CFP recebe 1º Seminário Nicolas Augusto e reafirma compromisso da Psicologia com a saúde mental e os direitos de pessoas trans e travestis

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) sediou na quinta-feira (30), em Brasília/DF, o 1º Seminário Nicolas Augusto: saúde mental das pessoas trans no Brasil, iniciativa da Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (Rede Trans).

Antes de dar início à mesa sobre dados e mecanismos de monitoramento do autoextermínio de pessoas trans e travestis no Brasil, o seminário prestou homenagem ao militante dos direitos humanos e integrante da Rede Trans, Nicolas Augusto, que morreu em setembro de 2024.

O encontro colocou em foco o avanço das visões conservadoras e fundamentalistas e os desafios no acesso digno e igualitário da população trans aos serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O diálogo contou com a participação do conselheiro do CFP Gabriel Figueiredo, que destacou o compromisso da Psicologia com os direitos dessa população e a participação da Autarquia em uma série de atividades no marco da visibilidade trans.

“Nós dialogamos sobre a atuação da Psicologia no Sistema Único de Saúde, a questão da laicidade do Estado e dos direitos da população trans que têm sido violados no Brasil e no mundo”, destacou o conselheiro federal.

O representante da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CDH/CFP), Alexander Oliveira, também participou do seminário, que reuniu movimentos sociais, especialistas e ativistas na defesa e promoção de direitos.

Semana de atividades

Tendo como marco o Dia Nacional da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, o CFP também fez parte de agendas realizadas entre 25 e 27, dedicadas a reflexões sobre a garantia de direitos de pessoas trans e travestis, o respeito à diversidade de gênero e o enfrentamento à transfobia no Brasil.

Além de sediar o 1º Seminário Nicolas Augusto: saúde mental das pessoas trans no Brasil, o CFP, representado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), esteve presente no Encontro de Parlamentares Trans (EleiTrans), na II Marcha Nacional Pela Visibilidade Trans e nos seminários Representação e Representatividade TransPolíticas e Transmasculinidades Negras, ambos realizados na Câmara Federal.

Alexander Oliveira, representante da CDH/CFP, ressaltou que a Psicologia tem como compromisso ético estar integrada à defesa dos direitos humanos e pontuou que atuar nesses espaços deliberativos e construtivos é essencial para entender as especificidades da situação psicossocial da comunidade trans.

“Acompanhamos a agenda da Semana da Visibilidade Trans para entender as demandas das trans masculinidades negras, das travestis, dos homens trans e da comunidade trans em geral. Porque quando dialogamos sobre a comunidade trans, estamos falando de raça, de território, de negritude e entendendo todas essas interseccionalidades”, destacou.

Marcus Vinícius de Oliveira: legados para a Psicologia brasileira

Há nove anos, um ato bárbaro de  violência retirou  de forma trágica a vida de Marcus Vinícius de Oliveira, o Matraga, cuja trajetória foi marcada pela dedicação à ciência psicológica e à transformação social. 

Em 4 de fevereiro de 2016, Matraga foi brutalmente assassinado em Pirajuia, município de Jaguaripe (BA), uma região conhecida por conflitos agrários. As circunstâncias de sua morte ainda hoje não foram elucidadas.  

O psicólogo foi uma referência para a Psicologia brasileira, com significativa  contribuição em gestões do Conselho Federal  e em estudos e publicações acadêmicas, com impacto na formação de várias gerações de profissionais da Psicologia. 

Defensor incansável dos direitos humanos e da luta antimanicomial, Matraga teve importante contribuição   na luta pela reforma psiquiátrica e  proteção das pessoas em situação de vulnerabilidade. Para ele, a Psicologia não deveria ser apenas técnica, mas também um instrumento de mudança social. 

Com coragem e compromisso, Matraga desafiou a tensão entre ciência e política, comum na história da Psicologia brasileira, especialmente em períodos de repressão, como a ditadura militar. Com sua inquietude, buscou aliar a Psicologia à luta e transformação social, aliando o conceito de saúde à  promoção de equidade.  

