CFP intensifica ações para implementação da lei que determina a contratação de profissionais de Psicologia nas escolas

No primeiro semestre de 2026, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) realizou diversas ações de articulação institucional e produção de conhecimento para contribuir com a implementação da Lei 13.935/2019, que determina a contratação de profissionais de Psicologia e Serviço Social nas redes públicas de educação básica, lei aprovada há setes anos mas que segue com a implementação lenta. 

O CFP busca contribuir para a implementação da Lei 13.935 a partir de duas frentes de trabalho. A Gerência de Relações Institucionais (GRI) coordena as ações de articulação institucional, sob supervisão da conselheira do CFP Maria do Socorro Pimentel e do conselheiro Rômulo Mafra. Em paralelo, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) coordena a atualização das Referências Técnicas para atuação de psicólogas/as em políticas públicas na Educação Básica.

A conselheira do CFP Maria do Socorro Pimentel explica que a mobilização pela presença de profissionais da Psicologia nas escolas é parte da luta por uma educação pública de qualidade, inclusiva e emancipadora, que garanta o enfrentamento de violências e a promoção da qualidade de vida da comunidade escolar. “A escola deve ser compreendida como um espaço de desenvolvimento humano integral, onde as dimensões sociais e relacionais são indissociáveis da aprendizagem”, destaca.

Para o conselheiro Rômulo Mafra, a implementação da Lei 13.935/2019 tem sido prejudicada pela fragilidade da forma como as/os psicólogas/os têm sido contratadas/os por redes de ensino e pela maneira que as redes têm preparado as/os profissionais para atuar nas escolas. O conselheiro aponta que é preciso construir estratégias para fortalecer a maneira como a Psicologia chega às escolas, já que a Lei 13.935 prevê que as/os profissionais atuem de forma pedagógica, e não clínica.

Articulação Institucional

O CFP articula ações conjuntas com diversos grupos da sociedade civil e do governo interessados na implementação da Lei 13.935/2019. O conselho faz parte da Coordenação Nacional da Implementação da Lei nº 13.935/2019 junto com o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), a Federação Nacional de Psicólogos (FENAPSI), a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) e a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS). Essas organizações atuam em conjunto pela presença de profissionais de psicologia e serviço social nas escolas desde 2000, quando foi elaborado o Projeto de Lei nº 3.688/2000, que deu origem à lei promulgada em 2019.

No primeiro semestre de 2026, as organizações da Coordenação Nacional da Implementação da Lei nº 13.935 colaboraram para a elaboração de sugestões para a regulamentação da lei, no contexto de uma consulta pública organizada pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE). Há um esforço contínuo para que a articulação em nível nacional aconteça também nas regiões e nos municípios, evitando ações isoladas.

Representantes do CFP também se reuniram com a Coordenação de Estratégia de Educação Básica do MEC para definir estratégias de formação continuada e de monitoramento da contratação de psicólogas/os na educação básica. O CFP estuda criar um curso autoinstrucional assíncrono para psicólogas(os) na plataforma do Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (AVAMEC). Além disso, CFP e MEC estão trabalhando juntos para compartilhamento de informações e elaboração de novos projetos.

Finalmente, em junho de 2026, a Gerência de Relações Institucionais (GRI) do CFP promoveu um ciclo de escuta ativa sobre a atuação da Psicologia na Educação com os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs), realizando reuniões virtuais sequenciais com as Comissões de Educação das regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. O mapeamento regional evidenciou gargalos estruturais para uma presença qualificada da Psicologia nas escolas: alta carga horária, precarização via contratos temporários e desvio para funções clínicas. Os dados coletados serão estratégicos para fundamentar ações de mobilização social, incidência política, qualificação da gestão pública e aperfeiçoamento do financiamento para a implementação da Lei nº 13.935.

Produção de conhecimento

Enquanto a Gerência de Relações Institucionais (GRI) articula ações para a implementação da lei com CRPs, organizações da sociedade civil e governo, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) coordena a atualização das Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas na Educação Básica. O processo de elaboração de uma minuta de referências técnicas é acompanhado por uma comissão composta por especialistas no campo da Psicologia Escolar e Educacional, por conselheiras(os) do CFP e pela equipe técnica do CREPOP.

O documento em elaboração prevê a discussão sobre mecanismos de financiamento público para a implementação das equipes multiprofissionais. A minuta também aborda os marcos regulatórios e as condições necessárias para que a inserção de psicólogas/os e assistentes sociais nas escolas não se limite à reprodução de modelos clínicos, individualizantes ou medicalizantes, mas contribua com uma educação inclusiva e antirracista, comprometida com o enfrentamento das desigualdades e violências institucionais dos sistemas educacionais.

A abordagem sobre educação indígena, quilombola e relações étnico-raciais é alinhada às leis 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, e 11.645/2008, que ampliou essa determinação para incluir a História e a Cultura dos Povos Indígenas.

Após a elaboração de uma minuta das “Referências Técnicas para atuação de psicólogas/os em políticas públicas na Educação Básica”, o documento será disponibilizado para críticas e sugestões em uma consulta pública e será revisado. A previsão é que o texto final seja publicado no primeiro semestre de 2027.

