Planos de saúde e plataformas digitais: Conselho Federal de Psicologia promove diálogo com ANS sobre remuneração decente às profissionais psicólogas

A Sugestão Legislativa nº 12/2025 (SUG nº 12/2025), em tramitação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal, sob a relatoria da Senadora Ivete da Silveira (MDB/SC), propõe a instituição de remuneração mínima por atendimento psicológico individual (com duração mínima de até 50 minutos) para profissionais que prestam serviços via planos de saúde e plataformas digitais.  

A proposta foi uma das pautas abordadas entre o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em encontro realizado na última sexta-feira (25/09), em Brasília.  A audiência reuniu a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, acompanhada da assessora parlamentar Victória Vilas Boas, e do assessor de relações institucionais, Lucas Maximo. Pela ANS, participaram o diretor-presidente, Dr. Wadih Damous e o assessor da presidência, Vitor Guimarães.   

Esta foi a primeira oportunidade de diálogo direto entre as duas instituições, realizada com o propósito de estabelecer uma relação institucional, no entendimento de que tanto CPF quanto ANS atuam sobre o mesmo cuidado, mas por caminhos distintos. A ANS regula os planos de saúde que oferecem atendimento psicológico, e o CFP regula o exercício profissional de quem presta esse atendimento.

Na ocasião, foram apresentadas manifestações quanto às condições de prestação de serviços psicológicos no âmbito da saúde suplementar, como remunerações em patamares reduzidos, transferência de custos às profissionais e prazos de pagamento prolongados. O Brasil conta com mais de 600 mil profissionais psicólogas, majoritariamente mulheres, com predominância do exercício autônomo. Nesse contexto, o credenciamento em planos de saúde e plataformas constituem a principal porta de entrada no atendimento clínico para parte significativa de quem está na fase inicial da carreira, por exemplo. 

 

Ampliação da demanda por saúde mental 

O encontro teve por objetivo, também, dialogar sobre possíveis caminhos de articulação institucional relacionados à definição de parâmetros mínimos de remuneração, considerando os aspectos regulatórios, assistenciais, éticos e sociais envolvidos.   

Para contextualização, o CFP destacou que, segundo o Mapa Assistencial da ANS, o número de sessões de Psicologia nos planos passou de 21,7 milhões, em 2019, para 66 milhões, em 2025. Ao mesmo tempo, houve registro de aumento do número de afastamentos do trabalho relacionados a transtornos mentais, o que evidencia a dimensão crescente dessa demanda. 

Justamente por isso, a ampliação do acesso por meio da Resolução Normativa ANS nº 541 de 12 de julho de 2022 também foi outro ponto de destaque abordado durante a audiência. A normativa eliminou a limitação do número de consultas e sessões de Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia nos planos regulamentados com cobertura ambulatorial, o que foi apontado como avanço para a continuidade do cuidado. 

Plataformização da Psicologia 

O CFP defende que a iniciativa proposta pela Sugestão Legislativa nº 12/2025 pode não apenas assegurar uma remuneração decente às profissionais psicólogas, mas também combater a precarização do trabalho e contribuir para a qualidade dos serviços psicológicos prestados à população no âmbito da saúde suplementar e das plataformas digitais.  

Para o colegiado, trata-se de uma questão relacionada à proteção do trabalho, à valorização de uma profissão essencial à promoção da saúde mental e à garantia de condições adequadas para a prática profissional.  “Estabelecer um piso nacional para psicólogas e psicólogos nesse tipo de atendimento é um ato de justiça social, de defesa da saúde pública e de promoção da saúde mental. Ao exigir um valor mínimo, o Estado reconhece a Psicologia como ciência estratégica e essencial, garantindo que o cuidado não seja relegado a uma atividade de baixo custo, mas tratado com a dignidade devida”, declarou a presidenta Ivani Oliveira, que é também a proponente responsável pela SUG nº 12/2025. 

Na reunião, o CFP expressou as preocupações da categoria quanto à desvalorização financeira de profissionais que atuam em plataformas e planos de saúde. Nesse aspecto, além da SUG n° 12/2025, existe por exemplo, o Projeto de Lei (PL) nº 3.086/2024, em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O PL estabelece jornada de trabalho da psicóloga empregada de até 30 horas semanais e o piso salarial mensal de R$ 4.750, e altera a Lei nº 4.119, de 1962, que regulamenta a profissão. A iniciativa também surgiu de uma ideia legislativa apresentada (SUG 13/2022).  

ALERTA NA SAÚDE E NA EDUCAÇÃO: Entenda os riscos do PL 1.675/2023 para a Psicologia e a Fonoaudiologia

No dia 02 de setembro de 2026, foi encaminhado para sanção presidencial o Projeto de Lei nº 1.675/2023, que versa sobre a regulamentação da Psicopedagogia no Brasil. Não obstante o trabalho interdisciplinar no ambiente escolar seja bem-vindo, a redação atual do PL apresenta graves riscos à saúde pública, ao desempenho escolar e à segurança jurídica, acendendo um alerta de sinal vermelho, sobretudo, para o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa).

