CFP promove Diálogo Digital em comemoração ao Dia da Mulher

Neste 8 de março, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) presta a sua homenagem à mulher brasileira, compondo a luta pela valorização do protagonismo feminino ao incentivar e aproximar o diálogo entre muitas e diferentes mulheres. E para marcar a data, o CFP vai promover, no dia 19 de março, às 16h, o Diálogo Digital “Desafios para avançar as lutas das mulheres: interlocuções com a Psicologia”.  O debate será transmitido ao vivo a partir das 16h pelo site e redes sociais do CFP.

O objetivo da atividade é falar sobre os desafios das mulheres no contexto atual, abordando temas referentes à formação profissional, racismo, transfobia, questão de gênero e a contribuição da Psicologia para o enfrentamento dessas questões no contexto social e político atual.

Essa edição do Diálogo Digital contará com a participação da conselheira do CFP, Jureuda Guerra e as mulheres convidadas Gabriella Silva, Jaqueline Gomes de Jesus e Alayde Maria Pinto Digiovanni.

Você pode participar do Diálogo Digital mandando perguntas para o e-mail comunica@cfp.org.br, pelo WhatsApp (61-9.9554-5738) ou pelos canais do CFP nas redes sociais usando a hashtag #DiálogosCFP.  O evento, realizado na sede do CFP, em Brasília, será transmitido pelo site do CFP, Facebook e Youtube do Conselho.

Ações na área

São várias frentes de atuação do CFP à temas ligados às mulheres. O combate à violência contra a mulher, ainda tão presente em nossa sociedade, está entre as lutas da Psicologia em prol da garantia dos direitos femininos.

Entre as ações mais recentes do CFP sobre o assunto está a formação, em maio de 2018, do grupo de trabalho (GT) Políticas para Mulheres, criado pela Assembleia de Política, Administração e Finanças (Apaf). O coletivo reúne psicólogas de todas as regiões do país com o objetivo de discutir as políticas do Sistema Conselhos de Psicologia e produzir estratégias e subsídios sobre a questão da violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio. No Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outra ação de suma importância é a parceria entre o CFP e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), formalizada em julho de 2018, firmando o protocolo de intenções para viabilizar o atendimento integral e multidisciplinar às mulheres e seus dependentes em situação de violência doméstica e familiar. O objetivo é trabalhar em conjunto com tribunais de Justiça, Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) e universidades para viabilizar esse atendimento integral. O projeto piloto já está em curso no estado do Rio Grande do Norte.

Visibilidade Trans: CFP comemora 1 ano da Resolução 01/2018

O Dia da Visibilidade Trans é celebrado todo dia 29 de janeiro, desde 2004. A data tem o objetivo de ressaltar a importância da visibilidade e o respeito às pessoas travestis e transexuais na sociedade brasileira. Nesta data, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) celebra o aniversário de 1 ano da Resolução CFP nº 01/2018, que orienta a atuação profissional de psicólogas(os) para que travestilidades e transexualidades não sejam consideradas patologias.

A norma tem o objetivo de impedir o uso de instrumentos ou técnicas psicológicas para criar, manter ou reforçar preconceitos, estigmas, estereótipos ou discriminação e veda a colaboração com eventos ou serviços que contribuam para o desenvolvimento de culturas institucionais discriminatórias.

Segundo o conselheiro do CFP, Pedro Paulo Bicalho, a Resolução 01/18 é um documento histórico que faz da Psicologia brasileira uma importante aliada às lutas trans. “A Resolução é fruto de diversas discussões no âmbito do Sistema Conselhos de Psicologia e apresenta importantes afirmações ético-políticas acerca da transexualidade e da travestilidade, assim como de outros conceitos fundamentais para o debate sobre despatologização das identidades trans e da garantia de autonomia de cada sujeito para a autodeterminação em relação às expressões e identidades de gênero”, explica.

A conselheira do CFP, Sandra Sposito, ressalta que quando a Resolução 01/18 foi lançada, posicionou a Psicologia no Brasil na afirmação da despatologização das pessoas travestis e transexuais. “A resolução é uma força muito grande para a luta das pessoas transexuais e travestis, para que não sejam entendidas como desviantes do padrão e possam enfrentar em determinados espaços a interdição de acesso aos direitos”, afirmou.