Psicologia: Ciência e Profisssão lança edital para publicação de artigos sobre Crise Climática e Racismo Ambiental

Com o objetivo de reunir estudos no campo da Psicologia que contribuam para a compreensão e o enfrentamento da crise climática e do racismo ambiental, considerando seus impactos psicossociais, éticos, políticos e territoriais, a Revista Psicologia Ciência e Profissão (PCP) lança edital para publicações de artigos para compor a futura edição especial da Revista Psicologia: Ciência e Profissão (PCP) que abordará o tema “Crise Climática e Racismo Ambiental”.

O edital foi lançado e está publicado no Diário Oficial da União (DOU) e as submissões deverão ser realizadas exclusivamente por meio da plataforma da Revista Psicologia: Ciência e Profissão (https://submission.scielo.br/index.php/pcp/login), de 1° a 15 de outubro de 2026.

Poderão submeter artigos: pesquisadoras/es, docentes, profissionais e estudantes, individualmente ou em coautoria, nacionais ou estrangeiros, desde que observem as Diretrizes para Autores e a Política Editorial do periódico Psicologia: Ciência e Profissão. Conheça-as clicando aqui.

As/Os autoras/es deverão possuir cadastro ORCID ativo. Quando nenhuma das autoras ou nenhum dos autores possuir graduação completa em Psicologia ou área afim, o manuscrito deverá contar com a coautoria de pessoa com formação em uma dessas áreas.

Os trabalhos devem estar relacionados aos seguintes eixos: crise climática, Psicologia e Direitos Humanos; racismo ambiental, justiça climática e desigualdades sociais; povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades de terreiro, povos ribeirinhos, defesa do território e bem viver; e políticas públicas, saúde mental e enfrentamento da crise climática.

Avaliações

Para os coeditores da PCP, este futuro número especial representa parte do reconhecimento de que a saúde mental se tece no emaranhado de histórias, memórias, relações, saberes e territórios e que o sofrimento psíquico também é produzido quando vidas, paisagens, culturas e formas de habitar a Terra são sistematicamente tornadas descartáveis. 

“A crise climática intensifica desigualdades sociais e raciais historicamente constituídas, atingindo de forma desproporcional populações racializadas, empobrecidas e sistematicamente privadas de direitos, evidenciando que seus impactos são inseparáveis das escolhas políticas, econômicas e dos processos históricos que estruturam as sociedades”, destacam as/os conselheiras/os do CFP e coeditoras/es do periódico.

Para a coeditora Miriam Alves, esta edição foi pensada a partir do reconhecimento de que a crise climática também é uma questão psicossocial, ética, política e territorial. “A proposta então é reunir produções que articulem crise climática, racismo ambiental, saúde mental, direitos humanos e defesa dos territórios, valorizando também os saberes e as experiências de povos e comunidades tradicionais”, justifica.

Alves também aponta que a edição busca contribuir para ampliar o debate da Psicologia sobre os desafios contemporâneos, evidenciando que saúde mental, território, desigualdades sociais e raciais e condições de vida estão profundamente articulados. “Para a PCP, representa também a abertura de espaço para diferentes perspectivas epistemológicas e práticas de cuidado comprometidas com a justiça climática e a defesa da vida”, aponta.

Para o coeditor Rafael Wolski as mudanças climáticas constituem um dos principais desafios contemporâneos para a saúde e para a organização das políticas públicas, produzindo impactos que ultrapassam os danos materiais e ambientais e incidem diretamente sobre as condições de vida, os modos de existência e os processos de saúde e sofrimento das populações.

“Neste sentido, esta edição foi pensada para articular a Crise Climática e Racismo Ambiental, entendendo que a crise climática não atinge as populações da mesma forma. A construção de respostas da nossa categoria diante da crise climática demanda, portanto, a visibilização de práticas territorializadas, intersetoriais e comprometidas com a equidade, a justiça climática e o enfrentamento das diferentes formas de desigualdade”, complementa Wolski.

Segundo Rafael, a Revista PCP tem um papel estratégico na publicização da produção de conhecimento para psicólogas/os e também para outras profissões. “Frente às mudanças no clima e aos sucessivos eventos críticos que temos presenciado em nosso país e no mundo, reunirmos artigos que abordem estas temáticas, nesta edição, é de extrema importância para a psicologia e para a população”.

Saiba mais acessando o Edital de chamamento para publicar na Edição Especial do periódico PCP “Crise Climática e Racismo Ambiental”.

Saiba mais:

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Leia os artigos publicados na Revista PCP em 2026

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Curso “Criança Não É Mãe” abre segunda turma para profissionais da rede de proteção a crianças e adolescentes

Estão abertas as inscrições para a segunda turma do curso de extensão Criança Não É Mãe: fortalecendo o atendimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) a vítimas de violência sexual. A formação é voltada a profissionais das diferentes áreas que atuam no atendimento, encaminhamento e proteção de crianças e adolescentes.

