CFP realiza atividades preparatórias e participa da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-viver

Nos dias que antecederam a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-viver, 25 de novembro, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) realizou uma série de ações que reforçaram o compromisso da Psicologia com a luta antirracista e feminista.

No dia 24 de novembro, foi promovida a roda de conversa virtual Ciranda de Saberes: diálogos da Psicologia brasileira com as mulheres negras, como parte da Semana por Reparação e Bem-viver. O encontro possibilitou escuta e diálogo entre psicólogas do Sistema Conselhos e representantes de movimentos sociais, valorizando saberes ancestrais, comunitários e profissionais.

Entre as falas da atividade virtual, destacaram-se a presidenta do CFP, Alessandra Almeida, sobre ações afirmativas e a presença de mulheres negras nos espaços de poder; a conselheira federal Obadeyi Carolina Saraiva, sobre ancestralidade e a força das mulheres de terreiro; a conselheira federal Rosana Éleres, sobre envelhecimento e resistência; a colaboradora da Comissão de Direitos Humanos do CFP e docente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Paula Gonzaga, sobre justiça reprodutiva; e a representante da Comissão Nacional de Direitos Humanos, Maria das Neves, sobre defesa da vida das mulheres negras. 

Ainda como parte da preparação, o CFP apresentou informe sobre a Marcha na 121ª Reunião Ordinária do Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas – o Conselhão –, reforçando a importância da mobilização e das atividades associadas. 

Paralelamente, o CFP intensificou sua presença nas redes sociais, com a produção de conteúdos que valorizaram as conselheiras negras que integram o Sistema Conselhos de Psicologia. As publicações destacaram sua atuação na construção de uma Psicologia comprometida com a transformação social, evidenciando a força política dessas mulheres na formulação de políticas públicas e na defesa da profissão.

O CFP também participou presencialmente da 2ª Marcha das Mulheres Negras, em Brasília (DF). Com saída do Eixo Monumental, em frente ao Museu Nacional da República, o ato reuniu mulheres negras de todo o país. Representando a autarquia, estiveram presentes a presidenta Alessandra Almeida e a conselheira Obadeyi Carolina Saraiva.

Para a presidenta do CFP, a Marcha reafirmou o protagonismo das mulheres negras na construção de um país mais justo: “A Psicologia tem o compromisso de caminhar ao lado dessas mulheres, fortalecendo a luta por reparação, equidade e bem-viver”, destacou.

Feminicídios no Brasil

A relevância da Marcha se torna ainda mais evidente diante dos dados do Estudo Nacional sobre Feminicídios, que revelam a gravidade da violência de gênero e raça no Brasil. Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime em 2015 — o equivalente a quatro mulheres mortas por dia. O estudo aponta aumento de 0,7% em relação a 2023, mesmo com a queda geral das mortes violentas no país. A taxa nacional chegou a 1,4 feminicídio por 100 mil mulheres, com um recorte racial alarmante: 63,6% das vítimas eram negras, e 70,5% tinham entre 18 e 44 anos. Houve ainda crescimento expressivo nos casos envolvendo adolescentes (30,7%) e mulheres com 60 anos ou mais (20,7%). A maioria dos crimes ocorreu dentro da residência (64,3%), com uso de arma branca (48,4%), e quase 80% dos agressores eram companheiros ou ex-companheiros.

Leia o documento final Manifesto das mulheres negras por reparação e bem-viver.

CFP atua na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social e reforça compromisso com a valorização de trabalhadoras e trabalhadores do SUAS

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) integrou, entre os dias 6 e 9 de dezembro, a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, que celebrou os 20 anos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Organizado pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o evento contou com o apoio do CFP.

Com o tema “20 anos do SUAS: construção, proteção social e resistência”, a conferência teve como objetivos avaliar a Política Nacional de Assistência Social, definir diretrizes para o aprimoramento do sistema e estabelecer prioridades para o 3º Plano Decenal de Assistência Social. A programação que reuniu representantes da sociedade civil, do poder público, trabalhadoras(es) e usuárias(os) incluiu mesas temáticas, plenárias deliberativas, atividades de participação social e premiação.