O PL autoriza a intervenção psicopedagógica em “contextos da saúde” e “espaços clínicos”, embora a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 2394) situe a Psicopedagogia na família ocupacional vinculada ao ensino. A Psicopedagogia não integra o rol das profissões da área da saúde, estabelecido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) e adotado pelo Ministério da Saúde (MS). Em posicionamento diametralmente oposto ao que se tem regulamentado, o PL permite a atuação de profissionais graduados nas mais diversas licenciaturas, sem exigir a formação de base em saúde necessária para avaliação, diagnóstico e intervenção clínica, expondo usuários, sobretudo crianças e adolescentes, aos mais variados riscos à biossegurança e à qualidade da assistência em saúde.

Profissionais da Psicologia e da Fonoaudiologia sustentam que o texto em tramitação viola prerrogativas históricas, impõe barreiras inconstitucionais ao trabalho já regulamentado e expõe crianças e adolescentes a sérios riscos decorrentes da falta de diagnóstico especializado. 

No campo da Psicologia, a principal crítica recai sobre a usurpação de funções privativas estabelecidas pela Lei Federal nº 4.119/1962, a exemplo do diagnóstico psicológico e da orientação psicopedagógica. Ao transferir tais atribuições para profissionais de formações genéricas, a proposta afronta o artigo 5º, inciso XIII, da Constituição Federal, além de esvaziar a autoridade do Sistema Conselhos na orientação e fiscalização da categoria. Adicionalmente, o texto estabelece uma exigência considerada abusiva: obriga psicólogos e fonoaudiólogos — habilitados por suas graduações e amparados por leis específicas, como a Lei nº 6.965/1981 e a Lei nº 4.119/1962 — a cursarem uma pós-graduação de 600 horas para exercer competências inerentes às suas formações originais.

Os impactos na Fonoaudiologia e na saúde infantil também preocupam o setor. Dificuldades de aprendizagem na infância são, frequentemente, sintomas de alterações auditivas, neurológicas ou de linguagem oral e escrita. A ausência de uma avaliação técnica adequada aumenta de forma drástica o risco de intervenções equivocadas, diagnósticos médicos precoces e postergação de tratamentos indispensáveis no desenvolvimento juvenil.

O quadro ganha contornos ainda mais delicados ao se analisar a fiscalização ética. Ao contrário das áreas de saúde consolidadas, a Psicopedagogia e a maioria das licenciaturas não contam com um Conselho de Classe legalmente constituído para fiscalizar condutas sanitárias. A permissão para atuação no campo da saúde sem uma formação estrita e sem o devido controle regulatório fragiliza a proteção integral devida a populações vulneráveis e amplia a insegurança da população.

O perigo para a sociedade

Ao misturar o contexto educacional com o atendimento clínico – função privativa dos profissionais da área da saúde – sem exigir formação de base em saúde, o Projeto de Lei cria brechas para a manutenção de dificuldades de aprendizagem decorrentes de condições de saúde que imprescindem de avaliações e tratamentos com o devido rigor técnico, podendo resultar em intervenções inadequadas, atraso no diagnóstico e no acesso ao tratamento especializado, especialmente para crianças e adolescentes.

O que os Conselhos estão pedindo?

O CFP e o CFFa solicitam ao Governo Federal, por todas as vias pertinentes, o veto do PL nº 1.675/2023, para anular, sobretudo, a exigência de pós-graduação para psicólogos e a possibilidade de atuação em saúde/clínicas, além de outras pontuações pertinentes à proteção de ambas as profissões no que tange à matéria tratada. 

Para ambas as classes, os Conselhos pedem apoio e mobilização de seus profissionais para pressionar a Presidência da República a seguir com o veto.

CFP intensifica ações para implementação da lei que determina a contratação de profissionais de Psicologia nas escolas

No primeiro semestre de 2026, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) realizou diversas ações de articulação institucional e produção de conhecimento para contribuir com a implementação da Lei 13.935/2019, que determina a contratação de profissionais de Psicologia e Serviço Social nas redes públicas de educação básica, lei aprovada há setes anos mas que segue com a implementação lenta. 

O CFP busca contribuir para a implementação da Lei 13.935 a partir de duas frentes de trabalho. A Gerência de Relações Institucionais (GRI) coordena as ações de articulação institucional, sob supervisão da conselheira do CFP Maria do Socorro Pimentel e do conselheiro Rômulo Mafra. Em paralelo, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) coordena a atualização das Referências Técnicas para atuação de psicólogas/as em políticas públicas na Educação Básica.

A conselheira do CFP Maria do Socorro Pimentel explica que a mobilização pela presença de profissionais da Psicologia nas escolas é parte da luta por uma educação pública de qualidade, inclusiva e emancipadora, que garanta o enfrentamento de violências e a promoção da qualidade de vida da comunidade escolar. “A escola deve ser compreendida como um espaço de desenvolvimento humano integral, onde as dimensões sociais e relacionais são indissociáveis da aprendizagem”, destaca.

Para o conselheiro Rômulo Mafra, a implementação da Lei 13.935/2019 tem sido prejudicada pela fragilidade da forma como as/os psicólogas/os têm sido contratadas/os por redes de ensino e pela maneira que as redes têm preparado as/os profissionais para atuar nas escolas. O conselheiro aponta que é preciso construir estratégias para fortalecer a maneira como a Psicologia chega às escolas, já que a Lei 13.935 prevê que as/os profissionais atuem de forma pedagógica, e não clínica.