Gratuito, online e assíncrono, o curso permite que as pessoas participantes acompanhem as aulas de acordo com sua disponibilidade. O objetivo é qualificar a atuação articulada do SGDCA no enfrentamento da violência sexual infantil, oferecendo subsídios técnicos e teóricos para fortalecer o trabalho intersetorial dos serviços de proteção.

Realizada pela Campanha Criança Não É Mãe, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Universidade de Brasília (UnB), a iniciativa recebe inscrições até 6 de setembro. As aulas acontecem entre 14 de setembro e 31 de dezembro.

Com vagas limitadas a 1 mil participantes, as pessoas interessadas devem preencher o formulário de inscrição e aguardar um e-mail de validação contendo as para acesso à plataforma. O certificado será emitido pela UnB para quem cumprir toda a carga horária e responder ao formulário final.

Serviço

Curso: Criança Não É Mãe: Fortalecendo o Atendimento do SGDCA a Vítimas de Violência Sexual
Vagas: 1.000
Formato: online e assíncrono (12 aulas)
Período do curso: 14 de setembro a 31 de dezembro de 2026
Inscrições gratuitas: até 6 de setembro, pelo link bit.ly/InscriçãoCursoCNEM
Dúvidas e informações: criancanaoemae@gmail.com

 

com informações da Campanha Criança Não É Mãe

CFP divulga resultado da seleção de pareceristas do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos

O resultado do processo seletivo para pareceristas ad hoc do Satepsi (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos) foi publicado na quinta-feira (27) no Diário Oficial da União (DOU). As regras da seleção de pareceristas foram divulgadas no DOU no Edital nº 3/2026, de 6 de maio de 2026. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) recebeu inscrições de candidatos até 31 de julho de 2026.

O Satepsi foi desenvolvido pelo CFP com o objetivo de divulgar informações sobre testes psicológicos à sociedade e às/aos psicólogas/os, a partir da avaliação objetiva de requisitos técnicos e do respeito a direitos humanos. Para avaliar testes psicológicos, o Satepsi seleciona, a cada três anos, candidatas/os a pareceristas com graduação, doutorado e pelo menos três publicações científicas na área de Psicologia.

Confira abaixo os nomes dos 61 pareceristas aprovados no processo seletivo para 2026/2028:

Adriana Satico Ferraz
Alessandro Antonio Scaduto
Alexsandro Luiz de Andrade
Aline Cristina Antonechen
Ana Paula Salvador
Ariela Raissa Lima Costa
Bruno Bonfá Araujo
Camila Rosa de Oliveira
Carla Sasso Simon
Carlos Manoel Lopes Rodrigues
Clarissa Pinto Pizarro de Freitas
Cyntia Mendes de Oliveira
Edson Junior Silva da Cruz
Emanuel Duarte de Almeida Cordeiro
Emmy Uehara Pires
Euclides José de Mendonça Filho
Fabián Javier Marín Rueda
Fabiano Koich Miguel
Flávia de Lima Osório
Germano Gabriel Lima Esteves
Guilherme Welter Wendt
Gustavo Henrique Martins
Gustavo Marcelino Siquara
Heloisa Barbara Cunha Moizeis
Ionara Dantas Estevam
Janaína Aparecida de Oliveira Augusto
Jaqueline de Carvalho Rodrigues
Jeferson Gervasio Pires
João Lucas Dias Viana
José Augusto Evangelho Hernandez
Karina da Silva Oliveira
Laís Santos Vitti
Leogildo Alves Freires
Leonardo de Oliveira Barros
Ligia de Santis
Livia Maria Bedin Tomasi
Luan Paris Feijo
Luis Henrique Paloski
Luiz Fellipe Dias da Rocha
Luiz Renato Rodrigues Carreiro
Maíra Lopes Almeida
Marcela Mansur Alves
Marck de Souza Torres
Márcia Calixto dos Santos
Márcia Leonardi Baldisserotto
Maria Gabriela Costa Ribeiro
Maynara Priscila Pereira da Silva
Michelle Morelo Pereira
Monalisa Muniz Nascimento
Pâmela Fardin Pedruzzi
Pedro Afonso Cortez
Prisla Ücker Cavetti
Ricardo Franco de Lima
Rodolfo Augusto Matteo Ambiel
Silvana Alba Scortegagna
Sonia Regina Pasian
Tainá Rossi
Taís Chiodelli
Tamyres Tomaz Paiva
Valéria Gonzatti
Washington Allysson Dantas Silva

CREPOP abre consulta pública sobre Referências Técnicas para Atuação de Profissionais da Psicologia junto às Políticas Públicas sobre Suicídio e Posvenção

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP), inicia nesta sexta-feira (14) a consulta pública para colher subsídios de profissionais de Psicologia para a futura publicação das Referências Técnicas para Atuação das/os Psicólogas/os junto às Políticas Públicas sobre Suicídio e Posvenção. A consulta pública permanecerá aberta até 12 de setembro de 2026.