A conselheira-tesoureira Neuza Guareschi representou o CFP em atividades da conferência e destacou a relevância do espaço para o fortalecimento da política socioassistencial. “A conferência reafirma o papel estratégico do SUAS na garantia de direitos e evidencia a importância da Psicologia na construção de respostas qualificadas às demandas sociais”, pontuou.

Durante a programação, a Psicologia integrou a atividade autogestionada sobre os impactos das tecnologias da informação e comunicação na proteção social, promovida pelo Fórum Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do SUAS (FNTSUAS).

A representante titular do CFP no Fórum, Simone Gomes, contribuiu com a análise da conjuntura atual do SUAS, seu orçamento e o impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no trabalho de proteção social realizado nos equipamentos. A psicóloga destacou as incidências necessárias para enfrentar a precarização dos vínculos, garantir educação permanente, implementar planos de cargos e carreiras e assegurar condições adequadas de trabalho.

“Reafirmamos a importância de uma proteção social qualificada, com equipes de referência integradas, isonomia de carga horária ainda um desafio para a Psicologia no SUAS e isonomia salarial. São pautas que impactam diretamente o cotidiano das psicólogas e dos psicólogos e seguem centrais na defesa do fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social”, ressaltou Simone Gomes.

A atividade autogestionada também marcou o lançamento da Pesquisa Nacional Perfil das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do SUAS do Brasil, iniciativa do FNTSUAS que busca mapear condições de trabalho, relações laborais, situações de assédio moral e aspectos do controle social no sistema.

A representante suplente do CFP no Fórum, Bárbara Malvestio, reforçou a importância da participação da categoria. “De acordo com o Censo de Psicologia de 2022, a área social é a segunda que mais absorve novos profissionais, mas grande parte desses trabalhadores sofre com precarização e piores condições de trabalho. Por isso, é fundamental que a Psicologia participe, especialmente porque ainda não temos a lei das 30 horas. É importante participar e compartilhar a iniciativa com outras profissionais psicólogas, psicólogos e demais categorias do SUAS”, destacou.

Incidência e participação social

Ao longo da conferência, o CFP manteve um espaço institucional dedicado ao acolhimento e à troca com profissionais da Psicologia que atuam no SUAS. O local recebeu psicólogas e psicólogos de diferentes regiões do país para um diálogo com as representantes da Autarquia.

O encontro permitiu a escuta qualificada das demandas da categoria, o compartilhamento de experiências e o debate sobre desafios cotidianos da atuação profissional na política de assistência social.

Além disso, o espaço foi ponto de distribuição de publicações e materiais técnicos produzidos pelo CFP, reforçando o compromisso com a formação continuada e com o acesso a conteúdos que subsidiam a prática profissional.

30 anos do FNAS

No dia 10 de dezembro, um dia após o encerramento da conferência, o CFP também esteve presente na Solenidade de celebração dos 30 anos de consolidação do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). O CFP foi representado por Rozana Fonseca, integrante da Comissão Nacional de Psicologia na Assistência Social (CONPAS) pela região Nordeste.

O evento destacou as três décadas de compromisso com a proteção social no Brasil, marcadas pela modernização da gestão dos recursos públicos, pela aproximação com os territórios e pelo fortalecimento da execução do SUAS em estados e municípios.

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CFP lança Manual de Orientação de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) disponibiliza  a toda a categoria o Manual de Orientação de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, lançado durante o 7º Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão (CBP).

A produção de registros e documentos constitui uma das atividades centrais da atuação de psicólogas e psicólogos em diferentes contextos. Trata-se de  instrumentos que materializam o trabalho desenvolvido, comunicam processos de cuidado e subsidiam decisões institucionais, jurídicas e sociais. “Essa tarefa exige rigor técnico, objetividade na linguagem, responsabilidade ética e atenção permanente aos direitos humanos e à legislação vigente”, ponderam as(os) autoras(es) na publicação.

O Manual, além de orientar quanto à obrigatoriedade e às finalidades dos registros documentais e prontuários, aprofunda-se nas diferentes modalidades de documentos psicológicos – declaração, atestado, relatório, relatório multiprofissional, laudo e parecer –, descrevendo suas características, finalidades e estruturas. 

