Ética e defesa da sociedade: CFP lança Planejamento Estratégico para o ciclo 2026-2028

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) apresenta seu Planejamento Estratégico para o ciclo 2026–2028. O documento é o principal instrumento de direcionamento institucional da autarquia no triênio e reúne a missão, a visão de futuro, os princípios e as prioridades que vão orientar decisões, programas e ações do Conselho. 

“Mais do que um documento de planejamento, este Plano representa um pacto institucional em torno da missão pública do Conselho Federal de Psicologia”, afirma a presidenta do CFP, Ivani Francisco de Oliveira, logo na apresentação do texto. Segundo ela, o planejamento reafirma o compromisso do Conselho com a democracia, os direitos humanos, a equidade, a interseccionalidade, o compromisso social e a participação democrática.

A proposta é resultado de um amplo processo participativo que envolveu o XX Plenário, dirigentes, gerências, coordenações, equipes técnicas e demais trabalhadoras e trabalhadores do CFP.  O processo partiu de uma avaliação do ciclo anterior (2023–2025) e contou ainda como referências a Lei nº 5.766/1971, que criou os Conselhos de Psicologia e o Código de Ética Profissional. 

Outro ponto importante destacado como base para a construção do documento foram as deliberações do 12º Congresso Nacional da Psicologia (CNP), amplamente debatidas no principal espaço de formulação do planejamento, uma oficina presencial de quatro dias, realizada em Brasília (DF), de 23 a 26 de abril de 2026.

Se, na prática, o Planejamento organizou objetivos, metas e ações, fortalecendo a governança e qualificando a resposta do Conselho às demandas, desafios e oportunidades que se colocam para a Psicologia, no centro da estratégia está justamente o exercício ético da profissão, definido como eixo estruturante e ponto de convergência de todas as iniciativas do Conselho. 

Regulamentar, orientar, fiscalizar e disciplinar a profissão seguem como finalidades essenciais do Sistema Conselhos, e até a incidência política é posicionada a serviço dessas funções, para garantir uma prática científica, técnica e socialmente responsável, com atenção especial à formação na graduação. 

A padronização da fiscalização nos Conselhos Regionais, a atualização do Código de Ética Profissional do Psicólogo e novos parâmetros para documentos de avaliação psicológica, inclusive para povos indígenas e pessoas com deficiência, também são propostas. O documento prevê ainda diretrizes para o uso ético da inteligência artificial, normas para a atuação no Sistema de Justiça e no trânsito, subsídios sobre o trabalho nas plataformas online de atendimento clínico e a regulamentação da psicoterapia, além da revisão da Política Nacional de Orientação ao Exercício Profissional. 

Visão CFP 2036

Pela primeira vez, o planejamento foi estruturado em dois horizontes: o Plano de Gestão 2026–2028 traduz a estratégia em ações e metas; já a visão de longo prazo, chamada CFP 2036, orienta decisões estruturantes para além dos mandatos eletivos.  Ou seja, até 2036, o CFP será referência na geração de valor público, por meio de uma atuação inovadora em governança, orientada pela interseccionalidade, direitos humanos e compromisso social. Com essa escolha, cada gestão passa a ser compreendida como uma ponte entre o presente e o futuro de um projeto institucional contínuo.

O Plano também consolida cinco princípios que funcionam como critérios para todas as decisões do Conselho. A interseccionalidade reconhece que desigualdades são produzidas pela interação entre diferentes marcadores sociais. O compromisso social reafirma a defesa do interesse público, da democracia e da cidadania. A ética é tratada como fundamento de toda a atuação institucional.

O valor público orienta a atuação para resultados que beneficiem a sociedade. Os direitos humanos são definidos como fundamento ético-político e compromisso inegociável com a dignidade, a diversidade e a equidade.

Saúde mental e políticas públicas no centro da agenda

Na análise de cenário, o Planejamento evidencia o crescente reconhecimento social da importância da saúde mental e da Psicologia nas políticas públicas, que aparece justamente como uma das principais oportunidades para o Conselho. 

O documento também mapeia desafios: polarização política, desinformação, precarização e plataformização do trabalho, avanço da inteligência artificial sem regulamentação ética e práticas não regulamentadas. Os efeitos das mudanças climáticas e das crises humanitárias sobre as demandas de saúde mental também foram apontados.

