Conselho Federal de Psicologia realiza diálogo sobre direitos e proteção social de mulheres negras

Na sexta-feira (24), a partir das 20h, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) transmite, ao vivo, um importante diálogo sobre direitos e proteção social. A atividade será realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrados em 25 de julho.

Com o tema Enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio: perspectivas de mulheres negras idosas, quilombolas e com deficiência, a transmissão integra as ações da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do CFP voltadas ao debate sobre Psicologia e Mulheridades.

O encontro será mediado pelas coordenadoras da CDH e conselheiras federais Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena. Contará com a participação da conselheira do CFP Maria do Socorro Pimentel e das convidadas Cleciane Cruz, psicóloga e especialista em Saúde Mental, Inclusão e Direitos Humanos; e Edna da Paixão, pedagoga e liderança quilombola da comunidade Sítio Boa Vista, em Afrânio (PE).

Serviço:

Enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio: perspectivas de mulheres negras idosas, quilombolas e com deficiência

Data: 24 de julho (sexta-feira)

Horário: das 20h às 22h (horário de Brasília)

Transmissão: Canal oficial do CFP no YouTube

CFP dialoga sobre saúde coletiva, produção científica e o fazer profissional em congresso internacional no Maranhão

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou do 17º Congresso Internacional da Rede Unida, realizado de 22 a 26 de junho de 2026, em São Luís/MA. Com o tema “Sabedoria e soberania com alegria: a saúde entre os ritmos da docência, trabalho, cultura e participação no sotaque da matraca”, a edição celebrou marcos importantes da saúde coletiva, como os 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde e os 38 anos da Constituição Federal.

O CFP esteve presente em mesas-redondas e em távolas, que são espaços de debate estruturados de forma horizontal e dialógica. Esse formato foi escolhido para assegurar que múltiplos saberes científicos, populares e tradicionais se encontrassem em condições de horizontalidade e de forma circular, fortalecendo a articulação entre a produção científica da Psicologia e as demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). Para a Autarquia, o diálogo com a comunidade é essencial para o aperfeiçoamento das técnicas de intervenção profissional.

Na segunda-feira (22), a abertura das atividades destacou a participação inédita da Autarquia no congresso, com o objetivo de fortalecer esse intercâmbio e contribuir com as práticas de cuidado desenvolvidas nos territórios. A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, pontuou que a inserção reafirma o compromisso da Psicologia como ciência da saúde coletiva.

“A presença do CFP consolida a Psicologia como uma ciência que produz respostas acadêmicas e metodológicas para os problemas do País. Estamos aqui para pautar o debate epistemológico, a validação científica de novas práticas e o rigor metodológico na produção de saberes. Defendemos que os conhecimentos tradicionais indígenas e quilombolas funcionam como tecnologias de cuidado eficazes nos territórios, que precisam ser compreendidas pela ciência para qualificar a escuta e o fazer das psicólogas e dos psicólogos na ponta”, destacou a presidenta.

Na manhã de terça-feira (23), a conselheira federal Míriam Alves coordenou a távola O que podem as revistas científicas na democratização do conhecimento? Raça e etnia como marcador na política editorial da Psicologia. Na ocasião, ressaltou os avanços implementados na Revista Psicologia: Ciência e Profissão para assegurar a equidade racial e étnica na produção científica.

“Embora não exista um guia amplamente difundido sobre equidade racial e étnica na pesquisa científica, a ‘Revista Psicologia: Ciência e Profissão’ passou a orientar autores, editores e pareceristas quanto à relevância de considerar informações sobre raça e etnia no delineamento dos estudos, na análise dos dados e na discussão dos resultados”, explicou.

Ainda na terça-feira (23), os diálogos sobre o cuidado territorializado e saberes tradicionais integraram a távola Sistemas de conhecimentos e tecnologias do cuidado: a autonomia dos povos na atenção à saúde. A atividade contou com a participação da conselheira federal e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do CFP, Vanessa Terena, que compartilhou contribuições voltadas aos ritos e às metodologias ancestrais e comunitárias.

“Dialogamos sobre as tecnologias ancestrais e as lógicas do cuidado coletivo. É fundamental que a ciência reconheça a potência dos saberes gestados nas comunidades, integrando os conhecimentos oriundos dos territórios e da ancestralidade como bases indispensáveis para a promoção da saúde”, pontuou a conselheira.

O enfrentamento ao racismo estrutural e seus impactos na saúde mental foi o tema central da participação do CFP na quarta-feira (24). Na távola Racismo sistêmico e violação dos direitos humanos: implicações à saúde mental, Ivani Oliveira destacou o papel das orientações normativas da autarquia no combate às opressões.

“Nos reunimos com movimentos sociais e com a academia para discutir como a saúde pode intervir nesse processo de adoecimento. Levamos para o debate a Referência Técnica sobre a atuação de psicólogas e psicólogos nas relações raciais, reforçando a orientação de que a Psicologia não pode ser omissa nem conivente diante do crime de racismo”, ressaltou.

Também na quarta-feira (24), a mesa Escravidão moderna: novos tempos, novos termos, mesmos corpos analisou o mercado de trabalho contemporâneo. Ao contribuir com a atividade, o conselheiro federal Rômulo Mafra observou os reflexos da precarização laboral na saúde mental.

