Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola

A violência na escola se manifesta de muitas formas, e nenhuma delas pode ser naturalizada.

Por trás de cada situação, há sofrimento, impactos na saúde mental e trajetórias que podem ser profundamente marcadas.

É nesse contexto que a atuação da Psicologia se torna essencial: não apenas para intervir quando a violência acontece, mas para construir, no cotidiano, caminhos que a previnam e transformem o ambiente escolar num local seguro e de relações saudáveis.

A Nota Técnica CFP nº 8/2023 reúne orientações para uma atuação comprometida com o cuidado, a escuta e a transformação dos ambientes escolares. A normativa reúne diretrizes em quatro principais aspectos:

– Prevenir, fortalecendo vínculos e promovendo espaços seguros de convivência

– Articular redes, integrando escola, saúde e assistência social

– Acolher e intervir, com responsabilidade ética diante de situações de crise

– Cultivar a cultura de paz, com base no respeito, no diálogo e na valorização das diferenças

Falar de violência na escola é também falar de responsabilidade coletiva. E a Psicologia tem muito a contribuir na construção de respostas que cuidem e transformem.

Acesse a íntegra da Nota Técnica CFP nº 8/2023.

Fórum Nacional Pela Redução da Desigualdade Social: CFP debate determinantes estruturais da saúde mental

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, no dia 12 de março, em Brasília/DF, de reunião do Fórum Nacional pela Redução da Desigualdade Social no Brasil. Na ocasião, o CFP destacou que a desigualdade social é um processo socialmente produzido, diretamente relacionado às formas de organização econômica, às políticas públicas e à alocação de recursos, com efeitos estruturais sobre a saúde mental da população.

Criado em 2016 pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon), o Fórum reúne cerca de 30 entidades nacionais. O objetivo é debater temáticas relacionadas ao enfrentamento das desigualdades no País, destacando o modelo tributário brasileiro; a proteção e a ampliação dos direitos sociais; a valorização do trabalho e da educação; a função social do Estado; e a defesa da democracia e da participação social para o controle das políticas públicas.

Durante o encontro, também foram debatidos os limites impostos por regras fiscais e pela dinâmica da dívida pública à expansão de políticas sociais, com destaque para os impactos dessas escolhas sobre a capacidade do Estado de reduzir desigualdades. Nesse contexto, o CFP ressalta que tais dimensões estruturam as condições concretas de vida e, portanto, a produção social do sofrimento psíquico.

Durante o encontro, a vice-presidenta do CFP, Thessa Guimarães, ressaltou que o enfrentamento da desigualdade social exige uma leitura integrada de seus determinantes econômicos, políticos e territoriais, bem como das escolhas institucionais que incidem sobre a garantia de direitos e a produção de saúde — um compromisso ético da Psicologia brasileira.

“A contribuição que a Psicologia agrega ao Fórum é explicitar como os processos estruturais do capitalismo se expressam na produção de sofrimento psíquico. A precarização do trabalho, o racismo, o sexismo e outras formas de desigualdade são dimensões de uma dinâmica social que impacta diretamente as condições de vida e saúde da população. Esses processos não são acidentais. Eles se relacionam a formas concretas de organização da sociedade, à distribuição desigual de recursos e oportunidades e às prioridades definidas nas políticas públicas”, ponderou a vice-presidenta do CFP.

No âmbito do Fórum, também foi apresentada a proposta de realização de debate público, em ano eleitoral, com candidaturas à Presidência da República, com o objetivo de discutir compromissos concretos para a redução das desigualdades no Brasil.

O CFP reafirma que o enfrentamento das desigualdades sociais constitui eixo estratégico para a consolidação de políticas públicas de saúde mental comprometidas com a justiça social e a produção de vida em condições de liberdade.

Psicologia fortalece diálogos sobre políticas públicas no campo da Saúde

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), representado pela conselheira-secretária Carolina Freire, participou da 375ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), realizada em Brasília/DF nos dias 11 e 12 de fevereiro.

A reunião teve como objetivo dialogar sobre pautas estratégicas para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo encaminhamentos do pleno executivo e demandas dos comitês, das comissões intersetoriais, dos grupos de trabalho e das câmaras temáticas do órgão colegiado.

“É importante que o Conselho Federal esteja presente nesse espaço de diálogo e deliberação coletiva para pautar o lugar da Psicologia nas políticas públicas, fortalecer a atuação da categoria profissional e contribuir para a ampliação do acesso ao nosso trabalho na saúde”, destacou a conselheira.