Nove anos após esse trágico acontecimento, o CFP mantém o apelo por justiça e reafirma o legado de Marcus Vinícius de Oliveira para a Psicologia: uma prática coletiva e comprometida com a promoção e a defesa de direitos.

CFP lança prêmio profissional sobre avaliação psicológica e justiça social

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lança nesta sexta-feira (31) a primeira edição do Prêmio Profissional Avaliação Psicológica e Justiça Social. A iniciativa pretende reconhecer profissionais da Psicologia que, por meio da avaliação psicológica, promovem a justiça social e contribuem para transformar a realidade de populações socialmente minorizadas, as quais enfrentam exclusão ou vulnerabilidade em aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais.

Podem se inscrever  psicólogas e psicólogos devidamente registradas(os) e adimplentes no Conselho Regional de Psicologia (CRP) de sua jurisdição, que tenham desenvolvido trabalhos tanto no exercício da prática psicológica quanto no campo acadêmico e no desenvolvimento de ferramentas de avaliação.

Os trabalhos inscritos deverão estar relacionados a temas que envolvem diretamente a justiça social e a avaliação psicológica, com foco na aplicação ética e crítica da profissão em contextos diversos: direitos humanos e diversidade; saúde mental e políticas públicas; educação e inclusão social; pessoas em situação de conflito ou violação de direitos; e justiça e sistema penal.

Conheça cada uma das categorias de boas práticas em Avaliação Psicológica e Justiça Social:

1 – Prática: relatos de experiências individuais ou coletivas da(o) psicóloga(o), envolvendo práticas profissionais, de ensino, de extensão, entre outras na área de avaliação psicológica e justiça social e/ou populações socialmente minorizadas;

2 – Pesquisa: relatos de pesquisa empírica sobre avaliação psicológica, envolvendo construtos relacionados à justiça social e/ou populações socialmente minorizadas;

3 – Testes Psicológicos: relatos de estudos psicométricos de instrumentos voltados para construtos relacionados à justiça social e/ou populações socialmente minorizadas.

Poderão concorrer trabalhos individuais ou coletivos. Não há restrição quanto à área de atuação, o que significa que profissionais de diferentes campos da prática profissional – como clínico, educacional, organizacional, social, dentre outros – podem submeter seus trabalhos.

Avaliação

Boas Práticas em Avaliação Psicológica e Justiça Social são aquelas que representam um avanço significativo no campo da Avaliação Psicológica, seja por meio da introdução de novos conceitos, ferramentas, fundamentos ou metodologias voltadas a populações socialmente minorizadas ou ao enfrentamento das desigualdades e injustiças sociais.

Os projetos inscritos serão avaliados por uma comissão técnica, composta por membros ad hoc indicados pelo Plenário do CFP, constituída por psicólogas(os). Será dada atenção especial ao respeito às normas éticas da profissão e à contribuição do trabalho para o avanço da Psicologia no contexto da justiça social.

Serviço

Prêmio Profissional Avaliação Psicológica e Justiça Social
Inscrições: de 10 de março a 6 de julho de 2025. Acesse o site para inscrições
Confira a íntegra do edital

Representantes das Comissões Eleitorais do Sistema Conselhos de Psicologia participam de encontro nacional 

Nos dias 22 e 23 de janeiro, Brasília/DF recebeu o 1º Encontro Nacional das Comissões Eleitorais do Sistema Conselhos de Psicologia, evento inédito que marca os preparativos  das eleições para os Conselhos Regionais (CRPs) e a consulta nacional para o Conselho Federal (CFP), que ocorrerão entre 23 e 27 de agosto.

O evento reuniu 70 participantes, entre presidentes das Comissões Regionais Eleitorais (CREs) e representantes dos Conselhos Regionais, para um intensivo treinamento sobre as diretrizes e procedimentos eleitorais, conforme estabelecido pela Resolução CFP nº 10/2024.

Com uma agenda marcada pelo compartilhamento de informações sobre o processo eleitoral deste ano, a reunião buscou preparar as lideranças regionais para lidar com as especificidades do processo, reforçando a importância das práticas de equidade e representatividade no Sistema Conselhos de Psicologia.