No campo da saúde mental, o Plano prevê diretrizes para a atuação da Psicologia em comunidades terapêuticas, em estrito alinhamento aos princípios da Reforma Psiquiátrica e dos direitos humanos. Há também a previsão de elaboração de um panorama Reforma Psiquiátrica Antimanicolonial no Brasil, para subsidiar a incidência política e a qualificação da rede de atenção psicossocial.

Outra frente é a elaboração de diretrizes técnicas para o atendimento a pessoas afetadas por problemas relacionados aos jogos de apostas, com base na redução de danos e na proteção da saúde mental.

Monitoramento permanente

A implementação será acompanhada por um processo permanente de monitoramento e avaliação, com realização de reuniões estratégicas bimestrais com Diretoria, Superintendências e Gerências, além de apresentações semestrais ao Plenário.  As informações vão subsidiar o Relatório de Gestão, elaborado conforme as diretrizes do Tribunal de Contas da União (TCU), e um Relatório Trienal com resultados e aprendizados do ciclo. O objetivo é verificar não só se o planejado está sendo feito, mas se os resultados aproximam o Sistema Conselhos da Visão 2036. 

“Sabemos que nenhum planejamento transforma uma instituição por si só. São as pessoas, as relações de confiança, a postura dialógica e a corresponsabilidade na execução que tornam possível transformar diretrizes em resultados”, conclui a presidenta do CFP.

Acesse aqui o Planejamento Estratégico 2026–2028 na íntegra

Encontros de COEs e COFs consolidam estratégias para a ética profissional

O 4º encontro, sediado em Recife/PE, reuniu conselhos regionais para aprimorar práticas de orientação, fiscalização e o compromisso da Psicologia com os direitos fundamentais.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveu, em Recife (PE), o 4º Encontro de Comissões de Orientação e Ética (COEs) e Comissões de Orientação e Fiscalização (COFs). A agenda faz parte da série de encontros promovidos para qualificar o planejamento estratégico das áreas. Apoiado no caráter consultivo e formativo estabelecido pela Resolução CFP nº 10/2017, o evento reuniu representantes do CFP e dos Conselhos Regionais (CRP-SC, CRP-GO, CRP-PE, CRP-DF, CRP-CE) para fortalecer a governança do Sistema Conselhos e qualificar as ações desenvolvidas por essas comissões finalísticas.

A programação dos encontros busca promover, como eixo central, o aprimoramento do planejamento estratégico das COEs e COFs. Durante os dias do evento, as equipes compartilharam experiências e debateram metodologias relacionadas à organização das atividades rotineiras, à gestão orçamentária e às ações de fiscalização por busca ativa. Esse intercâmbio de conhecimentos possibilita o aperfeiçoamento das estratégias institucionais e a construção de ações articuladas entre os regionais.

A interface estrutural entre as funções precípuas do Conselho e a defesa dos direitos humanos foi destaque dos encontros. As discussões formativas reforçaram que a orientação e a fiscalização ultrapassam o simples cumprimento de normas profissionais; elas atuam como instrumentos de proteção social e de promoção dos direitos humanos. O debate evidencia a importância de conduzir os processos éticos com foco no enfrentamento das desigualdades e na garantia de direitos para todas as pessoas.

Ao promover a quarta edição do encontro na capital pernambucana, o CFP reitera seu compromisso com a entrega de resultados e a geração de valor para a sociedade. A iniciativa consolida o diálogo permanente e o aperfeiçoamento das práticas das equipes, assegurando que o exercício da Psicologia no país permaneça ético, responsável e socialmente comprometido.

O 5º encontro está previsto para acontecer entre os dias 28 e 30 de outubro de 2026, na sede do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ).

CFP realiza primeiro treinamento de pareceristas do SATEPSI

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) realizou, na última quinta-feira (1/10), o primeiro treinamento destinado às/aos pareceristas ad hoc selecionadas/os para atuação no SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos). 

A atividade teve por objetivo alinhar as orientações, os procedimentos e os critérios técnicos que deverão pautar a atuação das/os pareceristas ad hoc no âmbito do SATEPSI.  O sistema, desenvolvido pelo CFP,  divulga informações sobre testes psicológicos à sociedade e à categoria profissional, a partir da avaliação objetiva de requisitos técnicos e científicos e da observância dos direitos humanos. 