Articulação Institucional

O CFP articula ações conjuntas com diversos grupos da sociedade civil e do governo interessados na implementação da Lei 13.935/2019. O conselho faz parte da Coordenação Nacional da Implementação da Lei nº 13.935/2019 junto com o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), a Federação Nacional de Psicólogos (FENAPSI), a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) e a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS). Essas organizações atuam em conjunto pela presença de profissionais de psicologia e serviço social nas escolas desde 2000, quando foi elaborado o Projeto de Lei nº 3.688/2000, que deu origem à lei promulgada em 2019.

No primeiro semestre de 2026, as organizações da Coordenação Nacional da Implementação da Lei nº 13.935 colaboraram para a elaboração de sugestões para a regulamentação da lei, no contexto de uma consulta pública organizada pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE). Há um esforço contínuo para que a articulação em nível nacional aconteça também nas regiões e nos municípios, evitando ações isoladas.

Representantes do CFP também se reuniram com a Coordenação de Estratégia de Educação Básica do MEC para definir estratégias de formação continuada e de monitoramento da contratação de psicólogas/os na educação básica. O CFP estuda criar um curso autoinstrucional assíncrono para psicólogas(os) na plataforma do Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (AVAMEC). Além disso, CFP e MEC estão trabalhando juntos para compartilhamento de informações e elaboração de novos projetos.

Finalmente, em junho de 2026, a Gerência de Relações Institucionais (GRI) do CFP promoveu um ciclo de escuta ativa sobre a atuação da Psicologia na Educação com os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs), realizando reuniões virtuais sequenciais com as Comissões de Educação das regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. O mapeamento regional evidenciou gargalos estruturais para uma presença qualificada da Psicologia nas escolas: alta carga horária, precarização via contratos temporários e desvio para funções clínicas. Os dados coletados serão estratégicos para fundamentar ações de mobilização social, incidência política, qualificação da gestão pública e aperfeiçoamento do financiamento para a implementação da Lei nº 13.935.

Produção de conhecimento

Enquanto a Gerência de Relações Institucionais (GRI) articula ações para a implementação da lei com CRPs, organizações da sociedade civil e governo, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) coordena a atualização das Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas na Educação Básica. O processo de elaboração de uma minuta de referências técnicas é acompanhado por uma comissão composta por especialistas no campo da Psicologia Escolar e Educacional, por conselheiras(os) do CFP e pela equipe técnica do CREPOP.

O documento em elaboração prevê a discussão sobre mecanismos de financiamento público para a implementação das equipes multiprofissionais. A minuta também aborda os marcos regulatórios e as condições necessárias para que a inserção de psicólogas/os e assistentes sociais nas escolas não se limite à reprodução de modelos clínicos, individualizantes ou medicalizantes, mas contribua com uma educação inclusiva e antirracista, comprometida com o enfrentamento das desigualdades e violências institucionais dos sistemas educacionais.

A abordagem sobre educação indígena, quilombola e relações étnico-raciais é alinhada às leis 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, e 11.645/2008, que ampliou essa determinação para incluir a História e a Cultura dos Povos Indígenas.

Após a elaboração de uma minuta das “Referências Técnicas para atuação de psicólogas/os em políticas públicas na Educação Básica”, o documento será disponibilizado para críticas e sugestões em uma consulta pública e será revisado. A previsão é que o texto final seja publicado no primeiro semestre de 2027.

Sistema Conselhos lança campanha para dialogar com as candidaturas aos Poderes Executivo e Legislativo sobre agenda estratégica em áreas prioritárias para a Psicologia brasileira

O Sistema Conselhos de Psicologia, no marco do processo eleitoral brasileiro de 2026, torna pública a campanha Psicologia que transforma – 10 compromissos para transformar as políticas públicas.

Mais do que apresentar demandas da categoria, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) buscam estabelecer diálogo com as candidaturas aos Poderes Executivo e Legislativo, de modo a destacar propostas capazes de ampliar o acesso da população a políticas públicas qualificadas, bem como tratar da promoção da saúde mental, da proteção dos direitos humanos e da valorização do cuidado. 

Com mais de 600 mil psicólogas e psicólogos em todo o território nacional, a Psicologia brasileira figura uma das maiores categorias profissionais da área da saúde no mundo, contribuindo  diariamente para o fortalecimento das políticas públicas e para a construção de uma sociedade mais saudável, democrática e inclusiva.

Sua presença em escolas, hospitais, unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços socioassistenciais, sistema de justiça, políticas de segurança pública, trânsito, esporte, universidades, empresas e em tantos outros espaços ajuda a exercer o controle social das políticas públicas garantidoras dos mais diversos direitos sociais, sendo de fundamental importância para o conjunto da sociedade.

A iniciativa apresenta caráter inovador, ao propor uma atuação institucional estruturada para inserir a Psicologia no debate eleitoral de 2026, articulando pautas estratégicas da categoria às discussões sobre políticas públicas.

Mais do que acompanhar as agendas apresentadas pelas candidaturas, a proposta cria uma oportunidade para que a própria categoria paute as eleições, apresentando à sociedade e às candidaturas compromissos relacionados à valorização da Psicologia, à defesa das políticas públicas e à garantia de direitos. Trata-se, portanto, de uma mudança de perspectiva: não apenas ser pautada pelo debate eleitoral, mas contribuir ativamente para pautá-lo, levando temas relevantes para a profissão e para a sociedade à agenda das eleições.

Nesse sentido, a iniciativa amplia a capacidade de articulação institucional do CFP e dos CRPs, conferindo maior protagonismo à Psicologia na construção da agenda pública e no debate sobre os rumos das políticas públicas no País. 