A consulta pública é uma das etapas fundamentais que antecedem o lançamento de todas as referências técnicas do Sistema Conselhos. O objetivo é promover uma escuta ampla, democrática e participativa junto à categoria, buscando o aprimoramento da minuta a partir de sugestões de profissionais com experiência prática e acúmulo teórico sobre a política pública.

Passo a passo para participação

Para enviar suas contribuições às Referências Técnicas para Atuação das Psicólogas junto às Políticas Públicas sobre Suicídio e Posvenção, siga as seguintes orientações.

Leitura prévia: Baixe e realize a leitura integral do texto preliminar destinado à consulta pública.

Envio de contribuições: Acesse o formulário eletrônico e insira seus comentários e sugestões, considerando cada eixo estruturante que organiza a publicação.

Fique atento ao prazo: O formulário estará disponível para preenchimento até 12 de setembro de 2026. Após essa data, todas as contribuições serão consolidadas e encaminhadas à consultoria para a redação da versão final do documento.

Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal do CREPOP.

Sobre o CREPOP

O Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) é uma iniciativa do Sistema Conselhos de Psicologia (CFP e CRPs) que visa qualificar, orientar e mapear a atuação de psicólogas e psicólogos nas diversas políticas públicas do país.

Além de seu caráter técnico, o CREPOP exerce uma função ético-política fundamental: ética, ao balizar uma práxis profissional comprometida com a garantia de direitos e com a dignidade humana; e política, ao demarcar o papel crítico da Psicologia como ferramenta de transformação social e fortalecimento das políticas públicas.

Conheça o catálogo completo de Referências Técnicas já publicadas pelo CREPOP.

CFP contribui em discussão sobre métodos projetivos 

A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP) representou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) no XII Congresso da Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos (ASBRo), realizado de 29 a 31 de julho de 2026, em Fortaleza (CE). O encontro reuniu profissionais, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores para debater avanços científicos, técnicos, éticos e sociais no campo da avaliação psicológica.

Para a coordenadora da CCAP e conselheira federal Andréa Chamon, o congresso constituiu um importante espaço de interlocução entre o CFP e a comunidade científica e profissional da área.

“O congresso foi um importante espaço de trabalho, incidência institucional e diálogo com profissionais, pesquisadoras e pesquisadores. A participação da CCAP reafirmou o compromisso do CFP e do Plenário 2.0 com uma avaliação psicológica cientificamente fundamentada, ética, socialmente responsável e comprometida com os direitos humanos”, destaca Andréa Chamon.

Participação da CCAP no Congresso

Durante o evento, integrantes da CCAP participaram de diferentes atividades da programação, contribuindo para os debates sobre os fundamentos científicos, técnicos, éticos e políticos da avaliação psicológica.

Entre as atividades, destacou-se o workshop “Elaboração de Documentos Psicológicos”, ministrado por Andréa Chamon e pela integrante da CCAP Daiana Meregalli Schütz. A atividade discutiu os requisitos técnicos e éticos relacionados ao registro e à elaboração de documentos produzidos por psicólogas e psicólogos, considerando sua finalidade, a responsabilidade na comunicação das informações, o sigilo profissional e as normativas vigentes.

A programação também contou com uma mesa-redonda dedicada à trajetória e à importância do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), com a participação de Ana Paula Porto Noronha, Andréa Chamon e Hugo Ferrari Cardoso. Foram discutidos o processo histórico de constituição do Sistema, seu papel na avaliação da qualidade técnico-científica dos testes psicológicos e os desafios contemporâneos para o seu aprimoramento.

Na atividade, Andréa Chamon apresentou o trabalho “A Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, o SATEPSI e os desafios para uma Avaliação Psicológica interseccional”. A exposição destacou que a qualidade dos testes psicológicos não pode ser reduzida aos requisitos psicométricos tradicionais, devendo contemplar também validade cultural, acessibilidade, justiça, representatividade e direitos humanos. A discussão considerou como raça, gênero, classe, deficiência e outros marcadores sociais atravessam a produção das evidências científicas, as condições de participação nos processos avaliativos e a interpretação dos resultados.

Outro eixo da participação foi o debate sobre métodos projetivos e interseccionalidade. Andréa Chamon apresentou o trabalho “Técnicas Projetivas Gráficas, Personalidade e Interseccionalidade: correlações interpretativas entre o DFH e o HTP”, no qual discutiu possibilidades de articulação entre o Desenho da Figura Humana (DFH) e o House-Tree-Person (HTP).

A apresentação problematizou interpretações universalizantes das produções gráficas e defendeu a formulação de hipóteses interpretativas situadas, integradas a outras fontes de informação e atentas aos contextos sociais, históricos e culturais das pessoas avaliadas. Também foi destacada a necessidade de ampliar os estudos normativos e as evidências de validade dos métodos projetivos, com amostras mais diversas e culturalmente representativas.

Também integrou a programação a mesa-redonda “Evidências científicas e validade dos testes projetivos”, com a participação dos integrantes da CCAP Gabriel Vitor Acioly Gomes, Vithor Rosa Franco e Ana Deyvis Santos Araújo Jesuíno. A atividade promoveu discussões sobre os fundamentos científicos, as evidências de validade e os critérios técnicos e éticos relacionados à utilização responsável dos métodos projetivos no exercício profissional.