São apresentados ao longo dos capítulos quadros comparativos, exemplos e recomendações sobre linguagem, validade, guarda, descarte e contextos específicos de produção, como nos serviços-escola, estágios, sistema de justiça, políticas públicas, entre outros. 

Importância para a categoria

Para a vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Izabel Hazin, o manual surge da constatação da pesquisa feita pela Secretaria de Orientação e Ética (SOE) e a Ouvidoria do CFP, das queixas e dos processos éticos relacionados à elaboração de documentos. “Vimos a necessidade de compilar as duas resoluções que tratam da elaboração de documentos escritos, os relatórios, prontuários e os documentos escritos, declaração, atestado, parecer e laudo,trazendo um documento de orientação, com exemplos  e, também, reflexões e orientações sobre documentos que são escritos em contextos específicos, como a questão da justiça, como a questão escolar, como a questão de estágios”, explica.

A conselheira federal ressalta ainda que o manual é importante para enfrentar as fragilidades identificadas nos processos disciplinares éticos, uma vez que os documentos escritos constituem uma materialidade do exercício profissional de psicólogas e psicólogos, e de orientação para que a categoria produza materiais e seus documentos escritos com  excelência e rigor técnico e ético.

Além de Izabel Hazin, participaram da construção do documento as pesquisadoras Ediana Gomes e Patrícia Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Acesse aqui o Manual de Orientação de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos.

CFP lança referência técnica para atuação de psicólogas junto a pessoas idosas

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou em novembro, durante a programação oficial do 7º Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão (CBP),  as Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) junto às pessoas idosas nas políticas públicas.

Produzido pelo Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) do CFP, o documento surge em um contexto de profundas transformações demográficas e sociais, tanto no Brasil quanto no mundo, exigindo da Psicologia um olhar ampliado para as questões que envolvem a saúde mental, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas idosas.

De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que até 2050 mais de 30% da população brasileira será composta por pessoas com 60 anos ou mais, impondo desafios significativos para as políticas públicas e para os profissionais que atuam diretamente com esse público.

Neste cenário, a publicação destaca como imprescindível  o papel da(o) psicóloga(o)  garantir intervenções qualificadas, humanizadas e pautadas em práticas exitosas. “A complexidade do envelhecimento demanda uma atuação que considere as múltiplas dimensões da velhice, integrando aspectos biopsicossociais, culturais e econômicos, com atenção especial para as intersecções de território, raça, etnia, classe, geração, deficiências, identidades e expressões de gênero, que são marcadores sociais de diferenças e impactam de forma distinta o processo de envelhecer”, ponderam as(os) autoras(es).

Marco na Referência

O documento é considerado um marco no reconhecimento do trabalho desenvolvido com pessoas idosas, ao destacar a importância do aprimoramento contínuo do conhecimento, da qualificação das práticas, da conscientização social e da efetivação de direitos. Esses elementos, segundo a publicação, são fundamentais para a implementação eficaz de  políticas públicas e para o enfrentamento dos desafios que ainda persistem nesse campo.

O material, seguindo a metodologia dos relatórios técnicos desenvolvidos pelo Crepop, organiza-se em quatro eixos temáticos, que buscam orientar a atuação das(os) psicólogas(os) no campo das políticas públicas. Nesse sentido, essa estrutura tem como objetivo sistematizar os principais desafios e diretrizes para a prática profissional, considerando a interface entre os marcos legais, os princípios ético-políticos da Psicologia e as especificidades do envelhecimento humano. 

O documento ainda destaca, no entanto, que a Psicogerontologia é um campo  interdisciplinar e multifacetado, cujas bases teóricas e práticas ultrapassam os eixos citados.

A conselheira do CFP Rosana Figueiredo aponta que a publicação fornece diretrizes à categoria que vem desenvolvendo ações junto às pessoas idosas em diferentes contextos e segmentos. “O material fornece subsídios para a formação de novos profissionais e indica caminhos para a construção de novas políticas públicas para as pessoas idosas.Fundamentalmente, contempla todas as orientações pautadas na Declaração dos Direitos Humanos, complementa. 