A seleção periódica de pareceristas ad hoc constitui etapa fundamental para a análise técnica dos instrumentos submetidos ao sistema. Nesse contexto, o treinamento dos novos pareceristas representou uma importante ação de formação, alinhamento e padronização dos procedimentos de análise, contribuindo para o aprimoramento contínuo das atividades desenvolvidas.

Para avaliar testes psicológicos, o Satepsi seleciona, a cada três anos, candidatas/os a pareceristas com graduação, doutorado e pelo menos três publicações científicas na área de Psicologia. Acesse o resultado da seleção de pareceristas aqui.

Psicologia e Direitos Humanos: Nova edição do Boletim da CDH propõe uma atuação anticolonial, interseccional e pautada no Bem Viver 

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio da Comissão de Direitos Humanos (CDH), lançou a primeira edição do volume II do boletim Universais e Interdependentes. A publicação, apresentada oficialmente durante o evento que celebrou os 30 anos do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul, agora está disponível nas plataformas digitais do CFP.

Conduzida por um plenário majoritariamente feminino, negro e indígena, a publicação consolida o compromisso da psicologia brasileira em dialogar diretamente com os territórios, combater as desigualdades estruturais e enfrentar o racismo, o sexismo e todas as formas de discriminação e exclusão. 

A apresentação da edição, feita pela presidenta do CFP, Ivani Francisco de Oliveira, e pelas conselheiras coordenadoras da CDH, Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, destaca que o sofrimento psíquico não pode ser desvinculado das condições concretas de vida e das opressões históricas. 

 O boletim convoca a categoria a assumir um papel ativo na promoção da justiça social e na defesa das políticas públicas, do SUS e do SUAS. No artigo “Psicologia e mulheridades: teorias e práticas no enfrentamento à violência de gênero”, Jaqueline Gomes de Jesus aborda o feminicídio como a expressão máxima da violência machista e defende a urgência de uma prática psicológica interseccional. 

O texto reflete sobre marcos recentes promovidos pelo CFP, como a live “Mulheres Vivas” e o 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades, realizado em Cuiabá (MT), trazendo o conceito de “mulheridades” para quebrar a ilusão de uma experiência feminina única e abarcar as especificidades de mulheres negras, indígenas, periféricas, LBTs e com deficiência. 

Em “Letramento Racial Indígena”, as psicólogas Vanessa Terena, Priscila Góre Kaingang e Vitória Christine Lisboa de Andrade debatem os estereótipos vivenciados por estudantes e profissionais indígenas. As autoras questionam a negação da identidade originária baseada em aculturações forçadas,como o uso de celulares ou a presença nas cidades, e enfatizam que apenas os próprios povos indígenas detêm a autonomia para definir sua identidade. O texto reforça o papel da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos(as) (ABIPSI) na promoção de uma psicologia conectada às medicinas tradicionais e aos saberes ancestrais. 

A relevância do conhecimento tradicional também aparece o artigo “Matriarcado afro-brasileiro: o futuro da saúde mental também é ancestral”, assinado por Luara Christina Silva Matos. A autora denuncia os processos de epistemicídio e a hegemonia do modelo biomédico colonial, destacando a liderança histórica das mulheres negras e das parteiras e Yalorixás como verdadeiras gestoras de tecnologias de cuidado e saúde comunitária. 

Inteligência artificial 

Olhando para os dilemas da atualidade, Claudio Brites discute em “Psicologia, Inteligência artificial e Direitos Humanos” como a expansão dos agentes digitais e das IAs generativas exige um posicionamento crítico da profissão. O autor alerta para a concentração de poder nas mãos das big techs, o risco de apagamento da diversidade e os impactos sobre o sigilo e a autonomia profissional.

Complementando a discussão, Henrique Galhano Balieiro e Laura Elvira Lopez Queslloya assinam o artigo “A Migração Indígena Transnacional e a Produção Institucional das Vulnerabilidades no Brasil”. O trabalho lança luz sobre o deslocamento forçado de populações indígenas, em especial o povo Warao vindo da Venezuela, impulsionado pelo neoextrativismo. Os autores denunciam a inadequação dos serviços públicos brasileiros, criticam lógicas assimilacionistas e propõem o Buen Vivir (Sumak Kawsay / Suma Qamaña) como uma alternativa anticolonial focada na harmonia entre ser humano, comunidade e natureza. 