“Sabemos que diversas categorias profissionais, o que inclui a Psicologia, enfrentam o avanço da precarização e a degradação das condições de trabalho. São fatores que impactam diretamente a saúde mental. O CFP demarca sua posição institucional de salvaguardar a categoria e atuar de forma intransigente pela valorização profissional, em estrita consonância com o nosso Código de Ética”, pontuou o conselheiro.

Na quinta-feira (25), o cumprimento de tratados internacionais e a defesa dos direitos humanos formaram a mesa Não sou advogado, posso fazer uma denúncia à Corte Internacional dos Direitos Humanos?, sob mediação do conselheiro federal Rafael Wolski.

“É importante que a nossa categoria se aproprie dessa discussão para compreender os trâmites do Estado brasileiro e saber como recorrer às instâncias internacionais, como a Corte e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, quando esgotados os recursos internos relacionados a violações de direitos”, explicou.

Entre as contribuições voltadas ao tema, o CFP distribuiu exemplares das Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas (os) na Gestão Integral de Riscos, Emergências e Desastres. Além disso, Rafael Wolski sugeriu a leitura do Relatório de Inspeção Nacional: Desinstitucionalização dos Manicômios Judiciários, publicação de 2025 fruto de articulação do Sistema Conselhos de Psicologia com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento apresenta um panorama sobre o processo de fechamento e as condições atuais dessas instituições no País.

No campo da sustentabilidade, a távola Entre águas, matas, cidades e saberes: narrativas da promoção e proteção do bem-viver contou com a presença do conselheiro federal Leandro Rosa, que dialogou sobre a atuação da Psicologia junto às populações da Amazônia e comunidades tradicionais. Na oportunidade, houve a distribuição das Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) Junto aos Povos Indígenas.

“Pensamos práticas de cuidado a partir de múltiplas perspectivas territoriais. Em um cenário de crises socioambientais que frequentemente impõem sofrimento, a articulação com movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais é fundamental para tecermos redes de proteção e promoção do bem-viver”, relatou.

Encerrando as atividades transversais com participação da delegação do CFP na quinta-feira (25), a távola Violência de gênero e feminicídio: rompendo o silêncio e salvando vidas contou com a mediação da conselheira-secretária do CFP, Ana Carolina Freire, e com a distribuição das Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no atendimento às mulheres em situação de violência, disponível em português e espanhol.

“O espaço propiciou o debate e a distribuição da Referência Técnica para a categoria. Discutimos a importância do recorte interseccional para compreender quem são as mulheres em situação de violência, abordando as realidades de mulheres negras, trans e com deficiência, bem como o impacto dessas vulnerabilidades na forma como vivenciam essas opressões”, concluiu.

A “Revista Psicologia: Ciência e Profissão”, o “Relatório de Inspeção Nacional: Desinstitucionalização dos Manicômios Judiciários” e as Referências Técnicas produzidas pelo Centro de Referência em Políticas Públicas de Psicologia (CREPOP), mencionadas ao longo da cobertura, estão disponíveis para download gratuito no site do CFP, na seção de Publicações.

Psicologia, direitos e diversidade

Em paralelo à programação do congresso, o CFP participou na segunda-feira (22), também em São Luís, do evento Psicologia, Direitos Humanos e Diversidade: práticas éticas no cuidado à população LGBTQIA+.

Promovido pelo Conselho Regional de Psicologia do Maranhão (CRP-22) em alusão ao Mês do Orgulho LGBTQIA+, o encontro promoveu trocas sobre os desafios da profissão no enfrentamento à LGBTfobia e na promoção da saúde mental.

A conselheira federal Vanessa Terena dividiu a mesa de abertura com a presidenta do CRP-22, Ana Letícia Lima. Na ocasião, a representante do CFP destacou a nova campanha da CDH, que abordará as realidades e desafios enfrentados por pessoas indígenas LGBTQIA+.

O evento contou ainda com a contribuição de Luara Matos, integrante da CDH do CFP, que participou da mesa de diálogos “A Psicologia no combate à LGBTfobia”.

Sistema Conselhos de Psicologia mobiliza categoria na Semana da Diversidade em São Paulo

Uma mobilização para o fortalecimento da atenção à saúde, da despatologização das identidades e do enfrentamento às opressões e violências motivadas por preconceito de gênero e orientação sexual marcou a atuação do Conselho Federal de Psicologia (CFP), do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-06/SP) e de representantes de Conselhos Regionais de todo o país na Semana do Orgulho e da Diversidade LGBTQIA+.

Realizada de 3 a 7 de junho em São Paulo, a programação articulada do Sistema Conselhos de Psicologia reuniu, ao longo desses cinco dias, mesas de diálogo, encontros interinstitucionais, atividades de incidência política e manifestações culturais. A iniciativa refletiu o alinhamento técnico, científico e político da Psicologia com a consolidação de práticas profissionais comprometidas com a garantia de direitos e a dignidade dessa população.

A abertura da semana ocorreu no Museu da Diversidade Sexual, no dia 3, com o painel sobre saúde mental, cultura, arte e memória, que debateu a importância das manifestações artísticas como ferramentas essenciais à promoção do bem-estar. A atividade foi conduzida pela presidenta do CFP, Ivani Oliveira, e contou com a participação do conselheiro federal Zeca Carú de Paula.