Entre os pontos da reunião estiveram o compartilhamento das demandas das conferências de saúde, como a 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora e a 18ª Conferência Nacional de Saúde, bem como as ações previstas para a Semana Mundial da Saúde, como os encontros estaduais e o edital para conselhos locais.

Psicologia na participação e no controle social

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) é um órgão colegiado e permanente que integra a estrutura do Ministério da Saúde e atua como espaço de controle social dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua função é acompanhar, fiscalizar e monitorar as políticas públicas na área, garantindo que as demandas da população sejam levadas ao poder público.

A Psicologia tem papel essencial nesse espaço, pois sua inserção na saúde pública, desde a regulamentação do SUS em 1990, trouxe contribuições significativas para a atenção psicossocial e para a defesa dos direitos humanos.

A conselheira-secretária Carolina Freire pontua que a presença da Psicologia no CNS reforça a importância de considerar a saúde mental como parte indissociável da saúde integral, além de destacar o protagonismo de psicólogas e psicólogos na formulação e acompanhamento das políticas públicas.

“Nosso compromisso é ampliar o olhar sobre as necessidades tanto de profissionais da Psicologia quanto da população que busca serviços no campo da saúde psicossocial, garantindo que aspectos emocionais, sociais e culturais sejam considerados nas diretrizes de saúde”, ressaltou Carolina Freire.

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Conselho Federal de Psicologia lança canal exclusivo no WhatsApp

Entidades da Psicologia brasileira se posicionam em defesa da vida, da democracia e da soberania na Venezuela

Diante da violação direta do Direito Internacional contra a Venezuela por parte dos Estados Unidos, infringindo a Carta da ONU, especialmente do artigo 2º, §4º, que proíbe ameaças ou uso da força contra a soberania de qualquer Estado, bem como do sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-combatente, Cilia Flores de Maduro, entidades e organizações da Psicologia brasileira assumem a urgência de seu pronunciamento e responsabilidade.

“O ataque dos EUA à Venezuela é criminoso não apenas juridicamente, mas ética e politicamente, por reiterar práticas colonialistas e imperialistas que desrespeitam a soberania regional, instrumentalizam crises internas e subordinam povos a interesses geopolíticos externos”, destaca o texto, que é assinado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e entidades da Psicologia de todo o País.

Confira neste link a íntegra da carta pública.

XIX Plenário CFP apresenta relatório com legados da gestão institucional 2023–2025

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) tornou público o Relatório Trienal 2023–2025, documento que sistematiza os principais resultados e legados do XIX Plenário, cuja gestão se encerra nesta sexta-feira (19).

Com o título “Da Ação ao Legado: síntese de uma trajetória institucional”, o relatório reafirma o compromisso da autarquia com a orientação do exercício profissional em suas dimensões éticas e políticas, a valorização da Psicologia, o fortalecimento de estruturas e governança do Sistema Conselhos de Psicologia.

Organizado a partir do Planejamento Estratégico 2023–2025, o documento apresenta uma visão integrada das ações realizadas ao longo do triênio, estruturadas em quatro eixos estratégicos: Exercício da Profissão, Incidência Política, Articulação em Rede e Aprendizagem e Desenvolvimento Institucional. Mais do que registrar entregas, o relatório destaca transformações estruturantes que permanecem para além do ciclo administrativo.

“Este relatório não é apenas um balanço de ações, mas a materialização de um projeto político e institucional comprometido com a ética, o fortalecimento da Psicologia como ciência e profissão e a promoção de direitos. Nosso esforço foi construir diretrizes, políticas, processos e estruturas que permaneçam, fortaleçam o Sistema Conselhos e assegurem uma Psicologia cada vez mais qualificada e socialmente referenciada”, destaca a presidenta do CFP, Alessandra Almeida.

Exercício Profissional
Entre os avanços no exercício profissional, o CFP consolidou marcos normativos, produziu referências técnicas e normativas em campos estratégicos de atuação como Psicologia Organizacional e do Trabalho, inteligência artificial, uso de telas por crianças e adolescentes e avaliação psicológica. A gestão do XIX Plenário também fortaleceu metodologias de orientação, fiscalização e ética, além de importantes iniciativas de preservação da memória da Psicologia brasileira, com a institucionalização de políticas permanentes e a ampliação de acervos históricos.