A edição encerra com depoimentos marcantes de organizações e lideranças, como a iniciativa Código [não binário], a professora Marlise Mattos (UFMG/NEPEM) e a jovem liderança indígena Raquel Jenipapo. Em sua fala, Raquel resume a essência do boletim ao afirmar que utilizar tecnologia e frequentar universidades não anula a ancestralidade: “O protagonismo indígena também tem rosto de mulher”.

Acesse o boletim em Boletim CDH – 1ª Edição | Agosto 2026 | Volume II

Planos de saúde e plataformas digitais: Conselho Federal de Psicologia promove diálogo com ANS sobre remuneração decente às profissionais psicólogas

A Sugestão Legislativa nº 12/2025 (SUG nº 12/2025), em tramitação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal, sob a relatoria da Senadora Ivete da Silveira (MDB/SC), propõe a instituição de remuneração mínima por atendimento psicológico individual (com duração mínima de até 50 minutos) para profissionais que prestam serviços via planos de saúde e plataformas digitais.  

A proposta foi uma das pautas abordadas entre o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em encontro realizado na última sexta-feira (25/09), em Brasília.  A audiência reuniu a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, acompanhada da assessora parlamentar Victória Vilas Boas, e do assessor de relações institucionais, Lucas Maximo. Pela ANS, participaram o diretor-presidente, Dr. Wadih Damous e o assessor da presidência, Vitor Guimarães.   

Esta foi a primeira oportunidade de diálogo direto entre as duas instituições, realizada com o propósito de estabelecer uma relação institucional, no entendimento de que tanto CPF quanto ANS atuam sobre o mesmo cuidado, mas por caminhos distintos. A ANS regula os planos de saúde que oferecem atendimento psicológico, e o CFP regula o exercício profissional de quem presta esse atendimento.

Na ocasião, foram apresentadas manifestações quanto às condições de prestação de serviços psicológicos no âmbito da saúde suplementar, como remunerações em patamares reduzidos, transferência de custos às profissionais e prazos de pagamento prolongados. O Brasil conta com mais de 600 mil profissionais psicólogas, majoritariamente mulheres, com predominância do exercício autônomo. Nesse contexto, o credenciamento em planos de saúde e plataformas constituem a principal porta de entrada no atendimento clínico para parte significativa de quem está na fase inicial da carreira, por exemplo. 

 

Ampliação da demanda por saúde mental 

O encontro teve por objetivo, também, dialogar sobre possíveis caminhos de articulação institucional relacionados à definição de parâmetros mínimos de remuneração, considerando os aspectos regulatórios, assistenciais, éticos e sociais envolvidos.   

Para contextualização, o CFP destacou que, segundo o Mapa Assistencial da ANS, o número de sessões de Psicologia nos planos passou de 21,7 milhões, em 2019, para 66 milhões, em 2025. Ao mesmo tempo, houve registro de aumento do número de afastamentos do trabalho relacionados a transtornos mentais, o que evidencia a dimensão crescente dessa demanda. 

Justamente por isso, a ampliação do acesso por meio da Resolução Normativa ANS nº 541 de 12 de julho de 2022 também foi outro ponto de destaque abordado durante a audiência. A normativa eliminou a limitação do número de consultas e sessões de Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia nos planos regulamentados com cobertura ambulatorial, o que foi apontado como avanço para a continuidade do cuidado. 

Plataformização da Psicologia 

O CFP defende que a iniciativa proposta pela Sugestão Legislativa nº 12/2025 pode não apenas assegurar uma remuneração decente às profissionais psicólogas, mas também combater a precarização do trabalho e contribuir para a qualidade dos serviços psicológicos prestados à população no âmbito da saúde suplementar e das plataformas digitais.  

Para o colegiado, trata-se de uma questão relacionada à proteção do trabalho, à valorização de uma profissão essencial à promoção da saúde mental e à garantia de condições adequadas para a prática profissional.  “Estabelecer um piso nacional para psicólogas e psicólogos nesse tipo de atendimento é um ato de justiça social, de defesa da saúde pública e de promoção da saúde mental. Ao exigir um valor mínimo, o Estado reconhece a Psicologia como ciência estratégica e essencial, garantindo que o cuidado não seja relegado a uma atividade de baixo custo, mas tratado com a dignidade devida”, declarou a presidenta Ivani Oliveira, que é também a proponente responsável pela SUG nº 12/2025. 