Nesse debate, Ivani Oliveira enfatizou a trajetória histórica da profissão na garantia de direitos e o compromisso com a saúde integral de todas as configurações familiares. “Nós já sabemos que a Psicologia brasileira promove há muitas décadas o direito de as pessoas amarem, serem respeitadas, de fazerem parte de uma sociedade com participação cidadã. Nossa profissão deve incidir permanentemente para que todas e todos possam viver em liberdade, com respeito e com muito amor”, afirmou.

Zeca Carú de Paula contextualizou a importância de um acolhimento clínico atento às diversidades e trajetórias, reiterando que o direito à saúde mental digna pressupõe considerar a singularidade de cada narrativa. “O nosso trabalho consiste na escuta e faz parte da construção e da elaboração de um dizer de si a prática da fabulação, da criação. Modos de dizer da própria experiência e da própria vida”, pontuou.

O conselheiro do CFP integrou, também, uma roda de conversa sobre narrativas literárias e experiências das transmasculinidades, promovida pelo Trans_borda Impacto Social no dia 5. Na ocasião, Zeca Carú reforçou que a escuta de experiências ajuda a construir orientações mais qualificadas para a atuação de psicólogas e psicólogos. “O objetivo é compreender as demandas narradas pelas pessoas transmasculinas para construir ações alinhadas às necessidades dessa população com a Psicologia brasileira, orientando práticas cada vez mais éticas, dignas e científicas”, completou.

Na 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, no dia 4, a comitiva do Sistema Conselhos esteve presente no estande institucional do CFP, consolidado como um ponto estratégico de orientação, aproximação, acolhimento, troca de conhecimento e distribuição de publicações técnicas para profissionais e entidades parceiras. Na oportunidade, a conselheira federal Andréa Chamon ressaltou a importância de “atuar na salvaguarda dos direitos humanos e de todas as subjetividades, destacando o direito de as pessoas viverem em liberdade”.

No espaço institucional do CRP-06/SP, representantes do Sistema Conselhos que pertencem à comunidade e atuam diretamente nas demandas LGBTQIA+ iniciaram, no dia 5, o planejamento de ações articuladas na atividade “Psicologia com Diversidade: Sexualidades e Gêneros”. A conselheira e secretária da Secretaria de Orientação e Ética (SOE) do CFP, Liliane Martins, explicou que esse modo de organização potencializa as respostas da profissão aos desafios cotidianos. “É muito importante pensarmos, enquanto profissionais da Psicologia, sobre como contribuir com o fortalecimento da saúde mental da população LGBTQIA+”, destacou.

Liliane Martins também acompanhou, no dia 3, na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o lançamento da cartilha do I LesboCenso Nacional, em que a construção mapeou as múltiplas vivências e vulnerabilidades das mulheridades lésbicas. “A cartilha, fruto de pesquisa acadêmica transformada pelo poder público em ferramenta de acolhimento social, supre uma lacuna documental e constitui o entendimento de que são necessárias políticas públicas dedicadas às mulheres lésbicas no Brasil”, pontuou.

O CFP contribuiu para as discussões sobre a violência algorítmica nas plataformas digitais contra vidas LGBTQIA+, promovidas por pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), em debate realizado no dia 5, na Livraria MegaFauna. Na atividade, a conselheira e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do CFP, Jaqueline Gomes de Jesus, ressaltou que “é fundamental que profissionais da Psicologia ampliem seu escopo de trabalho a partir da apropriação das discussões sobre como as plataformas digitais e os sistemas de inteligência artificial podem interferir na circulação de conteúdos ligados à diversidade sexual e de gênero”.

No dia 6, Jaqueline Gomes de Jesus também representou a autarquia na 8ª Ação Transada, organizada pela Rede Trans Brasil. Com foco no diálogo frente às realidades de travestis e transexuais, a conselheira defendeu a expansão da participação democrática desses grupos nas instâncias de representação política.

A presença da Psicologia na Semana da Diversidade se estendeu às manifestações públicas na Avenida Paulista, com a participação na 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, no sábado, 6 de junho e na 30ª Parada do Orgulho LGBT+, no domingo, 7 de junho.

Confira o álbum de fotos.

Atuação no cenário internacional

A mobilização do Conselho Federal de Psicologia (CFP) em defesa dos direitos da população LGBTQIA+ também ganhou força no cenário internacional no início do mês de maio. Entre os dias 5 e 8, uma comitiva da Autarquia participou da 10ª Conferência Regional da ILGALAC (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais para a América Latina e Caribe), realizada em Niterói (RJ).

A delegação do CFP foi composta pela presidenta Ivani Oliveira, pelas conselheiras federais Liliane Martins e Vanessa Terena e pelo conselheiro federal Zeca Carú de Paula.

Durante o evento, a presidenta Ivani Oliveira integrou a mesa de abertura, onde apresentou um panorama histórico da Psicologia brasileira na defesa e promoção dos direitos da população LGBTQIA+. Em sua fala, destacou a importância de uma articulação estratégica entre os países do Sul Global no combate às chamadas “práticas de conversão” e a qualquer forma de discriminação relacionada à orientação sexual e identidade de gênero.