Parecer Cofen nº 28/2026

Durante o congresso, a CCAP também realizou uma reunião de trabalho para aprofundar a análise técnica do Parecer Cofen nº 28/2026 e produzir subsídios para o acompanhamento das medidas institucionais e judiciais adotadas pelo CFP.

Em 29 de julho de 2026, o CFP ajuizou ação civil pública com pedido de tutela de urgência para tornar sem efeito o parecer do Conselho Federal de Enfermagem, que autoriza profissionais da Enfermagem a aplicarem, no âmbito da saúde mental, os Inventários de Beck de Ansiedade (BAI) e de Depressão (BDI).

“A CCAP e a equipe técnica do CFP aprofundaram a análise do Parecer Cofen nº 28/2026 e produziram subsídios técnicos para o acompanhamento e os desdobramentos das medidas adotadas pelo Conselho. Esse trabalho reafirma a defesa da avaliação psicológica como processo técnico-científico e das atribuições privativas da Psicologia”, afirma Andréa Chamon.

Sobre a CCAP

Criada em 2003, a Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica é um órgão colegiado de caráter consultivo do CFP. Compete à Comissão discutir e propor diretrizes, normas e resoluções no campo da avaliação psicológica, bem como conduzir o processo de avaliação dos testes psicológicos submetidos ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI).

As contribuições da CCAP subsidiam as deliberações do Conselho Federal de Psicologia e o desenvolvimento de ações voltadas à qualificação científica, técnica, ética e social da avaliação psicológica no Brasil.

Psicologia e Mulheridades: CFP realiza diálogo sobre direitos e proteção social de mulheres negras

Romper com perspectivas hegemônicas e tensionar bases eurocêntricas para construir uma Psicologia ancorada no chão dos territórios brasileiros: esse é o alicerce para uma atuação ética e científica na superação das violências de gênero. Em continuidade ao ciclo de debates em torno do tema Psicologia e Mulheridades, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveu, por meio de sua Comissão de Direitos Humanos (CDH), a transmissão ao vivo do encontro Enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio: perspectivas de mulheres negras idosas, quilombolas e com deficiência.

A atividade foi realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrados em 25 de julho. Mediado pelas conselheiras federais e coordenadoras da CDH/CFP, Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, o encontro colocou em pauta a urgência de qualificar a escuta e a intervenção profissional a partir da interseccionalidade, garantindo que o cuidado psicológico seja um instrumento efetivo de promoção da vida e dos direitos humanos.

Jaqueline Gomes de Jesus destacou a continuidade das ações formativas da comissão frente às múltiplas formas de violência. “A transmissão dá prosseguimento às atividades presenciais e virtuais que a Comissão de Direitos Humanos tem realizado no enfrentamento ao feminicídio e à violência de gênero em toda a sua multiplicidade, reafirmando o compromisso da Psicologia com a vida de todas as mulheres”, pontuou a coordenadora.

Vanessa Terena reforçou a urgência de uma escuta atenta e qualificada aos territórios e às singularidades brasileiras. “A Psicologia brasileira precisa se perguntar se está de fato preparada para ouvir esses coletivos, suas realidades e as diversas pluralidades que o Brasil detém. É fundamental que a categoria conheça o nosso território e o Brasil de fato”, frisou a coordenadora.

A conselheira federal e integrante do Conselho Nacional da Pessoa Idosa (CNDPI), Maria do Socorro Pimentel, abriu sua exposição destacando a necessidade de resgatar o legado ancestral de líderes negras como Tereza de Benguela. Em sua fala, pontuou as violências específicas enfrentadas pelas mulheres negras na velhice, marcada pelo triplo impacto do racismo, do sexismo e do etarismo (ou idadismo).

Maria do Socorro Pimentel denunciou a invisibilização social e a negação de direitos que acometem essa  população. “Chegar à velhice em um país atravessado por tantas desigualdades é um ato de resistência e desobediência. A nossa velhice não pode ser vista como um fardo, mas como um acervo vivo de conhecimento”, pontuou. A psicóloga reforçou que a atuação da categoria junto a essa população exige uma clínica despatologizada, letrada racialmente e atenta às singularidades territoriais.

Representando a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a pedagoga Edna Paixão e liderança da comunidade Sítio Boa Vista, em Afrânio (PE), trouxe a dimensão do viver quilombola e a luta pela preservação da terra. Edna Paixão enfatizou que a lentidão do Estado na regularização fundiária gera insegurança e adoece as mulheres, que permanecem na linha de frente da defesa dos territórios.

A liderança chamou atenção para a necessidade de desconstruir práticas engessadas na Psicologia. “Não dá para acolher a mulher quilombola com receitas prontas. É preciso um olhar letrado racialmente e territorializado que escute a nossa realidade. Proteger essa mulher é proteger o território e a nossa ancestralidade”, destacou.

