Você conhece a revista Psicologia: Ciência e Profissão?
O periódico de produção científica da Psicologia publicado pelo Sistema Conselhos chega à sua 36ª edição, no final desse mês. A revista, publicada também online na plataforma SciELO, traz muitas novidades e um novo formato nesse ano de 2016.
Aguarde!
Entrevista
Enquanto a nova Ciência e Profissão não chega, cuja previsão para ser publicada até o final de março, confira a entrevista concedida pelo conselheiro do CFP Roberto Moraes Cruz, editor da revista, para edição 112 do Jornal do Federal. Nela, Cruz conta algumas das novidades e das mudanças que vem e serão implementadas no periódico científico do Sistema Conselhos de Psicologia.
Revista Psicologia, Ciência e Profissão: em busca da excelência
Confira a entrevista com Roberto Moraes Cruz, editor do periódico científico produzido pelo Conselho Federal de Psicologia e o Sistema Conselhos de Psicologia
Alinhar as necessidades de aperfeiçoamento na editoração de periódicos no Brasil, geradas pelos debates atuais sobre a dinâmica e os desafios da internacionalização da produção: esse é o desafio central que a revista Psicologia, Ciência e Profissão (PCP), produzida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Sistema Conselhos de Psicologia, deve enfrentar para os próximos anos.
O periódico, que está em seu 35º ano, tem feito uma série de mudanças para se adaptar às novas exigências da base de dados da Scielo, definidas em novembro de 2014, a fim de que mantenha sua classificação como Qualis A2 de produção científica e chegar ao selo Qualis A1 de excelência. As alterações se referem ao processo de editoração on-line, com automatização de procedimentos em diferentes formatos, dispositivos eletrônicos e de verificação de elementos textuais/bibliográficos, critérios mínimos de participação de editores associados, revisores e autores estrangeiros, e quantidade mínima de artigos a serem publicados anualmente, em português e inglês.
Para buscar superar esses obstáculos, o conselheiro do CFP Roberto Moraes Cruz, editor da revista desde março de 2015, explica em entrevista para o Jornal do Federal as ações realizadas e os projetos para o periódico nos próximos anos, a fim de que a PCP se adeque ao futuro e busque a internacionalização. Cruz é mestre em Psicologia e em Educação, doutor em Engenharia de Produção e pós-doutor em Métodos e Diagnóstico. Atualmente, é professor e pesquisador do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Confira, abaixo, a entrevista.
Quando você assumiu a edição da revista Psicologia, Ciência e Profissão, qual foi a situação encontrada?
Eu assumi a revista no dia 31 de março de 2015, a partir de uma deliberação da plenária de março da atual gestão e, de certa maneira, assumi os desafios que a Revista enfrentava até então. Eu, indiretamente, participava de notícias da revista como conselheiro e a impressão que a gente tinha era de que a revista passava por algumas dificuldades com herança de problemas que essa gestão do CFP, quando assumiu, encontrou em relação ao processo de editoração, no processo de organização do fluxo editorial propriamente dito, do acúmulo de materiais e artigos. Havia números atrasados da revista. Havia um passivo de material a ser publicado, havia um certo descompasso no processo de editoração e de produtividade da revista. O produto final da revista não refletia a agilidade que ela poderia ter em relação a uma outra revista científica no Brasil.
O que foi e está sendo feito para mudar esse panorama?
Assumi a revista para organizar um processo de gerenciamento que desse ou organizasse o fluxo geral da revista. Quando assumi, nós fizemos nossas primeiras reuniões técnicas com a equipe de trabalho. Esses encontros fizeram com que nós redefiníssemos as diretrizes principais da revista, que eram várias, sendo muitas delas secundárias. Então reunimos a equipe da Comunicação, da Editoração, da Gerência Técnica do CFP, e redefinimos o horizonte da revista, cujas diretrizes principais acabaram se tornando três: ajustar a produção da revista à necessidade dos prazos que ela deveria cumprir, reduzir o passivo – porque no momento que assumimos, havia um passivo bastante alto de artigos em que não havia revisão nem parecer, e reduzir drasticamente, entre o início de submissão e o produto final, a publicação na revista. Esse processo estava em torno de três anos, o que obviamente não é um tempo razoável da qualidade e da história da revista Psicologia, Ciência e Profissão. Nós queremos reduzir esse tempo para oito meses.
A partir dessas três metas colocadas, como foi e está o processo de organização da equipe que produz a revista?
Atualmente, a equipe é formada por dois analistas (Psicologia e Editoração), dois técnicos administrativos e uma estagiária. Definida essa equipe, buscamos um trabalho de capacitação interna dela. Além das reuniões que fizemos de ajustes e diretrizes, houve um maior conhecimento de nossas necessidades, redefinimos o fluxo de editoração, redefinimos prazos dos processos de editoração e publicação, colocamos a equipe em alguns seminários específicos para que tivessem acesso à bibliometria e à citometria, os aspectos básicos que envolvem os dados possíveis de indicar cientificamente o quanto a revista está indo bem em relação a outras no Brasil e no mundo. Então, além desse treinamento, nós também contratamos uma assessoria técnica de uma bibliotecária especialista em processo de editoração, que fez curso de capacitação interna e nos ajudou no processo de redução do passivo de artigos.
Todas essas mudanças já surtiram resultados?