Acesse aqui a íntegra da publicação.

Sobre o Crepop

O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Política Pública (Crepop) integra a experiência prática de psicólogas(os) à revisão da literatura científica, abordando questões fundamentais para a prática profissional.

Nos últimos anos, o CREPOP passou por um processo de revisão e publicação de Referências Técnicas, com o número de títulos disponíveis saltando de 13, em 2013, para 26, em 2025, inclusive com edições traduzidas para o espanhol, como forma de disseminar o conhecimento produzido pela Psicologia Brasileira.

Podcast Prosas Descoloniais propõe reflexões sobre uma Psicologia plural e comprometida com os direitos

A Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CDH/CFP) lançou a série de 10 episódios do podcast Prosas Descoloniais, uma iniciativa que integra a campanha nacional “Descolonizar corpos e territórios: reconstruindo existências Brasis”, realizada no biênio 2023–2025.

Voltado a profissionais e estudantes de Psicologia, pesquisadoras(es) da saúde mental e demais interessadas(os) em debates contemporâneos, o podcast promove diálogos sobre práticas científicas e profissionais mais inclusivas, plurais e comprometidas com os direitos humanos.

A presidenta do Conselho Federal de Psicologia, Alessandra Almeida, destaca que o podcast é uma ferramenta estratégica para ampliar o debate sobre práticas psicológicas comprometidas com a diversidade. “A Psicologia precisa reconhecer os saberes historicamente silenciados. O Prosas Descoloniais é um convite à reconstrução de existências que compõem os Brasis”.

Alessandra Almeida também ressalta o papel da iniciativa na formação crítica acadêmica. “Encaminhamos ofício às Instituições de Ensino Superior brasileiras com cursos de Psicologia para que divulguem o podcast em suas comunidades acadêmicas. É uma forma de capilarizar o debate e fomentar práticas mais sensíveis às realidades dos territórios”, pontuou.

Ao longo da série, 29 vozes compõem os episódios — cada um com uma pessoa representante da CDH/CFP e duas convidadas(os). Os temas abordam saberes indígenas e afrodiaspóricos, diversidade de gênero, anticapacitismo, regionalidades, saúde mental e trabalho, entre outros.

Além da série de episódios, a campanha promoveu os Giros Descoloniais — encontros com os Conselhos Regionais de Psicologia para aprofundar o debate sobre problemáticas locais.

Confira a abordagem temática de cada um dos episódios, todos disponíveis na página da CDH/CFP:

  1. “Psicologia e descolonização: caminhos possíveis”, com Andreza Costa, Claudia Mayorga e Fabiane Fonseca.
  2. “Uma Psicologia decolonial é possível?”, com Paula Gonzaga, Luiza de Oliveira e Mona Lima. 
  3. “Celebrando as contribuições afrodiaspóricas e pindorâmicas para a Psicologia”, com Alexander de Oliveira, Geni Núñez e Obadeyi Carolina Saraiva.
  4. “Sulear a Psicologia brasileira: descolonizando as hierarquias regionais”, com Andreza Costa, Caní Jackson e Iolete Ribeiro.
  5. “Corpo-território: concepções de saúde a partir da integralidade dos sujeitos e suas comunidades”, com Mônica Sampaio e Thiffany Odara. 
  6. “A práxis na saúde e trabalho: desafios para uma abordagem decolonial na Psicologia”, com Marcelo Afonso Ribeiro, Ana Izabel Lima e Israel Almeida de Oliveira.
  7. “Bem-viver: contribuições dos saberes indígenas para a Psicologia”, com Nita Tuxá, Ana Manoela Karipuna e Casé Angatu.  
  8. “Impactos do binarismo na vivência de pessoas trans, negras e periféricas”, com Andreza Costa, Jovanna Cardoso e Rafa Moon.
  9. “Anticapacitismo na práxis da Psicologia”, com Rafael Oliveira, Ana Tereza Marques e Vitória Bernardes. 
  10. “Antirracismo e branquitude: a Psicologia diante do espelho”, com Alessandra Almeida, Lúcio Magano Oliveira e Valter da Mata Filho.