A perspectiva das mulheres com deficiência foi apresentada pela psicóloga e especialista em Saúde Mental, Inclusão e Direitos Humanos, Cleciane Cruz. A palestrante convidou a categoria a reconhecer o capacitismo como um determinante social de desigualdade que atua de forma entrelaçada ao racismo, ao patriarcado e à vulnerabilidade econômica.

Cleciane Cruz alertou sobre como a falta de acessibilidade urbana e institucional, aliada à ausência de diagnósticos precoces e ao isolamento doméstico, expõe mulheres com deficiência a ciclos silenciosos de violência. “É fundamental despatologizar a deficiência, reconhecer o capacitismo nas nossas estruturas e olhar para as mulheres com deficiência a partir do protagonismo, da autonomia e da potência”, defendeu.

Ao longo do diálogo, as coordenadoras da CDH/CFP, Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, reforçaram que a transmissão integra uma série de ações formativas e publicações do Sistema Conselhos voltadas a subsidiar o trabalho de psicólogas e psicólogos em todo o território brasileiro. As conselheiras destacaram que a Psicologia precisa reconhecer as pluralidades do país e se aproximar das redes comunitárias de apoio para que a atuação profissional seja, de fato, transformadora.

No canal oficial do CFP no YouTube, está disponível a playlist da série Psicologia e Mulheridades, contendo a íntegra da live Enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio: perspectivas de mulheres negras idosas, quilombolas e com deficiência ,da live Mulheres Vivas: a Psicologia contra o feminicídio, bem como, o 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades.

CFP dialoga sobre educação democrática e implementação da Lei 13.935/2019 no 17º Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) marcou presença no 17º Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional (CONPE), realizado de 27 a 29 de julho de 2026, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), em Cascavel/PR. 

Promovido pela Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), o evento teve como tema Psicologia escolar e educacional e a valorização do trabalho docente: escola presente!, incentivando reflexões, divulgação de pesquisas e proposição de ações voltadas à valorização do trabalho docente, ao fortalecimento da escola pública e ao papel da Psicologia no desenvolvimento afetivo-cognitivo de estudantes em todo o território brasileiro. 

Durante o 17º CONPE, a delegação do CFP participou de mesas, debates, painéis e minicursos voltados a integrar a produção científica às práticas cotidianas da Psicologia Escolar e Educacional, construindo pontes e fortalecendo a atuação em interface com a educação, os direitos humanos e o serviço social. 

Na cerimônia de abertura, a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou a relevância histórica da especialidade e ressaltou o caráter transformador e acolhedor da atuação profissional nas instituições de ensino. A presidenta defendeu uma atuação antirracista, anticapacitista e antissexista, voltada para a garantia de direitos e para o enfrentamento das desigualdades que atravessam o cotidiano de estudantes historicamente marginalizados.

Ivani Oliveira reafirmou ainda a urgência da implementação da Lei 13.935/2019, que assegura a presença de psicólogas, psicólogos e assistentes sociais nas redes públicas de educação básica, reforçando o compromisso contínuo do CFP em dialogar com gestores públicos e instâncias legislativas para fortalecer a categoria na ponta. 

“A nossa luta é por uma escola viva, acolhedora, e essa luta é diária. A presença da Psicologia na educação não vem para substituir a pedagogia, mas para somar forças na construção de um projeto emancipatório de sociedade”, pontuou a presidenta. 

No fórum Implantação da Lei 13.935/2019: Desafios para Psicologia e o Serviço Social, a conselheira federal Maria do Socorro Pimentel destacou a importância de assegurar financiamento permanente e carreiras estruturadas para o trabalho multiprofissional no cotidiano escolar. A conselheira compartilhou o diagnóstico fruto da escuta ativa promovida pelo CFP junto aos 24 Conselhos Regionais, apontando os gargalos orçamentários, a precarização dos vínculos e a necessidade de concursos públicos.

Maria do Socorro Pimentel ressaltou a atuação institucional junto ao Congresso Nacional para a aprovação do Projeto de Lei 3599/2023, que visa incluir psicólogas e assistentes sociais na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como profissionais da educação, garantindo acesso aos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“Psicologia, Serviço Social e Pedagogia formam o tripé do cotidiano do chão da escola. A escola deve ser compreendida como um espaço de desenvolvimento humano integral, onde as dimensões sociais e relacionais são indissociáveis da aprendizagem”, destacou a conselheira. 

Nesse debate, a mesa Contra a exclusão social e o racismo: o compromisso ético-político da Psicologia Escolar na garantia do direito à educação reafirmou o papel da Psicologia no acolhimento e no respeito às singularidades no ambiente de ensino. Na atividade, a conselheira Maria do Socorro Pimentel destacou a dimensão ética e inclusiva da atuação profissional, enfatizando o valor do pertencimento e a promoção de uma ciência comprometida com a diversidade territorial, racial e de gênero. 

“É uma Psicologia que nós queremos para todos e todas, independente da cor da pele, da orientação sexual, da sua naturalidade e da sua territorialidade. Viva a Psicologia brasileira, viva a Educação e uma Psicologia antirracista”, salientou a conselheira. 