Participantes tiveram acesso a orientações detalhadas sobre o sistema de inscrição de chapas, ações afirmativas e aos processos de heteroidentificação. O encontro contou com a colaboração da Comissão Eleitoral Regular (CER), da Comissão Especial Eleitoral (CEE) e da Comissão Eleitoral de Ações Afirmativas e Heteroidentificação (CAAH), com o objetivo garantir que o processo eleitoral de 2025 transcorra de forma inclusiva e transparente.

O conselheiro do CFP e presidente da CER, Rodrigo Acioli destacou a importância do momento formativo, de modo a conferir eficiência nos trabalhos que ajudarão a conduzir as etapas eleitorais, fortalecendo o processo democrático e a transparência das ações junto à categoria. “Nós temos essa missão de organizar o processo eleitoral e assegurar sua qualidade”.

A presidente da CEE, Marisa Helena Alves, falou sobre o funcionamento da comissão  responsável pela Consulta Nacional e pelo suporte às Comissões Regionais Eleitorais na inscrição de chapas federais, entre outros.

A psicóloga coordenadora da CAAH, Edireusa Fernandes Silva, ressaltou que as ações afirmativas e heteroidentificação nas eleições refletem o compromisso do Sistema Conselhos de Psicologia com a inclusão e a equidade, em um processo continuamente aprimorado.

Sistemas e infrações

Infrações e sanções também estiveram entre os destaques do encontro, com apresentação da Gerência Jurídica do CFP sobre as Comissões Eleitorais e o aprimoramento das suas decisões diante do tema.

O segundo dia (23) do treinamento foi reservado aos aspectos técnicos de uso da plataforma para a inscrição, destacando a importância da acessibilidade em sites e sistemas, com ênfase nos produtos desenvolvidos para as eleições. Também foi apresentado como serão organizadas as equipes de apoio no CFP e o que está sendo preparado na área de auditoria, que será externa ao CFP, para assegurar  segurança, uniformidade e eficiência na condução das eleições.

Novidade

Este ano, o processo eleitoral garante a realização simultânea dos Congressos Regionais de Psicologia (COREPSIs), com os 24 regionais trabalhando durante o mesmo final de semana em todo o país. Essa iniciativa é inédita e fortalece a integração e o alinhamento entre os Conselhos Regionais, em prol de um processo eleitoral organizado e harmônico, assegurando que todas as etapas sejam conduzidas  de forma simultânea, para evitar exclusões ou desigualdades no processo.

Vale lembrar que, durante a realização do COREPSIs, encerra-se o prazo para as inscrições de chapas (e-chapas.cfp.org.br) para as eleições dos Conselhos Regionais e para a Consulta Nacional para o Conselho Federal.

As Comissões Regionais Eleitorais (CREs) e a Comissão Eleitoral Especial (CEE) serão responsáveis pelo recebimento das inscrições, que deverão ser realizadas exclusivamente pelo Sistema E-Chapas, no período de 18 de fevereiro a 22 de março de 2025, até às 23h59 (horário de Brasília), durante a realização dos Congressos Regionais de Psicologia (COREPSIs).

Conheça as comissões envolvidas no processo eleitoral

Comissão Eleitoral Regular (CER): composta por conselheiras(os) federais, atua como instância de orientação sobre o Regimento Eleitoral e recurso em disputas relacionadas às chapas concorrentes nas eleições regionais;

Comissão Eleitoral Especial (CEE): formada por psicólogas(os) não conselheiras(os) federais, é responsável pela Consulta Nacional e pelo suporte às Comissões Regionais Eleitorais na inscrição de chapas federais, além de apreciar requerimentos;

Comissão de Ações Afirmativas e Heteroidentificação (CAAH): composta preferencialmente por psicólogas(os), avalia a elegibilidade de candidaturas, nas questões  de ações afirmativas e heteroidentificação, e emite pareceres para subsidiar decisões das demais comissões;

Comissão Regional Eleitoral (CRE): integrada por psicólogas e psicólogos não conselheiras(os) regionais, é responsável pela condução do processo eleitoral em sua jurisdição e pelo processamento de requerimentos das chapas concorrentes.