Todos os episódios também podem ser acessados gratuitamente nas principais plataformas de áudio.

CFP realiza atividade mobilizadora para a 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos com foco nos direitos de crianças e adolescentes

Na próxima quinta-feira, 4 de dezembro, às 16h, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promove a live A Psicologia na promoção dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, com transmissão ao vivo pelo canal oficial do CFP no YouTube. A atividade integra as ações preparatórias da 13ª Conferência Nacional de Direitos Humanos (13ª ConDH), organizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), que ocorrerá entre 10 e 12 de dezembro, em Brasília/DF.

O objetivo da iniciativa é mobilizar psicólogas e psicólogos delegados(as) eleitos para participar da Conferência nas etapas municipais, estaduais/distrital e livres e ampliar o engajamento da categoria e da sociedade no processo conferencial. 

A conselheira federal e representante do CFP no Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Nita Tuxá, destaca que a Psicologia tem papel fundamental na defesa dos direitos  de crianças e adolescentes. “Ao trazer para o debate questões como infâncias indígenas, uso de tecnologias e políticas públicas, reafirmamos o compromisso da categoria com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva”, pontuou.

A programação da live contará com a participação de representantes do CFP em diferentes frentes de diálogo. A presidenta do CFP, Alessandra Almeida, abrirá o evento com a fala sobre “Psicologia e os desafios da conjuntura social e política do Brasil”. Em seguida, a conselheira federal Marina Poniwas, também vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), irá abordar o tema “Criança não é mãe: PDL 3/2025 e Resolução 258/2024 do Conanda”.

Na sequência, a conselheira federal e integrante do CNDH, Nita Tuxá, trará reflexões sobre “Infâncias indígenas e interculturalidade”. Izabel Hazin, vice-presidente do CFP, apresentará o “Uso de dispositivos digitais por crianças e adolescentes”. Por fim, a conselheira federal Raquel Guzzo irá destacar a importância da Lei 13.935/2019 para o direito de crianças e adolescentes.

Serviço

Live: A Psicologia na promoção dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
Data: 4/12 (quinta-feira)
Horário:16h 
Local: canal oficial do CFP no YouTube

Giros Descoloniais encerram ciclo com foco em migrações e direitos humanos

Uma Psicologia plural, inclusiva e conectada aos territórios: essa é a síntese do chamado feito pela Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CDH/CFP) à categoria profissional, aos movimentos sociais e à sociedade civil nos encontros promovidos pelo projeto Giros Descoloniais, parte da campanha nacional de direitos humanos do Sistema Conselhos de Psicologia para o triênio 2023–2025.

O Giro Descolonial Sul, realizado em 13 de setembro na Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, em Curitiba/PR, marcou o encerramento do ciclo de mobilizações do projeto. Com o tema Migrações e direitos humanos, o encontro reuniu representantes dos Conselhos Regionais de Psicologia do Paraná (CRP-08), do Rio Grande do Sul (CRP-07) e de Santa Catarina (CRP-12), além de convidados de outras nacionalidades e entidades atuantes na temática.

A psicóloga libanesa-brasileira Rima Zahra, representante do CFP na Frente Nacional pela Saúde de Migrantes (FENAMI), ressaltou a presença de migrantes, refugiados e apátridas de países como Haiti, Líbano, Palestina e Venezuela no Giro Descolonial Sul e valorizou a resistência das comunidades frente às violações de direitos humanos.

Rima Zahra enfatizou a escuta ativa e a abertura intelectual como pilares do acolhimento intercultural. “Falamos tanto em acolher e ter uma abertura para receber essas pessoas que vêm de tantos lugares diferentes, mas a abertura principal, eu entendo que ela é intelectual também”, pontuou.

A psicóloga e coordenadora da CDH/CFP, Andreza Costa, reforçou a importância de ampliar o campo de atuação da categoria profissional na compreensão das especificidades e garantia de direitos das pessoas migrantes, além de valorizar “outras cosmogonias e saberes, como forma de romper com o ‘status do suposto saber’ e construir práticas mais conectadas aos territórios e suas populações”, destacou.