Formação, internacionalização, tecnologia e arte na escola

As trocas sobre a prática profissional, a formação docente e os diferentes contextos de atuação integraram a participação do conselheiro federal Daniel Melo no 17º CONPE. Na comunicação oral Sementes do amanhã: Psicologia e educação na defesa dos direitos humanos Daniel Melo abordou o compromisso ético-político e estético da profissão ao apresentar uma iniciativa que articula Psicologia e ensino de arte no contexto escolar e extraescolar, além de participar de diálogo sobre a atuação em comunidades rurais e escolas do campo.

Daniel Melo ministrou também a oficina Formação docente: cultura e arte na educação, voltada a educadoras e educadores da rede pública local. “Foi uma oportunidade de levar o conteúdo e as reflexões de uma Psicologia interseccional articulada às práticas artísticas no ambiente escolar”, ressaltou o conselheiro.

Na comunicação oral Formação em Psicologia e Desafios para o Exercício Profissional no Brasil e Portugal, voltada aos desafios da internacionalização da Psicologia, o conselheiro compartilhou a articulação realizada junto à Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) para subsidiar a atuação de profissionais brasileiras(os) em Portugal e no exterior.

O conselheiro também integrou a mesa Contra a exclusão social e o racismo: o compromisso ético-político da Psicologia Escolar na garantia do direito à educação, ao lado da conselheira Maria do Socorro Pimentel, em que debateu as pautas sobre branquitude e relações de poder no ambiente escolar.

“Participei de atividades muito importantes para a Psicologia, em que se debateu a arte, o combate às desigualdades, direitos humanos e os trabalhos do psicólogo no universo escolar e educacional”, relatou Daniel Melo.

A mediação das novas linguagens tecnológicas na educação e as formas de diálogo no cotidiano acadêmico integraram as contribuições trazidas pelo conselheiro federal Rômulo Mafra. Ao participar das conversas sobre o uso construtivo de ferramentas digitais no cotidiano escolar, no fórum Psicologia, educação tecnológica e educação superior, o conselheiro destacou os impactos dessas tecnologias no relacionamento interpessoal e lembrou que a Autarquia disponibiliza materiais orientativos em seu site oficial para apoiar a categoria e a docência. 

“Discutimos a respeito dos desafios de como a Psicologia pode contribuir para o uso dessas ferramentas que passaram a integrar a Educação e têm influenciado as relações interpessoais”, destacou Rômulo Mafra. 

Compromisso com as políticas públicas e a sociedade 

Ao fazer um balanço do diálogo construído pela delegação no evento [confira galeria de fotos], a presidenta Ivani Oliveira sintetizou os eixos fundamentais que orientam o trabalho do Conselho Federal de Psicologia na interface com o campo educacional.

A presidenta reforçou que a atuação da Autarquia se justifica pela defesa da escola pública, pelo enfrentamento às desigualdades e pela garantia de uma formação profissional qualificada, crítica e engajada com os desafios da contemporaneidade. “O CFP se faz presente para que tenhamos uma Psicologia forte em defesa das políticas públicas de educação e em proteção à sociedade brasileira”, concluiu Ivani Oliveira.

 

Rede CREPOP atualiza metodologia de elaboração de referências técnicas

O Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) está realizando um estudo piloto para a atualização de seu processo metodológico para a produção de referências técnicas. Uma nova metodologia de pesquisa está sendo avaliada no contexto da elaboração das Referências Técnicas para Cuidados Paliativos no Sistema Único de Saúde (SUS). A atualização metodológica busca criar mecanismos que permitam a flexibilidade de escolhas empíricas conforme as especificidades dos territórios, incentivem a participação efetiva de profissionais que atuam no campo a ser pesquisado e potencializem o impacto da pesquisa na política pública local.

Em seus 20 anos de existência, o processo de elaboração de referências mais comumente utilizado pela rede Crepop permitia bastante discricionariedade e isolamento do trabalho de comissões de especialistas ad hoc em relação à realidade das(os) profissionais atuando nas redes. Selecionadas a partir de um chamamento público de prestação de serviços técnicos por produtos ou estratégias análogas, as comissões de especialistas conduziam pesquisas, que subsidiavam a redação de uma minuta, disponibilizada publicamente em uma consulta pública. Depois de revisar o documento conforme recomendações feitas na consulta pública, o documento era publicado. Esse processo permitiu a produção de várias Referências Técnicas que se tornaram estratégicas para qualificar a atuação de psicólogas em políticas públicas. Alguns textos, entretanto, ficaram muito descritivos e pouco analíticos, sem uma discussão bem desenvolvida para orientar a atuação das(os) psicólogas(os) nas políticas públicas brasileiras, ou com uma discussão descolada do trabalho de campo, refletindo mais a opinião das(os) especialistas do que uma análise derivada dos dados coletados.