O conselheiro Zeca Carú de Paula foi um dos palestrantes da mesa “Pontes para nos mantermos vivas: estratégias e experiências de atendimento em saúde mental para pessoas LGBTQIA+”. A atividade foi organizada em uma parceria interinstitucional com o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais (CELLOS-MG).

Psicologia e Mulheridades: seminário nacional em Cuiabá debate cuidado voltado às existências plurais

Romper com perspectivas hegemônicas e tensionar bases eurocêntricas para construir uma Psicologia que faça sentido no chão do território brasileiro, enquanto alicerce para uma atuação ética e científica na superação das violências de gênero. Esse foi o eixo orientador do 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades, realizado entre 8 e 9 de maio, em Cuiabá/MT, pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) por meio da Comissão de Direitos Humanos (CDH), em parceria com o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP-MT).

O evento buscou qualificar a escuta e a intervenção profissional para que o cuidado psicológico diante das múltiplas experiências de ser mulher seja, cada vez mais, um instrumento de promoção da vida e dos direitos.

A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou que, como profissão exercida majoritariamente por mulheres, que representam cerca de 89% da categoria, existe uma responsabilidade inadiável da Psicologia no acolhimento e na desconstrução da misoginia diante dos índices alarmantes de violência e feminicídio.

Ivani Oliveira ressaltou que “atuar frente a esse cenário de violência não é opcional, mas sim um dever ético, político e profissional da Psicologia brasileira, exigindo posicionamento institucional firme e coragem” e que o sofrimento psíquico deve ser compreendido em seu contexto social, sem análises individualizantes. “O machismo mata, o racismo mata, a LGBTfobia mata e a pobreza também mata”, pontuou, reivindicando o amplo financiamento de políticas públicas e o acesso à justiça para que as mulheres possam viver sem medo.

Sob a condução das conselheiras federais Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, que dividem a coordenação da Comissão de Direitos Humanos do CFP, a programação do 1º Seminário foi estruturada para refletir as subjetividades de mulheres indígenas, amazônidas, com deficiência e da população LGBTQIA+.

Jaqueline Gomes de Jesus destacou que a categoria deve romper com perspectivas universalizantes para incorporar as diversidades. “A Psicologia deve superar a visão de ‘monocultura’ para se tornar uma ‘floresta de saberes’, múltipla e diversa, que acolha as diferentes formas de ser mulher”, frisou.

A conselheira do CFP explicou que a decisão de realizar o evento em Cuiabá respondeu diretamente aos dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e do Monitor de Feminicídios (Lesfem/UEL), que apontam Mato Grosso e sua capital na liderança proporcional de assassinatos decorrentes de gênero no País. “Estamos aqui para promover formação e debates para que a Psicologia faça diferença, porque nós somos pela vida das mulheres”, completou Jaqueline Gomes de Jesus.

Vanessa Terena pontuou que a CDH tem pautado a atuação profissional a partir de especificidades ligadas aos territórios, enfatizando que as questões indígenas são diretamente atravessadas por marcadores de gênero e sexualidade. Ela ressaltou a urgência de a Psicologia se implicar no entendimento dos mais de 300 povos indígenas que compõem o território brasileiro, compreendendo a fundo as realidades de cada território de atuação, a exemplo dos 43 povos indígenas que vivem no estado de Mato Grosso.

A conselheira do CFP expressou preocupação com as lacunas na formação acadêmica tradicional, questionando o distanciamento da categoria em relação às realidades originárias. “Estudamos cinco anos para conhecer e entender as humanidades, mas saímos da faculdade sem conhecer os povos originários do Brasil. É preciso questionar a serviço de quem interessa essa invisibilidade permanecer na graduação e na pós-graduação”, destacou Vanessa Terena.

Programação plural e representativa

O 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades percorreu temas urgentes por meio de conferências e oficinas. A mesa de abertura reuniu a presidenta do CFP, Ivani Oliveira, e a conselheira federal e coordenadora da CDH, Jaqueline Gomes de Jesus, ao lado de Gabriel de Figueiredo, conselheiro presidente do CRP-MT, e Jordana Nahsan, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Políticas Públicas do Conselho Regional mato-grossense.

As reflexões foram iniciadas pela conferência de Raquel Gouveia, pós-doutora em Serviço Social, Políticas Sociais e Direito, que coordena projetos de pesquisa e extensão voltados à luta antimanicomial e diálogos antirracistas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na sequência, a palestra magna de Cleciane Cruz, especialista em Saúde Mental, Inclusão e Direitos Humanos, trouxe o debate sobre deficiência, raça e corporalidade.

A programação seguiu com atividades voltadas à prática cotidiana. O conselheiro do CFP Rômulo Mafra, psicólogo clínico e educacional, realizou oficina sobre a escuta de homens agressores em situações de medidas protetivas. Luara Matos, psicóloga escolar e integrante da CDH/CFP, apresentou oficina focada na educação preventiva com jovens. A atuação profissional no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) foi o tema da oficina oferecida pela conselheira do CFP Marcela Acioli, que possui ampla experiência na gestão de Saúde Indígena e Assistência Social.