Na reunião, o CFP expressou as preocupações da categoria quanto à desvalorização financeira de profissionais que atuam em plataformas e planos de saúde. Nesse aspecto, além da SUG n° 12/2025, existe por exemplo, o Projeto de Lei (PL) nº 3.086/2024, em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O PL estabelece jornada de trabalho da psicóloga empregada de até 30 horas semanais e o piso salarial mensal de R$ 4.750, e altera a Lei nº 4.119, de 1962, que regulamenta a profissão. A iniciativa também surgiu de uma ideia legislativa apresentada (SUG 13/2022).  

GT de Solução Consensual de Conflitos avança na revisão da Resolução CFP nº 07/2016

O Grupo de Trabalho (GT) de Meios de Solução Consensual de Conflitos reuniu-se na sede do Conselho Federal de Psicologia (CFP), nos dias 10 e 11 de agosto de 2026, para analisar as propostas enviadas pelos 24 Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs). O objetivo central do grupo é modernizar a Resolução CFP nº 07/2016, que regulamenta os meios consensuais de conflitos no âmbito das Comissões de Ética.

Para o conselheiro Daniel Melo, representante do CFP no GT, o colegiado alcançou um marco importante ao consolidar uma política abrangente, que integra diversos setores — como COE/COFs, Ouvidoria, CIPA e Gestão de Pessoas. “Com a proposta consolidada, o texto segue agora para análise das instâncias internas do CFP, para emissão de parecer técnico”, explicou.

A expectativa é que a minuta da nova resolução esteja pronta para apreciação pela plenária da Assembleia das Políticas da Administração e das Finanças (APAF) em dezembro deste ano, consolidando o avanço na tramitação do documento.

Além do CFP, o GT de Meios de Solução Consensual de Conflitos da APAF é formado por representantes do seguintes Conselhos Regionais de Psicologia: CRP-05 (RJ), CRP-10 (PA/AP), CRP-12 (SC), CRP-14 (MS), CRP-21 (PI) e CRP-22 (MA) e uma especialista ad hoc.

Conheça a Resolução CFP nº 07/2016

CFP Divulga: Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes lança Plataforma INSPIRE Brasil

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) integra a Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, espaço articulado que reúne cerca de 90 organizações, entidades, universidades, coletivos, movimentos e redes de atuação nacional.  A presença do CFP na Coalizão reafirma o compromisso ético e político da Psicologia brasileira com a proteção integral de crianças e adolescentes e a promoção de seus direitos fundamentais.

No âmbito dessa articulação, o CFP convida a todas as pessoas a acessar e conhecer a Plataforma INSPIRE Brasil, cujo lançamento está previsto para esta quarta-feira (30/09), a partir das 9h, com transmissão ao vivo durante a abertura do 8° Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância.  

A plataforma é uma iniciativa voltada ao monitoramento de estratégias de prevenção e resposta às diferentes formas de violência contra a infância e a adolescência e reúne, em um painel interativo on-line, 62 indicadores provenientes de 21 bases de dados, organizados a partir do marco INSPIRE (desenvolvido internacionalmente sob liderança da Organização Mundial da Saúde – OMS). 

A construção da ferramenta aconteceu ao longo de diferentes etapas, envolvendo levantamento e análise de fontes de dados, consultas a especialistas e organizações da sociedade civil, desenvolvimento dos indicadores e validação técnica. Como resultado, o conjunto de indicadores do INSPIRE foi adaptado e distribuído em dez eixos. 

CFP participa de encontro nacional de Psicologia no Uruguai e reforça integração latino-americana

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou do XXIV Encontro Nacional de Psicologia do Uruguai para compartilhar experiências brasileiras e fortalecer o diálogo entre entidades da Psicologia latino-americana sobre saúde mental, direitos humanos e políticas públicas. A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, representou o Conselho no encontro, realizado em 11 de setembro, na cidade de Trinidad, no Departamento de Flores, no Uruguai.

Com o tema “A saúde mental nos territórios, um compromisso de todas e todos”, o encontro foi organizado pela Coordenadoria de Psicólogos do Uruguai e contou com conferências, mesas-redondas, oficinas e espaços de intercâmbio profissional. Entre os temas abordados estiveram saúde mental, ética, violência, infância e adolescência, diversidade, inteligência artificial e as dimensões social e ambiental do sofrimento psíquico.