Sandra cita o reforço que a Resolução do CFP ganhou com a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), que retirou as identidades trans da lista de transtornos mentais. “A alteração da 11ª versão da CID, veio para legitimar a luta das pessoas travestis e transexuais, desconstruindo essa visão fora do padrão”, avalia.

Antes, a CID-10, formulada há 28 anos, incluía as questões de identidades de gênero no rol dos “transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento”. A nova versão será apresentada aos Estados-Membros das Nações Unidas na Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2019.

A Resolução 01/18 também está em sintonia com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada em março de 2018, que por unanimidade autoriza transexuais e transgêneros a alterarem o nome no registro civil sem a realização de cirurgia de mudança de sexo. Além disso, transexuais e transgêneros podem pedir para mudar o nome e o gênero sem precisar passar por avaliação médica ou psicológica.

“O reconhecimento da autodeterminação é muito importante, pois é a partir da própria afirmação identitária que as psicólogas e psicólogos devem compreender o gênero da pessoa”, acrescenta Sandra.

A Resolução também impede que profissionais de Psicologia se pronunciem publicamente afirmando a patologização da travestilidade ou transexualidade.

Atuação profissional da Psicologia

A psicóloga Céu Cavalcante, que também é mulher trans, ressalta a importância da data para o segmento. “Como mulher trans, o dia da visibilidade acaba adquirindo um caráter de convidar à reflexão sobre nossas lutas, a pensar nos contextos das vidas trans em diferentes contextos e entender como essas vidas tornam a minha própria vida mais possível”, avalia.

“Estou num lugar de ao mesmo tempo ser sujeita dessa Resolução e também a quem ela se dirige, no sentido de ser usuária que acessa serviços de psicólogas, mas também ser a profissional de Psicologia que está pensando de dentro sobre a prática, o campo de atuação e a teoria, então essa é uma discussão que me toca muito de perto por atravessar por esses dois lados”, explica Céu, que já atuou na Comissão de gênero do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco (CRP-02).

Céu Cavalcante explica que a Resolução 01/18 toca em algumas feridas sociais que seguem abertas. “A resolução convida profissionais da Psicologia a olharem para um segmento da população que tem uma expectativa de vida de 30 anos, ela nos convida a nos posicionarmos eticamente diante de um conjunto de violências”.

A psicóloga explica que as pessoas trans são sistematicamente excluídas de todos os espaços institucionais. “A Psicologia não poderia, portanto, ser mais um dos vários campos profissionais a corroborar com a exclusão e violência transfóbica, seja se ausentando do debate ou sendo ela própria agente dessa violência”, conclui.

Violações de Direitos Humanos

Travestis e Transexuais são uma das populações mais atingidas pela violência e discriminação no Brasil. Dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100), canal do governo federal que acolhe denúncias de violações de direitos humanos, apontam que a violência física, a violência psicológica e a discriminação foram as principais violações denunciadas, respectivamente, ao canal em 2017 e primeiro semestre de 2018.

O relatório do Grupo Gay da Bahia revela que 164 pessoas travestis e transexuais foram mortas no Brasil em 2018.  Em termos relativos, as pessoas trans representam a categoria sexológica mais vulnerável a mortes violentas.

Na próxima quinta-feira (31), o CFP sediará parte das atividades da “V semana da visibilidade Trans Hanna Susart”, organizada pela Rede Nacional de Pessoas Trans (REDTRANS). Em 2018, o Conselho Federal de Psicologia recebeu da RedTrans o prêmio “Parceiros do combate à Transfobia em 2017″, pela sua atuação em prol da população trans.

O CFP possui um site despatologizacao.cfp.org.br com conteúdo voltado à temática. No endereço, podem ser encontradas legislação, notícias e demais assuntos relacionados ao tema.

CFP realiza visita à sede do CRP-MA

A Diretoria do Conselho Federal de Psicologia (CFP) foi ao Maranhão para participar de reunião com o Conselho Regional de Psicologia da 22ª Região (CRP-MA), na quinta-feira (24), dando continuidade a uma série de visitas itinerantes aos regionais.

