No marco do Abril Indígena, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveu, entre os dias 8 e 10 de abril, em Brasília/DF, uma agenda estratégica durante o Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, reconhecido como a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil.
Articulada pelas indígenas psicólogas conselheiras Vanessa Terena e Thaynara Xerente, do Plenário 2.0 (gestão 2025-2028), a mobilização contou com a participação majoritária de indígenas psicólogas e psicólogos de Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) e da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do CFP, além de conselheiras e conselheiros federais.
A conselheira federal Vanessa Terena, também uma das coordenadoras da CDH, destacou que a presença no ATL é essencial para que a Psicologia compreenda as realidades territoriais, sendo uma oportunidade para “demarcar que a Psicologia também é território indígena”.
Vanessa Terena enfatizou que “a Psicologia precisa conhecer as demandas territoriais, as violências sofridas, a cultura, a educação escolar e a saúde indígena, aspectos que permeiam as identidades e os corpos dos 391 povos indígenas no Brasil”.
A conselheira Thaynara Xerente ressaltou que a presença de psicólogas e psicólogos indígenas no ATL reforça a relação intrínseca entre a terra e a atuação científica e profissional, bem como a compreensão de que não há saúde mental sem territórios demarcados e protegidos.
“Não tem como pensar saúde mental se a Psicologia não se aproximar e olhar para as questões relacionadas à vida dos povos indígenas. Estamos aqui por entender a importância de ouvir quem está na ponta, vivendo diariamente o contexto da saúde indígena”, pontuou Thaynara Xerente.
A presidenta do CFP, Ivani Oliveira, destacou o compromisso de potencializar a presença indígena na Psicologia brasileira e tensionar os limites da prática profissional, ressaltando que reconhecer essas trajetórias é fundamental para uma Psicologia pluriversa e interseccional. “Quando pensamos nesta gestão, queríamos fazer deste sistema um ecossistema vivo, que pulsa. Nossa chegada é ancestral!”, ressaltou.
Diálogo e articulação no Sistema Conselhos
A mobilização da Psicologia incluiu, no dia 8, uma reunião híbrida na sede do CFP que integrou indígenas conselheiras(os) e colaboradoras(es) do Sistema Conselhos de Psicologia para alinhar diretrizes que respeitem a cosmopercepção indígena e potencializem a representatividade desses povos no âmbito institucional.
No dia 9, a comitiva uniu-se à Marcha do ATL, “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, reforçando que o cuidado integral depende da justiça social e da proteção dos territórios.
A agenda foi encerrada no dia 10 com uma roda de conversa sobre saúde mental, realizada dentro do Acampamento Terra Livre, na tenda Aty Guasu. O diálogo evidenciou a urgência de uma Psicologia cada vez mais territorializada e atenta às realidades dos povos indígenas.
Histórico e compromisso técnico
A atuação da Psicologia no ATL consolida-se como um marco desde 2023, intensificada pelo trabalho da Comissão de Direitos Humanos e do Centro de Referência em Políticas Públicas (CREPOP). Essa trajetória busca qualificar o exercício profissional para uma prática ética e culturalmente referenciada, fortalecendo as políticas de proteção e garantia de direitos.
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