Conheça os compromissos da campanha Psicologia que transforma:

1. Saúde mental como prioridade

Fortalecer políticas públicas de saúde mental baseadas no cuidado em liberdade, na ampliação e no financiamento adequado da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), na defesa dos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e na desinstitucionalização do cuidado, assegurando a presença indispensável de profissionais da Psicologia e o fortalecimento de serviços territoriais, comunitários e de base de direitos humanos.

2. Cuidar para aprender

Promover a implementação efetiva da Lei nº 13.935/2019, assegurando a atuação de psicólogas/os e assistentes sociais na educação pública para fortalecer a proteção integral de crianças e adolescentes, promover a saúde mental, qualificar os processos de ensino e aprendizagem, prevenir violências e fortalecer a comunidade escolar.

3. Trabalho digno para quem cuida

Defender jornada de trabalho de até 30 horas semanais, independentemente do regime de contratação, piso salarial nacional de 5 salários mínimos e remuneração justa para atendimentos realizados por psicólogas/os em planos de saúde e plataformas digitais, enfrentando a precarização das relações de trabalho, incluindo a pejotização e outras formas de contratação que transfiram indevidamente às profissionais os riscos e custos da atividade, garantindo autonomia técnica e profissional e promovendo a realização de concursos públicos e a valorização das equipes que atuam nas políticas públicas.

4. Proteção para quem protege

Ampliar a participação da Psicologia no Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e nas políticas de gestão de riscos e desastres, incluindo emergências climáticas, fortalecendo ações de promoção da saúde mental, prevenção de violências e cuidado às vítimas, aos profissionais da segurança pública e às populações afetadas, com proteção da vida e respeito aos direitos humanos.

5. Trânsito mais seguro

Fortalecer a avaliação psicológica como instrumento permanente de proteção da vida, garantindo sua realização em todas as etapas do processo de obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação, com profissionais da Psicologia com especialidade em Psicologia do Tráfego.

6. Saúde mental no esporte

Assegurar assistência psicológica continuada, realizada por profissionais da Psicologia, para atletas de alto rendimento e, fortalecer políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental nos esportes.

7. Inteligência Artificial com responsabilidade

Promover o desenvolvimento e a regulamentação da Inteligência Artificial em consonância com princípios éticos, científicos e de direitos humanos, assegurando a proteção de dados, a transparência, a autonomia profissional e o uso da IA como ferramenta de apoio, sob supervisão humana e sem substituir o cuidado e a decisão profissional, com a preservação da vida e a segurança da população como princípios fundamentais.

8. Segurança para quem busca atendimento psicológico

Apoiar a regulamentação da psicoterapia como prática privativa de psicólogas(os) e médicas(os) psiquiatras, assegurando à população atendimento qualificado e ético.

9. Profissões fortalecidas, sociedade protegida

Fortalecer a autonomia dos conselhos profissionais como instituições de Estado responsáveis por orientar, fiscalizar e disciplinar o exercício profissional, assegurando a proteção da sociedade, a qualidade dos serviços e a valorização das profissões regulamentadas.

10. Psicologia para o fortalecimento do Estado

Garantir financiamento adequado e sustentável das políticas públicas, ampliar e qualificar equipes permanentes por meio de concursos públicos e fortalecer a participação e o controle social na formulação, implementação, avaliação e monitoramento das políticas, promovendo o diálogo institucional com o Sistema Conselhos de Psicologia e incorporando as contribuições da profissão na construção de respostas às necessidades da população.

Incentive as/os candidatos que você conhece e ajude a levar essa campanha adiante!

Por meio deste link as/os candidatas/os assumem o compromisso de manter diálogo  permanente com o Sistema Conselhos de Psicologia e a considerar essas diretrizes na formulação, implementação e aperfeiçoamento de políticas públicas, caso eleito(a).

Compartilhe a nossa campanha com a/o sua/seu candidata/o!

Live do CFP debate caminhos para as 30 horas e a regulamentação da psicoterapia

Em alusão ao Dia da Psicologia Brasileira, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promove, na quinta-feira, 27 de agosto, às 20h, a live “Do debate à conquista – caminhos para as 30h e a regulamentação da psicoterapia”. A transmissão será realizada pelo canal do CFP no YouTube.

O encontro reunirá diferentes perspectivas para promover um debate sobre duas pautas de grande relevância para a categoria: a luta pela jornada de até 30 horas semanais e a regulamentação da psicoterapia.

A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, participa do debate ao lado de Roberto Rocha Leandro, consultor em Políticas Públicas, advogado constitucionalista e eleitoralista, mestre em Psicologia Social e educador popular.

A proposta do encontro é aproximar a categoria e a sociedade dos debates que envolvem a Psicologia e os avanços necessários para o exercício profissional, fortalecendo a reflexão sobre os caminhos para transformar reivindicações históricas em conquistas concretas.


“Do debate à conquista – caminhos para as 30h e a regulamentação da psicoterapia”
Data: 27 de agosto de 2026
Horário: 20h
Transmissão: canal do Conselho Federal de Psicologia no YouTube

CFP dialoga sobre educação democrática e implementação da Lei 13.935/2019 no 17º Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) marcou presença no 17º Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional (CONPE), realizado de 27 a 29 de julho de 2026, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), em Cascavel/PR. 