A exposição sobre as subjetividades das mulheres indígenas ocupou lugar central na oficina apresentada por Itaynara Tuxá, psicóloga com trajetória na Saúde Indígena. A diversidade sexual e de gênero orientou a oficina conduzida por um grupo de especialistas: Jaqueline Gomes de Jesus, doutora em Psicologia Social e pós-doutora em Ciências Sociais; Liliane Martins, doutoranda em Psicologia Social pela UFMG e secretária da Secretaria de Orientação e Ética (SOE) do CFP; e Dalcira Ferrão, especialista em administração pública e gestão social, integrante da CDH/CFP.

O panorama das vivências femininas foi completado pela palestra de encerramento da psicóloga Laura Quesslloya, representante do CFP na Frente Nacional pela Saúde de Migrantes (Fenami), que discutiu os desafios da categoria frente ao fenômeno das migrações e mulheres.

Toda a programação está disponível no canal do CFP no YouTube. Também já podem ser acessadas as galerias de fotos do primeiro e do segundo dia de atividades.

*Crédito da Galeria de Imagens: CRP-MT.

CFP e CRP-MT realizam em Cuiabá o 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades

O Plenário 2.0 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio da sua Comissão de Direitos Humanos (CDH), promove entre 8 e 9 de maio o 1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades. Realizado em Cuiabá/MT, em parceria com o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP-18), o encontro busca aprofundar o debate sobre a atuação profissional diante das múltiplas experiências das mulheres no Brasil.

A iniciativa busca promover uma reflexão crítica sobre o papel da Psicologia no enfrentamento às violências de gênero, reafirmando o compromisso ético, político e científico da profissão com a defesa dos direitos das mulheres em sua diversidade.

Sob coordenação das conselheiras federais Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, a programação abordará temas como deficiência, orientação sexual, identidade de gênero e as subjetividades de mulheres indígenas e amazônidas.

O evento integra profissionais, estudantes e a rede de proteção, sendo aberto a todo o público interessado. As atividades são gratuitas e incluem mesas sobre escuta qualificada e educação preventiva. Para as pessoas inscritas que não estiverem presencialmente, haverá transmissão ao vivo pelo canal do CFP no YouTube, com tradução em Libras.

A escolha da capital mato-grossense como sede responde a um cenário urgente: em 2025, o Brasil atingiu a maior taxa de feminicídios em uma década (5,12 por 100 mil mulheres), segundo o Monitor de Feminicídios no Brasil (Lesfem/UEL). O estado de Mato Grosso lidera o ranking nacional com 19,6 casos, enquanto Cuiabá consolidou-se como a capital com maior índice proporcional do País, registrando 15,7 ocorrências por 100 mil mulheres entre casos consumados e tentativas, conforme dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).

Serviço

1º Seminário Nacional Psicologia e Mulheridades

Data/horário: 8 de maio (17h às 21h) e 9 de maio (9h às 17h30)

Local: Paiaguás Palace Hotel. Av. Historiador Rubens de Mendonça, 1718 – Bosque da Saúde, Cuiabá – MT

Inscrições e programação: Acesse aqui

[Atenção. Informamos que o local do evento foi alterado. O seminário não ocorrerá mais endereço anteriormente divulgado, mas sim no Paiaguás Palace Hotel. Texto atualizado em 05/05/2026]

Psicologia e acesso justo à terra

Instituído pela Lei nº 10.469/2002, o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária relembra o Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando 21 trabalhadoras(es) rurais foram mortas(os) pela polícia no Pará.

A data simboliza a luta de trabalhadoras e trabalhadores pelo acesso justo à terra, ao território e a bens comuns da natureza – um desafio que mobiliza camponesas e camponeses, mas também populações urbanas marginalizadas, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais povos e comunidades tradicionais em defesa de justiça social e dignidade.

Prevista na Constituição Federal, a Reforma Agrária busca democratizar o acesso à terra, enfrentar a histórica concentração fundiária brasileira, promover desenvolvimento econômico e socioambiental, além de fortalecer a soberania alimentar, seja no meio rural ou urbano.

E qual o papel da Psicologia nesse contexto?

A saúde mental está diretamente conectada às condições de vida das pessoas e à garantia de seus direitos. Por isso, o acesso justo à terra também é uma pauta de cuidado.

A organização dos povos do campo e das cidades em defesa ao direito à terra reforça vínculos comunitários, combate desigualdades e contribui para a saúde em uma perspectiva integral. Em consonância com seu Código de Ética Profissional, a Psicologia brasileira caminha junto às lutas e saberes comunitários e populares que fortalecem processos de emancipação e de garantia de direitos.

Quer saber mais?

Acesse no site do CFP as Referências Técnicas para Atuação das (os) Psicólogas (os) em Questões Relativas a Terra.

Conselho Federal de Psicologia empossa nova Comissão de Direitos Humanos

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) oficializou, no dia 10 de abril, a posse das(os) integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) para a gestão 2026-2028. A solenidade, realizada na sede da Autarquia, marcou a celebração de um trabalho iniciado em fevereiro, logo após a designação da nova composição pelo XX Plenário.

Órgão permanente do CFP instituído pela Resolução nº 11/98, a Comissão de Direitos Humanos busca integrar os direitos fundamentais à formação, pesquisa e prática profissional. Sua atuação reafirma o papel da Psicologia brasileira na denúncia de violações e na construção de alternativas pautadas na dignidade humana.