Pelo CFP, participaram do encontro o presidente Rogério Giannini, o conselheiro secretário Pedro Paulo Bicalho e a conselheira tesoureira Norma Cosmo. Eles estiveram reunidos com representantes do CRP-MA, como o presidente Eliandro Araújo, e o tesoureiro Railson Rodrigues, a secretária Polianna Galvão, a conselheira Maria Alvares e o conselheiro Danilo Halabe.

O presidente Rogério Giannini iniciou a reunião afirmando a importância das visitas aos Regionais, com o objetivo de estar mais próximo aos CRPs e conhecer as realidades locais. Na sua avaliação, as 20 visitas itinerantes já realizadas têm sido experiências extremamente positivas e que têm dado a dimensão da atuação das(os) psicólogas(os) nas diversas regiões do país.

Para a conselheira Norma Cosmo, a partir das visitas aos regionais, foi possível perceber a importância da formação/capacitação das(os) trabalhadoras(es) do Sistema Conselhos, destacando os diversos cursos já realizados, como o de capacitação em eSocial, formação de pregoeiros, elaboração de termo de referência e curso prático em ComprasNet. Já o conselheiro Pedro Paulo lembrou o trabalho desenvolvido pelo CFP de valorização da Psicologia, inclusive nos 74 espaços de representação que o Conselho Federal ocupa.

Para o presidente do CRP-MA Eliandro Araújo, a ida do Conselho Federal é interessante também para que se conheça a realidade da Psicologia maranhense. “Nós conseguimos passar nossas demandas para o CFP, para que se pense em estratégias que melhorem a gestão do conselho no nosso Estado”, complementa.

Também foram discutidos temas sobre as atividades do CRP-MA, o dia-a-dia da profissão e suas regionalidades, além da importância do 10º Congresso Nacional de Psicologia (CNP), que acontece em Brasília, entre 30 de maio a 2 de junho.

Visita itinerante

As visitas itinerantes vêm ocorrendo desde 2017 e já foram realizadas nos CRPs do Ceará, da Paraíba, de Alagoas, de Pernambuco, da Bahia, de Sergipe, do Espírito Santo, do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Mato Grosso do Sul, de Tocantins, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Piauí, do Distrito Federal, do Amazonas, do Pará/Amapá, e ainda nas seções Acre e Rondônia. O objetivo das visitas é aproximar as instituições, criar canais de diálogo cada vez mais próximos, conhecer as realidades locais e ajustar diretrizes de âmbito nacional.

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Nota das Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos

Minas Gerais sofreu mais um atentado à vida, resultado do descaso de corporações preocupadas unicamente com os lucros decorrentes da exploração irracional dos recursos naturais e  dos trabalhadores.

Na sexta-feira (25), novamente uma barragem da mineradora Vale se rompe, agora no município mineiro de Brumadinho. Novamente pessoas morreram e ficaram desapropriadas de suas vidas ao terem, não apenas suas casas, mas suas comunidades destruídas pela lama de rejeitos da mineradora.

Três anos após a  tragédia de Mariana (MG), a população que sobreviveu sofre diariamente as consequências deste evento.  Agora, mais uma comunidade  vive as consequências negativas da voracidade de um sistema econômico insensato e  da ganância desmedida, posta acima das mínimas responsabilidades legais, ambientais e sociais.

As vítimas de Brumadinho não  podem sofrer mais nenhuma violação dos seus  direitos.  É imperativo que a mineradora, ao menos agora, cumpra suas responsabilidades sociais, apoiando todas as pessoas que estão vivendo e convivendo com esta tragédia.

O colegiado das Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselho de Psicologia lembra as vítimas de Mariana e solicita empenho do Estado e de seus agentes para compelir a empresa a cumprir suas obrigações com as vítimas desta nova calamidade.  Ao mesmo tempo exigimos que este desastre não tome os mesmos rumos de Mariana e que as vítimas de Brumadinho sejam acolhidas de forma  digna e eficiente.

É preciso  que o cuidado e a acolhida destas pessoas não se reduza ao ressarcimento das perdas materiais – o que deve ocorrer prontamente – , mas também sejam realizadas ações que  recuperem a dignidade, a memória, a cultura, e os laços afetivos, soterrados por uma lama de rejeitos que causaram destruição em todas as dimensões da existência dos atingidos.

As Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia ficam à disposição da sociedade na busca do cuidado integral às vítimas da tragédia em Brumadinho, provendo uma estrutura digna para um novo recomeço em suas vidas e permanente atenção à garantia dos direitos humanos de cada individuo, vítima das situações de emergências e desastres.

Nota do CFP sobre tragédia em Brumadinho

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) presta solidariedade às pessoas afetadas pelo rompimento da barragem na Mina Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, ocorrido na sexta-feira (25), e oferece apoio às vítimas.

O rompimento da barragem da mineradora provocou uma avalanche de lama e rejeitos de mineração, devastando a comunidade e o meio ambiente, causando mortes e o desaparecimento de centenas de pessoas.

Reconhecemos a importância da iniciativa do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-04) que, por meio de sua Comissão de Psicologia de Emergências e Desastres, está em Brumadinho se articulando e se integrando com as políticas públicas locais para prestar o adequado apoio e assistência aos atingidos.

O CFP denuncia e exige que as autoridades e o poder judiciário responsabilizem criminalmente a empresa Vale pelo ocorrido em Brumadinho e lembra que a mineradora é, pelo que consideramos, responsável por outro crime ambiental ocorrido há pouco mais de três anos no município de Mariana (MG), em que 19 pessoas morreram.

Ressaltamos também a importância das Políticas Publicas de Saúde, particularmente das trabalhadoras e dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que conta com expressiva atuação de profissionais da Psicologia, bem como do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil no socorro e atenção às vítimas e seus familiares.

Informamos à sociedade brasileira que a Psicologia tem se ocupado do tema das Emergências e Desastres, incentivando a formação de comissões nos Conselhos Regionais de Psicologia e que, no âmbito federal, estamos organizados por meio do Grupo de Trabalho Psicologia das Emergências e Desastres.

CNDH publica relatório sobre direitos dos povos e comunidades tradicionais

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) publica a íntegra do Relatório sobre os Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais. Intitulado “Povos Livres, Territórios em Luta”, o documento foi aprovado em Plenário durante a 43ª Reunião Ordinária do CNDH, ocorrida nos dias 10 e 11 de dezembro, com a presença de conselheiras e conselheiros dos dois biênios (2016-2018 e 2018-2020).

O relatório aprovado é fruto do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho dos Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais, instituído pelo CNDH com o objetivo de levantar casos de violações de direitos humanos contra povos e comunidades tradicionais. A publicação gerada tem como foco os registros sobre as missões acompanhadas pelo CNDH, com vistas a gerar recomendações para garantia dos direitos dessas populações.

Para o representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP) no CNDH, o conselheiro Paulo Maldos, as recomendações do documento visam a superação dessas situações de agressões de direitos.  “O relatório é extremamente importante, pois dá visibilidade a esse conjunto de povos, da existência deles nos territórios, os direitos que eles têm na legislação brasileira e na legislação internacional”.

O conselheiro do CFP ressalta ainda a importância do CNDH como instituição de Estado e não de Governo responsável pelo monitoramento e por cobrar que as recomendações do relatório sejam realizadas tanto para entes do Estado, quanto para as empresas.

Missões

Ao longo de 2018, foram realizadas quatro missões que buscaram a diversidade de locais e de segmentos. A primeira missão ocorreu no município de Santo Antônio do Descoberto (GO), entorno do Distrito Federal, com enfoque na atuação de parteiras, benzedeiras e raizeiras. Em seguida, foi realizada missão com os extrativistas costeiros e marinhos da Reserva Extrativista de Canavieiras (RESEX Canavieiras), em Canavieiras (BA). A terceira missão envolveu as comunidades tradicionais de pantaneiras e pantaneiros em Cáceres (MT) e Corumbá (MS). Por fim, ocorreu a missão com as comunidades tradicionais do norte de Minas Gerais.

Constatadas as violações, o relatório do CNDH propõe recomendações destinadas a instituições responsáveis pela proteção e promoção de direitos humanos, bem como o encaminhamento de representações, de acordo com as prerrogativas constitucionais, as quais reconhecem o conjunto dos povos e comunidades tradicionais como sujeitos de direitos da Convenção 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho e Decreto 6.040/2007, além dos direitos de Povos Indígenas (Artigos 231 e 232 da Constituição Federal) e das Comunidades Quilombolas (Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal).