Promovido pela Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), o evento teve como tema Psicologia escolar e educacional e a valorização do trabalho docente: escola presente!, incentivando reflexões, divulgação de pesquisas e proposição de ações voltadas à valorização do trabalho docente, ao fortalecimento da escola pública e ao papel da Psicologia no desenvolvimento afetivo-cognitivo de estudantes em todo o território brasileiro. 

Durante o 17º CONPE, a delegação do CFP participou de mesas, debates, painéis e minicursos voltados a integrar a produção científica às práticas cotidianas da Psicologia Escolar e Educacional, construindo pontes e fortalecendo a atuação em interface com a educação, os direitos humanos e o serviço social. 

Na cerimônia de abertura, a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou a relevância histórica da especialidade e ressaltou o caráter transformador e acolhedor da atuação profissional nas instituições de ensino. A presidenta defendeu uma atuação antirracista, anticapacitista e antissexista, voltada para a garantia de direitos e para o enfrentamento das desigualdades que atravessam o cotidiano de estudantes historicamente marginalizados.

Ivani Oliveira reafirmou ainda a urgência da implementação da Lei 13.935/2019, que assegura a presença de psicólogas, psicólogos e assistentes sociais nas redes públicas de educação básica, reforçando o compromisso contínuo do CFP em dialogar com gestores públicos e instâncias legislativas para fortalecer a categoria na ponta. 

“A nossa luta é por uma escola viva, acolhedora, e essa luta é diária. A presença da Psicologia na educação não vem para substituir a pedagogia, mas para somar forças na construção de um projeto emancipatório de sociedade”, pontuou a presidenta. 

No fórum Implantação da Lei 13.935/2019: Desafios para Psicologia e o Serviço Social, a conselheira federal Maria do Socorro Pimentel destacou a importância de assegurar financiamento permanente e carreiras estruturadas para o trabalho multiprofissional no cotidiano escolar. A conselheira compartilhou o diagnóstico fruto da escuta ativa promovida pelo CFP junto aos 24 Conselhos Regionais, apontando os gargalos orçamentários, a precarização dos vínculos e a necessidade de concursos públicos.

Maria do Socorro Pimentel ressaltou a atuação institucional junto ao Congresso Nacional para a aprovação do Projeto de Lei 3599/2023, que visa incluir psicólogas e assistentes sociais na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como profissionais da educação, garantindo acesso aos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“Psicologia, Serviço Social e Pedagogia formam o tripé do cotidiano do chão da escola. A escola deve ser compreendida como um espaço de desenvolvimento humano integral, onde as dimensões sociais e relacionais são indissociáveis da aprendizagem”, destacou a conselheira. 

Nesse debate, a mesa Contra a exclusão social e o racismo: o compromisso ético-político da Psicologia Escolar na garantia do direito à educação reafirmou o papel da Psicologia no acolhimento e no respeito às singularidades no ambiente de ensino. Na atividade, a conselheira Maria do Socorro Pimentel destacou a dimensão ética e inclusiva da atuação profissional, enfatizando o valor do pertencimento e a promoção de uma ciência comprometida com a diversidade territorial, racial e de gênero. 

“É uma Psicologia que nós queremos para todos e todas, independente da cor da pele, da orientação sexual, da sua naturalidade e da sua territorialidade. Viva a Psicologia brasileira, viva a Educação e uma Psicologia antirracista”, salientou a conselheira. 

Formação, internacionalização, tecnologia e arte na escola

As trocas sobre a prática profissional, a formação docente e os diferentes contextos de atuação integraram a participação do conselheiro federal Daniel Melo no 17º CONPE. Na comunicação oral Sementes do amanhã: Psicologia e educação na defesa dos direitos humanos Daniel Melo abordou o compromisso ético-político e estético da profissão ao apresentar uma iniciativa que articula Psicologia e ensino de arte no contexto escolar e extraescolar, além de participar de diálogo sobre a atuação em comunidades rurais e escolas do campo.

Daniel Melo ministrou também a oficina Formação docente: cultura e arte na educação, voltada a educadoras e educadores da rede pública local. “Foi uma oportunidade de levar o conteúdo e as reflexões de uma Psicologia interseccional articulada às práticas artísticas no ambiente escolar”, ressaltou o conselheiro.

Na comunicação oral Formação em Psicologia e Desafios para o Exercício Profissional no Brasil e Portugal, voltada aos desafios da internacionalização da Psicologia, o conselheiro compartilhou a articulação realizada junto à Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) para subsidiar a atuação de profissionais brasileiras(os) em Portugal e no exterior.

O conselheiro também integrou a mesa Contra a exclusão social e o racismo: o compromisso ético-político da Psicologia Escolar na garantia do direito à educação, ao lado da conselheira Maria do Socorro Pimentel, em que debateu as pautas sobre branquitude e relações de poder no ambiente escolar.

“Participei de atividades muito importantes para a Psicologia, em que se debateu a arte, o combate às desigualdades, direitos humanos e os trabalhos do psicólogo no universo escolar e educacional”, relatou Daniel Melo.

A mediação das novas linguagens tecnológicas na educação e as formas de diálogo no cotidiano acadêmico integraram as contribuições trazidas pelo conselheiro federal Rômulo Mafra. Ao participar das conversas sobre o uso construtivo de ferramentas digitais no cotidiano escolar, no fórum Psicologia, educação tecnológica e educação superior, o conselheiro destacou os impactos dessas tecnologias no relacionamento interpessoal e lembrou que a Autarquia disponibiliza materiais orientativos em seu site oficial para apoiar a categoria e a docência. 