Incidência Política
No campo da incidência política, a gestão ampliou e qualificou a presença da Psicologia no Congresso Nacional, no Executivo Federal e em outros espaços estratégicos. Entre os destaques estão a atuação em defesa da regulamentação da psicoterapia, da jornada de até 30 horas e do piso salarial da categoria. Projetos e medidas importantes para a atuação profissional foram aprovados, como o que assegura a avaliação psicológica na renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), e a garantia da Psicologia como curso exclusivamente presencial no marco regulatório do ensino superior a distância. O CFP também ampliou sua presença na imprensa brasileira e passou a realizar campanhas publicitárias de valorização e reconhecimento da Psicologia.

Articulação em Rede
A articulação em rede foi fortalecida com a consolidação de parcerias nacionais e internacionais, a reativação e institucionalização da Rede PePSIC, o apoio a eventos científicos e a ampliação da presença do CFP em espaços de controle social, fóruns e conferências. A gestão também avançou na internacionalização da Psicologia brasileira, com cooperação ativa na América Latina, países lusófonos e outras referências internacionais.

Aprendizagem e desenvolvimento institucional
Já no eixo de aprendizagem e desenvolvimento institucional, o relatório evidencia a implantação de uma cultura de planejamento estratégico, governança, integridade e transparência. Destacam-se ainda os investimentos em inovação tecnológica, com avanços em hardware e software, a criação da Política Nacional de Tecnologia da Informação do Sistema Conselhos, a ampliação dos serviços digitais, a política de Dados Abertos e programas estruturantes de gestão de pessoas, ações afirmativas e formação de lideranças.

“Os legados desta gestão se traduzem em capacidades institucionais consolidadas, políticas permanentes e processos que fortalecem o Sistema Conselhos de Psicologia e ampliam a relevância pública da Psicologia como ciência e profissão, comprometida com a ética, os direitos humanos, a democracia e a justiça social”, reforça o texto.

O Relatório Trienal 2023–2025 está disponível no site do CFP.

CFP elabora diagnóstico técnico-científico inédito sobre formação e carreira na área

O XIX Plenário do Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulga a toda a categoria o documento “Demografia da profissão de psicóloga e psicólogo no Brasil” – iniciativa que pretende apresentar um diagnóstico técnico-científico sobre a formação e a carreira nesse campo no país. 

O conteúdo, que tem como marco temporal a década compreendida entre 2013 e 2023,  é resultado de um amplo estudo que teve como base de dados o Censo da Educação Superior, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), além de registros do próprio Sistema Conselhos de Psicologia, composto pelos conselhos Federal (CFP) e Regionais (CRPs).

Este primeiro relatório, de um total de quatro volumes que devem ser finalizados no próximo ano, analisa diversas questões relacionadas a quatro eixos estruturantes: a dinâmica da oferta de cursos e vagas; o perfil sociodemográfico de estudantes e concluintes; o desempenho acadêmico nos ciclos avaliativos do ENADE; e a inserção de psicólogas(os) no mercado de trabalho formal. 

Virgílio Bastos, conselheiro do CFP, explica que o relatório, desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP), é produto de um grupo de trabalho (GT) sobre formação em Psicologia. Para o conselheiro federal, o conteúdo reflete um esforço de tornar disponívelpara as comunidades acadêmica e profissional dados e evidências sobre o processo de formação, a realidade do ensino em Psicologia no país e seus impactos no exercício profissional e na inserção no mundo do trabalho.

De acordo com Virgílio Bastos, pela primeira vez o CFP reúne e analisa, de forma sistemática e longitudinal, dados sobre a trajetória de 345 mil profissionais que se formaram entre 2013 e 2023. “Esse relatório nos revela transformações profundas na profissão. A expansão dos cursos, a feminização da Psicologia, as desigualdades regionais e raciais e os diferentes padrões de inserção profissional. Trata-se de uma fonte rica de informações para se pensar estratégias de como lidar com a formação”, destaca o conselheiro.

Principais evidências

– A década de 2013 a 2023 testemunhou a consolidação de um modelo de expansão do ensino superior em Psicologia fortemente ancorado no setor privado, com fins lucrativos, e na interiorização da oferta.  

– A demografia discente da Psicologia brasileira sofreu alterações profundas impulsionadas por políticas de ação afirmativa e de financiamento estudantil. Embora o perfil elitista histórico da profissão tenha sido impactado, ainda não foi completamente rompido. Nesse sentido, a participação de pessoas negras (pretas e pardas) entre os concluintes triplicou na década analisada. No entanto, a análise granular revela uma “inclusão estratificada”. O crescimento da presença negra é mais acentuado nas instituições privadas beneficiárias de financiamento estudantil e nas faixas de renda familiar mais baixas.  