Além do Conselho Federal de Psicologia (CFP), compuseram o Grupo de Trabalho Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais do CNDH o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), a Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (FIAN-Brasil), o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Confira na íntegra o “Relatório sobre os Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais – Povos Livres, Territórios em Luta”.

Com informações do Ministério dos Direitos Humanos (MDH).

 

 

Ministério da Saúde se posiciona contra regulamentação da profissão de psicomotricista

A Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, manifestou-se no dia 6 de dezembro contra o projeto que dispõe sobre a regulamentação da atividade profissional de psicomotricista e autoriza a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Psicomotricidade, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 74/2018. Documento do Ministério reforça o posicionamento do Conselho Federal de Psicologia (CFP), impulsionando a luta das entidades que são contra o projeto.

Conforme documento elaborado pelo Ministério da Saúde, sob o ponto de vista da regulação do trabalho em saúde, para a regulamentação da atividade profissional de psicomotricista, é necessário demonstrar que tal ocupação tenha escopo de práticas exclusivas; existir cursos consolidados em programas universitários que permitam a formação com a qualidade e quantidade necessária para abranger o território nacional; existir referencial teórico e científico próprio; e haver relevância social e interesse público.

Para o CFP, a psicomotricidade é, enquanto ciência, campo da Psicologia, da Pedagogia, da Educação Física, da Fisioterapia, da Terapia Ocupacional e da Fonoaudiologia, não havendo necessidade da individualização como ramo profissional.

Sendo assim, é injustificável a regulamentação de uma profissão que se estrutura em funções exercidas por outras profissões, posto que a Psicomotricidade tenha raízes e aspectos relacionados às mais diversas profissões.

CONFIRA A LINHA DO TEMPO DA LUTA CONTRA A APROVAÇÃO DO PROJETO DA PSICOMOTRICIDADE (PL 795/2003/PLC 74/2018)

22/04/03

O Dep. Leonardo Picciani apresentou na Câmara o PL 795/2003, regulamenta a profissão de psicomotricista e autoriza a criação dos Conselhos Federal e Regionais.

12/06/18

Aprovado requerimento de urgência. O projeto é aprovado no plenário da Câmara e segue para o Senado.

26/06/18

Início da tramitação no Senado, como PLC 74/18.    Mesa Diretora despacha para apreciação da CCJ e CAS.

28/06/18

CFP participa de discussão no Fórum de Conselhos Federais da Área da Saúde e no Fórum de Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, os quais se posicionam contra o projeto e combinaram de elaborar parecer conjunto com os 14 Conselhos Federais da Área da Saúde.

29/06/18

A 19ª Plenária do CFP aprova o parecer contrário.

28/08/18

A CCJ designa o relator.

04/09/18

O CFP solicita apresentação de requerimento para apreciação também da Comissão de Educação.

05/09/19

O Presidente do CFP entrega ao Relator os argumentos contra o projeto.

10/09/18

O CFP solicita pautar discussão na CRTS, no Fentas e no CNS.

A CRTS elabora nota técnica e se posiciona veemente contra o projeto.

01/11/18

O CPF envia ofício-Circular aos CRPs solicitando participação nas ações contra o projeto.

12/11/18

O CPF envia ofício aos membros da CCJ com as manifestações contra o projeto.

21/11/18

O parecer do relator foi aprovado na CCJ e seguiu para CAS.

22/11/18

O CFP articulou um relator na CAS, contudo a comissão o informou que o projeto estava sobrestado, por conta do requerimento 143/17, o qual determina que projetos que tratam de regulamentação de profissões deverão consultar CCJ.

27/11/18

O CFP enviou ofício à Presidência da CAS com os subsídios, solicitou a juntada ao processado e distribuição aos membros da comissão.

04/12/18

O CFP entregou os subsídios contra o PLC na Liderança do Governo no Senado.

05/12/18

Aprovado requerimento de urgência. O PLC 74/2018 foi aprovado e seguiu para sanção do Presidente da República.

14/12/18

O CFP enviou ofício ao Presidente da República, ao Ministro da Casa Civil e da Secretaria de Governo encaminhando os subsídios, solicitando audiência e o veto total do projeto.