“Discutimos a respeito dos desafios de como a Psicologia pode contribuir para o uso dessas ferramentas que passaram a integrar a Educação e têm influenciado as relações interpessoais”, destacou Rômulo Mafra. 

Compromisso com as políticas públicas e a sociedade 

Ao fazer um balanço do diálogo construído pela delegação no evento [confira galeria de fotos], a presidenta Ivani Oliveira sintetizou os eixos fundamentais que orientam o trabalho do Conselho Federal de Psicologia na interface com o campo educacional.

A presidenta reforçou que a atuação da Autarquia se justifica pela defesa da escola pública, pelo enfrentamento às desigualdades e pela garantia de uma formação profissional qualificada, crítica e engajada com os desafios da contemporaneidade. “O CFP se faz presente para que tenhamos uma Psicologia forte em defesa das políticas públicas de educação e em proteção à sociedade brasileira”, concluiu Ivani Oliveira.

 

CFP reúne presidências dos Conselhos Regionais para fortalecer atuação conjunta em defesa da regulamentação da psicoterapia

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) realizou, nesta terça-feira (8), a II Reunião Extraordinária das Presidências dos Conselhos Regionais de Psicologia. O encontro reuniu representantes do Sistema Conselhos para alinhar estratégias de atuação institucional em torno da regulamentação da psicoterapia, fortalecer a incidência política coordenada entre o Conselho Federal e os Conselhos Regionais e avançar em ações voltadas ao fortalecimento do Sistema Conselhos e da defesa da profissão.

Durante a abertura da reunião, a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou que o posicionamento institucional em defesa da regulamentação da psicoterapia está fundamentado nas deliberações aprovadas pelo Congresso Nacional da Psicologia (CNP) e pela Assembleia das Políticas, da Administração e das Finanças (APAF), reafirmando o compromisso com a valorização do exercício profissional da Psicologia, a proteção da sociedade e o fortalecimento do Sistema Conselhos.

Ao conduzir a reunião, Ivani também ressaltou que a atual gestão tem trabalhado de forma permanente para fortalecer o Conselho Federal de Psicologia, ampliar a integração com os Conselhos Regionais e qualificar as entregas à categoria, consolidando uma atuação cada vez mais estratégica na defesa da profissão e das(os) psicólogas(os) brasileiras(os).

Regulamentação da psicoterapia

A regulamentação da psicoterapia foi o eixo central da reunião extraordinária. Ao longo do encontro, o CFP apresentou o histórico da construção dessa pauta no âmbito do Sistema Conselhos, destacando que a atuação em defesa da regulamentação é resultado de deliberações construídas coletivamente pela categoria ao longo dos últimos Congressos Nacionais da Psicologia.

Também foram compartilhadas orientações para fortalecer a incidência política coordenada entre o Conselho Federal e os Conselhos Regionais, reforçando a importância da atuação articulada junto ao Poder Legislativo.

“A regulamentação da psicoterapia como prática privativa de psicólogas e psicólogos é uma pauta histórica da nossa categoria e uma prioridade da atual gestão do Conselho Federal de Psicologia. Seguiremos atuando com responsabilidade, diálogo e incidência política para avançar nessa agenda, garantindo segurança jurídica para o exercício profissional, proteção à sociedade e o reconhecimento da Psicologia como ciência e profissão”, ressaltou a presidenta do Conselho Federal de Psicologia.

Durante a reunião, também foram apresentados os avanços promovidos pela atual gestão para fortalecer a comunicação institucional, ampliar a aproximação entre o CFP e os Conselhos Regionais de Psicologia e qualificar a atuação do Sistema Conselhos em benefício da categoria. As iniciativas buscam aperfeiçoar o fluxo de informações, ampliar a integração entre as instâncias do Sistema e tornar a atuação institucional cada vez mais efetiva na defesa da Psicologia brasileira.

Ivani Oliveira ressaltou que fortalecer o Conselho Federal e consolidar uma atuação integrada com os Conselhos Regionais é uma das prioridades da atual gestão, garantindo respostas mais ágeis às demandas da categoria e ampliando a capacidade institucional de defesa da profissão.

Como encaminhamento, o CFP orientou os Conselhos Regionais a intensificarem a incidência política em seus estados, dialogando com deputadas(os) federais, senadoras(es) e candidatas(os) durante o período eleitoral para fortalecer a pauta da regulamentação da psicoterapia. A proposta é que a atuação regional esteja alinhada à estratégia nacional conduzida pelo Conselho Federal, ampliando o diálogo com representantes do Poder Legislativo e incentivando a inclusão das pautas da Psicologia nos debates públicos e nos programas de governo.

“Pedimos que os Conselhos Regionais estejam alinhados com a estratégia nacional conduzida pelo CFP e a ampliem o diálogo com candidatas e candidatos em seus estados. Precisamos fazer com que as pautas da Psicologia estejam presentes nos planos de governo, nos compromissos públicos e nas agendas do Parlamento. A defesa da profissão exige unidade, mobilização e incidência política em todo o país. Quando atuamos de forma articulada, fortalecemos o Sistema Conselhos e ampliamos nossa capacidade de defender os direitos da categoria e da sociedade”, disse Ivani Oliveira, presidenta do Conselho Federal de Psicologia.