– A Psicologia mantém-se como uma profissão estruturalmente feminina, com mais de 80% de mulheres entre os concluintes. Apesar disso, as mulheres não ocupam proporcionalmente os topos das hierarquias salariais e acadêmicas.

– As instituições privadas, muitas vezes criticadas, estão absorvendo estudantes com maiores lacunas educacionais de origem. O desempenho inferior no ENADE reflete, em parte, essa dívida educacional pregressa. Contudo, o diferencial negativo significativo das privadas com fins lucrativos, mesmo após controles, sugere que o modelo de negócio focado em volume e redução de custos docentes têm impacto deletério na aprendizagem final.

– A análise de sobrevivência nos empregos (tempo de permanência) mostra uma alta rotatividade, especialmente no setor privado e no terceiro setor (Organizações Sociais de Saúde). Os dados sugerem uma “uberização” disfarçada, com contratos intermitentes ou de curta duração tornando-se a norma em muitos serviços terceirizados de saúde e assistência social, comprometendo a continuidade do vínculo terapêutico, elemento central da qualidade do serviço psicológico. 

– No tocante a questões de gênero, homens ganham mais que mulheres na Psicologia, e essa vantagem salarial aumenta com a idade e o tempo de carreira. 

– No recorte racial, profissionais negros recebem significativamente menos que brancos, e uma parte substancial dessa diferença não pode ser explicada por variáveis observáveis como idade, região ou tipo de emprego.

“Para o Sistema Conselhos, os dados aqui apresentados não são apenas indicadores, são evidências de riscos regulatórios. A persistência de hiatos salariais de gênero e raça, mesmo após controles estatísticos robustos, aponta para mecanismos de discriminação que demandam intervenção institucional. A concentração de estudantes em instituições com menores índices de desempenho acadêmico e suporte docente também sugere a necessidade de novos parâmetros de fiscalização e indução de uma formação de maior qualidade. Este relatório, portanto, articula o diagnóstico técnico com uma agenda de ação política, visando transformar a inteligência de dados em soberania profissional”, destaca o documento. 

Acesse aqui a íntegra do relatório.

CFP lança cartilhas destacando a Inteligência Artificial na Psicologia

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) acaba de lançar duas novas publicações que destacam as possibilidades e os riscos do uso da Inteligência Artificial (IA) no campo da Psicologia.

Acesse Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável e Chatbots, Inteligência Artificial e sua Saúde Mental: um guia para navegar com mais segurança na nova fronteira digital.

Os materiais são resultado da atuação do Grupo de Trabalho interno sobre IA e Psicologia, e buscam ampliar o debate sobre essa temática de forma ética, técnica e qualificada.

Na avaliação do conselheiro federal Virgílio Bastos, esse é um debate que precisa ser feito de maneira ampla e cautelosa. “A Inteligência Artificial é um caminho sem volta, com profundos impactos para a nossa categoria e a sociedade. O Conselho Federal de Psicologia está atento e seguirá dialogando sobre essa importante questão para orientar a atuação profissional de forma técnica, ética e responsável”, destacou.

Conheça as publicações:

  • Inteligência Artificial na Psicologia:Guia para uma prática ética e responsável

O guia constitui um conjunto de orientações gerais que busca auxiliar nos debates sobre o uso ético da IA no campo da Psicologia, atendendo a demanda da categoria e da sociedade.

Diante da crescente oferta dessas ferramentas e das complexas implicações de seu uso, o material pretende auxiliar a categoria profissional a tomar decisões informadas, proteger usuárias(os) de serviços psicológicos e garantir uma prática alinhada com as diretrizes do Código de Ética Profissional do Psicólogo e demais normativas vigentes na regulamentação do exercício profissional, conforme a legislação brasileira.

  • Chatbots, Inteligência Artificial e sua Saúde Mental: Um guia para navegar com mais segurança na nova fronteira digital

A publicação foi elaborada a partir de uma análise técnica aprofundada do CFP com base nas mais recentes pesquisas científicas. O objetivo do material é traduzir a complexidade do debate de especialistas em um manual de segurança e autonomia, para que suas escolhas sobre saúde mental na era digital sejam as mais seguras e informadas possíveis.

O guia é dividido em sete partes, que abordam questões como os riscos ocultos que essas ferramentas podem ter, segurança na navegação no uso das redes sociais, os direitos da população na era da saúde mental digital e o futuro do cuidado com o apoio no uso ético da tecnologia.