17/12/18

O Presidente do CFP se reuniu com o Ministério da Saúde, o qual se manifestou pela rejeição total do PLC 74/2018.

03/01/19

Prazo máximo para sanção pelo Presidente da República.

Saiba como solicitar o veto ao PLC 74/2018:

Enviar e-mail para:
Presidência da República: gabinetepessoal@presidencia.gov.br

Ministro-Chefe da Casa Civil: agendacasacivil@presidencia.gov.br

Ministro-Chefe da Secretaria de Governo: sgov.gabinete@presidencia.gov.br  e sgov.chefegab@presidencia.gov.br

Ministério da Saúde: ministro@saude.gov.br e chefia.gm@saude.gov.br

Conselho Federal de Psicologia deseja boas festas

2018 foi um ano produtivo e desafiador. Em meio ao cenário atual, o Conselho Federal de Psicologia manteve-se atuante, realizando várias ações direcionadas à categoria e à sociedade.

Foram diversas atividades promovidas no intuito de enriquecer e aproximar a ciência psicológica de sua prática, visando sempre o cuidado, o compromisso ético e a função do Conselho.

Foi possível acompanhar com transparência e agilidade muitas ações do CFP, ao vivo, por meio de transmissões on-line de eventos e Diálogos Digitais.

Foi um ano de concretização de antigas reivindicações da categoria, como a nova carteira de identidade profissional; a nova resolução sobre atendimento psicológico on-line; o reconhecimento da Avaliação Psicológica como especialidade da Psicologia; a aquisição de um novo Sistema Cadastral totalmente digital e que dá acesso para a categoria a diversos serviços; a atualização do manual de procedimentos administrativos e financeiros, que não era revisado desde 2007. Tudo isso aprovado pela Assembleia de Políticas, de Administração e de Finanças (Apaf) em conjunto com todos os Conselhos Regionais de Psicologia.

O ano de 2018 marcou o retorno da Revista Diálogos, que voltou a ser produzida após um hiato de seis anos. Também foram lançadas novas publicações, como referências técnicas e cinco números da Revista Ciência e Profissão, entre elas uma edição especial, sobre os 15 anos do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (Satepsi).

2018 também foi o ano da 5ª e maior edição do Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão, que colocou em evidência a união da Psicologia brasileira, aberta ao diálogo com todas e todos que querem pensar uma Psicologia que promova a igualdade, o respeito e a defesa dos direitos humanos como condições inegociáveis.

E a defesa dos direitos humanos, balizadora da atuação profissional da Psicologia e presente nos princípios do código de ética, também esteve presente este ano nas ações do CFP, inclusive com a publicação da Resolução 01/2018, que orienta psicólogas e psicólogos a atuar, no exercício da profissão, de modo que as travestilidades e transexualidades não sejam consideradas patologias, e de forma a contribuir para a eliminação da transfobia. Também foi o ano de intensa defesa da Resolução 01/99, que determina que não cabe a profissionais da Psicologia no Brasil o oferecimento de qualquer tipo de prática de reversão sexual.

Com a chegada de um novo ano, o CFP chama as psicólogas e os psicólogos a seguirem juntas(os) para fazer de 2019 um ano repleto de realizações, de lutas e novas conquistas, onde o CFP seguirá construindo a Psicologia brasileira cada vez mais diversa e inclusiva, com ética profissional e comprometida com a garantia de direitos.

CFP é titular no Conselho de Promoção da Igualdade Racial pela 1ª vez

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) assumiu nesta quarta-feira (19) representação no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), biênio 2019/2020. Representado pela conselheira Célia Zenaide, esta é a primeira vez que o CFP assume a titularidade no CNPIR. A data da cerimônia de posse coincidiu com o aniversário de 16 anos da Resolução do CFP N.º 018/2002, que estabelece normas de atuação para as psicólogas(os) em relação ao preconceito e à discriminação racial.

“A sociedade civil no CNPIR é formada majoritariamente pelos movimentos sociais, então ter o CFP enquanto categoria nesse Conselho traz um outro recorte, um outro lugar, uma dinâmica onde a gente pode pautar não apenas as questões da categoria, como da sociedade, pois lidamos diretamente com essas populações”, explicou Célia.