A cerimônia reuniu conselheiras(os) federais, representantes de Conselhos Regionais (CRPs) e de instituições de direitos humanos. Contou ainda com a participação da deputada federal Erika Kokay e com mensagens enviadas pelo deputado Reimont e pela senadora Mara Gabrilli.

O evento reafirmou o compromisso ético-político da categoria com a dignidade humana, consolidando a CDH como um espaço estratégico de resistência da Psicologia brasileira contra as opressões que impactam a saúde integral e a vida das coletividades vulnerabilizadas.

A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou a posse como a continuidade de uma trajetória histórica iniciada em 1998 e ressaltou que a CDH materializa o posicionamento institucional de que não há prática psicológica possível fora do horizonte dos direitos.

“A Comissão de Direitos Humanos afirma, em sua essência técnica e política, que o sofrimento psíquico não pode ser compreendido de forma deslocada de condições sociais, econômicas e históricas que o produzem”, pontuou a presidenta do CFP.

Ivani Oliveira enfatizou ainda que a nova gestão assume o compromisso de interpelar o Estado e a sociedade sempre que houver produção de dor, silenciamento e invisibilidade. “É um princípio que estrutura a Psicologia brasileira. Dependemos dela para nos reafirmarmos enquanto éticos”.

No triênio da nova gestão, coordenada pelas conselheiras do CFP Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, a CDH planeja priorizar materiais orientativos para qualificar a atuação ética da categoria na promoção de direitos. O colegiado também prevê intervir em violações que geram sofrimento mental e demarcar a atuação do Sistema Conselhos como polo de incidência política frente ao impacto das desigualdades nas subjetividades brasileiras.

A coordenadora Jaqueline Gomes de Jesus sublinhou a importância de uma escuta atenta à pluralidade de territórios e ao letramento sobre as resistências brasileiras. A psicóloga destacou que a profissão deve ocupar espaços nas ciências, nas políticas e no mercado de trabalho formal, sem retroceder em suas conquistas. “Que esta Comissão de Direitos Humanos seja protagonizada por nós, as sementes dos outrora humilhados, ofendidos e excluídos. Somos sementes”, pontuou.

Jaqueline Gomes de Jesus enfatizou ainda o papel internacional da CDH como farol para o debate progressista. “Todas as vidas importam. Não há muros que isolem o sofrimento nem fronteiras que diminuam a dor”.

Também na coordenação da Comissão de Direitos Humanos, a conselheira federal Vanessa Terena falou sobre o desafio de contribuir para a formação de psicólogas e psicólogos quanto às especificidades dos povos originários e das populações trans e travestis. 

“Nossas e nossos profissionais precisam estar preparados para trabalhar com essas realidades. A Psicologia não precisa nos dar voz, precisa nos dar ouvidos”, destacou a indígena psicóloga.

Vanessa Terena reforçou a importância do coletivo no enfrentamento às violências e na valorização da cultura originária. “Caminhemos nessa confluência e nesse rio que vai ser turbulento, mas que vai valer a pena”.

Conheça a nova composição

A nova formação da Comissão de Direitos Humanos (CDH/CFP) reúne profissionais com trajetórias de destaque na defesa dos direitos humanos e representa a diversidade regional da Psicologia no País: 

  • Jaqueline Gomes de Jesus (Coordenadora). Conselheira do XX Plenário do CFP. Psicóloga, doutora em Psicologia Social do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutora em Ciências Sociais e História pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Professora de Psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). 
  • Vanessa Terena (Coordenadora). Conselheira do XX Plenário do CFP. Indígena psicóloga do povo Terena, com ênfase em Psicologia Social. Mestranda em Psicologia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Coordenadora da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos (Abipsi). 
  • Alexander Oliveira. Especialista em Saúde Coletiva e integrante da Articulação Nacional de Psicólogues Trans (ANPTrans). 
  • Caio Fadul. Psicólogo do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBTs. Mestre em Psicologia Social e cofundador do Núcleo de Psicólogos Trans da Bahia. 
  • Claudio Brites. Psicólogo e psicanalista. Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). 
  • Dalcira Ferrão. Psicóloga especialista em Administração Pública e Gestão Social. Fundadora da Articulação Nacional de Psicólogas(os) LGBTI+. 
  • Henrique Balieiro. Psicólogo, mestre em Psicologia (PUC Minas). Especialista em Direitos Humanos e fundador do Coletivo Psimigra. 
  • Ibson Batista. Psicólogo do Paraná + Diversidade. Coordenador de Psicologia do Grupo Dignidade e da Aliança Nacional LGBTI+. 
  • Josiane Wolfart. Psicóloga clínica e professora. Mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e especialista em Saúde Indígena. 
  • Julia Bueno. Psicóloga especialista em Psicologia Política (USP). Mestra e doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 
  • Luara Matos. Psicóloga Escolar e Educacional do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema). 
  • Millena Faustino. Mestranda em Psicologia pela Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). Coordenadora do Núcleo de Valorização da Vida (Nuvvi) e co-idealizadora do Coletivo de Negros e Negras de Oeiras/PI. 
  • Priscila Góre. Indígena psicóloga Kaingang. Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atua na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde. 
  • Rafael Ventimiglia. Psicólogo clínico e analista do comportamento. Presidente do Conselho Municipal LGBTQIA+ de Belém. 
  • Renata Lima. Psicóloga e pesquisadora na UFSC. Integra a Coordenação da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) de Santa Catarina. 
  • Tales Sumekwa. Indígena psicólogo Xerente graduado pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Referência Técnica de Atenção Psicossocial no Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins. 
  • Vitória Andrade. Psicóloga clínica e da saúde. Especialista em Saúde da Família e Avaliação Psicológica. 