Acesse a íntegra da Resolução CFP nº 10/2024, que estabelece o regimento eleitoral, e fique por dentro de todos os detalhes do processo.

Acompanhe também os canais oficiais do Conselho Federal de Psicologia para mais informações sobre as eleições dos CRPs e a consulta nacional para o CFP.

Confira a galeria de imagens do 1º Encontro Nacional das Comissões Eleitorais do Sistema Conselhos de Psicologia | Flickr

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CFP consolida 10 propostas no campo da Psicologia Ambiental para a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente

Na quinta-feira (24), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) consolidou propostas da Psicologia brasileira para a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), que será realizada em maio deste ano, em Brasília (DF), com o tema “Emergência Climática: o desafio da transformação ecológica”.

O documento foi elaborado durante a Conferência Livre de Psicologia, Justiça Ambiental e Meio Ambiente (assista aqui e aqui) que reuniu centenas de profissionais da Psicologia de todo o país. 

O diálogo resultou em duas propostas para cada um dos cinco eixos temáticos a serem debatidas durante a 5ª CNMA e também na eleição de Alessandra Almeida – vice-presidenta do CFP e coordenadora dos grupos de trabalho Psicologia Ambiental e de Riscos e Emergências e Desastres – como delegada na Conferência Nacional.

O presidente do CFP, Pedro Paulo Bicalho, destacou a importância de a Psicologia referendar a 5ª CNMA e produzir narrativas de enfrentamento aos discursos negacionistas sobre emergências ambientais e do clima. “Nós, profissionais da Psicologia, também construímos saúde mental na articulação com as discussões sobre o enfrentamento à crise climática”, ressaltou.

A Conferência Livre de Psicologia, Justiça Ambiental e Meio Ambiente foi acompanhada por 1.130 perfis, recebeu 869 inscrições e registrou nominalmente a participação de 240 pessoas, sendo 94% de representantes da sociedade civil (profissionais da Psicologia, estudantes, povos e comunidades tradicionais) e 6% de atores governamentais.

Além do presidente e da vice-presidente do CFP, contribuíram com os diálogos as conselheiras federais Nita Tuxá e Fabiane Fonseca, e as(os) profissionais da Psicologia e pesquisadoras(es) Adria Lima e Thiago Siqueira.

Propostas da Psicologia

Os cinco eixos temáticos que têm norteado as atividades municipais, estaduais, distrital e livres, preparatórias à 5ª CNMA, versam sobre mitigação, adaptação e preparação para desastres, justiça climática, transformação ecológica, governança e educação ambiental.

As propostas do Conselho Federal de Psicologia relacionadas ao eixo Mitigação, incluem desenvolver estratégias nas Redes de Atenção à Saúde que integrem saúde mental e sustentabilidade, dialogando com saberes tradicionais e promovendo práticas sustentáveis como formas de autocuidado e cuidado ambiental. Também busca reorientar sentimentos individuais de impotência e ansiedade climática em ações coletivas que reforcem a promoção da saúde mental e o enfrentamento da crise climática e do racismo ambiental.

No eixo Adaptação e Preparação para Desastres, o CFP destaca a valorização da Psicologia na Gestão de Riscos, Emergências e Desastres, ampliando a atuação intersetorial nas políticas públicas e promovendo resiliência comunitária e suporte emocional no contexto de desastres socioambientais.

As propostas da autarquia sobre Justiça Climática incluem elaborar políticas públicas que reconheçam a ligação entre proteção ambiental e bem-estar psicossocial, além de dialogar com saberes de diversas comunidades afetadas pelo modelo de desenvolvimento capitalista.

No eixo Transformação Ecológica, o Conselho destaca a expansão da atuação de psicólogas e psicólogos em políticas públicas voltadas à agroecologia e soberania alimentar, e a incorporação da Psicologia da Mobilidade Humana nas políticas de descarbonização. 

Já no eixo Governança e Educação Ambiental, o CFP propõe investimentos em políticas ambientais e a presença ampliada de profissionais da Psicologia em contextos de emergências e crises, promovendo diálogo com autoridades e formação continuada.

