Nota de pesar – Manoel Rocha Reis Neto

É com profundo pesar que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebe a notícia do falecimento do psicólogo Manoel Rocha Reis Neto, em 17 de fevereiro,  última terça-feira.

Reconhecido por sua trajetória na construção de uma prática profissional comprometida com a escuta ética, o cuidado e a promoção da saúde mental, Manoel também teve a carreira marcada pelo engajamento na luta antirracista, contribuindo para o fortalecimento de debates e práticas alinhadas à justiça social e à equidade racial.

Graduado em Psicologia pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Manoel Rocha Reis Neto também tinha pós-graduação em Saúde da Família pelo programa de residência multiprofissional da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Também foi aluno do Programa de Mobilidade Internacional da UFRB no curso de Educação Social do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal. 

O falecimento de Manoel Neto representa uma perda  na luta antirracista, para a Psicologia brasileira e para a defesa dos direitos humanos. Neste momento de consternação, o Conselho Federal de Psicologia se solidariza com a família, círculos de amizade, colegas de trabalho e todas as pessoas que conviveram com o psicólogo baiano.

Nota de Pesar – Maria da Conceição Diniz Pereira de Lyra

É com pesar que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebeu a notícia do falecimento da psicóloga Maria da Conceição Diniz Pereira de Lyra, carinhosamente conhecida como Maninha. Renomada pesquisadora em Psicologia cultural e desenvolvimento humano, Lyra dedicou sua vida a promover o conhecimento e  inspirar alunos e colegas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

Maria da Conceição era psicóloga formada pela Universidade Católica de Pernambuco (1972). Obteve ao longo de sua carreira Mestrado em Psicologia no ano de 1975 (Cornell University) e doutorado em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (1988), além de concluir Pós-doutorado na North Carolina University e na Utah University – Visiting Scholar (pesquisadora sênior CNPq).

A pesquisadora criou, em 1989, o Laboratório de Comunicação e Linguagem na Primeira Infância (LabCom), na Universidade Federal de Pernambuco, voltado para estudos sobre processos/aspectos dinâmicos do desenvolvimento no início da vida e mantendo, sobre este tema, diversas interações. Desde então, merecem destaque as cooperações com Jaan Valsiner, Cynthia Lightfoot e Alan Fogel. 

A psicóloga desenvolveu também o modelo teórico e metodológico EEA,  que estuda a emergência e o desenvolvimento da comunicação mãe-bebê, considerando-a como um sistema dinâmico auto-organizado para descrever e compreender essa comunicação.

Desde 2011, Maria da Conceição ampliou os estudos do desenvolvimento inserido na cultura, o que transformou o LabCom da UFPE no Laboratório de Estudos do Desenvolvimento na Cultura: Comunicação e Práticas Sociais. 

A Professora Maninha deixou um importante legado para a Psicologia cultural, tendo contribuído tanto nacional quanto internacionalmente. 

À família, amigas, amigos e à comunidade acadêmica, o Conselho Federal de Psicologia expressa suas mais sinceras condolências.

Nota de Pesar: Maritza Montero

É com pesar que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebeu a notícia do falecimento da psicóloga venezuelana Maritza Montero, uma das mais notáveis referências da Psicologia na América Latina. Sua trajetória intelectual e humana deixa um legado imensurável para a Psicologia Social, Comunitária e Política, marcado por um compromisso ético e transformador com a justiça social e a libertação dos povos oprimidos.

Maritza Montero foi pioneira na construção de uma Psicologia genuinamente latino-americana, crítica e comprometida com a realidade de nossas comunidades. Sua obra, profundamente influenciada por autores como Paulo Freire, Ignacio Martín-Baró e Orlando Fals Borda, inspirou gerações de pesquisadoras e pesquisadores a “fazer para transformar”. A práxis psicopolítica e comunitária que desenvolveu rompeu com modelos dominantes, ao colocar o conhecimento a serviço da emancipação e da participação ativa das populações em seus processos de mudança.

Sua contribuição à sistematização teórica e metodológica da Psicologia Comunitária foi fundamental para a consolidação do campo em toda a América Latina e além. Maritza foi também uma voz crítica e ativa na Psicologia Política, destacando-se por propor uma psicologia voltada à denúncia da opressão, à construção de cidadania e ao fortalecimento da democracia.

Sua partida representa uma perda irreparável, mas seu legado seguirá vivo nas práticas, pesquisas e sonhos daqueles que lutam por uma Psicologia comprometida com a transformação social, com a equidade e com a dignidade humana.

À família, amigas, amigos e à comunidade acadêmica latino-americana, nossa solidariedade neste momento de luto.

Nota de Pesar: Iray Carone

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lamenta o falecimento da psicóloga Iray Carone, referência nos estudos de Psicologia Social, relações raciais e teoria crítica no Brasil. 