Para a integrante da CDH, Mônica Sampaio, o encerramento dos Giros Descoloniais marcou a aproximação da Psicologia com os territórios sem imposição de saberes prontos. “Cada território tem um sujeito, e é com ele que aprendemos sobre a questão do cuidado”, completou.

Programação plural e representativa

A programação do Giro Descolonial Sul incluiu rodas de conversa sobre direitos, contextos migratórios e resistência da diáspora árabe. Participaram Clefaude Estimable (Haiti), psicólogo e mediador intercultural; Jihad Abu Ali (Líbano), organizador da repatriação de pessoas de Gaza e do Líbano; Rockmillys Basante Palomo (Venezuela), presidenta do Conselho Estadual de Refugiados, Migrantes e Apátridas; Marcia Terezinha Ponce, da Cáritas Curitiba; Francirosy Barbosa, antropóloga e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP); Hyatt Omar, psicóloga palestina-brasileira; Sheikh Mohammad Reza Rezaei, líder religioso; e Professor Kiko, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ).

Escuta ativa para troca de saberes e práticas

Os Giros Descoloniais integram a Campanha Nacional de Direitos Humanos do triênio 2023–2025, intitulada Descolonizar corpos e territórios: reconstruindo existências Brasis.

A iniciativa revisita saberes afropindorâmicos, latino-americanos e em diáspora, promovendo uma Psicologia que reconhece a pluralidade de existências e territórios, comprometida com a justiça social e os direitos humanos. A campanha propôs ações em todas as regiões do país.

Entre essas ações está o podcast Prosas Descoloniais, com 10 episódios em que representantes da CDH/CFP dialogam com convidados sobre temas relacionados às práticas psicológicas alinhadas à perspectiva descolonial.

As iniciativas também dialogam com resoluções do CFP sobre orientação sexual, identidade de gênero, enfrentamento ao racismo e à violência de gênero, reafirmando o compromisso da Psicologia com a promoção dos direitos humanos.

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Psicologia brasileira debate crises globais e impactos locais, tema do 7º CBP

Teve início na quarta-feira (19), na Universidade de Brasília (UnB), a 7ª edição do Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão (CBP). Realizado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em parceria com o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB), o encontro reúne profissionais, estudantes e entidades da área para debater os desafios contemporâneos da ciência e da profissão. 

A cerimônia de abertura, transmitida ao vivo pelo canal oficial do CFP no YouTube, marcou o início de uma programação que se estende até sábado (22), com conferências, simpósios, mesas-redondas, minicursos, oficinas, rodas de conversa, comunicações orais e pôsteres. O CFP integra mais de 80 dessas atividades.

A solenidade contou com a conferência magna “Bem-Viver no caos”, conduzida por Débora Noal, que abordou a relação entre o fazer da Psicologia e a vida em um mundo de eventos extremos.

A presidenta do CFP, Alessandra Almeida, destacou que o 7º CBP é um dos mais importantes espaços de reafirmação do projeto ético-político da Psicologia no Brasil. “Este Congresso é um convite: que futuro queremos construir para a Psicologia brasileira e para o país que desejamos?”, pontou.

Alessandra Almeida ressaltou a necessidade de enfrentar os impactos das crises climáticas e socioambientais sobre a saúde mental e de fortalecer o diálogo com movimentos sociais, reafirmando o compromisso da categoria com a democracia, a dignidade humana e os direitos. 

A conselheira do CFP e presidenta da comissão organizadora do 7º CBP, Juliana Guimarães, enfatizou o caráter inclusivo do encontro, destacando a diversidade regional e internacional presente. “Receber participantes das cinco regiões do Brasil e de outros países da América Latina e da Europa nos enche de orgulho e reafirma o caráter plural, democrático e inclusivo deste encontro”, disse. 