Sim. Nós já conseguimos colher frutos ao longo desses poucos meses que estamos à frente da revista. Reduzimos drasticamente o tempo de editoração de um artigo, de três anos para um ano e cinco meses. Ainda não é ainda o nosso ideal, mas a nossa meta é chegar a oito meses. Construímos um processo de avaliação inicial mais rigoroso nos artigos, fizemos uma força tarefa muito grande, de avaliação de artigo por artigo, de parecer por parecer, de parecerista ad hoc e parecerista interno. Fomos devolvendo um a um para cada autor aquilo que havia relevância de publicação, e os outros que não atendiam nós devolvemos com os devidos pareceres, o que, em um primeiro momento, provocou certo choque. Porque a revista começou a fazer um filtro mais aprimorado, pois, antigamente, havia pouca avaliação rigorosa, tanto da estrutura quanto do conteúdo, e assim ficava toda essa carga de parecerista final. Desta forma, construímos o processo de avaliação inicial. Fizemos isso, inclusive, com novas plataformas, novos formulários, check-list de funcionamento da assessoria técnica e hoje podemos dizer que estamos em um processo de gestão de excelência do ponto de vista de avaliação inicial, no primeiro processo de análise do material, o nosso autor já sabe quais os pontos que ele ainda não conseguiu atingir para submeter o artigo, então ele já sabe hoje de uma forma mais célere, quando ele não atingiu os critérios mínimos formais. Isso sem analisar o mérito, porque aí sim somente os pareceristas ad hoc poderão fazê-lo.
Quais as outras mudanças foram feitas para dinamizar o trabalho da PCP?
Fizemos todo o trabalho de reorganização da revista e seus parceiros, empresas que nos ajudam a confeccionar e avaliar a revista. Mais de uma empresa participava do processo de confecção da revista (revisão, tradução, normatização, diagramação, marcação em XML), o que era um problema. Conversando com a nossa equipe, repactuamos, por meio de licitação Tomada de Preços, a contratação de uma empresa apenas que nos ajuda no processo de editoração. Isso contribuiu bastante porque ficamos uma equipe mais coesa, entendendo mais rapidamente o processo. E quem hoje vê a revista Ciência e Profissão vê que ela está com muito mais artigos (24 textos mais o editorial em formato de artigo – antes eram 17 manuscritos, mais editorial e texto do homenageado). Isso foi necessário para dar conta do fluxo da revista. Então o periódico teve de aumentar a quantidade de artigos, mas isso não vai ficar indefinidamente. Porém, enquanto tivermos artigos represados e de boa qualidade, nós assim o faremos.
Para se adaptar às mudanças pedidas pela Scielo em novembro de 2014, o que a PCP tem feito?
Tem um aspecto muito importante do que mudou: nós fizemos a revisão de toda a política editorial da revista junto à Scielo. Mudamos todos os nossos textos de templates de entrada da Scielo, nós atualizamos vários textos: via de regras, normas, política editorial, escopo da revista, missão, então fizemos toda uma atualização do que espelha a revista hoje, o que ela produz, que maneira produz, formato e critérios mínimos de nossos artigos para serem submetidos. Então, fizemos um esforço de atualizar todos os nossos dados da Scielo, emitimos relatórios, nossa bibliometria está mais ágil, a gente consegue identificar hoje onde está o artigo e em que processo de publicação. Modificamos nossas planilhas internas, hoje mais precisas.
Além disso, estamos em duas fases importantes agora para atender os critérios da Scielo: a revisão dos nossos pareceristas, pois, no momento de internacionalização exigido da Scielo para a PCP, estamos convidando pareceristas de outras nacionalidades, especialmente nas línguas inglesa e espanhola, que são as outras línguas que a nossa revista atende. Começaremos, a partir desse momento, publicar artigos em língua inglesa e espanhola para atender a um dos critérios de internacionalização de revistas brasileiras. Isso, obviamente, nos traz mais um desafio interno, que é lidar com mais duas línguas. Hoje nós somos uma revista Qualis A2, e nós temos pretensão de sermos uma revista A1 no Brasil.
E o que ainda falta para a PCP se tornar uma revista Qualis A1?
Vários desses critérios (para ser A1) nós já cumprimos, a nossa preocupação foi de que a nossa revista, antes de nos preocuparmos em chegar a qualquer outra meta de qualificação Qualis, que nós reorganizássemos nosso processo, e o tornasse de excelência para ter a pretensão de um processo maior. Eu diria que hoje atendemos quase todos os critérios da Scielo. Falta a indexação de bases de dados internacionais, ou seja, a citação dos nossos artigos nelas. Estamos melhorando esses indicadores, e esperamos, com esse processo de aumento de rigor, de qualificação técnica do material, do ineditismo do material, da celeridade, do interesse das pessoas em publicar, crescer o índice de citação bibliométrico da revista. Logo, com a questão da internacionalização dos artigos, atendendo a todos os critérios da Scielo, e, muito em breve, a perseguição das bases de dados, o horizonte é bastante favorável para que a nossa revista continue crescendo em maiores estratos de produção científica.
Matéria publicada na edição 112 do Jornal do Federal
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Equipe técnica reunida para discussões dos projetos para 2016
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Conselheiro Roberto Cruz destaca as mudanças feitas na revista durante o ano de 2015