Com o lema “Psicoterapia é com a gente”, o encontro reafirmou o compromisso do Sistema Conselhos de Psicologia com uma atuação unificada, estratégica e articulada em defesa da regulamentação da psicoterapia, do fortalecimento institucional do Sistema Conselhos e da valorização da Psicologia brasileira.

Câmara dos Deputados conclui Redação Final do PL das 30 horas e proposta segue para o Senado

A luta pela jornada de até 30 horas semanais para psicólogas e psicólogos conquistou, nesta quarta-feira (1/7), mais um importante avanço no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados concluiu a votação da Redação Final do Projeto de Lei nº 1.214/2019, encerrando a tramitação da proposta naquela Casa Legislativa antes do envio ao Senado Federal.

A proposição foi o primeiro item apreciado na pauta, que reuniu outras 46 matérias. Com a aprovação da Redação Final, a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara deverá providenciar a autuação e o envio formal do autógrafo ou ofício à Casa revisora, o Senado Federal, conforme o rito legislativo.

O PL nº 1.214/2019 altera a Lei nº 4.119/1962, que regulamenta a profissão de psicóloga(o), para fixar a duração do trabalho de profissionais da Psicologia em até 30 horas semanais. A proposta é de autoria das deputadas federais Erika Kokay (PT/DF) e Natália Bonavides (PT/RN).

Vitória construída pela mobilização da categoria

A conclusão da tramitação na Câmara representa um marco na trajetória de mobilização da Psicologia brasileira pela valorização profissional. Em maio, o projeto foi aprovado de forma unânime na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, com parecer favorável do relator, deputado Helder Salomão (PT/ES).

Na ocasião, a mobilização reuniu psicólogas(os), entidades representativas e conselheiras(os) do Sistema Conselhos de Psicologia, em uma ampla ação de incidência pela aprovação da pauta. A atuação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) incluiu diálogo com parlamentares, acompanhamento da tramitação e mobilização da categoria em defesa das 30 horas.

Ao longo de sua tramitação na Câmara, o PL passou por comissões temáticas, entre elas a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público; a Comissão de Seguridade Social e Família; a Comissão de Finanças e Tributação; e a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Próxima etapa: Senado Federal

Com a conclusão da Redação Final pela Câmara, a matéria deverá ser encaminhada ao Senado Federal, onde terá início uma nova fase da tramitação legislativa.

Ao chegar ao Senado, o projeto será distribuído pela Presidência da Casa às comissões competentes para análise. Depois dessa etapa, o texto seguirá para apreciação em Plenário. Se for aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial. Caso receba modificações, retornará ao Plenário da Câmara dos Deputados para nova deliberação.

O CFP seguirá acompanhando de perto cada etapa desse processo e atuando institucionalmente pela aprovação da jornada de até 30 horas semanais para psicólogas e psicólogos independentemente do vínculo empregatício.

Assim que o projeto for efetivamente recebido pelo Senado Federal, o CFP divulgará, em seus canais oficiais, orientações e estratégias de mobilização para que toda a categoria possa fortalecer essa importante luta.

Acompanhe os canais do CFP e fique atenta(o) às próximas convocações.

Jornada de até 30h: a luta agora é no Senado!

Câmara dos Deputados aprova PL que proíbe o incentivo do desenvolvimento e veiculação de programas de ensino a distância em cursos da área da saúde

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou no dia 16 de junho, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei (PL) nº 5.414/2016, que altera o artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) com o objetivo de proibir o incentivo do desenvolvimento e veiculação de programas de ensino a distância em cursos da área da saúde.

Na avaliação do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a aprovação da matéria na CCJC representa uma importante vitória na luta para que a graduação em cursos da área da saúde seja ofertada exclusivamente no formato presencial. Além disso, reafirma a importância da valorização profissional e o fortalecimento do cuidado já a partir da formação.

Em setembro de 2025, o deputado Orlando Silva ( PCdoB – SP), relator da matéria na Comissão, havia proferido parecer pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do PL nº 5.414/2016. Em seu posicionamento, o parlamentar destacou que os cursos da área da saúde exigem o desenvolvimento de habilidades clínicas, de diagnóstico, de procedimento e de interação interpessoal que são intrinsecamente ligadas ao contato direto com a(o) usuária(o). Além disso, ponderou que a própria natureza da atividade profissional impõe barreiras intransponíveis ao modelo a distância, sob o risco de gerar profissionais inaptos a lidar com a complexidade e o risco inerentes à área da saúde.

“Uma formação deficitária, resultante de um curso majoritariamente a distância, eleva o risco de erros profissionais, que, no caso das áreas de saúde, colocam em risco concreto e direto a vida e a saúde dos cidadãos. A inconstitucionalidade reside, portanto, na violação do dever estatal de proteger a população de riscos evitáveis, conforme imposto pelo princípio da máxima efetividade dos direitos fundamentais”, alerta o parecer do relator.

Com a aprovação do PL nº 5.414/2016 na CCJC, ficou estabelecido pelo regimento da Câmara dos Deputados um prazo de cinco sessões legislativas, a partir de 19/06/2026, para apresentação de recurso. Depois, a matéria será encaminhada para tramitação no Senado.

Por que a defesa da presencialidade nas formações em saúde?