Nova Resolução do CFP regulamenta o exercício profissional da categoria na realização de perícia e assistência técnica psicológica em saúde mental

Foi assinada na terça-feira (16), pela presidenta do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Alessandra Almeida, a Resolução CFP nº 61/2025 – que regulamenta o exercício profissional da categoria na realização de perícia e assistência técnica psicológica em saúde mental relacionada ao trabalho, nos âmbitos judicial e administrativo.

Conforme determina a normativa, a Perícia Psicológica em Saúde Mental Relacionada ao Trabalho deve atender às demandas de investigação de possíveis agravos ou danos à saúde mental e à integridade pessoal relacionados ao contexto laboral, seja na forma presencial, remota ou híbrida.

A resolução também aponta que os procedimentos técnicos da perícia psicológica nesse campo envolvem, entre outras questões, a análise de documentos e registros técnicos sobre agravos, acidentes, adoecimentos e afastamentos relacionados ao trabalho; a coleta de depoimentos ou de relatos de trabalhadoras(es) relacionadas(os) ao caso, assegurada a voluntariedade e o respeito ao sigilo; a investigação in loco do ambiente e das condições de trabalho; e a identificação de evidências clínicas – além da análise de informações disponíveis sobre políticas, programas e ações de prevenção e proteção à saúde; bem como a emissão de laudo psicológico pericial fundamentado.

No âmbito administrativo, a Resolução CFP nº 61/2025 estabelece que a perícia psicológica constitui procedimento técnico-científico destinado a subsidiar a autoridade administrativa acerca da existência, a extensão e impactos de possível agravo ou dano à saúde mental e à integridade pessoal da trabalhadora e do trabalhador. Ressalta ainda que atuação interdisciplinar deve favorecer a construção conjunta de diagnósticos, pareceres e estratégias de intervenção, levando em consideração os múltiplos aspectos relacionados à saúde mental e ao ambiente de trabalho.

“Esse fenômeno requer uma atenção da Psicologia tanto na prevenção quanto na produção de análises técnicas que subsidiem decisões institucionais, administrativas e judiciais”, afirma o conselheiro federal Virgílio Bastos ao destacar que o documento é uma das entregas do Grupo de Trabalho Gestão e Saúde Psicossocial.

Acesse aqui a versão comentada da Resolução CFP nº 61/2025.

CFP debate o papel da Psicologia frente à crise climática em evento sobre a COP30

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, em 18 de novembro, do evento “COP30: Psicologias para Adiar o Fim do Mundo”. Promovida pelo Conselho Regional de Psicologia da 10ª Região (CRP PA/AP), a iniciativa buscou fortalecer a integração da Psicologia na Região Norte e debater os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

A atividade reuniu profissionais, estudantes e lideranças da categoria. Realizado em parceria com o CRP 20 (AM/RR) e o CRP 24 (AC/RO), o encontro reafirmou o compromisso institucional do Sistema Conselhos de Psicologia com a promoção dos direitos humanos e a proteção da vida em todas as suas dimensões, colocando em pauta o enfrentamento ao racismo ambiental que atravessa os territórios amazônicos.

A presidenta do CFP, Alessandra Almeida, destacou a importância do rigor técnico e ético na atuação profissional diante da crise climática. Ressaltou ainda que, em situações de emergências e desastres, é fundamental que as(os) psicólogas(os) sigam as diretrizes disponibilizadas pelo Conselho Federal de Psicologia acerca da temática, lembrando que a Autarquia oferece conteúdo sólido e consolidado de referências e notas técnicas para orientar a prática.

Alessandra Almeida também enfatizou a necessidade de transversalizar a questão ambiental em toda a ciência psicológica, superando a compreensão de que o tema seria apenas uma especialidade isolada. “Assim como a gente não pode mais conceber Psicologia sem o aspecto social, também não dá mais para pensar em algum tipo de ciência psicológica que não seja pensada a partir da Psicologia Ambiental, exatamente porque a categoria lida com subjetividades que acontecem a partir deste território”, pontuou a presidenta.

Ao longo do debate, foram discutidos os impactos subjetivos e coletivos gerados pelo agravamento das crises ambientais, destacando como as emoções, os vínculos sociais e os modos de vida são diretamente afetados.

O evento evidenciou que os efeitos dessa crise não são distribuídos de forma igualitária: povos indígenas, pessoas negras, populações ribeirinhas e comunidades tradicionais vivenciam essas consequências de maneira desproporcional, reflexo de desigualdades históricas e estruturais.

As discussões apontaram para a urgência de fortalecer práticas psicológicas descolonizadas e sensíveis às realidades territoriais, valorizando saberes ancestrais na construção de estratégias de cuidado, resistência e justiça climática.