A atualização metodológica em curso em 2026 consiste na criação de mecanismos para aproximar o trabalho da comissão de especialistas da Rede CREPOP e para contemplar a diversidade dos territórios. A proposta é que pessoas da Rede CREPOP participem da constituição das comissões ad hoc para garantir coesão e continuidade entre a pesquisa realizada pelos Conselhos Regionais e o produto final. Além disso, profissionais da Psicologia atuando em políticas públicas são convidadas(os) a participar do processo da pesquisa desde a concepção de seu escopo e seu desenho metodológico, e não apenas no estágio de consulta pública, após a elaboração de uma minuta.  Finalmente, o processo atual busca garantir abertura para que cada pesquisa tenha seu próprio percurso, considerando escolhas metodológicas adequadas a cada território.

No caso da pesquisa sobre a atuação de psicólogas(os) nos Cuidados Paliativos no SUS, por exemplo, a rede CREPOP iniciou o processo com um mapeamento inicial do campo, que identificou os serviços e equipamentos de cuidados paliativos existentes nos estados. A comissão ad hoc responsável pelo estudo foi constituída não apenas por especialistas externas(os), mas também por integrantes do corpo técnico do CREPOP, e foi incumbida do acompanhamento integral do processo, com participação nas ações de formação continuada e treinamento da Rede.

Nos dias 12 e 13 de junho de 2026, representantes da Rede CREPOP de todo o país se reuniram em Brasília para um seminário de formação, no qual pessoas da comissão ad hoc e facilitadoras(es) convidadas(os) fizeram um panorama da história e do atual contexto da atuação da Psicologia nas políticas de cuidados paliativos. Depois dessa problematização inicial, representantes dos Regionais debateram sobre a conjuntura da política em seus territórios e começaram a desenvolver um Plano Singular de Pesquisa, elencando as especificidades de seu território com implicações para a amostra analítica, os métodos e os instrumentos adequados à pesquisa.

Miriam Cristiane Alves, conselheira do CFP, explica que o CREPOP é uma política institucional do Sistema Conselhos de Psicologia que já está consolidada e a reformulação do processo de construção de referências visa ampliar o que já foi construído, para que os estudos contemplem as diversidades regionais. “Partimos da ideia de que não existe uma única metodologia capaz de responder igualmente às realidades de todo o país. Por isso, o Plano Singular de Pesquisa deve ser construído como uma curadoria: escolhendo instrumentos, formas de escuta, estratégias de campo e cuidados éticos adequados a cada contexto”, ressalta Míriam.

A Rede Crepop vai participar também das próximas etapas da pesquisa sobre cuidados paliativos, com o refinamento do Plano Singular de Pesquisa, a execução do campo, a interpretação de seus resultados e a definição de estratégias para a consulta pública. A expectativa é que o processo de construção da pesquisa garanta uma participação efetiva da categoria e uma escuta qualificada de atores sociais envolvidos nas políticas de cuidados paliativos, levando à produção de conhecimento socialmente referenciado, com pluralidade de perspectivas e grande potencial de impacto na política pública local.

Enquanto o novo processo de construção de referências técnicas é validado com o estudo piloto sobre cuidados paliativos no SUS, quatro outras pesquisas do CREPOP estão em fase avançada e devem ser publicadas ainda em 2026: sobre suicídio e posvenção; acolhimento no Sistema Único de Assistência Social (SUAS); Rede de Atenção Psicossocial (RAPS); e a atuação profissional com pessoas com deficiência (PcD).

36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente

Neste 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos. Instituído pela Lei nº 8.069/1990, o ECA revolucionou a história do nosso País ao mudar o paradigma do cuidado, reconhecendo meninas e meninos como sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, sob a responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade.

Em 2026, quando entra em vigor o chamado “ECA Digital”, esse compromisso histórico ganha contornos ainda mais complexos. A Psicologia brasileira reafirma que o princípio da proteção integral e da prioridade absoluta deve ser garantido de forma intransigente também no ambiente digital.

O ciberespaço tem se tornado palco de sérias violações, como anúncios com conotação sexual, aliciamento digital e a mercantilização de corpos infantojuvenis para fins de engajamento e lucro. Diante dessas violências, a Psicologia adota uma perspectiva crítica, ao compreender que os impactos psíquicos e sociais não atingem a todas e todos da mesma forma. Marcadores sociais como raça, gênero, classe e território intensificam as vulnerabilidades, a exemplo da histórica hipersexualização sofrida por meninas negras e indígenas no Brasil.

Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o enfrentamento a essa realidade exige ações estruturais e intersetoriais. No âmbito familiar e escolar, a mediação deve ser pautada na construção de vínculos de confiança, na escuta qualificada e em uma educação digital e sexual crítica, afastando posturas puramente moralistas ou punitivas que acabam por culpabilizar a própria vítima.

No plano coletivo, o CFP – que atua ativamente em espaços de controle social e na formulação de políticas públicas, como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) – defende que as plataformas transnacionais de tecnologia assumam sua responsabilidade na prevenção, moderação e resposta rápida a conteúdos violadores.

Garantir um futuro seguro, justo e digno para a infância e a adolescência é uma tarefa contínua e coletiva.