Confira fotos da cerimônia de posse.

Agenda estratégica

No sábado (11), a CDH realizou sua 3ª Reunião Ordinária, o primeiro encontro presencial do coletivo após agendas virtuais em fevereiro e março.

O plano de trabalho, em construção, prevê a revisão do regimento interno da CDH, a produção de materiais orientativos e a formulação de um calendário de incidência sobre temas urgentes, como questões relacionadas aos povos indígenas, ao meio ambiente, à luta antimanicomial, ao enfrentamento ao abuso sexual, a pessoas refugiadas e à educação não sexista.

Como encaminhamento, as coordenadoras apresentarão a síntese das reuniões ordinárias para integrar a pauta de direitos humanos a todas as ações e projetos do CFP. A próxima reunião será virtual e está prevista para 23 de abril.

Confira fotos da reunião.

CFP apoia posicionamento do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher em solidariedade à deputada Erika Hilton

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), entidade integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), reafirma seu compromisso com a democracia e a promoção da cidadania ao referendar a Nota Pública CNDM nº 07/2026. O documento, emitido em 14 de março, manifesta apoio à deputada federal Erika Hilton por sua eleição à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A nota destaca que a presença da parlamentar nesse espaço colegiado representa um marco histórico para a política brasileira e para a luta pelos direitos das mulheres. Segundo a nota, a escolha de Erika Hilton por seus pares “evidencia a legitimidade de sua liderança e o compromisso institucional com a pluralidade de vozes que constroem a agenda de direitos humanos”.

O CNDM ressalta ainda o simbolismo da presença de uma mulher trans negra à frente de um espaço estratégico para a consolidação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade de gênero, ao enfrentamento das violências e à ampliação de direitos.

Diante de ataques registrados contra a deputada em razão de sua identidade, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher  manifestou repúdio às agressões que se multiplicaram nas redes sociais. “As manifestações de violência política de gênero, atravessadas pelo racismo, pela misoginia e pela transfobia […] não apenas atingem a deputada, mas também afrontam os princípios democráticos e o direito das mulheres à plena participação na vida política”.

O colegiado reforça que divergências políticas são legítimas, porém “não podem ser confundidas com ataques pessoais, deslegitimação de identidades ou tentativas de desqualificar a presença de mulheres trans em espaços de poder”.

A nota conclui reafirmando a urgência de garantir que mulheres, em toda a sua diversidade, exerçam seus mandatos com respeito, segurança e legitimidade.

Acesse a íntegra da Nota Pública CNDM nº 07/2026.

O papel da Psicologia no controle social e enfrentamento às violências

A participação do Conselho Federal de Psicologia no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher é estratégica para assegurar que as políticas públicas sejam fundamentadas no compromisso ético-político da profissão. Para o CFP, a inserção em espaços de controle social é fundamental para que a Psicologia contribua para a defesa dos direitos e o  enfrentamento às violências.

O CFP reitera que a promoção da saúde mental e a dignidade humana são indissociáveis da garantia de que os espaços de poder sejam ocupados com pluralidade, segurança e pleno respeito ao direito das mulheres à participação política.

O Código de Ética Profissional da Psicologia, bem como o conjunto de normativas e referenciais técnicos disponibilizados pelo CFP buscam incentivar uma atuação pautada na desconstrução de estigmas e no combate a todas as formas de violências, incluindo as que tentam silenciar identidades e corpos historicamente marginalizados.

Mulheres Vivas: CFP reafirma compromisso ético-político no enfrentamento ao feminicídio

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) realizou, no dia 20 de março, a live Mulheres Vivas: a Psicologia contra o feminicídio. O evento, organizado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH/CFP), marcou um importante momento de reflexão crítica sobre a atuação da categoria frente às violências de gênero, reafirmando o compromisso ético e profissional da Psicologia com a proteção integral das mulheres em suas múltiplas realidades e territórios.

A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, alertou para os números alarmantes de feminicídio no País, classificando-os como um problema de saúde pública e reflexo da profunda desigualdade de gênero. A presidenta pontuou que essa realidade exige que a Psicologia atue não apenas no atendimento psicoterapêutico, mas na defesa ativa da vida.

“Falar sobre mulheres vivas e a Psicologia contra o feminicídio diz respeito a uma responsabilidade ética que assumimos enquanto profissionais. O papel da Psicologia é olhar para as mulheres sobreviventes da violência de gênero e trazer a necessidade da defesa de suas vidas, mas também atuar na prevenção e na desconstrução dessas estruturas socioculturais que têm inferiorizado e marginalizado as mulheres”, destacou Ivani Oliveira.

A presidenta do CFP também ressaltou que a Psicologia é composta majoritariamente por mulheres e que a Autarquia tem atuado historicamente na produção de referências técnicas para orientar psicólogas(os) a lidar com o tema de forma qualificada. “O CFP, ao produzir as referências técnicas de atuação, tem contribuído para a demanda da sociedade brasileira que precisa enfrentar esses dados”, finalizou.