Leia a íntegra do texto contendo as propostas.

A Psicologia e o direito fundamental à educação

Neste 24 de janeiro, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) destaca a educação de qualidade como um direito fundamental e o papel da Psicologia na promoção de uma educação plural, inclusiva e emancipadora.

Para apoiar esse desafio, o CFP tem mobilizado esforços para assegurar a efetiva implementação da Lei 13.935/2019, que estabelece a presença de profissionais da Psicologia e do Serviço Social nas redes públicas de educação básica em todo o país.

Um grupo de trabalho criado pelo MEC – e que contou com participação do CFP e de outras entidades da área, como a ABRAPEE, a ABEP e a FENAPSI – esteve reunido ao longo de 2024 para sistematizar subsídios e recomendações à implementação da lei. O resultado final será apresentado no próximo dia 7 de fevereiro, em atividade que contará com a presença do Conselho Federal de Psicologia.

Você sabia?

Ao menos 754 milhões de jovens e adultos em todo o mundo não possuem habilidades básicas de alfabetização (Dados: Unesco, 2025).

No marco do Dia Internacional da Educação, data criada pelas Nações Unidas, o Conselho Federal de Psicologia destaca a importância da educação para o desenvolvimento humano, o acesso à saúde e para a quebra de ciclos de pobreza.

Profissionais da Psicologia desempenham papel fundamental nesse desafio, apoiando os processos de ensino-aprendizagem, PREVENINDO problemas no desenvolvimento integral, por meio do fortalecimento das relações interpessoais no ambiente escolar, da proteção social e do estímulo à participação familiar e comunitária.

Para fortalecer esse compromisso, desde 2019 a Lei 13.935 passou a garantir a presença de profissionais da Psicologia e do Serviço Social nas escolas da Educação Básica de todo o país.

Diante dos desafios ainda enfrentados no cumprimento dessa obrigação legal, em 2024 o Ministério da Educação criou um grupo de trabalho, com participação do CFP, para estabelecer orientações relacionadas à efetiva implementação da Lei.

Além do Conselho Federal de Psicologia, o colegiado reuniu especialistas, gestores públicos, entidades da educação e de áreas correlatas ao tema com o objetivo de sistematizar subsídios e recomendações.

O resultado desse trabalho será apresentado no próximo dia 7 de fevereiro, em atividade promovida pelo MEC e que contará com participação do CFP e outras entidades representativas da frente de mobilização, incluindo a ABRAPEE, a ABEP e a FENAPSI.

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Acesse também: psicologianaeducacao.cfp.org.br

Psicogia e combate à intolerância religiosa

No marco do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reafirma seu compromisso ético, científico e político com a defesa da liberdade de crença e de respeito à diversidade religiosa.

Como define o próprio Código de Ética Profissional, o exercício da Psicologia exige o enfrentamento a toda e qualquer forma de discriminação, estigmatização ou preconceito – inclusive, de caráter religioso. 

Atento à importância do tema, o CFP publicou a Resolução 7/2023. A normativa  orienta que psicólogas e psicólogos devem atuar segundo os princípios éticos da profissão, pautando seus serviços com base no respeito à singularidade e à diversidade de pensamentos, crenças e convicções dos indivíduos e grupos, de forma a considerar o caráter laico do Estado e da Psicologia como ciência e profissão.

De acordo com a Resolução CFP, psicólogas e psicólogos devem observar a dimensão da religiosidade e da espiritualidade como elemento formativo das subjetividades e das coletividades; bem como os contextos históricos e culturais dos saberes dos povos originários, comunidades tradicionais e demais racionalidades não-hegemônicas presentes nos contextos de inserção profissional. 

No exercício da Psicologia, também devem ser respeitadas as vivências a-religiosas, agnósticas e ateístas de indivíduos e grupos e ficam vedadas a psicólogos e psicólogas no exercício profissional praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão à crença religiosa. 

Quer saber mais sobre o tema? Acesse a íntegra da normativa e fique por dentro!

Psicóloga é eleita nova presidente do Conselho Nacional de Saúde

A psicóloga vice-presidente da FENAPSI, Fernanda Lou Sans Magano, foi eleita nova presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS) para o triênio 2024-2027. 

