário”, destacou a presidenta Ivani Oliveira.

Para o CFP e os CRPs, os dois dispositivos legais publicados recentemente não observam critérios técnicos e científicos. Na avaliação do Sistema Conselhos de Psicologia, o teto de R$180 é economicamente inviável, pois desconsidera custos com testes validados, infraestrutura e tributos. Além disso, a medida estimula avaliações apressadas, o que eleva diretamente o risco de acidentes no contexto do tráfego.

Já no caso da renovação automática e gratuita da CNH para “bons motoristas”, a medida parte da premissa equivocada de que a saúde mental e as funções cognitivas são imutáveis, permitindo que motoristas que desenvolverem transtornos graves continuem dirigindo sem a devida avaliação psicológica.

Histórico de atuação

No diálogo, o CFP detalhou as frentes de atuação que vêm sendo operadas desde 2025 para fazer enfrentamento aos retrocessos.

Em dezembro, a Assembleia das Políticas, da Administração e das Finanças (APAF) aprovou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para revisar e atualizar as normativas referentes à Psicologia do Tráfego.

Em janeiro deste ano, o CFP se reuniu com o Conselho Federal de Medicina (CFM) para tratar uma articulação conjunta entre os dois conselhos profissionais na elaboração de estratégias de incidência junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional.

Também no âmbito legislativo, o Conselho Federal de Psicologia promove articulação intensa no Congresso pela aprovação de emendas que retirem o dispositivo de renovação automática da CNH do texto da MP 1.327/2025.

Além disso, a Gerência Jurídica do CFP analisa a interposição de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a Medida Provisória, bem como de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra o teto tarifário da Portaria 927/2025.

A equipe do CFP avalia a juridicidade das normas e a possibilidade de ajuizamento de uma Ação Constitucional no Supremo. Entre outros elementos jurídicos, entende-se que há um grau de desproporcionalidade na simples dispensa de realização de novos exames psicológicos, que servem à garantia de saúde e segurança e, por consequência, a direitos fundamentais.

Frente de trabalho

No conjunto de estratégias, foi anunciada a criação de um grupo de trabalho formado pelo CFP e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), incluindo a Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego (Abrapsit), a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e a Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), como frente única de articulação para criar estratégias de ação na pauta.

“A partir desta frente de articulação interprofissional, podemos construir de forma conjunta documentos que tragam a comprovação científica do quanto a avaliação psicológica no âmbito do tráfego é benéfica para a sociedade e para motoristas”, apontou a conselheira Ana Flávia Vieira de Matos.

Psicologia do Tráfego

A Psicologia do Tráfego é uma especialidade que busca contribuir não apenas na atuação profissional de psicólogas e psicólogos, mas também nos debates e reflexões acerca do comportamento, espaço urbano, autocuidado, o cuidado com o próximo e com a cidadania, bem como o conceito de sujeito situado.

Para apoiar a atuação da categoria neste campo, o CFP conta com uma série de normativas e publicações. Confira:

– Resolução CFP nº 01/2019: institui normas e procedimentos para a perícia psicológica no contexto do trânsito.
– Resolução CFP nº 06/2019: institui regras para a elaboração de documentos escritos produzidos pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional.
– Resolução CFP nº 31/ 2022: estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no exercício profissional da psicóloga e do psicólogo, regulamenta o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos – SATEPSI.
– Cartilha Avaliação Psicológica 2022.

Plataforma de Mobilização

Mais informações podem ser consultadas na Plataforma de Mobilização Legislativa da Psicologia, espaço virtual criado pelo Conselho Federal de Psicologia e que reúne as principais informações dos projetos de lei de interesse da categoria e da sociedade.

A plataforma é uma ferramenta inovadora que busca aproximar psicólogas e psicólogos na mobilização das pautas no Congresso Nacional, com recursos tecnológicos acessíveis e intuitivos que conectam profissionais da Psicologia ao trabalho de incidência do CFP na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.