Promoção de direitos

A mediação da live foi conduzida pelas conselheiras federais Jaqueline Gomes de Jesus e Vanessa Terena, coordenadoras da CDH/CFP.

Durante o debate, Jaqueline Gomes de Jesus enfatizou que o feminicídio é a face mais extrema da violência de gênero e que a Psicologia não pode ignorar as dimensões históricas que sustentam essas agressões. A conselheira reforçou a importância de considerar a jurisprudência que inclui mulheres trans e travestis na proteção legal contra o feminicídio, combatendo o que chamou de “violência simbólica em vida”.

“A Psicologia tem um compromisso pela vida e pelo combate ao feminicídio. Estamos enfrentando uma questão que não é desvinculada das dimensões históricas da violência de gênero no Brasil, um país de cultura machista e sexista”, pontuou.

A conselheira federal Vanessa Terena abordou a realidade das mulheres indígenas e a necessidade de descentralizar o debate para alcançar, com maior assertividade, os territórios mais vulneráveis. “É extremamente necessário entendermos que a Psicologia tem cor, a Psicologia tem nome e a Psicologia tem lado”, ressaltou.

Vanessa Terena pontuou ainda que “olhar para os recortes de mulheres negras, indígenas, trans e tantas outras é o que nos permite entender que a violência não é algo cultural, mas um atravessamento da colonização que ainda afeta nossos corpos”.

Contribuições ao diálogo

A live Mulheres Vivas: a Psicologia contra o feminicídio contou com a participação de Luciene Lacerda (conselheira e coordenadora da CDH no CRP-05/RJ), Julia Bueno (psicóloga, coordenadora do GT Maconha e Psicodélicos no CRP 02/PE e colaboradora da CDH/CFP) e Dienner Baltar (psicóloga no Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena no MS), que apresentaram suas experiências de atuação em territórios quilombolas, indígenas e em contextos de ativismo contra o racismo.

As convidadas pontuaram a urgência de uma escuta qualificada que respeite as especificidades culturais e linguísticas, além da importância da articulação em rede para que as políticas públicas de proteção sejam efetivas na ponta.

A atividade integra uma agenda contínua do Conselho Federal de Psicologia para fortalecer a atuação de psicólogas e psicólogos na defesa dos direitos e na construção de uma sociedade livre de todas as formas de violência. A live completa está disponível no canal do CFP no YouTube.

Conheça também as Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no atendimento às mulheres em situação de violência

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CFP promove live sobre combate à violência de gênero e feminicídio

XX Plenário do CFP toma posse no Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, entre os dias 9 e 11 de março, em Brasília/DF, da 15ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (CNLGBTQIA+).

A ocasião marcou a cerimônia de posse dos novos integrantes do colegiado para o biênio 2026-2028. O Conselho de Psicologia será representado pelo conselheiro Zeca Carú de Paula (titular) e pela conselheira Liliane Martins (suplente), integrantes do XX Plenário do CFP.

Na pauta da reunião ordinária, foi feito um balanço das atividades do biênio anterior e  destacadas diretrizes para 2026. Entre as prioridades estão a composição de Câmaras Técnicas e a atuação em Grupos de Trabalho (GTs) estratégicos, como o de Justiça do Trabalho e Promoção dos Direitos e o GT técnico para implementar ações no estado do Amazonas.

O conselheiro Zeca Carú de Paula ressalta a presença do CFP no espaço para pautar a saúde mental sob uma perspectiva científica e técnica. “É de nossa responsabilidade tratar das questões que atravessam a população LGBTQIA+ e que, por consequência, atravessam todos nós enquanto sociedade. Me parece fundamental afirmar a importância da categoria nas discussões que envolvem o bem-estar e os dados científicos que orientam nossa prática profissional”, destacou.

A conselheira Liliane Martins observou a relevância do Plano Nacional de Políticas Públicas apresentado durante o evento e pontuou que o CFP irá integrar um grupo de trabalho dedicado a discutir o enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIA+. “A Psicologia tem muito a contribuir. Temos resoluções que auxiliam na construção dessas políticas e profissionais inseridos na ponta do atendimento, onde essa população busca suporte”, enfatizou.

Papel estratégico da Psicologia

O Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (CNLGBTQIA+) é um órgão consultivo e deliberativo, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) por meio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. Sua missão é formular diretrizes, avaliar propostas legislativas e monitorar ações que garantam os direitos da população LGBTQIA+ no Brasil.

Além das representações eleitas, formadas por representantes da sociedade civil e órgãos de governo, o colegiado conta com a presença permanente de instituições públicas convidadas, incluindo outros conselhos nacionais de direitos e órgãos do Sistema de Justiça. Essas instituições participam ativamente das reuniões, contribuindo tecnicamente.

Atento à atribuição estabelecida por lei de atuar como órgão consultivo em temas que impactam a Psicologia na sociedade, o CFP ocupa, desde 2023, assento permanente no CNLGBTQIA+. Essa posição estratégica busca assegurar  que a Psicologia brasileira, fundamentada em seus preceitos éticos e diretrizes profissionais históricas de combate à patologização e ao preconceito, seja voz ativa na formulação das políticas de Estado que impactam diretamente a saúde mental e a proteção social da população LGBTQIA+.