Iray Carone foi docente e pesquisadora do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Ela introduziu no Brasil os estudos de Psicologia Social voltados às relações raciais e à indústria cultural, ao analisar a mídia e sua relação com a sociedade..

Formada em Psicologia, Carone obteve doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1975), com reconhecimento do título pela USP (1988). Realizou pós-doutorados na Universidade da Califórnia em Berkeley (1985), New School for Social Research (1989), Universidade Columbia (2001) e Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha (2010-2011).

Sua produção acadêmica abrange duas principais linhas de pesquisa: Psicologia Social e Teoria Crítica, com ênfase nas relações raciais no Brasil e nos estudos de Theodor W. Adorno sobre a indústria cultural; Epistemologia da Psicologia, com foco em paradigmas científicos e na função cognitiva da linguagem metafórica nas teorias psicológicas. 

Como professora da USP, sua abordagem crítica e interdisciplinar contribuiu para formar gerações com um pensamento crítico e engajado sobre a ciência e a profissão. Foi titular no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP, onde lecionou disciplinas sobre metodologia crítica e teoria psicossocial. Entre 1998 e 2008, coordenou o programa de iniciação científica Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, na Universidade Paulista.

Ao tempo em que reconhece a importância desse  legado para a Psicologia e o conjunto da sociedade, o Conselho Federal de Psicologia se solidariza com a família e amigos de Iray Carone.

Nota de Pesar – Rubén Ardila

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) expressa publicamente pesar pelo falecimento do psicólogo colombiano Rubén Ardila. 

Ardila se graduou em Psicologia pela Universidade Nacional da Colômbia (1964) e posteriormente doutorou-se em Psicologia Experimental pela Universidade de Nebraska, Lincoln, Estados Unidos (1969). 

Reconhecido por suas importantes contribuições na área, Rubén desenvolveu pesquisas em Psicologia Comparada, Psicologia Experimental, Psicobiologia, Psicologia Social, Psicologia da Paz, Psicologia da Aprendizagem, Psicologia da Ciência, História da Psicologia, Formação em Psicologia, Psicologia Organizada e Psicologia Internacional.

A trajetória de Rubén Ardila tem como marca a história da Psicologia em duas vertentes: protagonista e narrador. Por um lado,  participou da história profissional da Psicologia, que começa com a organização dos primeiros programas de formação, na metade do século XX. Por outro lado, foi um autor interessado em dotar a Psicologia na Colômbia e na América Latina de uma identidade histórica – deixando um importante legado de relatos históricos sobre os antecedentes da Psicologia na região.

Nota de Pesar – Darlah Farias

É com imensa tristeza que a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CDH/CFP) recebe a notícia do falecimento precoce da ativista negra Darlah Farias. Neste momento de dor, prestamos nossas sinceras condolências aos familiares, amigos e a toda a comunidade que teve o privilégio de conhecê-la e trabalhar ao seu lado.

Darlah foi uma voz poderosa e incansável na luta contra o racismo e em defesa dos direitos humanos. Cofundadora do Coletivo Sapato Preto, destacando-se como ativista incansável do movimento negro e LGBTQIA+ .Sua dedicação e paixão por justiça social inspiraram muitos e deixaram um legado que jamais será esquecido. Sua partida deixa um vazio irreparável, mas também nos lembra da importância de continuar a luta pela qual ela tanto se dedicou.

Em reconhecimento à sua inestimável contribuição, reafirmamos nosso compromisso em honrar sua memória, dando continuidade ao trabalho que Darlah Farias iniciou e mantendo viva sua visão de um mundo mais justo e igualitário para todos.

Sua luz continuará a guiar nossos passos.

Nossa solidariedade aos familiares, amigos e companheiras de luta!

Comissão de Direitos Humanos (CDH)

Conselho Federal de Psicologia

Nota de Pesar – Rosa Maria Stefanini de Macedo

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta pesar pelo falecimento da psicóloga Rosa Maria Stefanini de Macedo, pesquisadora com ampla atuação em Psicologia Clínica e terapia de casais.

Formada pela Academia Paulista de Psicologia, Rosa Macedo foi presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) na gestão 1992 – 1994. Foi também coordenadora do GT Família e Comunidade, um dos primeiros grupos de trabalho propostos para promoção da pesquisa, do ensino e da participação nas políticas de Pós-Graduação em Psicologia do Brasil.

Entre outros importantes espaços, foi coordenadora do Núcleo de Família e Comunidade (NUFAC) do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia Clínica; coordenou o curso de especialização em Terapia Familiar e de Casal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Rosa Macedo era professora emérita de Psicologia do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde da PUC-SP.

A pesquisadora contribuiu para a formação de muitas(os) terapeutas de família e de casal, sendo autora de diversos livros e artigos científicos na área e ajudando a consolidar o desenvolvimento da Psicologia e do campo da Terapia Familiar e de Casal no Brasil.