O CNS é uma instância colegiada, deliberativa e permanente do Sistema Único de Saúde (SUS), integrante da estrutura organizacional do Ministério da Saúde. O órgão é responsável por fiscalizar, acompanhar e monitorar as políticas públicas de saúde nas suas mais diferentes áreas em todo o país, levando as demandas da população ao poder público.

Para o Conselho Federal de Psicologia, o protagonismo da profissão nesse espaço central de controle social denota a relevância da Psicologia e de seus profissionais para as políticas públicas de saúde. Nesse sentido, o CFP tem participação ativa em comissões e espaços estratégicos do CNS, inclusive na Comissão Intersetorial de Saúde Mental (CISM), coordenada pelo conselheiro federal Gabriel Henrique Figueiredo e pela ex-conselheira Marisa Helena Alves.

“A nomeação de uma profissional da Psicologia para presidir o Conselho Nacional de Saúde reforça esse papel estratégico que nossa profissão historicamente ocupa nas ações de controle social e aprimoramento das políticas e serviços no âmbito do Sistema Único de Saúde, por meio do CNS. Ter a Psicologia à frente desse importante órgão de controle social marca esse reconhecimento à relevância e contribuições de nossa ciência e profissão”, destaca o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Pedro Paulo Bicalho. 

Fernanda Magano ressalta que essa é a primeira vez que a Psicologia, como representante do segmento de trabalhadoras e trabalhadores do SUS, alcança a possibilidade de estar na presidência do CNS e destaca esse  como resultado de uma construção coletiva junto às demais profissões regulamentadas da Saúde Coletiva.

“Alcançar hoje este espaço se deve à importância do posicionamento ético, político e científico da Psicologia, bem como da dedicação de entidades de representação, como a FENAPSI e o Conselho Federal de Psicologia, que ao longo dos anos têm preconizado uma formação e atuação crítica e contextualizada de seus profissionais voltada para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde”, explica a nova presidente do CNS.

Fernanda Magano e os demais integrantes da nova mesa diretora do CNS tomaram posse no dia 20 de dezembro de 2024, durante a 78° Reunião Ordinária do colegiado. 

Representatividade

A psicóloga é representante do segmento dos trabalhadores pela Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi) e acumula uma trajetória no CNS. Atuou como conselheira desde 2018, integrou a mesa diretora do CNS de 2021 a 2024, sendo reconduzida agora à mesa diretora e à presidência, de 2024 até 2027.

Magano é a segunda mulher que assume a presidência do Conselho Nacional de Saúde desde a sua criação, há 87 anos. “Destacar a questão de gênero é importante, pois no curso da história brasileira as mulheres sempre tiveram que lutar para não serem deixadas às margens dos processos de elaboração das políticas públicas, o que resulta em enfraquecer a democracia”, explica a presidente do CNS.

Diversidade e  inclusão 

A nova presidente eleita do CNS afirma que o colegiado tem papel fundamental para garantir e assegurar o direito ao acesso à saúde pública para toda sociedade. “Seu funcionamento é importante para garantir que as diretrizes e normas estabelecidas pelo Sistema Único de Saúde sejam cumpridas pelos governos”, explica. Ela ainda destaca a diversidade e a inclusão como pilares fundamentais do SUS, além da importância da representação de diferentes segmentos no conselho e o papel histórico de lideranças. 

A presidenta também celebra a nova composição da mesa diretora do CNS, que inclui representantes de diversos movimentos sociais e segmentos, como mulheres negras, trabalhadoras rurais e ativistas de saúdesimbolizando a pluralidade e o compromisso com os princípios do SUS. Além disso, reconhece o trabalho das equipes do CNS e das entidades parceiras, como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que têm apoiado as iniciativas do conselho, o que reforça o papel do CNS como referência internacional em controle social, com destaque para o diálogo e a união na luta pela saúde pública, pela democracia e pelos direitos sociais no Brasil.