O CFP vem ao longo dos anos, em parceria com entidades representativas da Psicologia brasileira, mantendo uma luta histórica pela valorização profissional da categoria e pela promoção do cuidado a toda a população.

Em maio de 2025, o Decreto Presidencial 12.456 garantiu que a oferta de curso superior em Psicologia deverá ocorrer exclusivamente na modalidade de ensino presencial, estendendo essa obrigatoriedade para outros três cursos da área da saúde: Medicina, Enfermagem e Odontologia, além do Direito, no campo das ciências humanas. Ainda assim, para o CFP, é importante avançar para que outras graduações na área da saúde sejam ofertadas também de modo exclusivamente presencial.

Conforme ressalta o Conselho Federal de Psicologia, o desenvolvimento de habilidades e competências na Psicologia vai além do aspecto cognitivo, envolvendo experiências essenciais para uma profissão intrinsecamente relacional. Habilidades como acolhimento, empatia e comunicação eficaz em diferentes linguagens são plenamente desenvolvidas por meio das interações presenciais, tornando a presença física fundamental para uma formação de qualidade e um atendimento adequado.

Além disso, a falta de uma metodologia objetiva para análise e a ausência de interação presencial afetam a formação de estudantes e contribuem para a mercantilização do ensino. O CFP aponta ainda que, embora o formato EaD expanda as oportunidades de acesso ao ensino superior, ele não assegura uma formação de qualidade na medida em que a falta de interações presenciais entre estudantes de diferentes realidades limita a troca de experiências e a diversidade de vivências, fatores essenciais para uma educação enriquecedora.

A presencialidade na graduação em Psicologia, portanto, é condição essencial para garantia de qualidade na formação e no cuidado ofertado à população. Por esse motivo, o Conselho Federal de Psicologia seguirá acompanhando a tramitação da matéria.

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Psicologia garantida como curso presencial em Marco Regulatório do Ensino a Distância

Relatório da reforma do Código de Trânsito incorpora propostas defendidas pelo Sistema Conselhos de Psicologia

A atuação do Sistema Conselhos de Psicologia em defesa da profissão no contexto da segurança viária alcançou mais um importante resultado no Congresso Nacional. O relatório apresentado em 17 de junho pelo relator da Comissão Especial do Projeto de Lei nº 8.085/2014, deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), incorporou propostas defendidas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e pelos Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) ao longo da tramitação da matéria.

A reforma promove uma ampla atualização do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e reúne dispositivos relacionados à formação, habilitação, renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e segurança viária. Embora a votação do relatório tenha sido adiada para julho após pedido de vista coletivo, o texto apresentado já sinaliza avanços importantes para a Psicologia do Tráfego e para a proteção da vida no trânsito.

Atuação da Psicologia

Entre os principais pontos contemplados no relatório está o fortalecimento da avaliação psicológica como instrumento fundamental para a promoção de condutas seguras e para a prevenção de acidentes.

O texto prevê a realização de avaliação psicológica em todas as renovações da Carteira Nacional de Habilitação, ampliando o acompanhamento das condições psicológicas relacionadas à condução de veículos ao longo da vida do condutor. Também estabelece nova avaliação psicológica para motoristas habilitados antes dos 18 anos como requisito para obtenção da CNH definitiva, além de manter as avaliações periódicas previstas em legislação específica.

Outro avanço relevante é a previsão de que os valores dos exames considerem a escuta dos respectivos conselhos profissionais, observando critérios técnicos, econômicos e as particularidades de cada unidade federativa. A medida fortalece o diálogo institucional e contribui para a construção de parâmetros compatíveis com a qualidade dos serviços prestados à população.

O relatório também estabelece a possibilidade de redução dos prazos de renovação da CNH mediante recomendação técnica do profissional responsável, quando identificados fatores que possam impactar a condução segura de veículos. Além disso, propõe a criação de um prontuário nacional de perícias médicas e psicológicas, medida que poderá contribuir para maior integração e acompanhamento das informações relacionadas à aptidão para dirigir.

A conselheira do CFP Ana Flávia Mattos, que acompanhou presencialmente a reunião da Comissão Especial, destacou a importância dos avanços contemplados no parecer.

“Os dispositivos incorporados ao relatório representam o reconhecimento da contribuição técnico-científica da Psicologia para a segurança viária. A avaliação psicológica é um instrumento de proteção à vida e de prevenção de acidentes, e sua preservação demonstra a relevância da atuação profissional para a construção de um trânsito mais seguro para toda a sociedade”.

Incidência estratégica

Os avanços registrados no relatório são resultado de um processo contínuo de articulação institucional desenvolvido pelo Sistema Conselhos de Psicologia junto ao Congresso Nacional. Ao longo da tramitação da proposta, representantes do CFP realizaram reuniões com parlamentares, equipes técnicas e integrantes da Comissão Especial para apresentar subsídios e defender a manutenção de dispositivos considerados estratégicos para a segurança no trânsito e para a valorização da atuação profissional.

A análise da matéria será retomada em julho. O CFP seguirá acompanhando a tramitação e atuando em articulação com os Conselhos Regionais de Psicologia para defender o fortalecimento das políticas de segurança viária e a contribuição da Psicologia para a construção de um trânsito mais seguro para toda a sociedade.

Acompanhe os desdobramentos desta e de outras pautas legislativas de interesse da categoria na Plataforma Legislativa do CFP: site.cfp.org.br/plataforma-de-mobilizacao-legislativa/