O CFP expressa pesar por essa perda para a comunidade da Psicologia e leva suas condolências a familiares, amigas(os) e ex-alunas(os) de Rosa Maria Stefanini de Macedo.

Nota de Pesar – Saulo de Freitas Araújo

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta pesar pelo falecimento do psicólogo Saulo de Freitas Araújo, profissional de referência no campo da Psicologia e Filosofia.

Formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos e doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas / Universität Leipzig, Saulo de Freitas atuava como professor Associado do Departamento de Psicologia da UFJF e também foi diretor do NUHFIP (Núcleo de História e Filosofia da Psicologia Wilhelm Wundt) da UFJF.

Ao longo de sua trajetória, Araújo reuniu uma expressiva experiência nas  áreas de História e Filosofia da Psicologia, Teorias e Sistemas em Psicologia, atuando principalmente no pensar acerca da evolução do projeto de uma Psicologia científica e mente-cérebro na filosofia e na Psicologia.

O CFP expressa pesar por essa perda para a comunidade da Psicologia e leva suas condolências aos familiares e amigos de Saulo de Freitas Araújo.

Nota de pesar: José Glauco Bardella

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lamenta o falecimento do psicólogo José Glauco Bardella, cuja trajetória se confunde com a da própria Psicologia no país. José Glauco atuou no movimento pela regulamentação da profissão no Brasil e deu importante contribuição para a profissionalização e desenvolvimento da Avaliação Psicológica no país.

Natural de Botucatu/SP, Bardella iniciou sua carreira profissional na Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), em São Paulo, no departamento de seleção e formação de pessoas. Também foi psicólogo do Departamento dos Institutos Penais do Estado (Dipe).

Em 1964, dois anos após a Psicologia ter sido regulamentada, Bardella já era um dos sócios do Centro de Psicologia Aplicada, um dos locais de seleção de pessoal e de distribuição de testes da cidade de São Paulo. Foi lá que criou tabelas distribuídas junto com os testes psicológicos, de forma gratuita. A iniciativa foi a base para a criação de empresa fundada por ele e demais sócios, em 1966, dedicada a testes psicológicos.

Ao destacar o legado deixado à Psicologia como ciência e profissão, o CFP se solidariza à família e amigos de José Glauco Bardella.

Nota de pesar – Sylvia Leser de Mello

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lamenta o falecimento da filósofa Sylvia Leser de Mello, intelectual e docente que dedicou grande parte da sua vida e obra ao desenvolvimento da Psicologia Social.

Sylvia era professora do Departamento de Psicologia Social (PST) do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), promovendo a intersecção entre filosofia, literatura e a Psicologia. Entre suas linhas de estudo, estão a Interação Social, O Homem no Trabalho e Economia Solidária.

Sylvia Leser nasceu em São Paulo, em 8 de abril de 1935. Seu caminho acadêmico começou com o curso de Filosofia na USP, concluído em 1961. Mas foi na França que seus passos se cruzaram com o caminho da Psicologia Social, a partir de um estágio na então chamada École Pratique des Hautes Études (EPHE).

De volta ao Brasil, começou a lecionar na Universidade de São Paulo (USP). Em 1970, com a criação do Instituto de Psicologia, Sylvia passou a ministrar aulas. Em seus trabalhos, Sylvia Leser mesclou e criou a partir da relação entre a Psicologia e as diferentes áreas do saber, como a Literatura e a Filosofia.

Sylvia Leser possui diversos artigos e livros publicados, além de ter colaborado em muitos outros. Entre suas publicações na Psicologia Social, estão as que tratam da relação do trabalho com o homem. “O trabalho é central na vida dos homens. Essa atividade concentra grande parte da sua vida útil, ela define o lugar que ele ocupa na sociedade” afirma Sylvia.

Entre os livros que publicou, está o chamado “Trabalho e sobrevivência: mulheres no campo e na periferia de São Paulo”. De 1988, a obra trata da relação das mulheres com o trabalho. As relações familiares também são outro assunto constante em seus textos.

Na USP, a docente foi fundadora do Laboratório de Estudos da Família, Relações de Gênero e Sexualidade (LEFAM), em 1993; criadora da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), em 1998; e a fundadora do Núcleo de Economia Solidária (NESOL).

Em 2011, a Revista Ciência e Profissão, editada pelo Conselho Federal de Psicologia, publicou artigo em homenagem à Sylvia Leser. Em 2003, ela recebeu do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-06/SP) o título de reconhecimento pelo seu compromisso social com a Psicologia no Brasil.

Em sua trajetória pessoal e profissional, Sylvia Leser inspirou muitas pessoas com sua coragem, sensibilidade e sua incansável luta pelos Direitos Humanos e pelo desenvolvimento de uma Psicologia crítica e com comprometimento político e social.

Sylvia Leser de Mello, presente!