Psicologia na Saúde Pública

A inserção da Psicologia na Saúde Pública ocorreu em 1990 com a regulamentação do SUS pela Lei 8.080/1990, que estabelece os princípios da universalidade e integralidade. Para Fernanda Magano, a profissão tem papel importante na defesa do SUS, na luta pela mudança das políticas de saúde mental, com ênfase na Atenção Psicossocial e no respeito aos direitos humanos.

“Seguimos no projeto coletivo de um país justo, inclusivo e democrático, com a importante presença da Psicologia sendo referência para todas as esferas do controle social no mundo, especialmente a partir das contribuições da Resolução de participação social aprovada na 77º Assembleia Mundial da Saúde”, explica Magano.

CFP discute mudanças climáticas e saúde mental em ação preparatória à 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) realiza, na quinta-feira (23), a Conferência Livre de Psicologia, Justiça Ambiental e Meio Ambiente. A atividade será um espaço de debate e controle social para refletir sobre a interseção entre saúde mental, justiça social e desafios ambientais.

Destinada a pesquisadoras(es), estudantes e profissionais da Psicologia, e aberto ao público mediante inscrição, a conferência livre começa às 15h, com transmissão em tempo real pelo YouTube do CFP. O encontro também poderá garantir uma representação de delegada(o) para a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (5ª CNMA).

Com uma perspectiva crítica, a conferência livre pretende dialogar sobre os impactos psicológicos das mudanças climáticas e o agravamento das desigualdades sociais causadas por crises ambientais. Também abordará o papel da Psicologia na construção de alternativas sustentáveis. As discussões serão sistematizadas e encaminhadas à 5ª CNMA.

A vice-presidente do CFP, Alessandra Almeida, que conduzirá a atividade, destaca a importância de promover reflexões sobre a intersecção de políticas públicas com o exercício científico e profissional da Psicologia no campo dos desastres e emergências ambientais. “Ao fortalecer o compromisso com os direitos e a justiça climática, a conferência livre irá elaborar propostas para orientar ações da categoria em defesa de políticas públicas integradas, enfatizando a necessidade de promover um futuro ecologicamente equilibrado e socialmente justo”, pontua.

Conferência Nacional

A Conferência Livre de Psicologia, Justiça Ambiental e Meio Ambiente atende ao chamado da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, um processo participativo que ocorrerá em maio deste ano. O evento promoverá diálogos para enfrentar os problemas relacionados às mudanças climáticas, com destaque para territórios e populações vulneráveis.

Com o tema Emergência Climática: o desafio da transformação ecológica, os debates prévios à 5ª CNMA, realizados em âmbitos municipais, estaduais e livres, abordarão cinco eixos temáticos: mitigação, adaptação e preparação para desastres, justiça climática, transformação ecológica, governança e educação ambiental.

Serviço

Conferência Livre de Psicologia, Justiça Ambiental e Meio Ambiente
Data: 23 de janeiro
Horário: das 15h às 18h
Transmissão: Canal oficial do CFP no YouTube
Inscrições neste link

Nota de Pesar – Rubén Ardila

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) expressa publicamente pesar pelo falecimento do psicólogo colombiano Rubén Ardila. 

Ardila se graduou em Psicologia pela Universidade Nacional da Colômbia (1964) e posteriormente doutorou-se em Psicologia Experimental pela Universidade de Nebraska, Lincoln, Estados Unidos (1969). 

Reconhecido por suas importantes contribuições na área, Rubén desenvolveu pesquisas em Psicologia Comparada, Psicologia Experimental, Psicobiologia, Psicologia Social, Psicologia da Paz, Psicologia da Aprendizagem, Psicologia da Ciência, História da Psicologia, Formação em Psicologia, Psicologia Organizada e Psicologia Internacional.

A trajetória de Rubén Ardila tem como marca a história da Psicologia em duas vertentes: protagonista e narrador. Por um lado,  participou da história profissional da Psicologia, que começa com a organização dos primeiros programas de formação, na metade do século XX. Por outro lado, foi um autor interessado em dotar a Psicologia na Colômbia e na América Latina de uma identidade histórica – deixando um importante legado de relatos históricos sobre os antecedentes da Psicologia na região.