Na abertura, a Presidenta  Ivani Oliveira participou da mesa “A Saúde Mental nos territórios. Realidades e experiências latino-americanas”, ao lado de Marcelo Clingo, presidente da Federação de Psicólogos da República Argentina; Judith Ramos, presidenta da Sociedade Paraguaia de Psicologia; e Carolina Moll, secretária-geral da Coordenadoria de Psicólogos do Uruguai. A atividade também marcou o início da programação internacional do encontro.

Em sua fala, a presidenta apresentou experiências e desafios da Psicologia brasileira a partir da compreensão de que território não se limita ao espaço geográfico, mas envolve as relações, memórias, desigualdades e condições de vida que atravessam a saúde mental. Ela também destacou a defesa do cuidado em liberdade e o fortalecimento das redes públicas e comunitárias de atenção psicossocial.

“Compreendemos que não é possível cuidar da saúde mental à margem das condições de vida, do acesso à saúde, à educação, à terra e à dignidade. Por isso defendemos o cuidado em liberdade e o fortalecimento de redes públicas e comunitárias de atenção. No Brasil, essa perspectiva se expressa, entre outras políticas, na Rede de Atenção Psicossocial, a RAPS, que articula serviços de saúde mental nos territórios. É uma construção fundamental da Reforma Psiquiátrica brasileira e de nossa luta antimanicomial. Defender a RAPS significa defender que o cuidado ocorra em liberdade, junto às comunidades e sem romper os vínculos das pessoas com seus territórios. A Reforma Psiquiátrica nos ensinou que cuidar não pode significar isolar, segregar ou institucionalizar”, destacou. 

A presidenta também abordou desafios relacionados às desigualdades sociais e à garantia de direitos, com destaque para o enfrentamento da violência contra mulheres e crianças, do racismo estrutural e das violações de direitos da população LGBTQIA+. A fala dela no evento também tratou das condições de trabalho de psicólogas e psicólogos e dos impactos da precarização e da plataformização dos serviços de saúde mental.     A participação do CFP integrou um movimento de aproximação entre entidades da Psicologia latino-americana diante de desafios comuns à profissão e às políticas de saúde mental. 

CFP abre inscrições para a 4ª edição do Prêmio Profissional Virgínia Bicudo

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) realiza a 4ª edição do Prêmio Profissional Virgínia Bicudo – “Práticas para uma Psicologia Antirracista”. A premiação busca identificar, valorizar e disseminar estudos e iniciativas de profissionais da Psicologia, coletivos e grupos que abordam as relações étnico-raciais.

Neste ano, o valor da premiação foi ampliado de R$ 2 mil para R$ 3 mil. Serão premiados os melhores trabalhos inscritos nas duas categorias da premiação, totalizando dez trabalhos – dois para cada região do Brasil. Também poderão ser concedidas menções honrosas, sem direito à premiação em pecúnia.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até 06 de novembro de 2026, exclusivamente pelo site do Prêmio Virgínia Bicudo. O horário limite para submissão das propostas é às 23h59, horário de Brasília, do dia 06 de novembro de 2026. Não serão aceitas propostas submetidas após esse horário ou por correio convencional.

Podem concorrer ao prêmio psicólogas e psicólogos em situação cadastral regular e adimplentes junto ao respectivo Conselho Regional de Psicologia (CRP).

Categorias

A premiação contempla duas categorias: Experiências Individuais e Experiências Coletivas. Cada participante poderá inscrever trabalhos em somente uma delas.

A categoria “Experiências Individuais” é dedicada a trabalhos e ações promovidas por psicólogas e psicólogos que desenvolvam práticas antirracistas. Já a categoria “Experiências Coletivas” é voltada para a participação de grupos, coletivos e organizações que desenvolvam práticas antirracistas.

Os trabalhos teórico-técnicos devem estar relacionados a um dos cinco eixos orientadores:

  • Raças e identidade étnico-racial;
  • Violência, morte e luto;
  • Modos de resistência antirracista: antimanicomial, cultural, religioso;
  • Interseccionalidades; e
  • Geracional: racismo na infância, juventude e envelhecimento.