Juliana Guimarães também ressaltou o papel das entidades, equipes técnicas e pessoas voluntárias na construção da sétima edição, além dos avanços em acessibilidade, como tradução em Libras, espaço família e ponto de cuidado, reafirmando o compromisso do Congresso com a inclusão. “Queremos que cada pessoa, seja estudante, docente ou profissional, se sinta acolhida e representada, porque a Psicologia só tem sentido quando é para todas as pessoas”, acrescentou. 

Representando o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB), o conselheiro do CFP Antônio Virgílio Bastos destacou a importância da pluralidade e da ação conjunta das entidades. “O CBP materializa o esforço de uma Psicologia ética, crítica e socialmente referenciada, capaz de responder às complexas demandas da sociedade contemporânea”, afirmou. 

Resistência e transformação 

A mesa de abertura também ressaltou que o 7º CBP coincide com o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, reforçando a conexão entre ciência, cultura e justiça social. O evento dialoga com debates globais, como os da COP30 em Belém/PA, que destacam o protagonismo das comunidades tradicionais na luta contra a crise climática.

CFP protagoniza debates sobre ciência e profissão no 7º Congresso Brasileiro Psicologia

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB) realizam, de 19 a 22 de novembro, o 7º Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão (CBP).

Com o tema “Crises globais e impactos locais: caminhos para a Psicologia como ciência e profissão”, o encontro será realizado pela primeira vez entre Brasília e Taguatinga, no Distrito Federal, com apoio da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Para o Conselho Federal de Psicologia, o Congresso representa um espaço estratégico para o fortalecimento da atuação científica e profissional de psicólogas e psicólogos, marcado pela construção coletiva sempre reafirmando o compromisso da Psicologia com os direitos humanos e com a democracia em tempos de crise.

Além de coorganizar o evento, o CFP terá cinco salas temáticas e participação ativa com mais de 80 atividades conduzidas por integrantes do XIX Plenário, incluindo 35 mesas-redondas, 12 oficinas, 10 simpósios no campo da ciência e profissão, nove diálogos latino-americanos, três premiações, uma comunicação oral e um minicurso. Também estão previstos lançamentos de revistas e livros produzidos pela autarquia.

As cinco salas temáticas irão dialogar sobre os temas direitos Humanos e interseccionalidades, Lei 13.935/2019 – Prestação de serviços de Psicologia e de Serviço Social nas redes públicas de educação básica, Psicologia e políticas públicas, Revista Diálogos e Rede latinoamericana de Periódicos de Psicologia (PePsic). Ao menos 15 atividades estão previstas.

A programação é uma oportunidade para refletir sobre os desafios contemporâneos da profissão.

Transmissões abertas ao público

Embora a participação em toda a programação seja presencial e exija inscrição prévia no site oficial do CBP, as conferências magnas e premiações do CFP contarão com transmissões abertas ao público pelo canal oficial do CFP no YouTube.

Na quarta-feira (19), a partir das 17h, será iniciada a transmissão da cerimônia de abertura e, às 18h30, ocorrerá a conferência magna Bem-Viver no caos: qual Psicologia sustenta a vida em um mundo de eventos extremos?, conduzida por Débora Noal.

Na quinta-feira (20), das 18h às 19h30, acontecerá a transmissão da conferência magna Democracia e Justiça Social: os desafios da Psicologia na defesa dos direitos humanos, ministrada por Iolete Ribeiro, ocasião em que o CFP entregará a 3ª edição do Prêmio Profissional Virgínia Bicudo: Práticas Para Uma Psicologia Antirracista.

Já na sexta-feira (21), das 18h às 19h30, será transmitida a conferência magna Avanços tecnológicos e digitalização da vida: transformações no trabalho e nas relações sociais, com Sigmar Malvezzi, seguida da entrega do Prêmio Profissional Sylvia Leser de Mello: Práticas Inovadoras no Exercício da Psicologia.

No sábado (22), último dia do evento, a transmissão aberta ao público terá início às 10h30 com a conferência magna Fazeres da Psicologia em um mundo em mudança: inovações e desafios para a formação e atuação profissional, conduzida por Luciana Mourão, acompanhada da premiação Avaliação Psicológica e Justiça Social.

Às 16h, será realizada a transmissão da conferência magna Crises ambientais e sustentabilidade: Psicologia e promoção da saúde e bem-viver, com Raquel Diniz, seguida do encerramento oficial do evento.