Ao compor a mesa de abertura da cerimônia, Célia Zenaide falou sobre os objetivos de atuação do CNPIR. “Nós precisamos lembrar das populações que este Conselho representa enquanto ferramenta de controle social, eu quero trazer a pauta a população LGBT negra, as populações de terreiro, os povos tradicionais, a juventude negra, os povos indígenas. Nós somos uma população que tem um marcador social e ele diz sobre a nossa tonalidade da pele, orientação sexual, religiosidade, tradição, nós trazemos esses marcadores enquanto cultura e nós sofremos violações”, destacou.

Ainda segundo a conselheira, a expectativa do assento no Conselho é de continuar pautando pelo desenvolvimento das políticas de ações afirmativas para a população contemplada pelo CNPIR. “Assim como a população negra compõe a maior parte da população brasileira em conjunto com os povos tradicionais, os povos indígenas, queremos continuar não só nos números, mas de uma forma que nós sejamos visibilizados e não apagados”, acredita.

Segundo o secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e também presidente do CNPIR, Juvenal Araújo, o CNPIR tem uma importância fundamental para o desenvolvimento das políticas de promoção da igualdade racial de forma efetiva e permanente.

O Conselho é composto por representantes de organizações gerais do Movimento Social Negro; das comunidades tradicionais de matriz africana e terreiros; juventude negra; LGBT negra(o); mulheres negras; quilombolas negras(os); trabalhadoras(es) negras(os); povos indígenas; comunidades cigana, judaica e árabe. Também integram o colegiado representantes das temáticas da saúde, comunicação, educação, pesquisa e meio ambiente.

CNPIR – O CNPIR é um órgão colegiado, de caráter consultivo e integrante da estrutura básica da Seppir. Sua principal missão é propor políticas de promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra e outros segmentos raciais e étnicos da população brasileira.

Além do combate ao racismo, o CNPIR tem por missão propor alternativas para a superação das desigualdades raciais, tanto do ponto de vista econômico quanto social, político e cultural, ampliando, assim, os processos de controle social sobre as referidas políticas.

CFP assume representação no Conselho Nacional de Saúde

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) assume a representação como entidade de profissionais de saúde no Conselho Nacional de Saúde (CNS). A conselheira do CFP Marisa Helena Alves é a nova titular para a gestão 2018-2021. A cerimônia de posse ocorreu na última sexta-feira (14). Ao todo, assumem 143 conselheiros e conselheiras, entre titulares e suplentes. Desses, 48 são novas(os) titulares que vão ter a importante função de deliberar e fiscalizar as políticas de saúde no Brasil.

“A categoria dos psicólogos está muito presente na política pública de saúde, então é de uma importância muito grande fazer parte do CNS, participar dos debates e discussões sobre as políticas de saúde para o Brasil, principalmente nesse lugar de controle social”, afirma Marisa Helena Alves.

Ainda de acordo com a conselheira, a atual conjuntura de desmonte e retrocessos nas Políticas Públicas – principalmente no que tange a Saúde Mental – torna ainda mais relevante a participação do CFP nessa representação. “Foram modificadas várias conquistas relacionadas à política para a saúde mental que já estavam sedimentadas, consolidadas, como, por exemplo, a volta dos manicômios, a internação das pessoas sem direito garantido de ir e vir, que já estava garantido pelas políticas da Rede de Atenção Psicossocial (Raps)”, explica Marisa Helena.

A conselheira ainda lembra que é importante fazer resistência junto a outros segmentos sociais, a outras categorias e espaços coletivos para garantir que o conquistado permaneça e avance na medida do possível. “Embora a gente não tenha consideráveis avanços nesse momento, não devemos perder a esperança. A luta continua exatamente para garantir que avance e não retroceda mais”, completa.

CNS

O Conselho Nacional de Saúde é formado por 48 conselheiras(as) titulares e suas(seus) respectivas(os) primeira(o) e segunda(o) suplentes, 50% de representantes de entidades e dos movimentos sociais de usuárias(os) do SUS; e 50% de representantes de entidades de profissionais de saúde, de representantes de governo, incluída a comunidade cientifica da área da saúde, de entidades de prestadores de serviço de saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde – Conass, do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde – Conasems e de entidades empresariais com atividade na área da saúde.