Nesta edição, para a categoria “Experiências Individuais”, a autora ou o autor deverá se autodeclarar negro ou indígena. Já na categoria “Experiências Coletivas”, o trabalho deverá contar com pelo menos uma autora ou um autor que se autodeclare negro ou indígena.

Para inscrição na categoria “Experiências Coletivas”, o trabalho técnico-teórico deverá contar com a participação de, ao menos, uma/um profissional, que será indicada(o) como “autora ou autor principal”.

Inscrições

Os trabalhos deverão ser enviados pelo site do CFP, exclusivamente pelo endereço eletrônico https://www2.cfp.org.br/premio/virginiabicudo/2026/ , no período de 20 de setembro a 06 de novembro de 2026.

Somente serão homologadas as inscrições dos trabalhos que respeitarem as condições estabelecidas no edital. Recomenda-se o envio das propostas com antecedência, uma vez que o CFP não se responsabilizará por aquelas não recebidas em decorrência de eventuais problemas técnicos e de congestionamentos.

Virgínia Bicudo

Primeira mulher negra a compor um plenário do CFP, em 1973, Virgínia deixou uma importante contribuição com trabalhos que se alinham aos princípios éticos e técnicos da Psicologia, promovendo a defesa dos direitos humanos e a discussão relações étnicos-raciais. 

O prêmio celebra a memória e o legado da pioneira Virgínia Bicudo, fundamental para a regulamentação da profissão no Brasil e primeira psicanalista não médica do país.

Acesse o edital: IV Prêmio Virgínia Bicudo

CFP celebra o Dia da Psicóloga e do Psicólogo com debate sobre temas atuais importantes para a profissão

Em celebração ao Dia da Psicóloga e do Psicólogo, comemorado em 27 de agosto, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveu, na quinta-feira (27), a live “Do debate à conquista – caminhos para as 30h e a regulamentação da psicoterapia”. A atividade reuniu diferentes perspectivas sobre duas pautas centrais para a categoria e para o exercício profissional: a jornada de até 30 horas semanais para psicólogas e psicólogos e a regulamentação da psicoterapia.

A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, participou do debate ao lado de Roberto Rocha Leandro, consultor em Políticas Públicas, advogado constitucionalista, mestre em Psicologia Social e educador popular. Ao longo da conversa, foram abordados os caminhos de incidência política e a participação da categoria na construção dos avanços para a Psicologia brasileira.

“Abordamos dois assuntos muito importantes para psicólogas e psicólogos, dois compromissos históricos de toda a nossa atuação, e também os desafios que envolvem essas pautas: a luta pela regulamentação da psicoterapia e pela jornada de até 30 horas. A ideia foi realizar essa discussão de forma aberta, para informar a categoria sobre a nossa atuação e sobre os caminhos que estamos construindo em torno dessas pautas.” 

A data, que celebra a atuação de psicólogas e psicólogos em diferentes áreas, também foi marcada pela afirmação do CFP por uma Psicologia comprometida com os direitos humanos, a democracia e o bem-estar da população.

Psicologia e políticas públicas

Como parte dessa agenda, o CFP apresentou os 10 compromissos para transformar as políticas públicas e contribuir para a construção de um Brasil democrático e inclusivo. 

As propostas reúnem temas que integram a atuação da Psicologia nas políticas públicas e apontam prioridades para os próximos anos. A iniciativa busca ampliar a participação da categoria no debate sobre os rumos do país e contribuir para a formulação de políticas que considerem a saúde mental e os direitos humanos como dimensões fundamentais da vida em sociedade.

Os 10 compromissos expressam a atuação do CFP na defesa de políticas públicas que garantam direitos, promovam a cidadania e enfrentem desigualdades. A proposta também reforça o papel da Psicologia na construção de respostas para os desafios sociais brasileiros.

30 horas e regulamentação da psicoterapia

A jornada de até 30 horas semanais e a regulamentação da psicoterapia estão entre as prioridades da atuação do CFP junto ao Congresso Nacional. As duas pautas têm sido acompanhadas pelo Conselho Federal de Psicologia em articulação com os Conselhos Regionais de Psicologia e com diferentes atores do Legislativo.

A aprovação da jornada de até 30 horas para psicólogas e psicólogos, sem redução salarial, está em tramitação no Congresso Nacional. Já a regulamentação da psicoterapia busca estabelecer parâmetros legais para a prática, garantindo segurança para profissionais e para a população.