Percurso do 7º CBP

A cerimônia de abertura do 7º CBP: Ciência e Profissão acontece no dia 19, às 17h, no Centro Comunitário Athos Bulcão (CCAB) da Universidade de Brasília (UnB), com atividades culturais e a conferência “Bem-viver no caos: qual Psicologia sustenta a vida em um mundo de eventos extremos?”.

Nos dias seguintes, de 20 a 22 de novembro, a programação se concentra no campus da UCB, em Taguatinga/DF, com conferências, simpósios, diálogos, mesas redondas, oficinas, minicursos, rodas de conversa, comunicações orais e posters. O evento é voltado a psicólogas(os), estudantes, docentes, profissionais de áreas afins e usuárias(os) dos serviços de Psicologia, promovendo o intercâmbio de saberes e práticas que fortalecem a atuação científica e profissional da categoria no Brasil e em países latino-americanos e lusófonos.

O 7º CBP está estruturado em quatro eixos temáticos que orientam sua programação. O primeiro eixo aborda as crises ambientais e a sustentabilidade, com foco na Psicologia como promotora da saúde e do bem-viver. O segundo trata dos avanços tecnológicos e da digitalização da vida, explorando as transformações no trabalho e nas relações sociais.

O terceiro eixo discute a democracia e a justiça social, destacando os desafios da Psicologia na defesa dos direitos humanos. O quarto eixo contempla os fazeres da Psicologia em um mundo em constante mudança, refletindo sobre inovações e desafios para a formação e atuação profissional.

Confira as atividades do Conselho Federal de Psicologia no 7º CBP

 

Em colóquio inédito, CFP e CFMV dialogam sobre vínculos entre humanos e animais no cuidado em saúde mental

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, em 30 de outubro, do I Colóquio sobre Saúde Mental e Laços entre Pessoas e Animais, realizado na sede do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em Brasília/DF. O encontro reuniu profissionais da Psicologia e da Medicina Veterinária para debater temas que envolvem o bem-estar humano e animal, com foco na saúde mental de profissionais e na relação afetiva entre pessoas e animais em contextos terapêuticos.

A iniciativa do CFMV surgiu diante do crescente número de casos de depressão, burnout e suicídio entre médicos-veterinários e zootecnistas, que motivou a criação da Comissão de Atenção à Saúde Mental do Médico-Veterinário e do Zootecnista (CASM). O convite ao CFP teve como objetivo fortalecer o diálogo interinstitucional e fomentar estratégias conjuntas para enfrentar os desafios que envolvem o cuidado em saúde.

Entre os temas abordados no colóquio estiveram o luto pela perda de animais de estimação, o uso de animais em práticas psicoterápicas e a ausência de regulamentação no Brasil sobre os chamados animais de suporte emocional.

Representando o CFP no colóquio, o conselheiro-secretário Rodrigo Acioli, psicoterapeuta cognitivo-comportamental e especialista em neuropsicoterapia, destacou a importância da parceria entre os conselhos e o impacto da atuação profissional sobre a saúde mental.

“Poucas pessoas sabem que médicos-veterinários e zootecnistas enfrentam altos índices de adoecimento psíquico. Essa interlocução entre as profissões é essencial para promover saúde mental e construir práticas mais éticas e sensíveis”, pontuou o conselheiro federal.

Rodrigo Acioli abordou os aspectos psicoemocionais de atletas que praticam esportes com animais, além de discutir o papel da categoria científica e profissional na mediação de vínculos entre humanos e animais em contextos terapêuticos.

A psicóloga e médica-veterinária Ingrid Atayde, chefe do Setor de Comissões do CFMV, reforçou a relevância do evento e a expectativa de avanços concretos. “Precisamos construir, de forma coletiva, um guia de boas práticas ou até mesmo propor uma legislação que contemple o uso responsável de animais em contextos terapêuticos. A regulamentação dos animais de suporte emocional é urgente e deve ser conduzida com respaldo técnico das e dos profissionais da saúde mental”, ressaltou.